quarta-feira

Esta direita portuguesa é a face de Janus da política à portuguesa

A função e o papel do CDS no regime político nacional é alinhar ora com o PS ora com o PSD. Fá-lo à vez e exclusivamente tendo em vista cavalgar os tachos do poder que lhe prometem a troco dum prato de lentilhas... 



Sabe-se que o PCP votará contra o projecto de resolução do CDS que procurará chumbar o Programa de Estabilidade (PE), que com esta nova liderança tenta por-se em bicos de pés para se afirmar para fora (sociedade) e para dentro (do partido) e, assim, crescer sociologicamente e limitar o espaço de manobra ao PSD, ou seja, o CDS de Cristas tenta crescer parasitando o PSD apático do nado-morto Passos Coelho. Por seu turno, o outro parceiro da "geringonça", o BE já veio alinhar a sua vontade com o seu "irmão mais velho", o PCP em ordem a dar sustentabilidade ao Governo liderado pelo PS. É sob este quadro que a direita é acusada, e bem, de estar a fazer chicana política, um número de cartaz apenas para projectar a novel liderança do CDS, mas que nenhuma consequência terá para a sociedade. 

Senão, vejamos: se este programa fosse chumbado, como o CDS de Cristas (só) aparentemente deseja, Portugal teria imediatamente problemas com a Comissão Europeia. Na verdade, os objectivos a prosseguir entre o actual Governo e a direita da austeridade (que durante 4 anos empobreceram Portugal e os portugueses e nenhuma reforma estrutural fizeram na economia nacional) são reduzir o défice e equilibrar as contas públicas, ainda que o método para lá chegar seja diferente, a finalidade a atingir é a mesma. A esta luz, a "geringonça" e a Pàf apenas se distinguem no método para atingir os mesmos resultados/objectivos. 

Por outro lado, o PSD esteve tão reservado quanto apático nesta discusão, e na raiz dessa indecisão estava o receio de Passos ter de vir a aprovar o Programa de Estabilidade do PS, caso o mesmo fosse votado, como desejaria o CDS. Ou seja, o CDS de Cristas quase levou o PSD de Passos a fazer mais uma triste figura, tendo de aprovar medidas que, na prática, exigem alguma contenção na despesa em vista ao equilíbrio das finanças públicas e, ao mesmo tempo, assegurar algumas reformas e, claro, salvaguardar as pensões, os salários e a componente social que está na base da coligação que une - precariamente - o BE e o PCP ao PS. 

Perante este quadro de relações ambivalentes, senão mesmo hipócritas, pode-se perguntar o que terá motivado o CDS de Cristas a fazer este número do Caldas?! além do mediatismo desta farsa, o CDS procura obrigar o BE e o PCP a votarem o Programa de Estabilidade do PS e, assim, a clarificar mais e melhor as águas. Mas para quem está atento a estas movimentações e "números políticos", percebe-se facilmente que o CDS não é um partido sério e faz política espectáculo, sacrificando o bem comum, mas desde que isso vá ao encontro do seu interesse partidário e à fixação da nova liderança - há que ir em frente e sofisticar a mera chicana política num partido que, desde 1974, nunca ganhou uma única eleição legislativa, mas já "se deitou politicamente" com o PS e com o PSD, demostrando, assim, a sua verdadeira natureza de rameira de luxo da III república. 

Este CDS é uma sombra do que foi o verdadeiro e genuíno CDS de Freitas do Amaral e de Francisco Lucas Pires, e é pena constatar este lamentável contraste. 

