Ao ler uma entrevista dada pelo economista da Palma de Cima, doutor Das Neves, que entendeu que um aumento do salário mínimo dos pobres representaria um problema, lembrei-me que, afinal, os pobres são mesmo um grande problema. Uma chatice.
Alguns dados ilustram isso:
- a fome não é um problema de mera falta de apetite;
- os ricos querem mais para terem mais; os pobres querem mais para terem menos;
- não se compreende como é que os pobres, com filhos, sem casa, doentes, com todas as dificuldades que têm, ainda conseguem arranjar tempo para andar a pedir esmola;
- por outro lado, ideia que talvez nunca tenha passado pela excelsa cabeça do doutor César das Neves, os pobres nunca têm jantares de negócios. A verdade é que não têm negócios e, muitas vezes, nem sequer jantar;
- como os ricos nem sempre são felizes, os pobres não têm razões para os invejar;
- os pobres têm tanto azar que quando chove sopa dos céus só têm garfos nas mãos;
- os pobres, não é da tentação da carne que os preocupa, é a falta dela.
Consta que deram a ler a Cavaco a entrevista de seu ex-coeditor. E a impressão foi tão má que o locatário de Belém sugeriu um Alka-Seltzer ao economista, pobre homem.
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