quarta-feira

A Gaja - e o estado a que nuno crato deixou a Educação em Portugal




A Gaja, link [via FB]
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Caro Nuno,


Acho que, depois do que temos passado juntos, já posso tratar-te por tu. Não é, pá?



Desculpa lá estar a chatear-te, ainda por cima nesta altura, em que estás a tentar dar uma de bombeiro. Acabei de ler a tua mais recente pérola, “temos aqui um fogo e vou ter que ser eu a apagá-lo”. Só te ficam bem esses sentimentos, mas permite-me que atire mais umas achas para a tua fogueira, Nuno.

Há 15 anos que a minha casa é a minha mala de viagem. Há 15 anos que salto de quarto alugado em quarto alugado. Há 15 anos que vivo sem poiso, sem certezas, sem futuro. Há 15 anos que sou professor (não sei se já tinhas percebido…)

Eu sei que deve ser difícil para ti imaginar, enquanto estás aí sentado na tua cadeira adquirida num qualquer antiquário, na tua casa provavelmente já paga, com o teu trabalho (este ou outro qualquer) certamente assegurado. Mas deixa-me dar-te umas luzes do que é a minha vida. 

Eu sou apenas um entre as largas centenas de gajos e gajas responsáveis por educar os futuros cidadãos deste país. É em nós que os papás que não têm dinheiro para por os seus filhotes em colégios privados depositam as suas esperanças de transformar os seus bezerros em seres pensantes, socialmente e laboralmente produtivos.

Num país civilizado, eu pertenceria a uma das classes profissionais mais respeitadas. Mas não. Eu sou um nómada, um marginal. Não tenho casa, tenho um carro a cair de podre. Não posso casar, não posso ter filhos. Não posso ter uma vida normal. Não ganho para isso e, mesmo que ganhasse, quem é que quer ter uma relação com um gajo que passa um ano em Bragança e o seguinte no algarve? Quem é que quer sequer namorar com uma pessoa que não sabe onde é que vai viver daqui a seis meses?

Eu e os meus colegas, caro Nuno, somos um exército de zombies com diploma. Parecemos vivos mas, na verdade, estamos mortos. Fomos condenados a prisão perpétua por termos escolhido a profissão que amamos. “Emigrem!”, podes estar a pensar para com os teus botões, embora saibas que não o podes dizer em voz alta. E se eu não quiser emigrar, Nuno? E se eu quiser ajudar o meu país? E se eu ainda acreditar que posso ajudar a educar os filhos dos poucos que ainda se atrevem a tê-los, nesta terra que rejeita os seus mas depois exige tudo de quem cá fica?

Havias de visitar uma sala de professores, Nuno. Havias de ver com os teus próprios olhos. Os corpos cansados, a angústia, a raiva. A frustração. A corrida contra um tempo que teima em fugir, porque as 24 horas do dia não chegam para cumprir objetivos ridículos, metas inalcançáveis, tabelas, gráficos, percentagens impossíveis. Tudo para que tu e os teus comparsas possam apresentar os números redondinhos de sucesso escolar. Como se tu tivesses feito alguma coisa para que isso acontecesse!

Somos nós, Nuno. Nós, que acreditamos. Nós, que renunciámos involuntariamente à família, à terra, aos amigos, ao amor, para entrar todos os dias antes que dê o segundo toque, munidos de fichas, apontamentos, cálculos. Somos nós, Nuno, a escola somos nós. Não és tu. Não são os teus números. Não é o teu programazinho de computador que tem achaques e desata a transformar a nossa vida num inferno.

A culpa é tua, Nuno. Mas não peças desculpa. Vai-te embora. E fecha a porta.

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Obs: Óh Crato - ouviste, pá!!! GET LOST..

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segunda-feira

O que o Instituto Superior Técnico ou a Sociedade Portuguesa de Matemática pensam do algoritmo maldito, Nuno Crato




Pergunto-me o que pensam actualmente o Instituto Superior Técnico, a Sociedade Portuguesa de Matemática e demais associações congéneres que no país têm por missão fazer progredir o conhecimento das ciências exactas em nome do progresso da sociedade - da trágica actuação do ainda ministro da Educação - Nuno Crato, o homem cuja missão era fazer implodir (sic) o Ministério da Educação, na 5 de outubro.

