segunda-feira

Juro que não - por Vasco Pulido Valente -

Nota prévia: É curioso notar, à  excepção das três razões que levaram o BE e PCP a não querer integrar o Executivo (e que sublinhei a amarelo) - em que é fácil concordar com o articulista - tudo o mais poderia encontrar uma conclusão diversa daquela pela qual o autor afinou. Pelo que presumo que cada vez é maior o fosso entre a teoria e a práxis, o pensado e a realidade, a aparência e a convicção. Não raro, tendemos a arrumar aquilo de que desgostamos numa tremenda fatalidade, e fazê-mo-lo sem curar de saber que é nessa incerteza (qual lei da vida!!) que pode radicar a esperança num Portugal melhor. Numa palavra: esta prosa de VPV tanto dá para cobrir a ligação do PS à esquerda, como para a ainda coligação contra-natura do PSD-CDS. É assim uma espécie de "teoria pronto-a-vestir" que se aplica à esquerda e à direita simultaneamente, deixando aqui uma vontade imensa de questionar VPV se a pior das "catástrofes" - para retomar a sua terminologia - não seria deixar perpetuar o actual gang no poder. Pulido Valente ou é "estúpido", hipótese pouco verosímil - ou então pretende fazer-nos de idiotas, o que ainda é pior...

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Juro que não




A única maneira de controlar o que se passa é ter directamente na mão o poder a que se chama, com propriedade, executivo. O PC e o Bloco não quiseram ir para o governo do dr. Costa por três claríssimas razões. Primeiro, querem evitar que o descontentamento, sempre inevitável, e agora mais numa situação de crise, caia sobre eles e venha a diminuir o seu já exíguo eleitorado. Segundo, precisam de uma porta aberta para uma saída nada airosa, mas muito rápida: as pequenas seitas vivem de ilusões e, quando desiludem, morrem. E, terceiro, preferem algumas vitórias de longe na Assembleia da República a ter dia a dia de carregar as “gaffes” de uma gente cheia de zelo e sem experiência: sem dúvida a pior das combinações. Jerónimo de Sousa não nasceu ontem, parece que Louçã educa Catarina Martins.
Se o dr. Cavaco resolver dar posse a António Costa não dará posse com certeza a um governo coerente, estável e duradouro. Dará posse a uma velha igreja que sempre se distinguiu pelas suas querelas teológicas e que, apesar de caduca, não desistiu do exercício. Os grupinhos que infestaram a Primavera e o Verão de 2015 não foram engolidos pela sua triste figura eleitoral. Estão aí por detrás de cada pedra à espera que Jerónimo, Catarina ou Costa mexam um dedo para os desfazer com aquele ódio fraternal que distingue a verdadeira esquerda. E hoje com a ajuda das centenas de “sensibilidades” do PS, que o novo regime deixou de fora e por quem os jornalistas se pelam para estabelecer a sua trapalhadazita da ordem. O dr. Cavaco irá dar posse a uma balbúrdia, por definição instável e incoerente, e ainda por cima bastante mais curta do que ele pensa. No meio desta catástrofe só me espanta o dr. António Costa: não o achava estúpido, juro que não.

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