segunda-feira

O polícia perigoso - por Rui Tavares -

Nota prévia: Uma interessante reflexão do historiador Rui Tavares. O que ele deseja, no final da sua argumentação, e bem, é um regresso ao Direito Internacional Público (e aos valores e princípios da Carta da ONU), frequentemente apregoado mas nunca observado pela lógica da aplicação da força nas Relações Internacionais. Há décadas que se fala na reforma da ONU e, em particular, do seu órgão maquiavélico: o Conselho de Segurança. Mas como se pode reformar o nervo da decisão planetária quando têm presença nesse órgão os principais beligerantes que nunca se entendem relativamente às causas da guerra e à forma de lhes por fim. Ou seja, onde estão americanos estão também interesses russos, chineses, franceses, britânicos, etc. E esses interesses e visões do mundo raramente coincidem no tempo e no espaço. Trump, por mais inculto e impreparado que seja, sabe disso e agiu em conformidade. Só que agora essas acções políticas e militares de natureza unilateral, i.é, não concertadas previamente com os aliados da NATO ou negociadas no âmbito multilateral da ONU, têm um sabor mais amargo, porquanto a indiferença, senão mesmo o desprezo pela consulta da ONU e seus mecanismos de decisão, é tanta e tamanha que nos sentimos atingimos (quase) pessoalmente, talvez por que um nome lá pontifique, António Guterres, e o mandato deste, também pour cause de Trump (e da intensificação das acções de terror no mundo inteiro), arrisca-se a ser tão irrelevante quanto perigoso. 
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Para muita gente há apenas duas atitudes admissíveis quando se trata de como lidar com conflitos armados no atual estado do mundo: ou cada qual bate nos seus, ou há um que bate nos outros todos.
Os que acreditam na primeira opção proclamam que Bashar al-Assad é o presidente legítimo da Síria, com todo o direito a massacrar os seus opositores como quiser. Porque o ISIS e a Al-Qaeda na Síria são terroristas e estão contra Assad, todos os que estão contra Assad devem também ser terroristas. Em suma, tudo o que Assad fizer é justificado por ser contra terroristas e ninguém tem nada com isso — à exceção de Putin, que está na Síria porque foi convidado por Assad a reprimir terroristas com ele.
Os que acreditam na segunda opção tiveram o seu dia na passada sexta-feira, quando Trump mandou bombardear posições de Assad na Síria. De um momento para o outro, Trump virou “presidencial”. Mas isso não é novidade: não houve nunca presidente dos EUA, por mais irresponsável, iletrado e insultuoso que fosse, que através de um simples ataque em solo estrangeiro não deixasse de se redimir aos olhos de certos comentadores. Assim que Trump vestiu a farda de “polícia do mundo”, as coisas voltaram ao normal na normalidade mais perigosa que há: a imprensa norte-americana adora um presidente que bombardeia e, apesar das aparências, Trump adoraria ter uma imprensa que o adorasse.
Para quem não gosta de nenhuma das opções acima só vejo um caminho: o do direito internacional e da Organização das Nações Unidas. Neste caso, porém, o direito internacional não pode ser entendido apenas como o direito das relações entre Estados, mas antes como a esfera da realização progressiva dos direitos humanos em todo o mundo. E a ONU, com todos os seus defeitos, deve ser entendida como o melhor fórum possível para a tomada de decisões em nome da humanidade, incluindo quando se torna necessário o recurso à força contra crimes de guerra, crimes contra a humanidade ou violações generalizadas de direitos humanos.
É por isso que importa, e muito, que o ataque ordenado por Trump contra Assad tenha sido ilegal. Digo isto estando convencido que Assad é um criminoso e atribuindo alta probabilidade a que os ataques com armas químicas da semana passada tenham sido da sua autoria. Mas é precisamente por isso que repudio qualquer ação contra Assad que, exceto em caso de emergência, não passe primeiro pelos seguintes passos: em primeiro lugar, pedir às Nações Unidas uma investigação sobre os factos no terreno; em segundo lugar, ir ao Conselho de Segurança garantir um mandato para agir; em terceiro lugar, e tão importante quanto os dois anteriores, cumprir escrupulosamente com o mandato concedido.
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quinta-feira

Factos alternativos: a mentira embrutecida à la carte de Trump


Nota prévia: A mentira sempre foi um expediente que o homem utilizou ao longo dos tempos, variando as suas técnicas, a sua tecnologia, escala e impacto nas populações e o fim que serviam.
- As pessoas mentem entre si, entre organizações, entre pessoas e organizações, e o Estado, por vezes, e de forma paradoxal, representa o expoente da mentira na sua relação com os cidadãos-contribuintes. De modo que a mentira assume-se, ela própria, como um motor da dinâmica social, o carburante para fazer andar os processos. 

