quarta-feira

Evocação de Fernando Pessoa

Liberdade
...Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. Sol doira Sem literatura O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma, Esperar por D.Sebastião, Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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sexta-feira

Cruzar-me com Pessoa é certeiro, mas... Há sempre um but

... E tudo é uma doença incurável.

Este é o sentir mais generalizado na sociedade portuguesa actualmente. Basta uma frase de Pessoa injectada há quase um século para descrever fielmente o que hoje se passa em Portugal.

Pessoa é certeiro, mas faltou-lhe algo: a esperança. Que hoje, curiosamente, parece só existir no nosso PM. O mal, creio, já não reside no país, nas suas estruturas políticas, económicas e sociais, o mal reside nas nossas mentes, o mal é interior.

O mal colonizou-nos, existe como um actor soberano que tem o seu palco e já não nos obedece. E o problema é que entre Sócrates e Coelho vejo mais semelhanças do que diferenças. Sendo certo que nas semelhanças Portugal nada aproveita, nas diferenças...

Descubra-as!!

Confesso, que aprecio este traço genial que Almada fez de Pessoa, dois mestres nacionais do séc. XX universal português.

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