terça-feira

Realidades e percepções. Evocação de Guilherme Shakespeare (ou "Guilherme Abana-a-Pera")


Nota prévia: A propósito do apuramento de responsabilidades relativamente aos contratos de elevado risco, que arruínam o erário público e agravam a carga fiscal aos contribuintes, apetece citar Guilherme Shakespeare e dizer: "é mesmo uma baleia"...

- Neste jogo de espelhos, sombras e de ilusões tecidas com as mais ardilosas palavras e (re)construções semânticas.





Evocação do génio - Guilherme Shakespeare...
.. quem melhor compreendeu a alma (e o comportamento) humanos senão W.S. Foi, em nosso entender, um dos geniais psicólogos do nosso tempo cristão, de todos os tempos, de sempre. Dele guardo algumas lições, uma delas é a de que devemos ser cuidadosos nas ilações e interpretações que fazemos às coisas, aos textos, às condutas alheias - que nem sequer conhecemos. Misturando tudo, esquecendo ou omitindo o essencial. E é isto que importa, não o acessório.
O texto que ora se passa remete para os limites da interpretação que nem sempre observamos na ligação que fazemos ao mundo exterior. Retomemos, pois, a loucura do génio e tiremos as devidas ilações (até) acerca de nós próprios:
Vamos agora ao que mais interessa, à cereja no bolo: 


- Hamlet - Vês aquela nuvem que tem quase a forma de um camelo?
- Polónio - Santo Deus, parece mesmo um camelo!
- Hamlet - Acho que parece uma doninha.
- Polónio - Tem o dorso de uma doninha.
- Hamlet - Ou uma baleia?
- Polónio - É mesmo uma baleia.
(Hamlet, III, 2)
 



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A culpa pelos ‘swaps’ é sua, caro leitor - por Bruno Faria Lopes


A culpa pelos ‘swaps’ é sua, caro leitor



1. Os gestores das empresas públicas que contrataram ‘swaps' altamente especulativos argumentam que não havia grande problema nisso. A gestão desses contratos era feita "de perto" e o problema foi que, de repente, o país e as respectivas empresas ficaram sem financiamento. Não importa que os gestores estivessem a brincar com o fogo, não importa que estivessem a assinar contratos que não compreendiam. Estava "tudo sob controlo".

2. As tutelas políticas das empresas públicas - sobretudo as do PS da era de Sócrates - argumentam que não são responsáveis pelo problema dos ‘swaps'. Teixeira dos Santos e Costa Pina lembram que as empresas públicas tinham autonomia total para fazerem o que quisessem na gestão de risco financeiro. Eram outros tempos - um gestor de uma empresa pública endividada podia assinar à vontade com a banca a troco de financiamento. Era legal? Era. Então tudo bem.


3. Quando descobriu que, afinal, não estava tudo bem, a equipa das Finanças no anterior Governo passou a sujeitar os ‘swaps' a um controlo do IGCP. Afinal era possível controlar - nem que seja com um despacho já depois de umas eleições perdidas e muito depois dos avisos da Inspecção-Geral de Finanças, de notícias nos jornais, etc. Porque não se fez nada antes? Argumento: quem podia adivinhar que os juros ficassem tão baixos durante tanto tempo? E quem adivinharia que viria a ‘troika'?


4. Chega a ‘troika' e cai o ‘rating' para lixo - e a banca aparece à porta das Finanças para exigir garantias sobre os contratos indecentes de ‘swaps' que impingiu às empresas. Maria Luís, já ao leme do Tesouro, toma conta do assunto em Julho de 2011, numa altura em que as perdas potenciais são de 1,6 mil milhões - e demora um ano e meio para começar a negociar com os bancos, numa altura em que as perdas potenciais já ultrapassavam três mil milhões de euros.


5. Porquê tanto tempo? Maria Luís argumenta à comissão de inquérito que o Governo anterior não deu qualquer informação, nem sequer fez referência ao problema e que ela, Maria Luís, teve de "partir do zero". (Não interessa que apenas um mês depois já houvesse um relatório da DGTF a apontar perdas assustadoras - o que interessa é que não disseram nada a Maria Luís no final de Junho sobre um problema conhecido há anos.)