- Tudo isso ganhou uma relevância adicional por  que em política se passou a usar e abusar do expediente da mentira para capturar o poder e ganhar eleições, logo ter acesso ao dinheiro, ao poder, à influência e gozar da autoridade do Estado, ainda que esta, tal como o dinheiro, rapidamente se gaste. 


- Uns recorrem à construção de narrativas e à manipulação das ilusões, patente na formulação dos programas políticos e na comunicação à sociedade, assente na necessidade de não amputar a confiança no futuro e de não deprimir os mercados, assim evitando amplos e profundos prejuízos sociais, económicos e financeiros às economias e às sociedades, além de as poupar a processos de vulnerabilidade internas que demorariam décadas a recuperar.

- Outros são mais directos e procuram a via mais franca para comunicar à sociedade o que pretendem. Mas uns e outros, com maior ou menor consciência, ignoram que a escolha duma trajectória de desenvolvimento ilusória da sociedade vai conduzir a sociedade para onde ela nunca esperou ir, e para onde não aceitaria ir se soubesse que era esse o destino.

- O pobre povo norte-americano, que na sua esmagadora maioria é inculto e está muito centrado nos problemas da sua ilha-continente, ainda não compreendeu bem o tipo de líder que escolheu para "governar" a América, mas temo que a política dos factos alternativos não seja um bom augúrio, e já existem abundantes provas dessa catástrofe em gestação que terá consequências imediatas intra e extra-muros.
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Stephanie Sarkis Ph.D.

Gaslighting: Know It and Identify It to Protect Yourself





123rf Stock Photo/Standard License

Gaslighting is a tactic in which a person or entity, in order to gain more power, makes a victim question their reality. It works much better than you may think. Anyone is susceptible to gaslighting, and it is a common technique of abusers, dictators, narcissists, and cult leaders. It is done slowly, so the victim doesn't realize how much they've been brainwashed. For example, in the movie Gaslight (1944), a man manipulates his wife to the point where she thinks she is losing her mind. 
People who gaslight typically use the following techniques:  
1. They tell blatant lies.
You know it's an outright lie. Yet they are telling you this lie with a straight face. Why are they so blatant? Because they're setting up a precedent. Once they tell you a huge lie, you're not sure if anything they say is true. Keeping you unsteady and off-kilter is the goal. 
2. They deny they ever said something, even though you have proof. 
You know they said they would do something; you know you heard it. But they out and out deny it. It makes you start questioning your reality—maybe they never said that thing. And the more they do this, the more you question your reality and start accepting theirs. 
3. They use what is near and dear to you as ammunition. 
They know how important your kids are to you, and they know how important your identity is to you. So those may be one of the first things they attack. If you have kids, they tell you that you should not have had those children. They will tell you'd be a worthy person if only you didn't have a long list of negative traits. They attack the foundation of your being. 
4. They wear you down over time.
This is one of the insidious things about gaslighting—it is done gradually, over time. A lie here, a lie there, a snide comment every so often...and then it starts ramping up. Even the brightest, most self-aware people can be sucked into gaslighting—it is that effective. It's the "frog in the frying pan" analogy: The heat is turned up slowly, so the frog never realizes what's happening to it. 
5. Their actions do not match their words.
When dealing with a person or entity that gaslights, look at what they are doing rather than what they are saying. What they are saying means nothing; it is just talk. What they are doing is the issue. 
6. They throw in positive reinforcement to confuse you. 
This person or entity that is cutting you down, telling you that you don't have value, is now praising you for something you did. This adds an additional sense of uneasiness. You think, "Well maybe they aren't so bad." Yes, they are. This is a calculated attempt to keep you off-kilter—and again, to question your reality. Also look at what you were praised for; it is probably something that served the gaslighter. 
7. They know confusion weakens people. 
Gaslighters know that people like having a sense of stability and normalcy. Their goal is to uproot this and make you constantly question everything. And humans' natural tendency is to look to the person or entity that will help you feel more stable—and that happens to be the gaslighter.  
8. They project.
They are a drug user or a cheater, yet they are constantly accusing you of that. This is done so often that you start trying to defend yourself, and are distracted from the gaslighter's own behavior. 
9. They try to align people against you.
Gaslighters are masters at manipulating and finding the people they know will stand by them no matter what—and they use these people against you. They will make comments such as, "This person knows that you're not right," or "This person knows you're useless too." Keep in mind it does not mean that these people actually said these things. A gaslighter is a constant liar. When the gaslighter uses this tactic it makes you feel like you don't know who to trust or turn to—and that leads you right back to the gaslighter. And that's exactly what they want: Isolation gives them more control.  
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Source: StockLite/Shutterstock
10. They tell you or others that you are crazy.
This is one of the most effective tools of the gaslighter, because it's dismissive. The gaslighter knows if they question your sanity, people will not believe you when you tell them the gaslighter is abusive or out-of-control. It's a master technique.  
11. They tell you everyone else is a liar.
By telling you that everyone else (your family, the media) is a liar, it again makes you question your reality. You've never known someone with the audacity to do this, so they must be telling the truth, right? No. It's a manipulation technique. It makes people turn to the gaslighter for the "correct" information—which isn't correct information at all.
The more you are aware of these techniques, the quicker you can identify them and avoid falling into the gaslighter's trap.  
Copyright 2017 Sarkis Media: www.stephaniesarkis.com
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sexta-feira