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sábado

O Ano Velho e o Ano Novo - por Vasco Pulido Valente -

Nota prévia: A minha questão, que é ridícula - como o tempo, é duvidar seriamente daquilo que Marcelo diz que come. Na qualidade e no conteúdo. A sua - alegada - dieta é tão crível, ou credível, como os livros que diz ter lido para consumo da plebe que o via e ouvia na estação de Queluz nas missas de Domingo. A ser assim, não me admiro que, amanhã, o Palácio Rosa se converta numa espécie de sub-delegação da estação de Queluz que é, consabidamente, propriedade do grupo Prisa integrado no colosso do banco SantanderToTT. 
- Espero, contudo, que a CMVM avalie essas ligações dangereuses e mande repor a legalidade na operação que, em princípio, terá sido grosseiramente violada na desvalorização deliberada das acções do Banif com o fito de o banco desvalorizado passar a não valer nada, que foi o desiderato do banco adquirente e que assim o absorveu por 150M€. Uma pechincha. Recordo que o Banif perdeu 900M€ após a notícia da Tvi. 
- Veremos, pois, para retomar o diálogo queirosinao de VPV, se o Ano Novo está do lado da legalidade, da transparência e da ética ou se, as usual, come da mesma palha viciada imposta pelas práticas ilícitas e as regras promíscuas do Ano Velho, a ponto de ter como método de referência mandar chamar a polícia...

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O Ano Velho e o Ano Novo



A. Novo — Vamos começar pela política. O que é isto aqui?
A. Velho  Eles dizem que é uma democracia. Mas, pelo que vi, não me parece: é um país muito pobre em que ninguém se entende e toda a gente protesta com imensa razão.
A. Novo  De qualquer maneira, quem manda?
A. Velho  Agora que o dr. Salgado não manda, manda o dr. António Costa.
A. Novo  E ele o que quer?
A. Velho  Quer o Estado Social, uma coisa que acabou por volta de 1964-65, mas não chegou cá a notícia. Entretanto dá umas migalhas por aqui e por ali e assusta os desgraçados que pensam em investir um tostão nesta balbúrdia. É por isso que as pessoas o acham de esquerda.
A. Novo  E mais nada?
A. Velho  Engordou, o que não lhe fica bem. Devia almoçar, dia sim, dia não, com o Marcelo: uma sanduíche de queijo e uma bolacha Maria. Vivia mais tempo.
A. Novo  E o país gosta dele?
A. Velho  Não houve tempo para perceber. O PC gosta porque não quer morrer; o Bloco gosta porque já se acha crescido  uma pura ilusão. O célebre português da rua ainda não se decidiu.
A. Novo  E esse “novo ciclo” de que se fala tanto?
A. Velho  Entraram uns, saíram outros: e os que entraram continuam a obedecer à Europa. É como o ditado: quem não tem dinheiro, não tem vícios.
A. Novo  Consta que está marcada a eleição do Presidente para o fim do mês. Quem irá ganhar?
A. Velho  Olhe que me ia esquecendo. Apareceram dúzias de candidatos, que se dão importância com esses festejos. E um candidato que come bolachas Maria, porque julga que Belém é um convento.
A. Novo  Que conselho é que o sr. me dá ?
A. Velho  Não fale seja com quem for em vias de ser arguido, ou acusado, ou a dois passos da cadeia. Cada vez que ouvir a frase “tenho a consciência tranquila”, fuja e chame a polícia.
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sexta-feira

O exemplo de Birgitte Nyborg - política na Dinamarca -

A FICÇÃO E A REALIDADE: da Dinamarca para Portugal

Birgitte Nyborg foi primeira-ministra da Dinamarca e tornou-se uma empresária de sucesso. Tempos depois, já com o seu partido fora do poder, regressou a Copenhaga para dar uma conferência sobre a crise política. 

No meio do discurso, para prender a audiência, debitou uma fábula conhecida que lhe rendeu simpatias: 

Durante esta crise, não podemos agir como os dois turistas que encontraram um leopardo. Um começou a calçar os ténis de corrida e o outro disse: ‘tu não consegues correr mais do que o leopardo. - Não é preciso, só preciso de correr mais rápido do que tu. 