Sabendo o que os 10 milhões de portugueses pensam dele, incluindo o próprio primeiro-ministro, que prefere demiti-lo em 2015 para evitar que o governo caia já todo de maduro, será de admitir que aquelas instituições, a diferentes níveis de responsabilidade, tenham solicitado encarecidamente a Passos Coelho que mantenha o homem a arrastar-se pela 5 de Outubro, pois estima-se que o regresso ao Técnico ainda seja mais desastroso do que a incapacidade de colocar professores no ensino secundário, por causa, presume-se (!!!), do maldito algoritmo.

Há reformas, ou pseudo-reformas que saem caro à nação, e se Crato soubesse o que os seus ilustres colegas do IST pensam dele - o que aquele cadáver (político) adiado faria de melhor seria requerer a reforma antecipada ou, mais avisadamente, para evitar poluição atmosférica em Portugal, exilar-se num qualquer país da África ocidental.  

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O maldito algoritmo que conspira contra Nuno Crato: a nova teoria política da demissão


Consta que o "cientista" Nuno Crato é matemático e estatístico, ou fala com eles nos intervalos dos erros grosseiros que comete no MEC estilhaçando a sociedade. Dando de barato que é uma coisa e outra (só formalmente!!!), por que razão ainda não programou o programador a fim de processar a informação para atingir um determinado objectivo: colocação adequada de professores nas escolas. 

Como isso não se consegue duma penada, há que ir por fases, mas as fases de Crato são o inferno seguido do suplício para, de novo, regressar ao inferno das colocações e da estabilização e normalização no arranque do ano escolar. 

Partindo do pressuposto que não há um vírus na 5 de Outubro que conspira 24h. contra Crato, não se compreende por que razão o algoritmo ainda não conseguiu programar a informação para garantir os procedimentos correctos, seleccionando e seriando adequadamente os docentes e, de preferência, não os colocando em mais de uma escola simultaneamente, até porque nenhum docente, que conste, tem o dom da UBIQUIDADE. Uma característica só atribuível a Deus, que também não aparece para ajudar essa sumidade do Técnico que é, ou melhor, fala com os matemáticos e os estatísticos nos intervalos...  

Daqui decorre uma nova teoria social e política que, no mínimo, empresta justificação ao Governo para não demitir imediatamente o ministro mais INCOMPETENTE de que há memória na história da 3ª República. 

Essa teoria defende que se Passos Coelho, que julga ter a chave do algoritmo, demitir imediatamente o pirómano da 5 de Outubro ocorrerá, automaticamente, e por efeito de dominó, a queda dos demais ministros que ainda integram esse cadáver adiado que é o XIX Governo (in)Constitucional, já que todos são pouco menos incompetentes que o "ministro do algoritmo maldito"; ao invés, se Passos o "segurar" - dá um sinal à sociedade de que o Governo não cairá aos pedaços, como figos maduros, mas que poderá cair em bloco, como um prédio decadente devidamente dinamitado. 

É assim que o Governo de Passos se encontra: entre os cair aos bocados e o ruir em bloco -  por efeito de implosão. Com a gravidade de o alegado PM reconhecer isto em público e, apesar disso, continuar em funções. 

Já agora, e diante tanta corrupção moral e incompetênca técnica e política, pergunto-me se, afinal, o verdadeiro "algoritmo maligno" não se encontrará no farol de Belém, que tácita e explicitamente vai permitindo toda esta RUÍNA diante dos portugueses incrédulos.

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quarta-feira

Crato é já um cadáver político adiado

Crato é um sujeito político sem carácter: muda de palavra como quem muda de camisa; e só perante o seu enforcamento político na AR - é que decide, in extremis, declarar que constituirá uma comissão independente para avaliar as compensações pecuniárias aos professores lesados por estas colocações mirabulantes e miseráveis, em linha com a conduta daquele cadáver político que tem sistematicamente destruído a Escola pública em Portugal.