Schäuble oferece a Grécia aos EUA em troca de Porto Rico

Nota prévia: Um espermatozóide atrofiado com o ADN do cabo Adolfo gerou uma anormalidade pública que paralisou a Europa. Juntamente com Lagarde - foi uma das várias cabeças da serpente ultra-liberal que hoje tornou a Europa numa ditadura dos mercados, num serviço especulativo e de agiotagem institucionalizada (que agravou o serviço da dívida) e engordou a banca alemã e francesa, enquanto as periferias da Europa vegetam na pobreza decorrente da austeridade imposta por células malignas que nunca deveriam ter-se desenvolvido. 

Schäuble oferece a Grécia aos EUA em troca de Porto Rico

Wolfgang Schäuble
EPA/VALDA KALNINA
  Dinheiro Vivo
"Num dia destes fiz uma oferta ao meu amigo Jack Lew [o seu homólogo norte-americano, secretário de Estado do Tesouro do governo Obama], poderíamos ficar com Porto Rico na zona euro se os Estados Unidos estivessem dispostos a ficar com a Grécia na união do dólar", atirou Schäuble, um dos ministros mais duros e inflexíveis nesta crise histórica da moeda única. A citação foi retirada da Bloomberg, que acompanhou a conferência em Frankfurt.
Jack Lew "julgou que era uma piada", acrescentou ainda o membro do Executivo de Angela Merkel, para espanto de muitos.
Seria com certeza uma piada, ainda que o racional financeiro do responsável alemão possa ter algum peso aqui. É que a dívida pública total da Grécia ascenderá a 313 mil milhões de euros ou cerca de 175% do PIB (valores de final de março apurados pela agência da dívida helénica).
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terça-feira

Ukraine’s China Option - by Alexei Bayer -

Ukraine’s China Option

Should Poroshenko visit Beijing, as Richard Nixon once did?


Ukrainian President Petro Poroshenko (Credit: U.S. State Department)

Takeaways


  • China has been active in global politics, supplanting Russia as the principal patron in parts of Central Asia.
  • Acquiring an ally with the strategic importance of Ukraine would undoubtedly be a coup for Beijing.
  • Ukraine, once Europe’s breadbasket, could supply agricultural products to the insatiable Chinese market.

Ukraine’s President Petro Poroshenko recently went to Minsk to negotiate with Russia’s Vladimir Putin.  Afterwards, Russia began a surreptitious, full-scale invasion of Ukraine. Poroshenko now continues to talk to the EU and the United States in hopes of getting some assistance from them, military or economic. So far all he got are expressions of concern about Russia’s actions.
To start solving his country’s problems, the Ukrainian President should take a page from the book by that great Machiavellian, Richard Nixon, and travel to Beijing soon.
So far, neither the United States nor Europe has done much to support Ukraine in its unequal struggle to repel Russian aggression.
True, there have been economic sanctions, but they were mostly imposed after Russia-supported terrorists in Eastern Ukraine shot down a passenger airliner, killing citizens of Western countries. These sanctions are not going to stop Putin’s determination to crush Ukraine.
Americans love to talk about being the last, best hope of mankind and about supporting democracy around the world. However, in the case of Ukraine, Washington has become quite shy about putting its money where its mouth has been for so many decades.
Ukraine’s case for assistance from Western Europe is even stronger. The entire idea of Europe today is based on an ideal — that the European continent could be peaceful, democratic and have open societies and open borders.

