terça-feira

Perdidos por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES



Para onde quer que nos voltemos, os sinais de que Portugal é hoje um país à deriva são manifestos. Com a saída da troika tornou-se ainda mais evidente que o Governo não tinha qualquer agenda que não fosse fazer a dobragem para português, por vezes com erros dolosos de tradução, das exigências dos nossos credores. Confundindo os efeitos com as causas, a austeridade falhou. Depois de três anos de destruição da economia, do emprego, dos direitos sociais, depois de a própria troika, através do FMI e da Comissão Europeia, ter admitido erros de conceção no memorando (algo que o Governo nunca fez com seriedade e de forma escrita), o País mergulha em cheio num novo turbilhão, que destrói ainda mais a confiança no sistema financeiro. As causas da doença prevalecem sempre sobre os seus sintomas. Se o Governo emudece, deixando-se humilhar (e ao País) no processo da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, ou sacudindo os ombros perante o que parecem ser graves erros de gestão na TAP, do lado da oposição, o debate interno no PS desnuda um abismo entre o excesso de pompa retórica e a escassez de ideias alternativas operacionais. Ser oposição de esquerda não dispensa, antes exige o esforço de pensar. É verdade que ainda não temos petardos a rebentar nas ruas, como na I República, mas há algo de profundamente violento no modo como o improviso, a ausência de conhecimento e reflexão, ou a pura sanha destruidora (veja-se a "política de ciência", desenhada com bazuca), tomaram conta dos destinos do País. Estamos no deserto, sem bússola. As nações também podem morrer de sede. Quando lhes falta a promessa líquida do futuro.

___________

Obs: Portugal bateu no fundo, mas o poço continua sendo escavado, à luz dos factos (domésticos e externos) que se vão conhecendo, o que indicia mergulharmos ainda mais fundo neste abismo sem fim.

_____________________

Etiquetas: , , , , ,

quinta-feira

O reconhecimento lusófono de um sanguinário corrupto: um crime contra a Humanidade aclamada pelas democracias pluralistas


O peso do dinheiro, de facto, não conhece limites. Todos se vergam ao vil metal. A entrada de Obiang para a CPLP - com quem não tinha ou tem comunhão de valores e de princípios, nem pratica a língua comum (o português), representa um facto excepcional que rompe uma linha clássica de fazer diplomacia. 

Doravante, tudo é possível, basta que quem pretenda realizar um objectivo no plano das relações internacionais, por mais absurdo ou incongruente que seja, tenha o poder ou a influência de afectar recursos financeiros volumosos para determinados fins, que logo esse objectivo se atinge ou, pelo menos, se dissolve a resistência que se lhe opõe.

Talvez nunca como hoje este tipo de crimes morais, éticos, políticos, civis, enfim, crimes contra a Humanidade, se praticaram com tanto despudor e desfaçatez, com a agravante de os seus autores morais e executantes obterem a anuência de democratas e da generalidade dos actores influentes que povoam a paisagem da Sociedade internacional contemporânea. 

A entrada deste sanguinário corrupto para a CPLP, ante a aclamação dos chefes de Estado de países democráticos e praticantes do rule of law representa, acima de tudo, uma nova categoria de crime contra a Humanidade: a desfaçatez. A tentativa de branquear crimes graves em actos de gestão corrente dos negócios do Estado. A ideia de que tudo é possível, basta que se queira e existam recursos financeiros que acompanhe aquela vontade. Deixou, pois, de haver limites em política. Na prática, a política ficou reduzida a uns barris de crude e ao gás.

Durante uns anos Obiang bateu com o nariz na porta da CPLP, mas assim que começou a cheirar a petróleo as diplomacias começaram a abrir as alas ao ditador, e este infiltrou-se no seu seio, como uma cobra viperina que pode contaminar o conjunto. Do que pode resultar desta adesão?

- mais negócios no Atlântico Sul; um aumento da visibilidade da CPLP para além da língua portuguesa; mais oportunidades para as empresas portuguesas que operam na região e no sector energético... 