Veremos em Portugal, na sequência dos resultados eleitorais em que a maioria do centro direita perdeu a maioria absoluta, o centro do poder deslocou-se para o Parlamento, e a esquerda - toda somada - tem a maioria absoluta, apesar de ser heterogénea, quem corre mais do que o leopardo, e em que direcção e com que legitimidade programática e popular o faz. 
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terça-feira

Drink spiking na política à portuguesa




Drink spiking foi um fenómeno que emergiu em Portugal nos últimos anos que consiste na adição de substâncias psicotrópicas na bebida de alguém, sem o seu conhecimento, sendo um método usado para facilitar roubos ou violações. Ao que parece, este terá sido o método usado pelo Poder em exercício para convencer (o independente) Vítor Bento a assumir a direcção do banco da família Espírito Santo e outros. 

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domingo

Marcelo e Passos coelho no jogo de espelhos da política à portuguesa






















Coelho, o pior primeiro ministro português desde 1974, afirma não querer um "cata-vento (leia-se, Marcelo) para seu candidato a Belém; Marcelo, é previsível que venha a declarar não querer ser apoiado pelo PM mais impreparado e incompetente de que há memória em Portugal.

Assim sendo, só se estraga uma família política que, por natureza, é a imagem da podridão política em Portugal. 

Pior seria impossível. But the show must go on...

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Política à portuguesa

A política à portuguesa está recheada de contradições difíceis de entender e até de aceitar na esfera pública. Vejamos algumas dessas contradições que prefiguram aspectos aberrantes da nossa vida política.
Al berto João, "proprietário" da Madeira, que explora em "regime de contrato vitalício", chamou Cavaco por "Sr. Silva", nome típicamente português, procurando, com isso, achincalhar a sua pessoa e honra na praça pública, ainda por cima sendo o Presidente do Gov regional o anfitrião dessa visita oficial. Agora é o mesmo "proprietário do latifúndio" que defende urbi et orbi que Cavaco é o homem do futuro, razão por que o apoia.
O empresário do Norte, o grande Belmiro de Azevedo, 2º maior empregador depois do Estado S.A, cunhou Cavaco de "Hitler" nas páginas do seu jornal diário, o Público, agora defende a sua recandidatura a Belém, também pelas mesmas razões que o "dono" da Madeira advoga para apoiar o actual PR.
Pergunto-me se nessa "maldade" semântica Belmiro pintou Cavaco com o bigodinho do Adolfo, ou idealizou o homem de Boliqueime sem bigode, embora igualmente com ar austero, qual manequim da rua dos Fanquueiros a expor roupa importada da Índia e da China, onde hoje está Teixeira dos Santos. Parece que foi lá comprar Pandas para valorizar a fauna do Jardim Zoológico, em Lisboa!!!
Agora temos a versão mais actual da diatribe presidencial, com o poeta Manel Alegre, que já não sabe o que há-de fazer para se pôr em bicos-de-pés e fazer Cavaco sair da toca de Belém, afirmando que Cavaco se apresentou na PIDE com um certificado de "bom comportamento", enquanto que o poeta, de voz tonitroante e cheio de si, andava pela radio-Argel a fazer oposição ao velho "Botas".
Eis alguns exemplos que revelam bem algumas coisas da nossa classe política: a consideração que os políticos portugueses têm uns pelos outros; o nível da coerência das suas posições pessoais e institucionais que depois projectam na esfera pública; e os expedientes a que recorrem para fazer combate político.
Se calhar, encontramos aqui um retrato miserável que justifica a razão pela qual os governados estão cada vez mais distantes deste tipo de políticos sem crédito e sem escrúpulos, além da fraca densidade intelectual e credibilidade política - o que se traduz nas fracas políticas públicas no sistema política em Portugal.
Ainda bem que Cavaco "não é político", como não se cansa de dizer, e o poeta não passa dum velho oponente à velha memória de Salazar.
Estamos, portanto, "bem entregues" no quadro destas eleições presidenciais.
PS: Ouvi Marcelo entrevistar a esposa do ex-PM, Francisco Sá Carneiro. A coisa foi tão fraca quanto miserável. A senhora, em rigor, nada tinha de revelador para dizer, por isso limitou-se a alinhar confidências que são muito do agrado de Marcelo. Este, com a experiência que tem, já devia saber que há coisas que são públicas e há coisas que são do domínio privado, e quando se misturam acabam por diluir, senão mesmo prejudicar, a imagem pública que fazemos de certas personalidades. Marcelo ainda não entendeu isso, e não hesitou em pressionar a senhora a aceitar a tal "conversa ao serão". Por isso prestou um mau serviço ao país remexendo em coisas que só têm um interesse e alcance exclusivamente familiar. Marcelo denunciou uma faceta que já conhecíamos: o "jornalismo de trazer por casa", feito de confidências que deveriam ficar resguardadas na sala de jantar. Parece que regressámos ao tempo em que o semanário de Balsemão era dirigido por quem lhe chamava: lé-lé da cuca. Pobre prestação!!!

