segunda-feira

René Girard mostra-nos a verdade -



Dissimular é fingir não ter o que se tem; simular é fingir ter o que não se tem.

A vida pública nacional, e também a privada, está eivada da aplicação prática destas duas orientações contrastantes. A primeira, reporta-se a uma presença; a segunda, refere-se a uma ausência. 

Pelo meio destas duas equações, nos últimos 20 anos, meteram-se as contabilidades criativas na vida das organizações (Estado e empresas), o que só veio agravar e intensificar a confusão preexistente na afirmação e aplicação das várias políticas da verdade em contexto social. 

É por isso que muitos de nós, especialmente quem tem grandes responsabilidades colectivas, têm hoje extrema dificuldade em saber quem são e de contar o trajecto que nos conduziu a tanta dissimulação e simulação. Ou seja, a tanta mentira - com base na qual Portugal - e  os portugueses - empobreceram.

__________


Etiquetas: , , ,

terça-feira

Dedicada ao RETIFICANTE - A Mentira Está em Ti -


A Mentira Está em Ti
"Olá, guardador de rebanhos, 
Aí à beira da estrada, 
Que te diz o vento que passa?" 

"Que é vento, e que passa, 
E que já passou antes, 
E que passará depois. 
E a ti o que te diz?" 

"Muita cousa mais do que isso. 
Fala-me de muitas outras cousas. 
De memórias e de saudades 
E de cousas que nunca foram." 

"Nunca ouviste passar o vento. 
O vento só fala do vento. 
O que lhe ouviste foi mentira, 
E a mentira está em ti." 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema X" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

Etiquetas: ,

sexta-feira

"O senhor ganhou as eleições baseado numa mentira"





________
Obs: Há muito que a política em Portugal se faz através de expedientes manipulativos dos factos com vista à captura do poder e sua manutenção. 
A mentira é uma reinterpretação da verdade, mas no caso do alegado primeiro-ministro, e atendendo à frequência com que recorre à mentira para emendar a mão e impostar mais e mais os portugueses, contrariando o que disse de véspera, temo bem que estejamos diante de um caso de maior complexidade clínica que abre um novo capítulo aos estudos de Ciência Política - o da patologia política -  enquanto deriva da ciência que estuda a captura, manutenção e reforço das condições geradoras de poder, numa linha neomaquiavélica. 
Valerá a pena ingressar nesta deriva - da patologia política - para identificar os mecanismos mentais em que a mentira se alicerça para converter a governação numa grande mentira, num colossal embuste - em que esta desgovernação do XIX Governo (in)Constitucional se converteu - empobrecendo estruturalmente os portugueses em nome duma Austeridade sem sentido. 
Ou seja, o recurso à mentira na práxis política de passos Coelho já não é consequência, ela é causa de todos os males. A mola dinamizadora de todas as motivações no quadro das relações inter-institucionais. 
Estamos, pois, com um desafio clínico entre mãos. Um desafio que extravasa a fronteira clássica da política. E é um desafio perigoso, porque perigosos são os actuais locatários de S.Bento e, por extensão, de Belém, este "preside" apenas para ter um lugar na história. 

Uma história que se escreve a linhas negras...

_________


Etiquetas: , ,

domingo

Pensões: PS acusa Governo de ter «agenda escondida»




___________



Obs: Ao fazer da ocultação, da simulação, do recurso ao expediente do proof-lies (testando medidas na opinião pública para avaliar as eventuais reacções) - Passos coelho - e a bagunça do seu governo formado por pessoas com baixa preparação técnica, cultural e política, ainda não entenderam que não é mais possível continuar a MENTIR como forma de governar Portugal. 

Passos colho tem que compreender que o homem recebeu o dom da fala, não para que os homens pudessem com isso enganar-se uns aos outros, mas para que um homem pudesse dar a conhecer os seus pensamentos aos outros.

O problema, e é bom de ver, é que Passos nada tem para partilhar com os seus concidadãos, pelo que deveria dar o lugar a outro mais capaz de exercer a exigente função de PM. 
_____________


Etiquetas: , ,

Manipulações


Uma das coisas que mais magoa uma pessoa, a uma sociedade que se sente esbulhada (nos seus rendimentos e na sua dignidade), um povo inteiro é o facto de ser manipulado às claras. Já não basta sermos esbulhados, importa também sermos esbulhados com extracção simultânea d´ alma e em tempo real. Ficamos pobres e sem alma, esvaziados, reduzidos a ZERO.