Europe’s cold shoulder

Any European nation can join the process of integration — as long as it subscribes to the ideal. Few nations have underscored their determination to be part of Europe more convincingly in decades than the Ukrainians.  They have shed blood for their right to belong to Europe.  The least Brussels can do is welcome them with open arms.
But because Europe has no stomach for a confrontation with Putin, Ukraine has been left to fight Russian aggression on its own.
Thank God, it is not a bipolar world any longer.  For Ukraine, there are alternatives to either begging the West for help or being strangled by the Kremlin’s deadening embrace. This is why Poroshenko should take a trip to China — just as Nixon did in 1972.
Nixon’s visit back then put the fear of God into the aging Russian leadership.  It suddenly envisioned a nightmare scenario of being surrounded by a billion Chinese on one side and NATO forces on the other.
As soon as they realized that, the Russians were ready to accept Nixon’s offer of détente.  They also leaned on their Vietnamese clients to allow U.S. troops to withdraw from Saigon with a modicum of dignity.

China: always on the sideline?

China has kept out of the Ukrainian conflict so far. It has not lent support to the Russian aggression, but it has also been careful to refrain from criticizing it.
As things stand, it makes good geopolitical sense for China to throw its considerable weight behind Ukraine.
First, consider the fact that China has major territorial claims on Russia, which includes huge territories in Eastern Siberia and the Far East that the Russian Empire annexed in the 19th century.   
These territories are being systematically populated by Chinese settlers and receive considerable Chinese investment. China is waiting patiently for the moment when it can seize them.
It would certainly make it beneficial to China’s strategic posture if Russia were hopelessly bogged down in a conflict on its Western border — or, even better, suffered a military defeat there.
Then the Putin regime could fall and Russia would be thrown into serious political turmoil.  That may make it easier for China to assert outright sovereignty over Russia’s Far East.

Beating back Russia

In recent years, China has been quietly active in global politics, supplanting Russia as the principal patron in parts of Central Asia. Acquiring an ally with the size and strategic importance of Ukraine on the post-Soviet space would undoubtedly be a coup for Beijing.
Finally, China is already investing in Ukraine. Its automotive companies see Ukraine as a perfect market for their proprietary brands. It is potentially vast, underserved and highly price-conscious.
Ukraine is one of the largest markets in the world for Chinese companies such as FAW, Great Wall, SAIC and others. They plan to use it as a steppingstone to an eventual worldwide expansion. In turn, Ukraine, once Europe’s breadbasket, could become a key supplier of agricultural products to the insatiable Chinese market.
China has been investing heavily in its military and developing advanced weapons. In the hands of Ukrainian soldiers, those weapons could be tested in real-life combat against a strong adversary.
True, Beijing rulers are extremely cautious. They may decline to supply weapons and provide military support to Ukraine for fear of antagonizing Putin.
But a visit to Beijing by the Ukrainian President may give a pause to Moscow, while giving Washington and Brussels a jolt.  It may force them to do what they should have done a long time ago, i.e., provide military assistance to Ukraine.
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Obs: De facto, não se compreende por que razão a América de Obama - em conjugação com a NATO e a UE - não tomaram já medidas de natureza militar para aplacar e repelir a Rússia do território nacional da Ucrânia,cujo leste ocupou, na sequência da ocupação da Crimeia. 
Ou melhor, talvez se compreenda num quadro de hesitação estratégica dos EUA e de divisão interna por questões económicas e uma UE que é apenas um gigante com pés-de -barro, em que até o ainda presidente  da CE, o português Barroso, é advertido publicamente por Putin - que o informa que bastariam 15 dias para conquistar a Ucrânia.
Putin conhece estes bloqueios, impotências e divisões e joga com eles na afirmação da sua hegemonia militar e política numa região que ainda considera estar sob sua influência, à boa maneira da velha doutrina estratégica dos 70´s - assente na soberania limitada teorizada e aplicada por Leonid Brejnev. 

Será interessante conhecer os desenvolvimentos desta ponte que a Ucrânia pretende estabelecer com a China, cada vez mais um player global.