6. Perante desmentidos e emails, afinal percebemos que Maria Luís recebeu alguma informação. Mas não chegava. Era preciso mais. A consultora financeira que avaliou os ‘swaps' precisou de um trimestre para avaliar mais de 200 contratos - mas o Tesouro português demorou um ano e meio até começar a "negociar" com a banca, para chegar a um resultado que não implica quaisquer perdas para os bancos. Porquê? O argumento é moral: o Governo actual herdou um "problema complexo" para o qual partiu do zero (não é bem assim, pois não?) e está 
a "resolver". O Governo actual é bom e os outros são os "maus".


7. No final de tudo isto, o que sobra? De quem é a responsabilidade por perdas efectivas, até aqui, de mil milhões de euros? É sua, caro leitor, é minha. A culpa é nossa. Será esta a conclusão da comissão de inquérito pedida pelo PSD para tramar o PS que agora trama o PSD. E, como a culpa é nossa, somos nós a pagar. Simples, não é?







Em Portugal a responsabilidade continua a morrer solteira. E nós, os contribuintes, somos os viúvos que liquidamos sempre a factura do funeral. E, pior, temos já a percepção que os funerais são simulados com vista a ludibriar o contribuinte. O que aumenta o transtorno e a factura..








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Estados falhados


Perante esta arrumação no mapa mundo, Portugal não surge como um Estado crítico, em perigo ou na eminência de entrar em perigo. 

Portugal está, de facto, vestido a negro. 

Com uma legitimidade refrescada pelo PR, Portugal - e a coligação do centro-direita que o governa - encontra-se agora desafiada a corrigir todos os erros em matéria de políticas públicas, especialmente no sector económico-financeiro (em que tudo falhou, conforme a carta de demissão de Gaspar) e nas relações delicadas com a troika que nos presta a assistência económica para equilibrarmos as finanças públicas e financiar o Estado.

É, pois, assim, de negro, que Portugal irá captar IDE (Investimento Directo Estrangeiro), criar riqueza, gerar emprego, potenciar a procura e o consumo interno e assegurar as condições objectivas (e subjectivas) de felicidade e bem-estar do povo português.

Neste quadro, Portugal não é um "Estado falhado", pois continua com um governo em funções (formalmente), ainda que não consiga governar; mantém o controlo sobre o território (vide o ex., de Cavaco nas Ilhas Selvagens, querem maior demonstração de grandeza e afirmação de soberania!!?) e sobre as populações (com a maior carga fiscal desde o 25 de Abril, a ponto de se falar em fadiga fiscal); se bem que a economia informal/paralela vá ficando com menos espaço de actuação, mormente em matéria de fuga e evasão fiscal; o nosso aparelho judiciário é o que sabemos: está entupido e não consegue imputar responsabilidades à média e alta criminalidade económico-financeira.

Por outro lado, devemos também perguntar à nossa consciência colectiva como tem evoluído a taxa demográfica entre nós, a emigração (económica) compulsiva, a intensidade da crise económica e social (com o alargamento da pobreza à antiga classe média), à degradação dos serviços públicos do Estado (com tendência para se agravar) e à violação do contrato social que o Estado tinha com os reformados e pensionistas, contrato que parece estar em ruínas, porque denunciado unilateralmente.

Tudo isto não representará (já), entre nós, uma falência múltipla dos órgãos politico-administrativos vitais do Estado para responder às necessidades das populações?

Tudo isto, de forma cumulativa, não representará já uma poderosa e preocupante força disruptiva de deslegitimação do Estado face à colectividade e ao interesse comum da nação?

Todavia, um aspecto deverá sublinhar-se em abono de Portugal: não temos terrorismo nem cisões religiosas à vista. 

No fundo, se virmos a "coisa" por este prisma, se calhar até "vamos no bom caminho"... 

Afinal, a douta explicação para a crise em Portugal repousa nesta fina fundamentação, qual nova doutrina política: "a crise tem sido mais forte porque as pessoas gastaram menos do que previmos".

Afinal, o que nos conduziu até aqui?!



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domingo

Imprensa estrangeira: uma crise portuguesa “sem fim à vista” -

Nota prévia: Começa a sair muito caro à economia nacional as demissões de Gaspar e Portas - perante os mercados financeiros que regulam os valor das taxas de juros da dívida nacional. A semana perdida dada por Belém, ainda que bem intencionada, teve, previsivelmente, efeitos perversos e, amanhã, seguramente, voltamos a perder mais uns milhões em Bolsa. 

