sexta-feira

A hipocrisia institucionalizada pelos corredores de Belém e S. Bento


Foi ontem a sepultar a extraordinária poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen. A oficialidade do costume consagrou-a com honras no Panteão Nacional. Na cerimónia Cavaco leu um papel que alguém lhe escreveu; o estarola de Massamá, o alegado PM, já sem qualquer legitimidade política, também ocupou o espaço público, mas o essencial é negado às crianças que começam a aprender a língua materna, porquanto a obra imensa de Sophia não consta dos programas de português que o destruidor Crato ditou para o próximo ano lectivo. É mais um crime contra a cultura nacional de vocação universal

É uma contradição gritante que não se compreende, nem por lapso. E a ser assim, só poderá haver má fé em mais este dolo cultural que denuncia bem o ADN de Cavaco e Coelho, supostamente homens de acção e de cultura. 

Com tanta contradição, amanhã ou depois ainda veremos Passos Coelho, completamente calvo, participando num spot publicitário promovendo um tónico capilar para carecas (oferecendo pentes-de-bolso) - com resultados anunciadamente garantidos; ou Cavaco, fazendo atletismo, promovendo a imagem de que, afinal, já não desmaia em público. 

Será que alguém ainda acredita neles?

Esta esquizofrenia política está a destruir uma nação inteira e a minar a coesão do Estado, porque tem consequências inimagináveis em todos os domínios da sociedade portuguesa.

Permitir a manutenção deste estado de coisas, é um incentivo a que cada um de nós, portugueses, se torne num miserável mentiroso e hipócrita. 

Será que é isso que queremos?!

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domingo

A Páscoa e os seus símbolos: o coelho e o ovo


Sendo uma passagem, a Páscoa recorda-nos aspectos que não vivemos mas temos que imaginar que vivemos e se passaram há  milhares d´anos. A ciência histórica, enquanto ciência e fonte documental, embora importante revela-se um instrumento fraco para nos ajudar a arrumar ideias e tomar opções. 
Desse modo, há três grandes categorias de reacções face à Páscoa: os mais crentes imaginam ou recordam que imaginam, que mataram Jesus e que, dias depois, Ele ressuscitou diante dos seus discípulos; os menos crentes, hesitam e perguntam-se se a sua falta de imaginação e de memória decorre dos factos terem milhares d´anos, não conhecerem a história com detalhe ou, simplesmente, quererem afirmar um traço identitário distintivo do comportamento dos crentes; e temos ainda a 3ª categoria: os verdadeiramente cépticos cuja única preocupação consiste em saber a que horas é servido o cabrito. 
Estranho em todo este processo histórico-religioso é o coelho perfilar como um dos símbolos da Páscoa, e se o bicho o é apenas porque aparece aos saltinhos nos campos no fim do inverno, com a sua prole - sinal de fertilidade - é um sinal fraco para testar a nossa fé e compreender em qual das três categorias relativamente à Páscoa cada um de nós se insere. 
O ovo, símbolo da vida, é a outra "ferramenta" utilizada pela mitologia cristã para evocar este tempo transitivo entre o Inverno e a Primavera. Menos mal...
É que com um ovo ainda se consegue presentear e desejar uma Páscoa feliz a um amigo; com um coelho, o fardo é pesado em Portugal. E compreende-se bem porquê. 
Quanto à crença na existência de Jesus Cristo, na sua ressurreição e na causa da origem primeira assente em Deus, seu Pai, talvez o melhor seja procedermos com um cepticismo moderado, a evoluir para a posição do crente activo, pois se Ele existe - na hora H. - diz o common sense - que sempre vamos melhor acompanhados no momento do juízo final. 
No fundo, a religião é o ópio do povo e serve também para disfarçarmos o medo que a morte nos suscita. Sentimento semelhante deverá ter o coelho quando se apercebe das intenções do caçador...
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sexta-feira

Me, my self and Us...



Breve história da decadência política em Portugal:

- Barroso, o desertor, elogia Cavaco;
- Cavaco, o professor de finanças públicas que não conseguiu ajudar o governo com uma única ideia, elogia Barroso.
- Barroso, temerato e com a ânsia de reparar as borradas que fez com aquela lamentável entrevista ao Expresso-Sic, elogia Passos Coelho;
- Desse elogio, só faltou elogiar o ministro dos submarinos, o dr. Portas, mas o elogio a Coelho é lido extensivamente ao CDS e, desse modo, barroso procura fazer a quadratura do círculo e recolher o apoio do partido do Largo do Caldas. 

Os portugueses estão entregues a esta maltosa, que se ocupa em defender os seus tachos, embora o façam em nome do interesse nacional, tamanho o cinismo. 

Este espectáculo é tão vergonhoso quanto lamentável. Tem a assinatura desta direita ultra-liberal que se serve das instituições do Estado para servirem os seus próprios interesses e carreiras pessoais. 


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