É o que sinto quando vejo certos fretes televisivos, leia-se de Pub. manhosa e encomendada que enchem as nossas cabeças com "canções" que procuram ficar no ouvido, que utilizam slogans atraentes que fervilham nos nossos cérebros.

De súbito, descobrimos que alguém: uma elite política tão impreparada quanto incompetente, direcções de estações de TV manipuladoras - entre outras soit-disant elites falhadas - busca apenas o lucro e o share para obter ainda mais lucro - e prime os botões do nosso intelecto e procura manipular os nossos raciocínios e as nossas emoções, quer à superfície, quer ao nível do inconsciente. 

Tudo isso visando as nossas expectativas. Moldando as nossos gostos, ambições e decisões. O que nos reduz ainda mais a ZERO. 

Aos poucos fomos criando, directa ou indirectamente, um mundo fantasioso para afastar os nossos medos, mascarar os nossos rostos com que enfrentamos outros rostos, também mascarados numa mise en scène pegada. Numa mentira integral, sem rosto e sem nome. Inominável.

Em suma: transformámo-nos numas meretrizes cujo fito é vendermo-nos a nós próprios. Convertemo-nos nos colchões da nossa própria felicidade (ilusionada). 

E a caixa negra é um dos piores responsáveis por esse novo flagelo que perpetua a mentira entre os homens. 


Etiquetas: , ,

sábado

O Estado de excepção do XIX Governo (in)Constitucional


É fácil perceber, mesmo para não juristas, que Passos Coelho e a sua entourage de alemães ultra-liberais, tem procurado governar o país por duas vias: impostos e mais impostos e mediante desvios graves à Lei fundamental correspondentes à prática de crimes na esfera do direito privado. Na prática, o mediano economista licenciado quase aos 40 anos pretende governar o país sob a aparência duma forma legal daquilo que jamais o poderia ser. É nessa distorção ou denegação da realidade que o alegado primeiro ministro incorre, para prejuízo de um povo que paga caro a incompetência dum punhado de impreparados. 

Coelho, que agora até já identifica "portas abertas" no chumbo do TC ao OE/2014 mais gravoso de que há memória em Portugal, sabe - apesar da sua impreparação congénita - que cometeu vários crimes, mas também sabe que não pode ser sacrificado por eles, o que gera uma situação de impunidade deveras abominável. A excepção começa logo aí, na desigualdade das consequências dos actos praticados pelos agentes políticos comparada às acções dos cidadãos comuns. Aqueles subtraem-se à responsabilidade/punição, estes são sempre punidos quando cometem uma ilegalidade. 

Coelho tornou-se, assim, numa espécie de ser matável, mas não pode ser sacrificado em nome da política, dos políticos e, claro, da almofada que tem sustentado tudo: o locatário de  Belém.

Os últimos dois anos de governação não têm sido outra coisa senão procurar introduzir esse elemento ditatorial na constituição para, a partir dela, condicionar toda a sociedade em função dos caprichos deste poder político inominável. Urge recordar que a 1ª medida que Coelho pretendia tomar assim que tomou posse era proceder a uma revisão constitucional, e à medida que se foi dando conta da enormidade da sua intenção deixou cair essa ideia, como muitas outras que subvertem completamente o programa eleitoral com base no qual foi eleito. Sossobrou a mentira e o cinismo. 

E nisto não poderia andar melhor irmanado do que por Paulo portas, o hipócrita-mor que tudo sacrifica à manutenção dos lugares do Estado e à empregomania que assegura aos seus boys e clientelas. Pois o cds é um partido pequeno, mas sempre teve grandes apetites pelos lugares do poder.  

Em rigor, Passos coelho tentou condicionar tudo e todos, instaurando a ditadura da finança e da mentira sobre o rule of law - que deixou de existir (senão quando é retomado pelo TC). Tudo passou a depender da excepção, da incerteza, do risco, da turbulência em que este miserável agente politico-partidário lançou todos os grupos da sociedade uns contra os outros. Violenta professores, funcionários públicos, operários do Estaleiros Navais de Viana do Castelo, não cria condições mínimas de trabalho aos jovens para os fixar ao país e aí criarem raízes mediante um projecto de vida, etc. Passos coelho é o responsável-mor por todas essas barbaridades, e tem sido através do Estado de excepção, justificado pela emergência financeira que o país atravessa, que tem procurado governar com base no imposto e na ditadura da chantagem, da incerteza e da instalação do medo na sociedade portuguesa. 

