sexta-feira

Evocação de Chateubriand: a Incompetência é crime: Cavaco e Durão Barroso

Nota prévia:

- O dr. Cavaco tem pautado a sua acção a partir do farol de Belém pelo desrespeito continuado pela CRP (que jurou defender!!), cumplicidade criminosa com o Governo (que governa contra a lei e contra o TC) - com quem "anda ao colo" e pretende, tão somente, conquistar a glória e um lugar proeminente na prateleira dourada na história;

- O dr. Barroso, por seu turno, que foi um DESERTOR político e desencadeou uma guerra ilegítima contra o Iraque (um crime contra a Humanidade!!!), pautou a sua acção por ter fragilizado  a Europa, ter desvalorizado e enfraquecido as suas instituições e revelou uma subserviente relação à Alemanha de Merkel - que nos impôs esta miserável "AUSTERIDADE" com base na qual empobrecemos, mesmo depois da troika ter deixado de tutelar a economia portuguesa.

Daqui decorre, legitimamente, a evocação de Chateaubriand.



A ambição de quem não tem capacidade é um crime.
Chateaubriand








Cavaco Silva e Durão Barros durante uma cimeira europeia em Bruxelas, em junho de 2013

Cavaco Silva e Durão Barros durante uma cimeira europeia em Bruxelas, em junho de 2013 /  JOHN THYS/AFP/Getty Images
O Presidente da República vai condecorar o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, com o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, por serviços "de extraordinária relevância" para Portugal e União Europeia.

Cavaco distingue Barroso com galardão reservado a chefes de Estado


Presidente da República atribui a condecoração ao presidente de saída da Comissão Europeia, por ter exercido o "mais alto cargo internacional alguma vez assumido por um português" e realizado "serviços de extraordinária relevância" a Portugal e à União Europeia. (...)

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Evocação de Eça de Queiroz - A Cidade e as Serras -


A Cidade e as Serras

"Eram os dois homens de Madame de Trèves – o marido, conde de Trèves, descendente dos reis de Cândia, e o amante, o terrível banqueiro judeu, David Efraim. E tão enfronhadamente assaltavam o meu Príncipe que nem me reconheceram, ambos num aperto de mão mole e vago me trataram pôr “caro conde”! Num relance, rebuscando charutos sobre a mesa de limoeiro, compreendi que se tramava a Companhia das Esmeraldas da Birmânia, medonha empresa em que cintilavam milhões, e para que os dois confederados de bolsa e de alcova, desde o começo do ano, pediam o nome, a infância, o dinheiro de Jacinto. Ele resistira, no enfado dos negócios, desconfiado daquelas esmeraldas soterradas num vale da Ásia. E agora o conde de Trèves, um homem esgrouviado, de face rechupada, eriçada de barba rala, sob uma fronte rotunda e amarela como um melão, assegurava ao meu pobre Príncipe que no Prospecto já preparado, demonstrando a grandeza do negócio, perpassava um fulgor das Mil e uma noites. Mas sobretudo aquela escavação de esmeraldas convidava todo o espírito culto pela sua ação civilizadora. Era uma corrente de idéias ocidentais, invadindo, educando a Birmânia. Ele aceitara a direção pôr patriotismo... 
-De resto é um negócio de jóias, de arte, de progresso, que deve ser feito, num mundo superior entre amigos... 
E do outro lado o terrível Efraim, passando a mão curta e grossa sobre a sua bela barba, mais frisada e negra que a dum Rei Assirio, afiançava o triunfo da empresa pelas grossas forças que nela entravam, os Nagayers, os Bolsans, os Saccart... Jacinto franzia o nariz, enervado: 
-Mas, ao menos, estão feitos os estudos? Já se provou que há esmeraldas? 

Tanta ingenuidade exasperou Efraim: 
-Esmeraldas! Está claro que há esmeraldas!... Há sempre esmeraldas desde que haja acionistas! 

E eu admirava a grandeza daquela máxima – quando apareceu, esbaforido, desdobrando o lenço muito perfumado, um dos familiares do 202, Todelle (Antonio de Todelle), moço já calvo, de infinitas prendas.

  • Em boa hora Luís Meneses Leitão recupera aqui esta passagem d´ Eça de Queiróz.

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Obs: Sugira-se aos "trolhas" que desgovernaram a PT nos últimos anos que, antes de o serem, podiam e deviam prestar alguma homenagem à literatura e cultura nacionais. 

Está lá tudo, até a pequena corrupção feita de amiguismo cujo resultado final é uma negativa para o país no seu conjunto. 

Assim, quando as coisas correm mal na "civilização da cidade" pode-se (quem pode!!) regressar à província - para aí recuperar uma vida de mando, orgulho e glória - e, assim, restabelecer a honra perdida.

Mas será que pode ser assim nos dias d´hoje?! Será que é possível trocar a infelicidade da civilização pela alegada felicidade rural e o contacto com a natureza, como em 1900?!

Hoje, qualquer "gato-sapato" produz vinho (basta ter dinheiro para contratar uns enólogos) nesta bebedeira e indigência colectiva em que alguns falsos gestores transformaram Portugal. 

Gestores ao serviço de famílias corruptas que delapidaram as suas próprias empresas e, através delas, pretendem delapidar o erário público, ou seja, esbulhar o povo e desmontar Portugal, como um banco falido.

Daí dizer-se que estão a escavacar o nosso querido Portugal, como diria Eça...


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Amiguismo e corrupção andam de mãos-dadas na república das bananas


Nas ruas, nas praças, nos cafés, nas farmácias, no cinema, na igreja, no sindicato, nos bancos, nos táxis, e até no Governo, corre a convicção GENERALIZADA de que a onda de amiguismo que se infiltrou nas empresas do PSI-20 (agora a - 19), na banca e ao nível do poder político - é uma terrível fonte de corrupção que hoje mina a coesão social em Portugal - e está a destruir o país por dentro, como um câncer agravado por metástases que suga um organismo. O caso paradigmático da destruição de valor na PT ilustra esta convicção generalizada em Portugal. 

O problema é que estas ervas daninhas não destroem apenas valor nas empresas, minam também a coesão social e moral nas sociedades e fazem com que o capital CONFIANÇA - desapareça por uma década na relação dos cidadãos com a administração e algumas empresas. 

Isto já não é apenas um caso de polícia, remete para a podridão ético-moral em que alguns altos quadros de empresa vivem e, pela importância que têm (ou tiveram) nesse universo de relações, acabam por minar o tecido social em que operam.

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A Escola do Estado Novo




Aos poucos Portugal vai regredindo: há dois discursos, o do Governo inconstitucional que vê o take-of económico e a consolidação das contas públicas (pura ilusão); e depois há o Portugal real, desfasado daquela mentira ampliada pela propaganda baixa de passos coelho. Um Portugal que vive esbulhado por uma elite (sem qualidade moral e técnica) que assaltou o aparelho de Estado e o governa como se se tratasse duma empresa cujo fito é levar à falência. A Ciência e a Educação têm sido pilares progressivamente destruídos pela actual tutela que, sem competência, preparação e mérito está a cilindrar essas instituições em Portugal. O novo lema da 5 de Outubro já não é Deus, Pátria e Família, mas radica na economia bárbara guiada pela lógica neoliberal e pelo lema da austeridade em que o talhante corta cegamente os recursos afectos a uma área e canaliza-os - deliberadamente - para outras áreas mais do seu agrado e do grupo de amigos e negócios que resolveu patrocinar. Tudo contra o Estado e lesando o bem comum. Um crime sem nome que merece castigo. Crato é o fiel intérprete desta devastação.  

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