- Como diria Julius César (100-44 a.C.) - "Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar". 




Imprensa estrangeira: uma crise portuguesa “sem fim à vista”

Fracasso nas negociações entre PS, PSD e CDS é tema na imprensa internacional. O que vai fazer Cavaco e como vão reagir os mercados são duas incógnitas a desvendar até segunda-feira.
ENRIC VIVES-RUBIO
O falhanço nas negociações para um “compromisso de salvação nacional” com três partidos, como tinha sido pedido pelo Presidente da República, deixa Portugal numa crise “sem fim à vista” (Euronews).
Embrulhado num “drama político” (CNBC), o país “tem até domingo para se salvar”, depois de o Governo ter ultrapassado no Parlamento mais uma moção de censura – a quinta –, mas sem conseguir um entendimento com o maior partido da oposição.
“É improvável que se consiga negociar medidas de austeridade que satisfaçam ao mesmo tempo o Governo, a oposição e a troika [Comissão EuropeiaFMI eBCE]. Este processo dificilmente estará terminado domingo”, disse uma analista da Capital Economist, Jennifer McKeown, à mesma cadeia norte-americana CNBC, especializada em assuntos económicos. Uma previsão feita antes de António José Seguro ter anunciado, pelo PS, que não havia acordo, e que portanto acertou em cheio no que os partidos não conseguiram fazer.
Resta saber se o que o Presidente da República tem para dizer, no domingo, às 20h30, numa comunicação ao país agendada neste sábado, terá o efeito de desembrulhar o novelo político.
A 10 de Julho, quando propôs negociações para um “compromisso de salvação nacional”, Cavaco Silva disse que sem acordo, outras soluções seriam naturalmente encontradas no quadro da Constituição. É isto que invoca a agência Bloomberg, também especializada em economia e finanças, num artigo escrito a partir de Lisboa sobre o desfecho anunciado na sexta-feira à noite.
Uma vez que o falhanço foi anunciado já depois do fecho dos mercados na Europa, não se sabe ainda como vão estes reagir ao fracasso. E a correspondente da BBC em Lisboa, Alison Roberts, diz num texto online que “há receios de que os mercados dêem um tombo na segunda-feira”, quando reabrirem.
O jornal francês Libération recorda que a actual crise política dura há três semanas, depois da demissão de dois membros importantes do Governo, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e o ministro dos Negócios Estrangeiros,Paulo Portas. “Estas divisões desestabilizaram a coligação no poder e causaram medo na Europa de que Portugal venha a falhar o seu programa de recuperação, num caminho semelhante ao da Grécia”, acrescenta o diário francês.
Le Monde, por seu lado, cita os factos principais a partir de despachos de agência e, depois de resumir os últimos desenvolvimentos, conclui o texto com uma afirmação do líder socialista António José Seguro: “O que vai acontecer a seguir? Isso cabe ao Presidente decidir”.
É aliás essa a ideia que o Le Parisien puxa para título: “Portugal espera que o Presidente ponha fim ao impasse político”. Depois, enumera os diferentes cenários possíveis.
Na Alemanha, o Frankfurter Allgemeine, publicado na cidade que serve de sede a um dos membros da troika (o BCE), o anúncio de Seguro merece três parágrafos na edição online, maioritariamente baseados em despacho da Reuters.
O jornal dá destaque à declaração em que Seguro frisa haver duas visões sobre como pôr fim à crise e que, por isso, não fazia sentido continuar com as negociações. No fim recorda que Portugal tem medidas duras para pôr em prática, como contrapartida de um empréstimo internacional de 78 mil milhões de euros disponibilizado pela troika.

Notícia corrigida às 11h28 de 21/07: no sexto parágrafo, a citação da correspondente da BBC, num texto escrito em Londres, estava incorrecta; a jornalista diz que se receia um tombo nos mercados, e não o contrário, como estava escrito

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Está a acontecer. Já se apercebeu? - por Nicolau Santos -


Nota prévia: Nicolau Santos demonstra aqui com eficiência como a classe média está a ser literalmente destruída pelas políticas de austeridade impostas cegamente pelo impreparado XIX Governo Constitucional. Políticas que têm ido muito além da irrealista receita da Troika (cujo modelo assenta no guia neoliberal do Consenso de Washington) e muito para além do aceitável em termos de esforço nacional. 