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quarta-feira

A Guerra Fria está no ar...

A equipa da expedição 39 da EEI é composta pelo japonês Koichi Wakata (frente dir.), o norte-americano Steve Swanson (frente esq.), os russos Oleg Artemyev, Alexander Skvortsov e Mikhail Tyurin e o norte-americano Rick Mastracchio (atrás da esq. para a dir.)
A equipa da expedição 39 da EEI é composta pelo japonês Koichi Wakata (frente dir.), o norte-americano Steve Swanson (frente esq.), os russos Oleg Artemyev, Alexander Skvortsov e Mikhail Tyurin e o norte-americano Rick Mastracchio (atrás da esq. para a dir.)Fotografia © NASA

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Obs: A evolução progressiva e cada vez mais perigosa desta situação, que teve na anexação da Crimeia pela Rússia - o seu epicentro seguida da tentativa de o Império do novo Czar (Putin) lançar a Ucrânia numa guerra civil, evoca o ambiente da véspera da II Guerra Mundial, em que Albert Einstein alerta o então presidente dos EUA, Franklin Roosevelt de que a Alemanha de Hitler poderia estar a desenvolver uma arma atómica, recomendando aos EUA iniciar uma investigação semelhante, o que conduziu ao Projecto Manhattan. 
- Einstein apoiou as forças aliadas, mas denunciou a utilização da fissão nuclear como uma arma utilizada no teatro das operações.
- Juntamente com Sir Bertrand Russel, talvez o maior filósofo do séc. XX, subscreveu o manifesto Russel-Einstein, que sublinhou o perigo das armas nucleares.
- Talvez não seja marginal recordar esse legado presente na preocupação de Einstein e de Russell, especialmente  quando temos que compreender que há limites para tudo, até para fazer a guerra, e quando esses limites são ultrapassados a situação pode ficar sem controle. E é isso que pode acontecer neste processo que envolve directamente a Ucrânia e a Rússia - que está a tentar desenhar uma nova doutrina da soberania limitada, à semelhança do que fez Leonid Brejnev, na década de 70. 
- Neste capítulo, revisitar a História é uma regra de prudência que se impõe e da qual pode depender a segurança nas relações internacionais que se vai perdendo. 
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quinta-feira

EUA enviam 'destroyer' para o mar Negro


EUA enviam 'destroyer' para o mar Negro

por AFP, traduzido e editado por Patrícia Viegas, dn
'Destroyer' norte-americano USS Truxtun enviado para manobras no mar Negro. Marinha dos EUA fala em exercícios de rotina. Mas estes surgem em pleno clima de tensão com a Rússia por causa da Ucrânia
'Destroyer' norte-americano USS Truxtun enviado para manobras no mar Negro. Marinha dos EUA fala em exercícios de rotina. Mas estes surgem em pleno clima de tensão com a Rússia por causa da UcrâniaFotografia © Reuters

Em plena tensão com a Rússia por causa da instabilidade na Ucrânia, os EUA fizeram hoje dois anúncios com alguma importância: o primeiro é o de que o decidiram impor restrições de vistos para algumas pessoas e que estão a ponderar o congelamento de bens de outras tantas; o segundo é o de que enviaram um 'destroyer' para o mar Negro.


