sábado

A Espuma dos dias - Boris Vian...

O surrealismo afectivo de Boris Vian descentra-nos da rotina dos dias, e serve-nos esta espuma que vale bem uma meditação lenta e suave. Até para medirmos a distância que vai das intenções à realidade, do pensado ao realizado, da potência ao acto. Vian - fica. 





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Balada dos Cãotribuintes - Boris Vian -

  • Dedicada ao estarola de Massamá, não apenas por ser o pior PM desde 1974, mas por sê-lo cumulado com a faceta de player experimentalista que mais impostos cobrou às pessoas, às famílias e às empresas em Portugal. É a esse verdadeiro amador da política à portuguesa, mais troikista do que a troika - que APRISIONOU - 10 milhões de portugueses - que este poema de Vian encontra destino. Um destino trágico. Não há pior PRISÃO do que essa.  



Balada dos CãotribuintesSomos nós os desventurados 
Os pobres contribuintes 
Obrigados a sofrer até ao fim dos tempos 
A sorte a que imper 
A que impertubáveis 
Nos condenam os nossos governos 
Todos os nossos governos 

Se meteres cem francos de gasolina 
Oitenta vão para o Estado 
Olha cheio de concupiscência 
Os Cadillac... Olha pra outro lado 
No teu dois cavalos de brincar 
Saltita ao longo dos caminhos 
É uma sorte poderes circular 
Amanhã vão-to proibir 
Taxa sobre o álcool e a cerveja 
Sobre os definitivos e os provisórios 
Sobre o triste celibatário 
Castigado por ser só um 
Controlam-te todos os passos 
Ah compraste um belo naco 
Tudo corre às mil maravilhas 
Paga guloso paga prò saco 

Refrão 

Numa bandeja o Estado dá-te 
Um prato... apanhas um desgosto 
Está vazio E tu admiras-te 
Mas é o prato do imposto 
Tu passeias pela vida 
De peito feito cheio impante 
Cuidado com o imposto sobre a energia 
É para ontem... ou mesmo antes 
Um belo dia sobre o oxigénio 
Ligar-te-ão o contador 
Tarifa simples o ar do Sena 
Tarifa dupla o ar da serra 
Eis porém que tu te fartas 
Preferes andar aos caídos 
Ou tornar-te engolidor de facas... 
Taxa de engolidor acrescentada  [...]

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quinta-feira

Boris Vian - Le déserteur. Um hino à "rebeldia" criativa e não obediente (MJ)


Circunstâncias há em que uns actores, públicos ou privados, decidem desertar: uns, sem carácter e animados pela ambição de carreira e as mordomias do mando e do dinheiro europeu, desertam, simplesmente. Monsieu Barroso está nessa miserável categoria sociopolítica; outros, com dignidade e carácter, resolvem desertar para não matar gente inocente e, assim, aliviar o mundo de um sofrimento gratuito. É o caso patente neste exemplo de Boris Vian, indicado pela rebeldia duma antiga amiga, cultora do escritor francês (ou que agora o redescobre por uma criativa indisciplina) - e que durante a guerra colonial na Indochina - compôs esta carta para destinatário certo, qual hino à pax. 

Realista ou não, a história também se reescreve com fragmentos de imaginação, que surrealiza a própria realidade (alimentando-a), e a embrulha na espuma dos dias que tecem o aqui e agora da nossa circunstância, que é irrepetível. 

Tudo serve, afinal, para retratar o real. O nosso real, ainda que coadjuvado pelo virtual nesta terrena espuma dos dias... 

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Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer

Boris Vian (1920 - 1959)
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