E se a lógica dos negócios, que agora parece promissora dentro desse espaço de cooperação, subverter a lógica da condução política e todos ficarem reféns dos termos do petro-poder?!

Podemos partir do pressuposto que a cobra se infiltrou no galinheiro para comer todo o galinheiro. E não para permitir a reprodução de condições que fizesse aumentar a prole no galinheiro. 

A política, sobretudo em África, onde o tribalismo é uma determinante relevante na estruturação das decisões públicas, e onde as instituições dependem de ditadores sem que ninguém os possa controlar e/ou vigiar, está repleta de escolhos. Contudo, não podemos esquecer que em todo este processo que culminou com a entrada da GE na CPLP,  houve resistências ao ditador, factos que Obiang não esquece. Uma vez "dentro" da organização poderá querer combater ou eliminar algumas vozes dissonantes, como a portuguesa, sobretudo agora em que o ditador se sente forte e legitimado pela organização, o que constitui o ambiente ideal para se vingar daqueles que nunca apoiaram a sua adesão à CPLP.

Não podemos esquecer que a estrutura mental dum ditador não muda a sua natureza, ela apenas se adapta consoante está a operar na arena externa ou na esfera mais doméstica. O ditador poderá agir cordialmente por uns tempos, mas isso não quer dizer que actue sempre dessa forma.

Aguardemos para conhecer as reais e virtuais vantagens de colocar uma serpente de sete cabeças num galinheiro que, em abono da verdade, nunca foi plenamente democrático (Angola!!), ainda que tivesse em comum a prática da língua de Camões (agora subvertida). 

Em rigor, esta decisão não deixa de ser um crime contra a Humanidade estranhamente aclamada pelas democracias pluralistas que dizem professar o rule of law

___________


Etiquetas: , , , ,

quarta-feira

Luís Amado do Banif arrisca-se a um lugar cimeiro na Lusofonia emergente...


A dupla entrada petroleira da Guiné Equatorial na CPLP e na estrutura de capitais do Banif, presidido pelo Sr. Luís Armado coloca este numa posição altamente promissora para vir a assumir um cargo de relevância na estrutura emergente da CPLP & Ass. 

Quiça, ficará como Secretário-Geral da futura organização, investido com a confiança pessoal do novel aderente, e incumbido de desenvolver uma nova diplomacia do croquete mitigada com a luta anti-corrupção no âmbito do espaço luso-franco-e-hispano...

Em conformidade, não me surpreenderia que amanhã o discurso do novel SG da CPLP & Ass. emergente se guindasse pela doutrina da transparência. Mas uma transparência que não rimasse com branqueamento de capitais e violação gritante de direitos humanos, já que em África, por razões socioculturais e tribais, os conceitos assumem sempre uma grande polissemia. 

Uma polissemia dangereuse...  

____________


Etiquetas: , , , , ,

Sócrates lança nova etapa nas relações com Moçambique

O primeiro-ministro português formalizou, esta manhã em Moçambique, uma série de acordos que constituem nas palavras de José Sócrates “um novo fôlego, uma nova ambição, um novo impulso”.dn
José Sócrates destacou esta visita oficial, que ontem começou, como um passo histórico que resultará na institucionalização de cimeiras anuais entre os dois países.
Hoje mesmo, no sentido de apresentar a cooperação económica com Moçambique será lançado o Banco Luso Moçambicano que, diz o primeiro-ministro português “apoiará projectos estruturais para o desenvolvimento de Moçambique”.
O sector mais promissor, segundo o chefe do Governo português, é o das energias renováveis onde Portugal “fez um longo caminho” estando na disposição de criar investimentos em território moçambicano.
Por seu lado, o presidente de Moçambique, Armando Guebuza, agradeceu a Sócrates e apontou-o como "um grande amigo de Moçambique" e apelou a que os empresários portugueses invistam neste país. Obs: Seria bom que Portugal regressasse a Moçambique, e que Moçambique também viesse para Portugal, um país africano cada vez mais anglofilo.

Etiquetas: , ,