quinta-feira

China censura imagens de Putin a emprestar manta à primeira dama Peng Liyuan

Nota prévia:

Quem conhece um pouco da cultura oriental sabe que os chineses, esse grande "Império do Meio" (que já era milenar quando a Europa andava de gatas) não aceitam facilmente elogios (ou ficam embaraçados quando os recebem, porque são humildes e modestos); são um povo de poucas intimidades, daí que aquela linguagem corporal excessiva de Putin, ainda que bem intencionada, tenha sido mal interpretada. 
- Só apertam a mão aos estrangeiros.., se estes lhes forem apresentados, de resto reservam a sua cápsula de privacidade e mantêm as distâncias. 
- Putin, como alarve que é (apenas conheceu os hábitos do KGB), violou todas essas regras e etiquetas que integram o protocolo e os costumes e tradições chinesas. 
- Ao cometer essas gafes, Putin não está só a ser indelicado para com a Primeira Dama, está a violar quase 4 mil anos de história, já que a China integra a civilização mais antiga do mundo.
- Daqui decorre que a Rússia tem um verdadeiro trolha na sua liderança, talvez por isso não admira que queira reconstruir toda a geopolítica perdida na Conferência de Yalta, em 1945, e se aproveite da invasão da desgraçada Ucrânia para demonstrar aquilo que verdadeiramente é: um trolha sem maneiras, mas com ambições globais!!!
- No fundo, os modos de Putin só encontram equivalente funcional com os hábitos de "certa pessoa" a comer bolo-rei no canto mais ocidental da Europa...

Presidente russo, Vladimir Putin, cobre as costas da primeira dama chinesa Peng Liyuan numa noite fria
Pen Liyuna, ex-cantora de ópera do Exército chinês, levantou-se por momentos durante o jantar que decorria no Cubo de Água (instalações das provas aquáticas das Olimpíadas de 2008). Estava frio. O marido, o presidente chinês Xi Jinping, conversava, animado, com o presidente americano, Barack Obama. Foi então que o presidente russo, Vladimir Putin, reagindo rapidamente, se levantou e colocou uma pequena manta pelas costas da primeira dama da China. Esta sorriu.(...)

Presidente russo, Vladimir Putin, cobre as costas da primeira dama chinesa Peng Liyuan numa noite fria

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quarta-feira

O novo padrão da história e da civilização: um olhar sobre o planeta


Se nos reportarmos aos desastres ambientais mais recentes, que surgiram após a crise económica - como as cheias do Paquistão em 2009, o terramoto no Haiti em 2010, o derramamento de petróleo no Golfo do México  que teve lugar após o tsunami japonês, em 2011, os tornados e inundações no sul dos EUA, Midwest e N. Inglaterra, começamos a perceber que, se continuarmos neste caminho ou modelo de desenvolvimento hiper-capitalista, apenas resta aos historiadores do futuro defender que o grande colapso financeiro de 2008 é apenas uma amostra de uma catadupa de crises que provaram a ineficácia das capacidades e actuações das soberanias nacionais (através dos velhos Estados) e, ao mesmo tempo, corroeram a legitimidade assente no consentimento popular. 

Um consentimento que, hoje, já não regula os problemas domésticos, nem, por maioria de razão, está capacitado a intervir no complexo jogo dos problemas da globalização competitiva, que oculta sempre quem é o decisor e, não raro, esconde o que ele pretende.

Em face destas crises múltiplas, julgo estarmos diante dum novo desafio que coloca pressão aos sistemas de governance actualmente existentes no mundo contemporâneo. 

Já que em todos estes casos, a que se soma o desastre natural nas Filipinas, resultante de um tornado cuja força destruidora não tem igual na história da região, o locus de vulnerabilidade recorta círculos de problemas que estão sempre em expansão, que complexificam a natureza dos problemas pré-existentes. Estes factos sobrepostos, ou seja, erros humanos somados e agravados aos desastres naturais, ainda dificilmente previsíveis (na sua força, direcção e intensidade), veem alterar o padrão histórico de intersecção e reforço das calamidades já conhecidas. 

Porventura, é a esta expansão de problemas - colocados simultaneamente à economia, à  política, à sociedade, à C&T e à I&D (Ciência e Tecnologia e Investigação e Desenvolvimento), aos militares, aos saberes das ciências "duras" - que irá fazer com que o Homem público, o decisor por excelência, seja desafiado a integrar o risco natural no seu sistema de planeamento e decisão e  aprender a lidar com isso na vida inteira. 

A avaliar pela marcha dos fenómenos (políticos, económicos, sociais e os de carácter ambiental/natural) - atrevo-me a defender que a tendência da civilização é para registar essa viragem histórica. Se não compreendermos isto, também não percebemos o que temos de mudar para evitar que os problemas do passado se repliquem no futuro imediato. 

E é aqui que ressalta uma questão essencial: quem é - ou são - os novos solucionadores de problemas no mundo contemporâneo?!

Sem que a resposta seja unívoca - os salvadores deste doente planeta são os ambientalistas mas também os empreendedores. São estas duas forças, aparentemente contraditórias, que irão gerar as soluções de utilização humana dos recursos do planeta, mesmo que para isso a ideologia dominante, assente no hiper-capitalismo, tenha de ser profundamente revista, e a tecnologia disponível também terá de se ajustar às verdades e prementes necessidades humanas. 


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sábado

Cultura e Civilização - por Almada Negreiros -

Uma mesa cheia de feijões.
O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão. O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo.
Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.
O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO.
O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA. É mais difícil a passagem da civilização para a cultura do que a formação de civilização.
A civilização é um fenómeno colectivo. A cultura é um fenómeno individual. Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.
Almada Negreiros, in "Ensaios"
Obs: Medite-se nesta reflexão de José Almada Negreiros, com jeitinho concluímos que nada do que se passa hoje entre nós - da economia, à finança e à organização da sociedade e do Estado - que não esteja comprometido naquelas articulações. Ou seja, o nosso problema colectivo, antes de ser uma questão de finanças públicas e de economia, stricto sensu, é, primeiramente, uma questão de Cultura e de Civilização. É a falta de estabilização desses dois pilares entre nós que justifica termos chegado onde estamos: no fundo do poço, ainda que estejamos todos olhando para o céu - nesses dois abismos!!!
Moby - Pale Horses (Official Video)

In This World

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