Não o fez para, genuinamente, compensar docentes altamente lesados; fê-lo para se salvar politicamente. Uma conduta inominável, lamentável, EXECRÁVEL. 




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terça-feira

Nuno crato e a maldade


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Nessa mega-extensão do Terreiro do Paço em que se converteu o ministério da 5 de Outubro, há já quem pense e defenda que o caos instalado na Educação em Portugal, específicamente ao nível da colocação de professores, não foi mais um erro grosseiro inconsciente de Crato mas integrou, deliberadamente, um plano para dificultar a vida a umas largas centenas de professores, com eles cessando contratos unilateralmente e após estes já terem dado início às aulas no arranque do ano escolar. 

Ou seja, em bom português este caos, que Crato deseja fazer crer tratar-se de mais um engano na lista de ordenação e de colocação de docentes no âmbito das bolsas de contratação, decorre, afinal, duma intenção planeada e cirúrgica em atrasar a colocação definitiva de centenas de docentes e, com isso, "poupar" umas dezenas de milhar de €uros ao orçamento do ME em salários que Crato deixaria de pagar aos docentes. 

Por outro lado, as mentiras sistemáticas (patentes nas declarações) do ministro Crato no Parlamento - assumem tamanha gravidade que, nos EUA, por exemplo, este sujeito já há muito teria sido demitido do governo por PERJÚRIO (continuado).

Por cá, ao invés da boa norma e da boa ética, o perjúrio rende politicamente ou, pelo menos, vai adiando a queda desse cadáver adiado que é o XIX Governo (in)Constitucional. 

Se esta leitura, mais maquiavélica, porventura menos distante da realidade dos factos, colher - será também de admitir que esta barbárie na Educação não foi planeada e executada apenas com o pessoal político da 5 de Outubro, mas foi orquestrada por S. Bento, ou seja, com a cumplicidade activa do próprio PM e o apoio logístico do Terreiro do Paço, que é verdadeiramente o ministério que manda na Educação e nos demais sectores em Portugal.

Neste caso, impõe-se a  questão: para quê e porquê tudo isto? Por que se montou este caos organizado para "lixar" a vida a umas dezenas de milhar de docentes e a muitos mais milhares de alunos?

A origem da maldade parece residir na ideologia, no programa de governo e na tentativa de diminuir o défice, e para o efeito todas as poupanças são escassas, mas nunca se hesita em sacrificar os fins aos meios; trucidam-se as pessoas em nome do equilíbrio orçamental, que irá derrapar (teme-se!!) acima dos 4%.

Estas são as principais paixões deste governo: a INCOMPETÊNCIA, a DESUMANIDADE, a CRUELDADE, a OBSESSÃO PELO EQUILÍBRIO DAS CONTAS PÚBLICAS.

Esta é, em rigor, a filosofia que anima a conduta miserável deste governo, que também poderia ser apresentada, segundo a afirmação de Dante: Superbia, invidia e avarizia sono/le tre faville ch´anno e cuori accesi".

Um pouco ao estilo dos três flagelos da Humanidade (guerra, fome e peste), estas paixões básicas alimentam-se umas às outras. O hábito de considerá-las indissociáveis reforçou-se com o facto de se oporem em bloco aos ditames da razão.

Em suma: sabemos que quer Passos coelho quer N. crato têm apetites e paixões, o problema aqui reside no facto de a promoção dessas paixões se tornarem em verdadeiros crimes contra as pessoas, certas pessoas, e contra a sociedade no seu conjunto. Crimes que irão, novamente, ficar IMPUNES.

Ainda que se admita que as paixões podem conduzir os homens à ideia de serem "maus", têm, porém, interesse em não o ser. Mas também aqui, pela substância (incompetência), forma (arrogante e sobranceria) e estilo (frio, distante e cruel), quiça para ocultar toneladas de erros grosseiros e de incompetência na colocação de docentes no arranque deste ano lectivo, Nuno crato é a encarnação desta VIL governação que tem literalmente destruído a vida a milhares de pessoas e, por essa razão, é a encarnação do diabo no XIX Governo dirigido ainda por Passos Colho, de quem é o principal cúmplice. 