No fundo, era inevitável  que assim fosse, porquanto as couves nunca produziram rosas, Senhor!!! 


Está a acontecer. Já se apercebeu?


Nicolau SantosEstá a acontecer. Aquilo que nem nos passava pela cabeça que pudesse acontecer está mesmo a acontecer. Está a acontecer cada vez com mais regularidade as farmácias não terem os medicamentos de que precisamos. Está a acontecer que nos hospitais há racionamento) de fármacos e uma utilização cada vez mais limitada dos equipamentos. Está a acontecer que muitos produtos que comprávamos nos supermercados desapareceram e já não se encontram em nenhuma prateleira. Está a acontecer que a reparação de um carro, que necessita de um farol ou de uma peça, tem agora de esperar uma ou duas semanas porque o material tem de ser importado do exterior. Está a acontecer que as estradas e as ruas abrem buracos com regularidade, que ou ficam assim durante longos meses ou são reparados de forma atamancada, voltando rapidamente a reabrir. Está a acontecer que a iluminação pública é mais reduzida, que mais e mais lojas dos centros comerciais são entaipadas e desaparecem misteriosamente. Está a acontecer que nas livrarias há menos títulos novos e que as lojas de música se volatilizaram completamente. Está a acontecer que nos bares e restaurantes há agora vagas com fartura, que os cinemas funcionam a meio gás, que os teatros vivem no terror da falta de público. Está tudo isto a acontecer e nós, como o sapo colocado em água fria que vai aquecendo lentamente até ferver, não vemos o perigo, vamos aceitando resignados este lento mas inexorável definhar da nossa vida coletiva e do Estado social, com uma infinita tristeza e uma funda turbação.
Está a acontecer e não poderia ser de outro modo. Está a acontecer porque esta política cega de austeridade está a liquidar a classe média, conduzindo-a a uma crescente pauperização, de onde não regressará durante décadas. Está a acontecer porque, nos últimos quase 40 anos, foi esta classe média que alimentou cinemas, teatros, espetáculos, restaurantes, comércio, serviços de saúde, tudo o que verdadeiramente mudou no país e aquilo que verdadeiramente traduz os hábitos de consumo numa sociedade moderna. Foi na classe média — de professores, médicos, funcionários públicos, economistas, pequenos e médios empresários, jornalistas, artistas, músicos, dançarinos, advogados, polícias, etc. —, que a austeridade cravou o seu mais afiado e longo punhal. E com a morte da classe média morre também a economia e o próprio país.

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sábado

Tó Zé Seguro e o seu discurso da "Figueira da Foz"




Os tempos mudam, mas cada um faz a rodagem ao carro como pode...

O compromisso de salvação nacional, segundo o Largo do Rato (link)

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Autárquicas e Legislativas em Setembro de 2013


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quarta-feira

Manipulação da Opinião púlica: uma Selvajaria


Sabemos que o excesso de informação por vezes actua como censura. Umas notícias escondem outras, e nas últimas semanas Portugal tem sido talvez o principal laboratório político do mundo, onde se pode avaliar os comportamentos de actores, personagens e meros figurantes que ocupam e poluem o nosso espaço público em toda a sua plenitude: televisões, jornais, revistas, redes sociais. 

Cada um de nós, diferente um dos outros, interpreta o que se está a passar de forma diferenciada. Fazemo-lo com maior ou menor seriedade e capacidade, conforme os nossos interesses socioprofissionais e ideológicos e as capacidades disponíveis para o efeito. Uns acham que o PR fez bem em debitar o discurso que fez à nação para resolver a crise; outros entendem que esse mesmo discurso só agravou e adiou o problema de governabilidade em Portugal. Uns acharam que o PR capitalizou com a sua intervenção; outros alegam que ele só se afundou, porque ficou refém do acaso, da irresponsabilidade e impreparação crónica que tolhe o XIX Governo (in)Constitucional. Portanto, se certeza há é a de não haver consenso em torno destas questões, hoje cruciais para o futuro de Portugal e dos portugueses.

