domingo

A mentira em política: um traço fisiológico e um ADN que não cai fácilmente

A mentira tem bases fisiológicas, é algo que deforma a realidade e remete para a arte do fingimento, logo encaminha-nos para o comportamento dos actores políticos por excelência. A esta luz todos sabemos que há aspectos na vida do PM mal explicados, são conhecidos e alguém deveria informar Sócrates que quando se exalta com jornalistas menores só complica mais a sua vida, portanto além daqueles aspectos o sr. PM também deve temperar-se. Um Xanax ou um Lexotan. Santana optava pela siesta, só que depois Portugal parava, e nós já somos mui pobres. Mas entre aquilo que o PM oculta e as mentiras da srª Ferreira leite é preferível continuar a depositar fé naquele do que passar um cheque em branco na senhora. Foi por isso que o povo português (re)depositou confiança popular em Sócrates. De resto, a questão da mentira política é muito mais complexa e remete-nos para a reflexão política profunda, que agita a República de Platão até ao Príncipe de Nicolau Maquiavel, em que a questão, em rigor, se coloca assim: dever-se-á, para seu bem, esconder a verdade ao povo, enganá-lo com vista à sua salvação? - como nos adianta W. Krauss... A arte da mentira política, lembremo-nos do que Paulo Portas - enquanto jornalista do Indy dizia do facto de ser político nos programas do Herman José ... - é de facto a arte de fazer crer ao povo falsidades salutares, com determinado bom fim. Porque o povo não tem direito nenhum à verdade política, assim como não deverá possuir bens, terras ou castelos. Essa verdade - na esfera política - sempre foi (propriedade) privada, por isso até a "estadista de olhar penetrante" - ver post abaixo - sabe que só se diz a verdade quando ela for conveniente, até lá a senhora lá vai lendo as cábulas do filósofo da Marmeleira. O problema é que hoje já não são apenas os políticos a professar essa doutrina de Nicolau, mas também, e abundantemente, a classe jornalística que agora se reclama do monopólio da "verdade" (da novilíngua - em que a verdade é a mentira, para recuperar George Orwell), e que julga poder fazer o que bem entende da democracia através das suas úteis e idiotas mentiras supondo, desse modo, que driblam os políticos, enchem os bolsos vendendo papel inútil aos leitores alienados que acreditam em todas as mestelas e, de caminho, ainda acabam com o jornalismo de referência liderado por Balsemão. No fundo, não podemos dizer muito mal dos políticos que temos, nem dos jornalistas que vemos por aí porque, em rigor, toda a gente mente: os pais mentem aos filhos, nem sempre por boas razões; os maridos mentem às suas mulheres e, não raro, estas também os traem; os filhos mentem compulsivamente aos pais; o fisco engana-nos a todos com primor unilateral em nome dum suposto desenvolvimento nacional e bem comum; os padres - alguns - são o que são; Deus é teimoso e obstinado e nunca nos aparece à frente, sobretudo quando mais precisamos d 'Ele; e, por regra, os ministros enganam o povo para o governarem, e o povo, para se livrar dos ministros, põe a correr boatos caluniosos e rumores embusteiros que também representam outras tantas toneladas de mentira. Portanto, a mentira não é apenas um exclusivo da máscara decadente da senhora Ferreira leite, que é compulsivamente mentirosa - por não ter uma única ideia e estar inepta para articular duas ideias básicas, é (antes) um capital genético que herdámos, e às tantas somos como o poeta, que, ao fazer a sua Autopsicografia, dizia que fingia tão completamente que era dor a dor que deveras sentia. E assim, para evocar o genial Pessoal, que vale mais do que todos os manuais de Ciência Política, andamos a entreter a razão neste nosso "comboio de corda" que nunca mais nos tira do atoleiro em que mergulhámos. E o pior é que isto está tão mal que também já lá não vai com mais um poema. Nem sei mesmo se nos safamos contando mais umas mentiras...
  • Notas dedicadas a todos os mentirosos que conheço, que são alguns, e aos que desconheço, certamente em maior número. No fundo, dirigo-me a todos. Na realidade, é mentira e a ilusão que governam as nossas vidas...do berço à cova.

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