Em rigor, isto são crimes de Estado (em grosseira violação da CRP) - que este pratica contra as pessoas e a sociedade. Amanhã, a História irá registar este período criminoso da nossa vida colectiva numa nota de pé-de-página - escrita a carvão e com inúmeras cruzes. 


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Nuno crato: o cúmulo da anormalidade na Educação em Portugal



Numa escola em Benfica, na Pedro Santarém, "só" faltam 20 professores, o número de vezes que o Crato e companhia devia ter sido demitido. Tanto adiamento é lesivo da escola publica, dos alunos e representa o total desprestígio das instituições em Portugal. Pior do que o Crato só mesmo o governo que precariamente o segura neste cadáver adiado chamado Portugal.

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Obs: Portugal tem como ministro da Educação um matemático e um estatístico mas que não sabe fazer contas e calibrar os cálculos na seriação dos professores que concorreram para dar aulas nesta abertura do ano escolar/2014; é um divulgador científico mas a sua acção tem-se pautado pela continuada incompetência que tem lesado os interesses legítimos dos docentes, dos alunos e da sociedade no seu conjunto. Talvez fosse desejável mandar nuno crato para a escola, quiça pudesse voltar a aprender a fazer contas. Ou então, mandá-lo para o Plano Inclinado da Sic N. debitar aquelas baboseiras de pseudo-divulgação científica que lhe tem sido atribuída, e com base na qual ganhou fama e popularidade. 

O CDS de Paulinho Portas lembrou-se deste nome para a pasta da Educação, que o Passos coelho aceitou, tamanho o cancro que alastra hoje pelo país, com o país, hoje, um mês volvido da abertura do ano escolar, com inúmeras escolas (ainda) sem professores.

Crato e os seus colaboradores são um verdadeiro traste, e por terem especiais qualificações na área das ciências exactas - integram o maior cúmulo da anormalidade política em Portugal. Pior do que isto só voltando ao tempo do (des)governo de Santana lopes. 

Crato evoca aquele talhante que um dia sonhou ser cirurgião, e no dia a seguir ao sonho vê-se no Hospital de Sta. Maria a operar...

Neste caso, os doentes são os próprios alunos. 

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quarta-feira

Comunicado crítico para o Governo deixa Conselho para a Ciência num impasse. Agora negoceiam-se comunicados...

Nota prévia: a democracia portuguesa chegou a um ponto que parece restar-lhe negociar comunicados antes de os mesmos serem emitidos publicamente. Um procedimento que diz muito do momento político em que vivemos...


Comunicado crítico para o Governo deixa Conselho para a Ciência num impasse


O Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia tem em mãos um documento interno cuja divulgação estará a ser retardada devido ao tom crítico com que se refere às políticas do Governo para a área da ciência e da investigação em Portugal. A RTP online sabe que, face à dureza das conclusões, o texto está a ser negociado há vários dias pelos conselheiros, que não se puseram ainda de acordo quanto à sua divulgação.

Trata-se de um comunicado de imprensa que aponta a preocupação do conselho "com a redução do número de bolsas individuais atribuídas pela FCT no concurso de 2013", uma decisão que apanhou a comunidade científica de surpresa, causando "instabilidade ao sector". O conselho sublinha que a polémica em torno desse concurso "abalou a confiança dos investigadores".

O documento em causa, a que a RTP online teve acesso, resume as conclusões da reunião de 23 de janeiro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CNCT), na qual participou Leonor Parreira, a secretária de Estado da Ciência, e Miguel Seabra, presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). O CNCT é um órgão consultivo presidido pelo primeiro-ministro e é composto por personalidades prestigiadas na área de ciência e tecnologia. Do grupo fazem parte investigadores como António Coutinho, Alexandre Quintanilha, Elvira Fortunato, Maria João Valente Rosa, Mónica Bettencourt-Dias ou Pedro Magalhães. 

