terça-feira

A perfídia do critério de Marcelo de Sousa na apresentação dos "seus" livrinhos nas missas domingueiras

Já aqui há uns meses tipifiquei a conduta e o critério pérfido de Marcelo na apresentação dos "seus" livros nas missas domingueiras. Como já lhe conheço o critério e as motivações não o levo a sério, mas valerá a pena reformular aqui a sua forma mentis para o "zé povinho", como diz o douto Marcelo, compreender bem a rede de fuzíveis que impelem o comentador a apresentar uns livros e a omitir outros. Na certeza de que nada sucede par hazard...

Vejamos: este último Domingo Marcelo resolve apresentar um livro de ensaios sobre a Imigração: oportunidades ou ameças? Um livro interessante e actual coordenado por António Vitorino (AV) que, indiscutivelmente (aqui e na Europa) é uma autoridade na matéria, sem desprimor para os demais colaboradores nesse projecto que até foi objecto duma Conferência muito concorrida na Fundação Caloust Gulbenkian que se realizou em Março.

Entretanto já se passou a estória do cartaz neofascista do PNR estrumado no Marquês de Pombal sob a cumplicidade laxista do incompetente Carmona e a tentativa (gorada) duma realização de conferência por parte desse bando de adolescentes com o cio. Resultado: foram dormir à pildra, porque as forças policiais, e bem, desta vez fizeram o seu TPC e actuaram preventivamente. Ora, este livro está no centro dessa discussão, na medida em que o principal alvo desses neofascistas de alcofa são os imigrantes e o fenómeno da imigração, tema central daquele livro que Marcelo apresentou volvido mais de um mês após o seu lançamento na Fundação Caloust Gulbenkian.

Ao fim de um mês é que Marcelo tem a lata de apresentar o livro, ora pela actualidade temática, pela qualidade dos intervenientes, pela sua divulgação na maior e mais visível Fundação do país (a Gulbenkian) seria suposto - que Marcelo, caso fosse um sujeito de boa fé e solidário - o tivesse apresentado na semana seguinte à própria realização da Conferência na Gulbenkian. Mas não, o Marcelo teve o cuidado de cirúrgicamente omitir esse facto escondendo o respectivo livro na gaveta. Em vez disso, o bom do Marcelo apresenta romances de cordel, azuleijos, vinhos e medalhas, está no seu direito. Ele até pode apresentar o São Cipriano ou livro da Arlinda Mestre - que aparece muito bem acompanhado nos hipermercados - ao lado de dois vultos da nossa prosa post-moderna, futurista e tudo: a Paula Bobone (ou bó-bó, não se bem..) e Santana lopes, o canastrão da política lusa - que hoje rivaliza só com o Alqueva, Tróia e aquele elefante branco da Arrábida.

Pergunto-me se a apresentação do referido livro sobre Imigração se deve ao facto de o comentador estar no próximo fim de semana a comentar os resultados eleitorais do idiota Jardim ao lado de AV...

Mas isto não é tudo, pois convém despir o Marcelo dos pézinhos até à nuca para o compreender e perceber como e porquê ele faz o faz com a maioria da treta dos livros que apresenta, omitindo muitos outros, pérfidamente, claro está. Desse modo, Marcelo conduz-se pela perfídia do seu critério na apresentação dos livros em três actos:

1. Os livros de elevada qualidade intelectual - por regra de professores universitários, alguns já catedráticos - em que ele acede a apresentar o livro publicamente mas depois não o passa na sua missa domingueira, o que não é coerente nem salutar, senão mesmo incongruente. Lembro-me aqui de Marcelo ter apresentado o Tradição & Revolução de José Adelino Maltez na Biblioteca Galveias e depois o ter omitido na tv, não foi sério e reflecte a personalidade dele;

2. O segundo critério que orienta a conduta pérfida de Marcelo na apresentação dos seus livrinhos é a de aceitar fazer um draft de 3, 5, 7 linhas e depois não mais se lhe referir, e aqui inscrevem-se investigadores na área das ciências sociais e humanas onde Marcelo poderia aprender algo, até porque o comentador não produz nada, salvo as fotobiografias do pai, para além daqueles estopadas das estórias do PsD que cheiram a intrigas do Expresso ao tempo em que lá foi director;

3. Depois temos ainda o marcelo mais pérfido quando apresenta livrinhos de humor ligth e até os passa on tv, são estes os projectos editoriais a que Marcelo dispensa a máxima da atenção quando, na realidade, deveriam ficar na gaveta pelo seu interesse menor.

Do que se pode concluir desta conduta do comentador senão que ele procura fazer passar ao público algo que lhe pode ser benéfico, ainda que na realidade seja exactamente o seu oposto. Isto é Marcelo, um deus menor e um diabinho à solta por entre a sua oralidade fluente, mas pouco profunda e nada erudita - porque, claro está, o zé povinho é estúpido e depois não o perceberia.

Trata-se dum critério pérfido, pois apenas revela parte das intenções reais, as outras ficam escondidas porque podem dar jeito para um qualquer contra-ataque político, intelectual ou outro.

Por isso, quando vejo Marcelo a apresentar livros ao cabo de um mês (para além daqueles a que ele só leu a lombada e os divulga para agradar à editora ou fazer um favor ao autor) lembro-me logo daquele tipo com um ar saudável e prestável que oferece uma corda a um amigo deprimido na esperança de que ele resolva o seu problema enforcando-se.

E é isto que sucede, mesmo quando Marcelo resolve apresentar livros que o deveriam ter sido há mais tempo, e só não o foram pela crónica perfídia do comentador cujo carácter elíptico esconde (quase) sempre as suas reais intenções. E de boas intenções está o inferno cheio, agora com mais umas toneladas de perfídia...

Quem não o conheça que o compre... Tanta genialidade para tanta maldade: os livros que ele cirúrgicamente escolhe acabam por o denuncviar.. Ele nem percebe a corda com que se enforca. O que prova que uma das coisas mais difíceis é identificarmos alguém que seja ao mesmo tempo sábio e bondoso, por isso me lembro tanta vez de Agostinho da Silva, ao pé de quem estes resíduos da pseuso-análise não passam de poeira...

PS: Alguém em Portugal teria de dizer isto, e o génio que ronda por aqui de quando em vez que se sente no sofá, depois ponha o cinto e o capacete e medite nas merdinhas que aqui escrevemos sobre a sua conduta pérfida e maldosa que continuam a animar a escolha dos seus projectos editoriais nas missas de Domingo. Amén..

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