domingo

Touradas e outras loucuras: tributo a Hemingway

  • TRIBUTO A ERNEST HEMINGWAY:

O peso das tradições e dos costumes mantém-se em Monsaraz: não os critico nem os censuro. Provavelmente, faria o mesmo. Até porque a questão da morte do touro violar o direito dos animais é, quanto a mim, uma falsa questão. Aqui a questão maior é, a nosso ver, a própria evidência trágica com que o homem sempre se debate desde que nasce: seja diante de um touro, ante a queda dum avião desgovernado, diante um homem enfurecido ou até mesmo no seio duma bela mulher. Eu disse "seio" (no singular!!!). Creio que o genial Ernest Hemingway soube capturar essa essência, aceitou-a e recriou-a a ponto de a universalizar na sua Obra, e bem. No fundo, - se pensarmos bem, e esta é uma "directa" para os "pacifistas da tanga" que passam a vida a defender os direitos dos animais e depois ingerem carne de vaca (até) ao pequeno-almoço, alguns vão para a tv dizer que são vegetarianos, e até defendem o indenfensável - se isso lhes trouxer alguma ocupação ao cérebro ou alguns subsídios de Bruxelas. O Homem, desde que nasce, passa toda a sua vida num jogo com a morte, e foi isso que infelizmente sucedeu ao próprio Hemingway. Lamento mais este suicídio de Hemingway do que morte de todos os touros do mundo. O homem é que é o valor central em roda do qual tudo gira, e se se respeitar isto tudo o resto se respeita - até (saber) apreciar um espectáculo destes que é uma tentativa do homem se encontrar consigo próprio diante dos seus medos. E por vezes correr à frente dum touro nada é do que fugir à frente duma mulher. Depende..., tudo é relativo, afinal! Fugimos de quê? Talvez da morte, e "o touro é que as paga"... E o próprio escritor, qual é a associação de admiradores do Escritor que aparece por aí declarando que se opõe à morte de Ernest Hemingway??? Que tomou a decisão de se suicidar com um tiro na cabeça em 1961, acto esse que nenhuma relação teve com as touradas de Pamplona. O "touro", na filosofia oriental, é um obstáculo, um pequeno problema que temos de resolver, e os forcados que o digam, que também oferecem a sua vida aos cornos do touro. Aqui também não aparece nenhuma ONG pró-vida dos forcados!!! . E se desse recontro do homem com a quase-morte que o touro representa ele sai quase sempre por cima, então eu digo - pois que a tradição se mantenha e Monsaraz está de parabéns e Évora também. Viva a tradição, apesar de ela já não ser o que era..., nem os touros, creio.. Post dedicado, obviamente, ao genial Ernest Hemingway. Quanto aos "pacifistas charulezes" do costume - sempre é um momento para aparecerem na tv a comiserar-se da morte dos bois, apenas queria dizer mais o seguinte: "deixem-se de merdas" e procurem é promover e salvar a condição em que próprio homem (sobre)vive e que, não raro, está numa posição bem pior do que a de certos "bois"... Porque tourada não é só gastronomia, nem só canibalismo - como se procura fazer crer. A tourada é muito mais do que isso: é também literatura e esta quando é boa também é cultura. Só de pensar o que pode fazer à pala das touradas até eu próprio me transformaria em toureiro. Mas como não tenho "tomates" para isso dedicamos, por extensão, e com a anuência da memória de Ernest - estes comentários a essa boa gente que faz as touradas dentro e fora da arena. A cavalo ou a pé. Um touro é sempre um touro, e a melhor forma de o respeitar é enfrentá-lo... Parabéns aos FORCADOS!! Que a par dos bombeiros deveriam ser fontes de inspiração e coragem para a generalidade dos políticos - que nem touradas sabem fazer. Apesar de sabermos que quando estão no governo, e mesmo na oposição, nos servem umas certas "touradas fiscais", mas isso é outra estória que fica para outra cavalgada a ser discutida noutra arena.

  • PS: e por falar em Monsaraz recomendamos vivamente a visita a este blog Monsaraz em fotos - pelas excepcionais fotos do lugar histórico mais bonito de Portugal, segundo alguns. Para mim, claro, é Marvão.
  • Ver com interesse o programa das festas de Monsaraz, mesmo para os que não gostam de tourada.
  • Para aprofundar o assunto dos touros e da filosofia que os explica sugerimos esta reflexão, parte dela até tive o privilégio de a receber das mãos de Agostinho da Silva, por ironia do destino.