De acordo com o comunicado do CNCT, a reunião consistiu numa "apresentação detalhada da Secretária de Estado da Ciência sobre a negociação do Acordo de Parceria entre Portugal e a União Europeia para o período 2014-2020", e que a governante informou os conselheiros "sobre a evolução recente do financiamento à Ciência em Portugal".

Leonor Parreira deu garantias dos esforços do Governo para garantir, "no período 2014-2020, um nível de financiamento europeu à Ciência da mesma ordem de grandeza (nominal) do programa anterior". A secretária de Estado sublinhou ainda a manutenção dos recursos cedidos nos últimos anos à FCT.
Bolsas da FCT em cima da mesa

Em Portugal é à FCT que cabe a atribuição dos apoios financeiros à investigação. Relativamente ao concurso de 2013, para financiamento das actividades científicas durante o ano de 2014, a fundação anunciou o corte de 900 bolsas individuais de doutoramento e outras 444 de pós-doutoramento.
Num momento em que o país aguarda esclarecimentos sobre as várias polémicas que envolveram o último concurso para atribuição de bolsas da FCT, a secretária de Estado e o presidente da fundação, Miguel Seabra, aprestaram-se a apresentar algumas informações sobre a alteração de políticas de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Ao CNCT foi dito que passou a ser valorizado "o apoio directo às instituições, aos projectos de investigação e aos programas doutorais, reduzindo muito significativamente o número de bolsas de doutoramento e pós-doutoramento individualmente atribuídas".

Trata-se de um argumento já esgrimido pelo ministro da Educação e da Ciência aquando da sua audição na última sexta-feira na comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura. Nessa tarde, Nuno Crato negou perante os deputados que haja actualmente um desinvestimento na Ciência, para defender que o sector está apenas a adaptar-se à actual conjuntura.

Nuno Crato propugnara já que as bolsas de investigação fossem vistas não como um emprego científico, mas uma "oportunidade de formação avançada".
"Eu não neguei nenhum esforço da ciência, nem dos cientistas. O que disse é que não há desinvestimento, nem abandono dos recursos humanos. Há uma adequação ao momento que vivemos", argumentou o ministro da tutela. Sublinharia então que "não existem apenas as bolsas individuais", deixando a garantia de que o Governo vai "continuar a investir na Ciência".

E é neste ponto que os conselheiros do CNCT começam a dar os primeiros sinais de dissensão em relação à política científica do executivo de Passos Coelho. Num primeiro ponto, face à redução das bolsas, mas assinalando igualmente o desconforto da comunidade científica pelo facto de este ser um reposicionamento do Estado que foi ocultado até ao último momento àqueles que são os interessados directos dessa decisão política.

"O CNCT, reconhecendo aos decisores políticos legitimidade para definirem os seus objectivos e as suas políticas, e vendo com grande interesse o lançamento pela FCT dos concursos para programas doutorais, preocupa-se com a redução muito significativa do número de bolsas individuais atribuídas pela FCT no concurso de 2013 (em relação a 2012, 35% nas bolsas de doutoramento e 65% nas bolsas de pós-doutoramento, pelos valores actuais fornecidos ao Conselho). A estratégia que terá resultado nesta redução não foi previamente anunciada nem debatida com a comunidade científica, tendo trazido instabilidade ao sector", pode ler-se no comunicado de imprensa produzido após a reunião de 23 de Janeiro último e ainda não divulgado.

Nos parágrafos seguintes, os conselheiros deixam a sua preocupação relativamente à opção da equipa de Passos Coelho por esse processo de tomada de decisões que deixa à margem a comunidade científica, para recomendarem de forma explícita que doravante "torne público o seu plano estratégico de fundo, comunicando, clara e atempadamente as suas políticas à comunidade, desejavelmente envolvendo-a na discussão das suas orientações.
Clareza nos concursos da FCT

Depois das dúvidas lançadas sobre a existência de uma eventual alteração administrativa dos rankings de classificação das candidaturas para atribuição de bolsas, os conselheiros consideraram por bem a realização de uma auditoria ao funcionamento dessa estrutura.
O texto do CNCT contém ainda a recomendação para que seja realizada "uma auditoria externa" aos serviços da FCT.