"As operações do ['destoyer' americano lança-mísseis] USS Truxtun estavam previstas muito antes da sua partida dos EUA", indicou a Marinha dos EUA num comunicado citado pela AFP. No mesmo documento, explica-se que o 'destroyer' partiu da base grega de Souda Bay esta manhã "para exercícios conjuntos no mar Negro com as forças navais romenas e búlgaras". As operações são classificadas como "de rotina".
No entanto, nota a AFP, apesar de o USS Truxtun ter partido dos EUA muito antes do início da crise ucraniana e da intervenção das forças russas na península da Crimeia, a presença de um navio deste género na região pode ser interpretada como uma mensagem a Moscovo. A embarcação tem 300 tripulantes e é um dos 'destroyers' mais recentes. Está equipado, nomeadamente, com várias dezenas de mísseis Tomahawks, mísseis anti-aéreos e de luta anti-submarina.
Na segunda-feira o Pentágono suspendera toda a cooperação militar com a Rússia, depois de Moscovo ter autorizado uma intervenção russa na Crimeia. Na quarta-feira, o secretário da Defesa dos EUA, Chuck Hagel, anunciara já que os norte-americanos reforçaram os exercícios aéreos conjuntos com a Polónia e aumentaram a sua participação na missão de vigilância aérea da NATO nos países bálticos, subindo de quatro para dez o número de caças F-15 que estão a assegurar a proteção do espaço aéreo da Lituânia, Letónia e Estónia.
Hoje ainda, Washington anunciou a aplicação de restrições a vistos para algumas pessoas, sem especificar quais, ameaçando ainda congelar os bens dessas e outras pessoas, no contexto da crise entre a Ucrânia e a Rússia."O departamento de Estado pôs hoje em prática restrições aos vistos de um certo número de responsáveis e indivíduos, reflectindo assim uma decisão política" que consiste em recusar vistos àqueles que ameaçam a soberania da Ucrânia. A Casa Branca não deu, para já detalhes, sobre quem são os visados pela restrição de vistos, mas fonte anónima citada pela AFP diz que serão tanto responsáveis ucranianos como russos.
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Obs: Há no ar uma certa nostálgia do ambiente da Guerra Fria agora recuperado com a crise da Crimeia. Cada superpotência revela o tamanho e a potência da sua virilidade sem que, no desenrolar das operações, nenhuma efectivamente aplique a força militar. Ela serve para ser mostrada, para dissuadir o outro de ultrapassar um certo limite que ambos se impõem. 
- Em certo sentido, é o regresso da história, mas com a nuance de que o peso da memória evoca os mortos do passado que, doravante, nenhum dos intervenientes quer replicar neste novo contexto em que a autocracia russa invade um país vizinho - a Ucrânia - que apenas procura o caminho da Liberdade, da Democracia, da Paz e da Prosperidade. Um caminho espinhoso interceptado pela oligarquia corrupta de Putin que, por sua vez, financia pequenos oligarcas corruptos na sua esfera de influência, de que Yanukovitch era mais resíduo histórico. 
- Na era da chamada pós-Guerra Fria ninguém impunha nada ao outro, ou melhor, as nações estão desejosas de aderir ao império cooperativo personificado pela União Europeia, de que Durão Barroso deu ontem um triste espectáculo, ao apresentar um pacote de apoio financeiro já com a Ucrânia ocupada, em vez de o ter feito mais cedo, sem ser num ambiente de pré-conflito.
- Estas forças e contra-forças do pós-Guerra Fria revelam, por outro lado, que embora as nações desejassem aderir àqueles valores (democracia, paz, liberdade, prosperidade) confrontam-se com sinais de divergência global, assentes em tradições culturais, civilizacionais, religiosas e nacionalistas que resistem e se atravessam e questionam o "império cooperativo" da UE que, em rigor, e sob a gestão de Barroso tem enfraquecido o poder, o prestígio e o status da Europa - subjugada que está ao directório germânico. 
- A crise da Crimeia veio revelar, por último, que as convicções nucleares do pós-Guerra Fria entraram em colapso tão rapidamente como foram erguidos os seus ideais. 
- A Ucrânia compreenderá isso mesmo quando, um dia, aderir à UE e constatar como funciona esse bloco regional hoje profundamente enfraquecido, desvitalizado, sem projecto e sem esperança. 
- Eis a Europa de Barroso. Eis o seu miserável legado. 

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quarta-feira

Uma metáfora do conflito que opõe Ucrânia à Rússia - e os alinhamentos de ambas as partes


Link, Ocuppy Wall St.


