quarta-feira

O harakiri de Tsipras

O harakiri de Tsipras
De súbito tudo muda na Grécia em matéria de referendo. Em vez de ser um estadista com firmeza e visão de fundo, Tsipras está a revelar-se um boneco de palha que navega ao sabor dos ventos da troika. Uma circunstância que jogará mais contra ele do que a seu favor, naturalmente. Ou seja, de um dia para o outro, o PM passa do 8 para o 80, da fase do referendo assumido e à rejeição ao plano de pagamento de dívida proposto pela troika de credores, Tsipras passa à aceitação de um novo plano de resgate para a Grécia, fazendo com que milhares de gregos, apoiantes de Tsipras, se sintam surpreendidos e atraiçoados. 
Um plano de auxílio à criação de emprego, uma suavização na aplicação das reformas e nos cortes aos salários, pensões e impostos lançados às empresas, terá feito com que Tsipras tenha, de súbito, mudado de opinião e, desse modo, desconvocado o referendo que, em rigor, nunca se compreendeu quando e como iria realizar-se, mas que foi agendado para a semana seguinte. 
Aos gregos já se cortou tudo, até a dignidade e, doravante, têm um PM que num dia apela ao Não ao acordo de pagamento da dívida à troika, no day after já aceita fazer campanha pelo Sim, de braço dado com Junker, Lagarde, Shaüble e tutti quanti... 
Tsipras, com este volte face, arrisca-se a ser engolido pela dinâmica de combate às instituições europeias que dinamizou. Num momento, revelou firmeza, coragem e determinação; no momento seguinte, revelou tibieza, cedência e capitulação. Em face deste volte face, arrisco a dizer que Tsipras terá os dias contados à frente do executivo grego, e será o seu próprio povo quem o apeará do poder, com uma forte ajudinha do FMI, BCE e, claro, do Sr. Junker - em nome da Comissão Europeia - que já apelidou Tsipras de mentiroso. 
Agora, com a vantagem de os factos sociais reencarnarem o papel de notário daquela adjectivação. 
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