sábado

Grécia no carrefour da sua história e do projecto europeu




A Grécia enfrenta simultaneamente um dilema moral e político: pagar ou não pagar uma dívida contraída nas últimas décadas pelo Pasok e Nova Democracia, que não souberam equipar o Estado como máquina fiscal e de distribuição justa dos rendimentos à população decorrente da recolha dos impostos que, por incúria, irresponsabilidade e corrupção não foram arrecadados. 

Daí o actual poder, centrado no Syrisa, interrogar-se: devemos "nós" pagar uma dívida contraída por outros, com a agravante de as condições impostas pela troika de credores arrastar o povo grego para uma situação ainda mais miserável do que a que vive hoje?!

Ou seja, o PM em funções, Tsipras, não quer assumir esse encargo, daí fazer derivar o caminho da democracia para a tentativa de (re)legitimação do referendo de amanhã e apostando no "Não" ao pacote da dívida sugerido pela troika de credores. 

Por outro lado, e de forma algo paradoxal e inumana, em Portugal o ainda governo português não hesita em assumir, de forma acrítica e desumana, que quer o pagamento dos empréstimos ruinosos aos gregos, quer os empréstimos onerosos aos portugueses, que empobreceram o seu povo como nunca antes na sua história deste último século, são os caminhos a trilhar de forma cega. Mesmo que essa cegueira tenha custos sociais monumentais que se traduzem no sofrimento quer do povo grego, quer do povo português, variando aqui apenas a intensidade desse sofrimento. 

Mesmo que no final a Grécia falhe, ganhando o Não ou o Sim no referendo de amanhã, uma coisa é certa: este governo está a lutar pela dignidade de um povo, e colocou a democracia ao serviço desse ideal. Era o mínimo que se podia esperar do berço da civilização dos direitos, liberdades e garantias na polis moderna. 

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