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sábado

Tudo acabou em bem no filme de espiões russos e americanos

Tudo acabou em bem no filme de espiões russos e americanos
Por Rita Siza, Público
Longe do clima de Guerra Fria, Washington entregou a Moscovo dez suspeitos de espionagem em troca de quatro. Viena foi o palco.
A pista do aeroporto internacional de Viena, na Áustria, foi ontem palco de uma cena que já não se repetia desde os anos 80: os governos dos Estados Unidos e da Rússia procederam a uma troca de prisioneiros que envolveu dez agentes secretos russos infiltrados na vida suburbana americana, detidos há três semanas numa mega-operação do FBI, e quatro especialistas em matérias nucleares e de segurança, presos há anos pela polícia russa por suspeita de transmitirem informações de defesa à CIA e aos serviços de inteligência britânicos.
A operação, negociada em poucos dias pelo director da CIA, Leon Panetta, com os serviços secretos russos, realizou-se ao final da manhã numa zona isolada do aeroporto de Viena - a cidade dos espiões - e sob intensa segurança. Primeiro aterrou um Boeing 767 fretado à Vision Airlines, proveniente de Nova Iorque, com dez passageiros que, na quinta-feira, tinham confirmado num tribunal norte-americano terem trabalhado como espiões para o Governo russo nos Estados Unidos. Estavam detidos desde o final de Junho, acusados de conspiração para actuar ilegalmente como agente de um governo estrangeiro e de lavagem de dinheiro (uma queixa que acabou por ser retirada).
Minutos depois chegou um Yakovlev Yak do Governo da Rússia, vindo de Moscovo e transportando quatro homens que há mais de uma década cumpriam pena por alegadamente terem tentado desviar informações secretas da Rússia para os governos dos Estados Unidos e Grã-Bretanha.
Os dois aviões posicionaram-se lado a lado e duas escadarias cobertas foram colocadas à porta para permitir a passagem de um para o outro. Ninguém conseguiu vislumbrar os prisioneiros - que, oficialmente, nem chegaram a pisar o território austríaco. Noventa minutos depois da chegada, as aeronaves já tinham voltado a levantar.
Os dez espiões residentes nos Estados Unidos, usando identidades falsas, voaram para o seu país natal. Aterraram às seis da tarde (hora local) no aeroporto Domodedovo, a sul de Moscovo. A opinião pública não os ia receber como heróis, mas o Kremlin iria garantir-lhes uma vida confortável: citando o seu advogado de defesa, as agências davam conta, por exemplo, que o Governo tinha prometido uma casa, uma pensão mensal de dois mil dólares e viagens pagas para visitas dos filhos a Vicky Pelaez, uma das espias.
Já o destino final dos quatro homens expulsos da Rússia era menos claro. O avião charter americano voou da Áustria para Brize Norton, uma base da Royal Air Force no Oxfordshire. Era possível que Sergei Skripal, um antigo agente da KGB acusado de vender informações aos serviços secretos britânicos, permanecesse no Reino Unido. Quanto aos outros três, poderão terminar exilados nos Estados Unidos.
O Departamento de Estado norte-americano justificou a extradição dos dez agentes secretos depois da interrupção e desmantelamento da rede que operava em várias cidades dos Estados Unidos e que alegadamente tinha como objectivo obter informações de carácter político.
Apesar de residirem nos Estados Unidos durante uma década, estes espiões não terão tido acesso a nenhum segredo comprometedor para o Governo norte-americano. "Não havia nenhum benefício significativo, no que diz respeito à segurança nacional, em manter estes indivíduos nas cadeias americanas durante vários anos", referiu um porta-voz daquele departamento.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo também emitiu um comunicado, explicando que a troca acontecera por "razões de natureza humanitária e com base no princípio de parceria construtiva". A nota sublinhava o "melhoramento do clima" entre os dois países e a "nova dinâmica" nas relações bilaterais - uma mensagem reforçada pelos presidentes Dimitri Medvedev e Barack Obama na sua última cimeira em Washington, dias antes de ter rebentado o escândalo da detenção dos espiões russos.
A última vez que a Rússia e os Estados Unidos trocaram prisioneiros aconteceu ainda durante a Guerra Fria, em 1986, em Berlim Ocidental. Pela ponte Glienicke, que cruzava o muro, passaram o dissidente soviético Anatoli Sharanski e três agentes ocidentais, entregues por Moscovo, e cinco espiões da União Soviética, capturados pelos Estados Unidos.
Obs: A "estória" é sempre filha da história, sendo que o mais curioso neste jogo do gato e do rato numa das mais velhas profissões do mundo, de par com a prostituição, é que é uma democracia musculada, como a Rússia que tem fortes tradições de regime autoritário, quem trata melhor os seus espiões quando comparada com o tratamento que a democracia norte-americana confere aos seus próprios espiões. Ou seja, os crimes de segurança na Rússia são ainda bem compensados, o que não deixa de ser um forte estímulo à actividade naquele que já foi o império comunista mais expansionista do mundo, sobretudo após a II GM.
Hoje foram estes, amanhã serão outros, já que a Rússia tem uma obsessão com a obtenção de informação sensível recolhida por via de espionagem de diversa índole, de certo modo é também um reconhecimento de que confia pouco nas suas próprias estruturas de conhecimento e de produção de tecnologia - militar e civil.

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