O Estado em Passos coelho tem servido para impor esse condicionamento de direitos, liberdades e garantias aos portugueses. Pensou, ou intuiu porque ele tem escassa consciência de si e do que diz, que suspendendo aqueles direitos poderia governar à vontade, e a norma, para ele, que desconhece o valor do direito e para que serve a Constituição, importa converter anormalidade na normalidade, mesmo que isso custe o projecto de vida a dezenas de milhar de portugueses que assim vêem as suas vidas destroçadas. 

Aquilo que o alegado primeiro ministro tem feito é tentar convencer-nos de que a nossa vida depende da sua anormalidade política, e que ele, o soberano, paira acima da lei e passa a viver num permanente estado de excepção que fixa em função exclusiva da sua conveniência, até ser corrido do poder de forma menos democrática. 

Veremos como irá reagir a tradição dos oprimidos e de como estes reagem ao famoso estado de excepção reaplicado em cada política pública pelo primeiro ministro mais incompetente da História de Portugal, ultrapassando já o cromo da Santa Casa da Misericórdia que, hoje, já se perfila no 2º pior primeiro ministro da História do país. 


Etiquetas: , , ,

quarta-feira

A Filosofia, a Verdade. Recuperação de Camus

Há inúmeras definições de Filosofia, cada filósofo ou pensador dá a sua, em concordância com o seu sistema de conceitos e de valores e em obediência aquilo que se propõe explicar e provar.
Vejo, comesinhamente, a filosofia como um processo de captura da verdade, e nisto o Sócrates de Atenas ainda é uma referência essencial para atingir esse objectivo de descoberta da verdade com base na formulação das boas perguntas.
Se transportarmos esta concepção para o mundo político desiludimo-nos frontalmente, porque grande parte dos actores políticos não falam verdade. Nuns casos por pura ignorância, noutros porque manipulam dados a fim de mais fácilmente capturarem o poder, noutros ainda mentem de forma quase patológica. O mesmo se diga de grande parte dos agentes económicos através das contabilidades criativas disfarçadas de boa gestão ao nível empresarial, disfarces esses que servem para manipular o valor das acções das empresas e encher os bolsos aos respectivos accionistas e gestores de topo, de que a Enron, nos EUA, ao tempo do destituído W. Bush, foi um péssimo exemplo.

Pequenos exemplos em como hoje o mundo da política e da economia vivem da racionalização da mentira, porque essa tem o apoio de alguns agentes políticos e económicos que ganham com essas contabilidades criativas e os eleitorados pouco ou nada podem fazer, excepto nos períodos eleitorais, dada a democracia fraca que temos.

Portanto, a centralidade da mentira é algo importante nas nossas vidas, percorre imensas decisões pessoais e colectivas, e também o foi ao tempo de Camus, que aqui recuperamos, nem que seja para contrariar essa tendência e inverter um pouco os sinais dos tempos. O maior falhanço de uma pessoa, defendem os existencialistas - em que aquele filósofo se insere - é quando alguém vive numa mentira, quando se engana a si próprio e vive com uma má fé. O Sr. Meursault, personagem de Camus, é um herói absurdo porque, precisamente, não mente, e que O Estrangeiro espelha a história de um homem que, sem qualquer heroísmo, aceita a morte, em favor da verdade.

Sendo ou não importante esta questão da verdade, podemos aí ver sobre que é que os seres humanos deveriam aspirar, mesmo sabendo que boa parte da classe política, dos agentes económicos e sociais recorrem à mentira funcional enquanto expediente para daí extrair vantagens várias, e a ser assim essa predesposição fará do homem um ser compulsivamente mentiroso, seja para ganhar eleições e conquistar o poder, seja para manipular as contas da sua empresa, seja ainda para fins mais pessoais.

Talvez seja por isso é que o Sr. Meursault deveria ser visto como um herói do nosso tempo, porque não mente e procura introduzir alguma boa fé no complexo sistema de relações políticas, institucionais e pessoais desta nossa triste contemporaneidade.

Etiquetas: , ,