domingo

As escolhas de Marcelo

Marcelo, há que dizê-lo, hoje esteve muito bem. Damos-lhe 17 feijões. Sobretudo, por ter reconhecido que Mariano Gago é bom em C & T. Quanto ao presidente do CNAVES, ex-ministro de salazar, ex-líder do cds (partido do táxi) demitiu-se - alegando falta de verba. Em Portugal quando não há dinheiro as pessoas automáticamente demitem-se... Será assim quando a Fundação Caloust Gulbenkian ou mesmo a Fundação de Stanley Ho (Fudação Oriente) não liquida ou protela os seus compromissos??? Não sabemos. O que sabemos e conseguimos apurar é que duas boas razões estiveram na origem efectiva desta demissão em bloco.
- A saber:
  • O ministro Mariano Gago - desde que pegou na Fundação para Ciência e Tecnologia (em 1995) deu um forte impulso à C & T em Portugal e fez crescer todos os indicadores do sector - e agora passou a fazer depender a avaliação efectiva das Universidades de instâncias e de peritos internacionais, e o tal CNAES (que era do séx. XIX e ainda andava a carvão) deve-se ter esvaziado como os balões - frustrando, assim, as expectativas daquele que um dia pensou suceder Salazar na cadeira de S. Bento. Enganou-se porque Marcello Caetano, além de melhor preparado técnica e intelectualmente - tinha também chegado primeiro;daí o trauma, que já cumulou quase 40 anos;
  • Em 2º lugar o ministro da C & T - e bem - não recebeu, ouviu - em linguagem corrente - "não deu troco/cavaco" ao ex-ministro do ultramar, e foi isso, cumulativamente, que se depreendeu da apreciação do que Marcelo ocultou nas suas Escolhas da semana - que terá formado aquela decisão. E se foi, foi uma decisão económicamente racional e equilibrada no plano político.

- Seja como for, a extinção desta instituição esotérica que nenhum benefício líquido deu ao país, deve saldar-se agora em mais um benefício para o orçamento geral do sector, v.q., liberta recursos (especialmente instalações e conexos) que ora podem aplicar-se com vantagem noutro lado. Combate o despesismo, a burocracia e também o nepotismo tecno-burocrático que, infelizmente, ainda campeia em Portugal - um pouco guiado por aquela velha e doente ideia de que o Estado é uma instituição para servir os amigalhaços. Nem com uma herança de quase meio século de salazarismo isto se perdeu...

Se Mariano Gago foi a escolha da semana para Marcelo - por dinamizar a C & T em Portugal, ainda que a classe dos investigadores trabalhe sem rede, a decisão de demissão daquele elefante branco (não confundir este conceito com algumas obras de construção civil prostradas na paisagem e que hoje de nada servem, como certos estádios de futebol e conexos..) foi uma pérola no oceano. Sócrates também deve ter recebido essa demissão com um muito contido agrado.

Temos aqui criticado Marcelo por algumas parcialidades e ideias que roçam mais a espuma dos dias, mas hoje ele foi isento e esteve bem. Vale, por isso, os 17 feijões do Continente. E se continuar assim terá, para a semana, direito a um pacote de batatas fritas girassol feitas em óleo magro e ecológico.