terça-feira

O triplo desafio (existencial) de António Costas nestas eleições legislativas

O tempo urge para António Costa e o PS...

António Costa tem nestas eleições legislativas um triplo objectivo: 1) bater a coligação Paf, que agravou as condições de vida de 9 milhões de portugueses (por via fiscal e através de políticas públicas ruinosas e desastradas e selvaticamente ultra-liberais), e expulsou meio milhão de portugueses qualificados borda fora; 2) demonstrar que terá um score eleitoral nas legislativas superior àquele a que António José Seguro teve nas europeias; 3) e que é capaz de conciliar o PS consigo próprio, volvido o acto doméstico e intestino doloroso de substituição de Seguro, além do distanciamento do legado de Sócrates por força do processo judicial que o sequestrou por uma justiça opaca, lenta, incompetente e irresponsável. 

Estas três razões exercem uma grande pressão política, mediática e temporal sobre A. Costa. Sendo que a segunda e a terceira dependem, objectivamente, do eficiente desempenho da primeira razão, ou seja, se A.Costa não conseguir ganhar as legislativas tudo lhe cairá encima, como um obelisco em queda livre: a coligação que destruiu o tecido económico e social do país, Seguro e, mais tarde, Sócrates e os socratistas - que não lhe perdoarão este afastamento pessoal nesta fase delicada que coincidiu com o regresso a casa de Sócrates. 

As sondagens, sendo fotografias estáticas da realidade, e, porventura, pouco fiáveis, não são famosas para o PS de A.  Costa, já que a vantagem relativa do PS sobre a danosa coligação Paf é escassa, com a agravante de o eleitorado do PCP ser conservador e quase inamovível; e o eleitorado do BE, pela excelente prestação televisiva de Catarina Martins - está não apenas a ser bem defendido como também prenuncia um crescimento no seu número de mandatos na Assembleia da República.

Algumas razões podem estar na base desta não descolagem do PS nas sondagens, que valem o que valem, sublinho. A substituição interna dolorosa no PS, que atirou Seguro pela janela da sede do partido, no Largo do Rato e em directo; alguns erros lamentáveis de campanha, conhecido de todos, em especial a estória dos famosos "cartazes" e de quem neles aparecia; e a incapacidade de A. Costa, como à partida se afiguraria mais fácil, conquistar eleitorado descontente ao PSD e também aos descontentes mais à esquerda, em especial junto do eleitorado mais flexível do PCP que aprecia o comportamento político de A. Costa - e que até o ajudou na CML - e que faria voto útil no ex-edil da capital. 

Neste quadro complexo em que Costa navega, qual bossa do camelo, dois caminhos podem emergir neste mapa das legislativas: a vitória relativa de A. Costa, que desmantelará a coligação de direita ultra-liberal mais ruinosa que Portugal conheceu desde 1974, e um desafio para formar governo à esquerda, provavelmente com o BE, já que o Livre, de Rui Tavares, terá um score eleitoral inexpressivo, nem sequer dará para fazer o queijo-limiano doutros tempos... Sorte terá Rui Tavares se tiver tantos eleitores como leitores dos seus interessantes artigos, no Público, já que é um historiador de 1ª água. 

Ou, no pior cenário, em que manifestamente não creio, o PS de A. Costa ser batido pela coligação, mesmo que apenas pelo número de mandatos, obrigando Cavaco a empossar um governo de direita, e Costa ter, de novo, o regresso de Seguro - que lhe apontará  o dedo e, mais tarde, Sócrates e os socratistas que lhe pedirão contas pela hipotética derrota. 

O facto de A.Costa não ter sabido responder, em directo, ao desafio de Passos para negociar com ele a reforma da Segurança Social, deixou o PS algo paralisado. Costa deveria ter dito que Passos jamais estaria em condições de negociar o que quer que seja, porque irá perder as eleições, e a haver negociação para desenvolver essa estratégica reforma para a sustentabilidade intergeracional da segurança social, de cujas prestações o estarola de Massamá alegou desconhecer (por isso, esteve 5 anos a fio sem as pagar!!!) - ela terá lugar entre os actores à esquerda do espectro político, ou seja, entre PS, PCP e BE, nunca com quem contribuiu directa e activamente para minar e descredibilizar o sistema da segurança social, como fez Passos ao ser relapso no pagamento das suas obrigações contributivas. 

