quarta-feira

A Comissão Europeia tem de agir perante a nomeação de Durão Barroso para o Goldman Sachs

Nota prévia: No âmbito dos Acordos de Bicesse, promovidos por durão Barroso em 1990, na qualidade de Secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação de Portugal, lembro que este ilustre cavaquista se gabava de dizer que conseguira então algum sucesso entre a UNITA e o MPLA - com vista à estabilização da situação politico e militar de Angola, utilizando uma técnica de negociação política que consistia em mentir um pouco a cada uma das partes, e, com isso, conseguiu aproximá-las cujo desfecho foi depois o que se viu: mais guerra civil. 

Isto foi dito numa aulinha do Curso de Relações Internacionais, alí na Junqueira, onde aquele dignitário tinha avença e padrinho numa universidade privada. 

Ou seja, uma das técnicas políticas mais apreciadas por Durão barroso, hoje um mero serventuário da máfia financeira global, era o recurso puro e duro à mentira. Nos trinta anos subsequentes fez carreira montado na mesma mentira, e o resultado foi o que se viu: ele engordou, enriqueceu, e subiu na vida, mas a Europa, por contraponto, ficou desmembrada, sem plano, coesão e projecto. E os povos que supostamente deveriam ter sido ajudados com adequadas políticas públicas e planos de recuperação económico e social - como no gritante caso grego - foram literalmente entregues aos agiotas da banca internacional que lucrou com a desgraça desses mesmos povos, e é aqui que entra o oportunista barroso, que da política apenas tem a ideia de que ela existe para ele se servir dela, e não para a servir. 

Se assim é, o que espera a Comissão Europeia, o Parlamento e demais órgãos da UE para deliberar a revogação da reforma dourada paga indevidamente a um sujeito que contribuiu activamente para afundar a Europa, ainda por cima em nome do interesse financeiro da banca internacional. 

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A Comissão Europeia tem de agir perante a nomeação de Durão Barroso para o Goldman Sachs

Barroso ocupou durante dois anos o cargo de primeiro-ministro de Portugal e por dez anos foi presidente da Comissão Europeia, implementando políticas neoliberais que afectaram negativamente todo o establishment europeu. Ele foi apanhado a dormir pela crise que em 2008 varreu a Europa, e conduzindo por fim à adopção de políticas de austeridade. Barroso insistiu até ao fim na homeotapia do neoliberalismo, mesmo quando os Estados Unidos, sob a batuta da Administração Obama, conseguiram recuperar optando por um keynesianismo moderado.
O recrutamento de José Manuel Barroso pela Goldman Sachs não é surpreendente, mas é enfurecedor. Porque defronta uma grande incompatibilidade política e moral que deveria vincular por anos todos os líderes políticos que deixam de estar em funções: é inconcebível para eles passarem a fazer parte das listas de pessoal em empresas que alegadamente tiveram de controlar e escrutinar em nome do interesse público.
A este respeito, o papel das instituições europeias é, entre outros, o de dinamizar a cooperação entre a esfera privada e a esfera pública, e garantir o compromisso moral das pessoas. Apesar disso, para além do caso Barroso, temos assistido ao recrutamento de vários antigos executivos de topo de instituições europeias por bancos de investimento, especialmente aqueles que estiveram envolvidos na crise financeira de 2008 ou, recuando ainda mais tempo, em escândalos de subornos e casos de corrupção com partidos politicos noutros locais, como a Grécia, Itália e Espanha.
A União Europeia enfrenta questões relacionadas com a prestação de contas que se intensificaram ainda mais depois do falhanço massivo da zona euro na resposta à crise financeira, dos cada vez maiores escândalos de corrupção como o Lux Leaks ou os Panama Papers, que tornaram os cidadãos europeus ainda mais críticos em relação ao futuro da União. O Eurocepticismo está a fazer aumentar o apelo dos partidos de extrema direita, enchendo as pessoas de desilusão e raiva.
A Comissão Europeia deve agir. O silêncio, neste caso, não é de ouro, é sim cúmplice. Ameaça claramente a credibilidade das instituições e mesmo da própria democracia, tornando ainda mais pesados os esforços consistentes para mudar a Europa e colocar as suas políticas de volta ao caminho da justiça social.
Vice-presidente do Parlamento Europeu e deputado eleito pelo Syriza
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sexta-feira

Recuperação de Nicolau Maquiavel como denúncia do oportunismo do cds

Consabidamente a arte da mentira política reitera alguma das lições de um dos principais fundadores da Ciência Política, daí a sua extrema importância em o evocar para dizer: aí têm como vos mentem - ao propôr uma subscrição imaginária para um tratado inexistente.
Isto faz-me lembrar os expedientes a que recorre Paulinho portas para fazer espectáculo político diante dos portugueses julgando, assim, que os tolinhos dos tugas lhes vão encher os bolsos de votinhos.
Ou algo me escapa ou Portas julga mesmo que os portugueses são parvinhos.
Já agora, en passant, seria útil que o PS reflectisse um pouco e, já que integrou no seu programa de Governo as preocupações com a justiça social, não se deixasse ultrapassar pela demagogia de Portas, mas isso também exigira dele uma coragem que não tem demonstrado.
Era, pois, ao PS e a Sócrates que seria exigido este tipo de medidas justicialistas, e não a Portas - o maior esbanjador do MDF em 2005...
E aqui nasce uma outra lição que podemos recordar em Nicolau Maquiavel, é que a política é um jogo de paixões e de interesses opostos de que a dissimulação constitui uma das regras essenciais. E é pena constatar que, por vezes (muitas vezes!!!), as medidas sistematizadas nos programas políticos nenhuma correspondência têm com a realidade, e é pena!!!
Quando isto acontece, a mentira política generaliza-se e institucionaliza-se, a descrença dos eleitorados sobre a classe política agrava-se e isso tem como reflexo uma maior taxa de abstenção e uma diminuição da qualidade do escol político que, a cada momento, governa a polís.
Numa palavra: a mentira política contribui directamente para empobrecer as elites que nos (des)governam - à esquerda, à direita e ao centro.

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