Ouvidos os esclarecimentos de Miguel Seabra sobre as questões levantadas a propósito dos procedimentos nos concursos da sua fundação para Investigador FCT, bolsas de doutoramento e bolsas de pós-doutoramento, o CNCT assinala que "reteve a garantia fundamental de que em nenhum caso os serviços da FCT adulteraram decisões de avaliação de mérito".

Não deixa contudo de apontar que "a polémica em torno destas questões abalou a confiança dos investigadores nos processos seguidos pela FCT", no que diz ser a reincidência de "problemas com aspectos processuais na FCT que são de longa data". Razões que levam os membros do conselho a recomendar "uma auditoria externa ao funcionamento dos serviços da FCT que determine os meios adequados às funções que lhe são cometidas".

Esta exigência acaba por definir o afastamento do conselho desse cenário que vem sendo desenhado de um concurso que decorreu com normalidade.
Conselheiros procuram acertar a ata da reunião

De acordo com os conselheiros ouvidos pela redação online da RTP, a formulação do texto nestes termos estará a provocar uma divisão entre os conselheiros do CNCT. Desde logo, titulado para a divulgação pela imprensa, não parece ser clara a opção pela divulgação externa do documento.  

"Há conselheiros que acham que isto deve ser tornado público e há pessoas que acham que não", afirmou um desses conselheiros, negando contudo a existência de um texto acabado. O mesmo conselheiro admitiria, contudo, que o texto final do documento está a ser alvo de "negociação" entre os membros do CNCT: "Através de email já fizemos os acertos possíveis, mas acho que vamos ter de nos reunir pessoalmente". Essa ideia de que a reunião teve momentos mais duros, pontuados pela discordância, foi igualmente referida por outra conselheira.

Outro conselheiro já expressou por email as suas dúvidas quanto à possibilidade de fazer ainda mais ajustamentos ao texto, uma vez que o comunicado demorou mais de uma semana a ser negociado para os termos em que agora se encontra e passam amanhã duas semanas da reunião. Seja como for, está já marcada para segunda-feira próxima uma reunião do CNCT, no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, onde o único ponto da ordem de trabalhos será discutir o documento.
Comunicado pronto desde 31 de janeiro

A reunião do CNCT teve lugar há quase duas semanas, mas tarda em ser publicada a comunicação que faz saber o que se passou dentro de portas, o que foi discutido pelos conselheiros e demais presentes e, mais importante, o que entenderam estes deixar como conclusão dos assuntos que compunham a agenda do encontro.

Trata-se afinal de um grupo de conselheiros que auxilia o primeiro-ministro a definir caminhos numa área sensível como é a da investigação e desenvolvimento. Acresce o facto de nos dias anteriores ter rebentado a polémica em torno do financiamento dos bolseiros, actores principais nessa área. A pergunta que fica é: onde estão as recomendações?

De acordo com vários conselheiros ouvidos, terão sido apresentadas diversas opiniões durante a reunião. O comunicado de imprensa que daí resultou e que ficou pronto na sexta-feira, dia 31, afirmou um outro conselheiro, apesar de "não ter sido formalmente enviado ao Governo, é natural que seja do conhecimento do ministério, dado que a comunicação existe entre nós. Não somos uma sociedade secreta que se reúne numa cave".  

Questionado sobre a possível existência de pressões da equipa de Nuno Crato para suavizar as críticas à orientação do Governo no que são as suas políticas para a área da ciência e da investigação, o conselheiro anterior concedeu que "não é confortável que certas coisas sejam tornadas públicas", mas sublinhou que o condicionamento do conselho é um cenário que nem lhe passa pela cabeça, "apesar de responder em nome pessoal".

A este propósito, fez questão de lembrar que "estamos perante questões complexas, que por natureza geram o confronto de opiniões", já que, "se a solução fosse simples ou óbvia, o Governo não pedia a opinião do conselho. Obviamente que há debate interno".

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