quarta-feira

Evocação de Miguel Torga - Diário X -



Só há uma lepra humana pior do que o despotismo: a cobardia. A cobardia individual ou colectiva, a que recua diante da força ou diante dos factos. De maneira singular ou plural, aberta ou encobertamente, a vida faz-nos sempre a mesma exigência: o exercício quotidiano da coragem do risco. E quando o medo nos tolhe, e nos negamos a essa prática salutar, perdemos, como parcelas ou como soma, aquela mínima dignidade que distingue a pessoa da rês e o grupo da manada.

Miguel Torga - Diário X

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sexta-feira

CR7 vai ajudar Cavaco a concluir o seu mandato com alguma dignidade

Presidente da República recebeu a seleção nacional em 2012. Agora vai condecorar Cristiano Ronaldo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique
Presidente da República recebeu a seleção nacional em 2012. Agora vai condecorar Cristiano Ronaldo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique
Fotografia © Thomas Meyer - Global Imagens
O Presidente da República vai condecorar na terça-feira o jogador de futebol e capitão da seleção nacional Cristiano Ronaldo, que "tem sido um símbolo de Portugal em todo o mundo".
Segundo uma nota divulgada no 'site' da Presidência da República, o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, irá condecorar Cristiano Ronaldo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. 
"A decisão do Presidente Aníbal Cavaco Silva visa distinguir o atleta de renome internacional que tem sido um símbolo de Portugal em todo o mundo, assim contribuindo para a projeção internacional do país, e um exemplo de tenacidade para as novas gerações", lê-se ainda na nota.
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Obs: É sabido que o gosto do ainda PR pelo futebol é semelhante ao do Dr. Mário Soares pelo conhecimento das ciências exactas e de Finanças públicas. Ou seja, é ZERO.
Dito isto, apraz-me registar, talvez injustamente, que Cavaco não perde oportunidade para se promover junto dos portugueses através de toda e qualquer "muleta" publicitária, no caso o reconhecido futebolista internacional, Cristiano Ronaldo. 
Será Ronaldo, estranhamente, que irá ajudar Cavaco a terminar com alguma dignidade o seu (lamentável) mandato presidencial.
Cavaco, ou alguém por ele, poderia já ter pensando em iniciativas do género com outros emigrantes portugueses que têm projectado o nome de Portugal abroad, ou até mesmo aqueles que, tendo qualificações e encontram-se hoje em sérias dificuldades, deviam ser acarinhados e institucionalmente ajudados no exterior - para onde partem em busca de melhores condições de vida.
Mas Cavaco, ao que parece, apenas se preocupa com aqueles que já têm o sucesso assegurado, deixando de fora os portugueses da diáspora - os tais que são convidados a emigrar pelo XIX Governo (in)Constitucional (de que tem sido o mentor) - entregues à sua sorte.
Até nestes pequenos detalhes no relacionamento do Estado com a generalidade dos portugueses, cavaco não consegue deixar de ser discriminatório, ou seja, o presidente só de alguns portugueses, deixa de fora o maior número deles - que são os que jogam a vida com a cabeça, não com os pés (sem qualquer desprimor para os futebolistas que justamente se consagraram).
A questão não é desapoiar os grandes futebolistas, de que seguramente CR7 - é um expoente; o ponto seria em o PR (saber) apoiar os demais portugueses que estão privados de qualquer apoio do Estado quando convidados a sair do país. 


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sábado

Dar poder aos cidadãos - com responsabilidade, liberdade, dignidade


Em mais uma manifestação pacífica os cidadãos procuram organizar-se para dizer BASTA a um conjunto de aspectos da vida pública, da governação económica, financeira e social com as quais discordam frontalmente. 

Este é o tempo de os milhares de cidadãos em Portugal, enquadrados ou não por partidos ou em movimentos sociais, testarem o modelo de troca da sua intersubjectividade e, também por essa via, medirem os seus próprios limites à comunicação directa, embora depois a mesma seja mediatizada pela cobertura que tais eventos assumem no espaço mediático. 

Este também é o momento de essas "solidões organizadas", dentro e fora das redes sociais - ao nível das nossas sociedades e doutras que, nesta nossa Europa em pedaços, comungam dos nossos problemas, possam trazer soluções e propostas diferentes daquelas a que tem conduzido o actual e incompetente governo que rima com AUSTERIDADE = ESBULHO AOS RENDIMENTOS LEGÍTIMOS DO POVO PORTUGUÊS.

Poderá objectar-se: será mais um dia para extravasar emoções e sentimentos, libertar tensões, lamúrias e farpear a classe política que é considerada incompetente, corrupta, impreparada e socialmente insensível. 

Poderá ser assim, de facto, mas se admitirmos que estas manifestações, no plano imediato, nada resolvem, porque são vistas como utópicas, arruaceiras, enquadradas pelos sindicatos ligados, por sua vez, ao PCP (CGTP) e PS (UGT), essas manifestações têm o grande mérito de evitar que o gap entre os governados entre si aumente, i.é., que se limita o afastamento dos indivíduos com a sociedade e, por maioria de razão, com o Estado composto pelos dirigentes que, hoje, achamos impreparados, incompetentes e, alguns deles, imorais, de que o sr. miguel relvas constitui o exemplo mais execrável da vida pública nacional por razões conhecidas de todos.

Daí que estas manifs tenham inúmeras virtudes ao cimentar as pessoas em torno dum objectivo: Portugal e os portugueses, evitando o desfasamento entre o pensar colectivo e pulsar das suas populações e o agir que urge tomar em mãos. 

Este tipo de manifs são tanto mais necessárias quanto os cidadãos na Europa ocidental são, em matéria de informação, "anões" no domínio da acção mas são "gigantes" no domínio da informação a que vão tendo acesso, o que permite alargar consideravelmente o nível da percepção do mundo em que vivemos, sem, ao mesmo tempo, poder alargar, proporcionalmente, a sua capacidade de acção.

Esta manifestação, oriunda quase exclusivamente da insatisfação e INDIGNAÇÃO  da sociedade civil, é um sério contributo para alargar essa capacidade de acção, limitando cada vez mais o já exíguo espaço de manobra que o ainda governo de centro direita tem em Portugal. 

Todavia, a situação seria pior entre nós, como ocorreu durante quase meio século de ditadura, até Abril de 1974, se todos e cada um dos cidadãos não tivessem acesso livremente a essa superinformação, a qual nos dá a sensação e a vantagem de estarmos todos ao mesmo tempo a par dos problemas globais do mundo, ainda que tais problemas interfiram diferenciadamente em cada uma das nações de que somos parte, em resultado dos diferentes níveis e ritmos de desenvolvimento, crescimento e modernidade perante os fluxos globais gerados pela globalização. 

- Quer dizer, a situação seria francamente pior se o cidadão, como no passado recente, não apenas não tivesse grande capacidade de acção como estivesse, além disso, isolado do mundo. Hoje, esta capacidade activa que temos em procurar a informação, para a organizar, racionalizar e comunicar, evita que o cidadão esteja completamente perdido e dominado por classes políticas corruptas, incompetentes e impreparadas que nunca deveriam ter chegado ao poder. 



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