O facto de António Costa não ter tido aqui um golpe de asa fez com que, doravante, tenha de radicalizar o seu discurso em campanha eleitoral, mas nisso terá de revelar a maior mestria e ponderação, pois não vá assustar ainda mais o eleitorado do centro com algumas propostas, que é onde se ganham eleições em Portugal. 

De facto, o tempo urge para António Costa. 

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PSOE retirou o microfone a Seguro

PSOE retirou o microfone a Seguro


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Obs: Curiosamente, aquilo que deveria ter sido feito por Cavaco em Dili relativamente ao patife Obiang - retirando-lhe a possibilidade de integrar a CPLP - é o que o recém-entronizado líder do PSOE fez ao SG do PS em exercício em Portugal. 
Afinal, onde está a solidariedade partidária e político-ideológica entre partidos irmãos? Ou será que o fio extenso das dúvidas já atravessou a fronteira?
O mundo anda com os passos trocados e parece que ninguém beneficia com esse desacerto. 
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A blindagem - por Luís Meneses Leitão -



Há dois anos, quando António José Seguro fez aprovar estes estatutos no PS, Marcelo Rebelo de Sousa acusou-o de estar a realizar uma "golpaça", de que um líder forte nunca necessitaria. Descontando a criatividade linguística, é manifesto que esta previsão se realizou integralmente. Precisamente por não ter força política, Seguro necessitou de blindar os estatutos do PS. Há que reconhecer que o fez com enorme eficácia, uma vez que o avanço de Costa, que politicamente se adivinharia imparável, afinal tropeça sistematicamente em inúmeros obstáculos processuais. Costa está agora limitado a discutir umas "primárias" marcadas por Seguro, cujo universo eleitoral é desconhecido, mas que Seguro garante que poderão levar à sua demissão. Temos assim que o líder de um partido escolhido pelos militantes não pode ser por estes destituído, mas pode sê-lo por meros simpatizantes. Entretanto o PS ficou a ferro e fogo, e durante muitos meses não vai fazer qualquer oposição ao governo.


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Obs: Temos de admitir que o douto Marcelo na sua antecipação de análise política por vezes acerta. Ele só não antecipou foi o seu fim triste na aliança contra-natura com o seu ex- colega, Paulinho das feiras.

Quanto a Seguro, temo que ainda não tenha percebido o que aí vem, pois mesmo que bloqueie ou adie artificialmente por mais uns meses a realização do Congresso extraordinário - ele terá sempre grandes dificuldades internas para fazer oposição ao governo, que assim tem rédea solta para continuar a destruir a economia nacional e a esmagar os portugueses com mais e mais impostos, excepto aos que entretanto já emigraram, que são aos milhares por semana. 

De facto, não compreendo a dimensão do medo de Seguro mas, por outro lado, ele é o próprio a desafiar António Costa para debates televisivos.

Então, não seria mais realista, útil e esclarecedor fazer esse grande debate de ideias e de projectos em contexto de Congresso extraordinário?!

Ou será que Seguro também é apologista da sociedade espectáculo patrocinada pelos media...

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sexta-feira

Seguro pede consenso sobre aumento do salário mínimo

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Obs: Aguarde-se que o ainda primeiro ministro se desloque novamente à Alemanha para pedir o agreement para esse aumento do salário mínimo em Portugal. 

Por questões de menor relevância, Coelho já foi ao beija mão de Merkel. 

Passos Coelho, que aprecia tanto o "consenso", tem aqui uma excelente oportunidade para demonstrar que não é um cata-vento, o que é uma tarefa difícil, senão problemática. 

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terça-feira

Seguro diz que há “divergências insanáveis” sobre estratégia para equilibrar contas públicas


[...] in Público


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Obs: António José Seguro revelou hoje, mais uma vez, que tem uma paciência oriental para lidar com um Governo que tem feito tudo ao contrário do que devia para recuperar as finanças públicas em Portugal. Esta calma de Seguro é também reveladora que não está  obcecado com a captura do poder, à semelhança da conduta de Passos Coelho em 2011 - que - coadjuvado por Belém - não hesitou em fazer cair o governo precedente. 

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