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sexta-feira

Pedro santana lopes é um nado-morto da política portuguesa

O trajecto de Santana é conhecido: instável, está apenas onde pode ser catapultado para as elevadas esferas do poder, demonstrou escasso serviço de missão pública, é imaturo, confunde trabalho com lazer e divertimento, rodeia-se de pessoas com pouco valor técnico, cultural e político. A sua passagem pela autarquia de Lisboa e pelo governo do país, após um erro de casting de Durão Barroso, ilustram aqueles defeitos políticos.
De Santana guardo a memória de na década de 80 o dito fazer comícios, incendiar plateias e pouco mais. É, pois, um líder emocional de tipo primal, ou seja, tem uma "liderança" de tipo emocional que ele julga ser irresistível. Só que santana esquece-se de que as pessoas buscam num líder um sentimento de segurança, estabilidade e credibilidade, ser autor dum projecto, o que faz com que diminuam as sensações de incerteza e de ameaça e risco perante o governo da cidade e o governo da república, ora santana falhou nas duas frentes.
Portanto, o verdadeiro líder funciona como um guia emocional que conduz grupos. Santana hoje conduz apenas santanetes, umas dezenas de ressentidos do sampaísmo e do socratismo que busca na capital uma escapatória para as suas frustrações políticas e, naturalmente, para o seu desemprego político. De nada lhe vale o António Mexia, que no passado recente o convidou para consultor da EDP, quiça para rebentar o quadro da energia da empresa e tornar a energia mais cara aos consumidores. Mal empregues 2 mil cts mês que a empresa estourou com quadro tão pouco valioso. Na CML, depois no Governo, antes pelo Sporting - o Club dos Azuleijos de mau gosto da 2ª Circular que já se podia ter inspirado no Glorioso, em todas essas instâncias Santana não foi senão o líder primal, emocional, que sussurava, que agitava, que polarizava emoções tóxicas. E hoje, enquanto candidato à CML, Santana também não é diferente, e aquela ideia estapafúrdia de querer instalar a Feira Popular no local onde António Costa propôs a construção do novo IPO é bem sintomático dessa toxicidade santanista que demandou novamente a cidade.
E a explicação que encontro para este desatino crónico de Santana decorre do seu desemprego político, da sua desmedida ambição e, naturalmente, do rancor e da ansiedade que alimentou face à esquerda que governa o País e a capital. Resta a Santana duas coisas: a desorientação e a paralisia. Seja nos gastos supérfluos que fez com arquitectos, seja na exuberância e excentricidade das suas pseudo-propostas para a cidade, designadamente em matéria de opções urbanísticas.
É a esta luz que santana aparece como um actor dissonante da realidade, um polarizador de energias negativas. E por essa razão é um candidato desfasado do tempo, da função e da cidade a que se propõe concorrer. Tudo razões que fazem dele um mau líder e, à priori, um candidato perdedor.
Não compreendo, por isso, a razão por que alguns amigos vêm em Lopes uma ameaça, quando ele representa apenas um risco e um perigo para ele próprio. Ou são os meus amigos que estão desfocados da realidade ou sou eu que vivo em Marte...

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