domingo

Un combattant disparaît


Un combattant disparaît, in Courriel International

On le savait à l'article de la mort depuis le printemps, mais c'est finalement le 5 décembre que Nelson Mandela s'est éteint, au terme d'une vie faite de combats et de quête de la justice. Emprisonné de longues années sous le régime de l'apartheid, premier président d'une Afrique du Sud "arc-en-ciel", promoteur du dialogue et de la réconciliation, Prix Nobel de la paix, présence forte et souriante, Nelson Mandela restera longtemps dans le cœur des hommes et les livres d'histoire. Il avait 95 ans.

Dessin de Dario Castillejos



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sexta-feira

Declaração de voto esfarrapada


Ao menos uma abstenção, doutor Cavaco...


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O carisma de Nelson Mandela envergonham Cavaco e Durão Barroso, mas não o povo português



Quando o fundador da Sociologia moderna, Max Weber (1864-1920) desenvolveu os seus estudos sobre os tipos de Estado e de personalidades políticas e identificou o carisma, o carácter racional-normativo e os aspectos tradicionais nessas constelações jamais pensaria que, no século XX, além de Gandhi, Churchil, M.L.King (e poucos mais) satisfizessem esses requisitos cumulativamente: pela qualidade humana excepcional e o magnetismo que transmitiam às pessoas (e ao mundo), pela sua extraordinária liderança e capacidade de conduzir homens e processos sociais (de transição complexos, como o de África do Sul - que saía dum regime de segregação racial secular), pela observação do direito e das normas vigentes e, ao mesmo tempo, por se ser portador de todas as tradições e costumes do seu povo, instituições e tribos.

Mandela, como nenhum outro líder depois da II Guerra Mundial - correspondeu aquele perfil cumulativo teorizado por Max Weber - cujos ensinamentos acabaram por influenciar todas as ciências sociais e humanas. O que nos convida a evocar Max Weber através da morte de Mandela cujos ensinamentos a este se aplicam como uma luva.

Mandela tinha, de facto, a autoridade carismática e o poder legítimo de um líder excepcional, qualidades raras que inspiravam lealdade e obediência por parte dos seus seguidores, dentro e fora desse continente esquecido que é o continente africano. 

Por isso, aqui presto justo reconhecimento a esse seu carácter excepcional, indissociado, seguramente, do seu trajecto de vida pessoal em que, consabidamente, esteve 27 anos preso e depois conseguiu perdoar aos seus próprios carrascos com quem passou a conviver naturalmente - como se nada se tivesse passado de grave e de hediondo num regime de Apartheid. 

Por outro lado, a morte física de Nelson Mandela veio - estranha mas fundadamente - envergonhar alguns dirigentes políticos portugueses que, a dado momento das suas trajectórias políticas, e com elevadas responsabilidades públicas, tomaram decisões que foram ao arrepio das qualidades pessoais e políticas que, hoje, hipócrita e cinicamente elogiam e reconhecem ao recém-desaparecido líder carismático sul-africano.

De Cavaco, em 1987, então primeiro-ministro, sabe-se que se opôs à sua libertação incondicional, incapaz de distinguir um homem bom dos carrascos que o aprisionavam, e assim votou ao lado dos regimes ultra-conservadores do RU - de Tatcher e dos EUA de Reagen - de quem Cavaco não passava dum porteiro e moço de recados. Por isso, a história o persegue... Por isso, é, hoje, um tão mau presidente, co-autor da violação (objectiva e subjectivamente da CRP), e também por ser apenas o presidente de alguns...

De Durão Barroso, que hoje elogiou a coragem e persistência de Mandela - não se compreende como é que, em 2004, tenha literalmente desertado do Governo português que chefiava (entregando-o a um irresponsável sem qualquer legitimidade democrática) apenas para satisfazer um capricho de poder tornando-se presidente da Comissão Europeia - sobretudo alimentando essa campanha pelos fretes - assentes na mentira política - que fez aos EUA e RU - alegando que existiam armas químicas no Iraque - para, assim, granjear um apoio na comunidade internacional que favorecia a sua eleição ao cargo europeu que desejava alcançar. Enquanto se procurava promover para alçar ao poder, noutra pista, e de forma encapotada, dizia que apoiava a candidatura de António Vitorino para o cargo, que tinha um perfil muito mais competente para a função.

Cavaco e Durão, então como agora, são actores com enormes responsabilidades políticas que não hesitaram um minuto em recorrer ao expediente da mentira política - para atingirem posições de força que consolidava o seu poder pessoal, e não o bem comum de Portugal e dos portugueses que supostamente representavam. 

Por isso, Cavaco terá a maior dificuldade pessoal e intelectual em comemorar o 25 de Abril-2014 ao abrigo do valor da democracia e do consenso, que supõe uma defesa intransigente dos direitos humanos - que condenou na libertação de Mandela em 1987; e Durão, um desertor da política nacional e um subsídio-dependente da boa vontade germânica e do directório imposto pela chanceler Merkel - também encontrará uma dificuldade adicional em se fazer acreditar junto da opinião pública, já que os valores de coragem, verdade e tenacidade que reconheceu em Mandela foram, precisamente, os valores que traiu junto do seu próprio país e dos portugueses e a troco dum prato de lentilhas - visível numa Europa que, hoje, perdeu o seu status de potência global que foi no pós-II Guerra Mundial.

É por estas razões que a morte física de Nelson Mandela envergonha tanto estes dois players da política provinciana nacional, mas não envergonha o conjunto do povo português que sempre soube separar o trigo do joio. 

Talvez a letra do poema de Henley - que segue no vídeo infra - possa gerar um pingo de vergonha naqueles dois míseros representantes de Portugal - que não souberam (nem sabem) estar à  altura das responsabilidades que desempenham. 


Invictus poem - Mandela/William Ernest Henley




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Nelson Mandela - 18.07.1918 / 05.12.2013


Foto: Nelson Mandela - 18.07.1918 / 05.12.2013

"Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma." (W.E.Henley)

*****************************

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley (1849 - 1903)

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Nelson Mandela - 18.07.1918 / 05.12.2013

"Não importa quão estreito o portão
Quão repleta de castigo a sentença,
Eu sou o senhor de meu destino
Eu sou o capitão de minha alma." (W.E.Henley)

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Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley (1849 - 1903)

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quinta-feira

Ascendeu ao céu uma estrela: Nelson Mandela fica


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