Mas se este quadro de reacções revela a imagem que o espelho devolve dos governados relativamente às suas percepções da acção dos governantes, podemos interpelar que imagem o espelho devolve das percepções que os governantes têm das opiniões e reacções dos governados, i.é, da opinião pública em geral e do modo procuram reagir a ela, a fim de se ajustarem aquilo que é mais conveniente para a sua imagem pública e credibilidade política num dado momento, especialmente num tempo de grande usura e desgaste institucional.

Recentemente, um ex-PM procurou apoio (em véspera de eleições) num futebolista famoso, mas deu-se mal. A coisa terminou em tribunal e ninguém saiu bem da fotografia. Mas o propósito era óbvio:  buscar o apoio da opinião pública, de algumas instituições, reforçar a autoridade e a notoriedade colocando-se no centro das atenções dos media que, desse modo, ampliavam a sua projecção na opinião pública.

Como estas necessidades não mudam a sua natureza, os agentes políticos tendem a replicar os mesmos mecanismos a fim de se promoverem, ainda que sob a capa de estarem a promover símbolos, a Natureza, o turismo, etc. Trata-se, afinal, de um espectáculo, mas mais refinado, porque dissimulado sob alguns daqueles propósitos meta-políticos relacionados com o desenvolvimentismo duma região e do país. 

Também os media se alimentam desses epifenómenos, os quais servem para escapar à rotina e às espuma dos dias, mesmo em alturas de crise e agonia, como aquela em que nos encontramos: um país endividado, sem governo e sem esperança. O cenário perfeito para o suicídio colectivo (assistido pela Alemanha de Mer.....) 

Neste quadro crísico concreto, pergunto-me qual a vantagem de o locatário de Belém se deslocar às Ilhas Selvagens, um subarquipélago sob jurisdição administrativa do concelho do Funchal, Madeira? Além dos custos consideráveis que essa deslocação exige e que é paga por um erário sem fundos e roto. 

Será que o objectivo é reforçar a legitimidade de um PR em fim de mandato e de vida política, e já com uma trajectória descendente na sua popularidade?! Será congregar em seu torno mais simpatizantes, porventura os mesmos que integram a entourage de Alberto J.Jardim, Presidente do Governo Regional da Madeira há 3 décadas?

Seja por que razão for, creio que os portugueses são, afinal, quem pagam essas deslocações, e ao ter consciência desse mau negócio feito em seu nome e em nome do Estado, devem deplorar essa cegueira que anima os agentes políticos, e da sua entourage, porque sabem que lhes foi prometido maravilhas e só vêem verdadeiras desgraças. 



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Fukushima : Les transformations inquiétantes des légumes, fruits, fleurs et animaux exposés aux radiations

Medite-se nestas anomalias 

Cet épis de maïs a une forme anormale depuis son exposition aux radiations de FukushimaUne tomate exposée aux radiations de FukushimaAprès son exposition aux radiations de Fukushima, cette mandarine a pris une teinte assez étrangeDepuis la catastrophe de Fukushima, certaines tomates se sont même transformées en aubergine



Fukushima Fukushima : Les transformations inquiétantes des légumes, fruits, fleurs et animaux exposés aux radiations Publié par Jérémy Garandeau, le 16 juillet 2013 (10)Top(1)Flop Vous aimez nos contenus ? Recevez gratuitement la meilleure news et vidéo du jour, et profitez des conseils de Consogazette pour améliorer votre pouvoir d'achat Le 11 mars 2011, la centrale nucléaire de Fukushima Daiichi avait libéré des particules radioactives suite à un séisme touchant l'Est du Japon. Aujourd'hui, les premières conséquences à cette exposition ont été remarquées notamment au niveau des fruits et des légumes mais également chez certaines fleurs et animaux. Le 11 mars 2011, la centrale nucléaire de Fukushima Daiichi, à l’est du Japon, n’a pas pu résister à un séisme qui a eu lieu quelques heures auparavant au large de l'île, provoquant un tsunami. L’arrêt automatique des réacteurs en service avait provoqué une libération des particules nucléaires formant un nuage. Si le gouvernement nippon a assuré que tout était sous contrôle les jours qui ont suivi cette catastrophe, la nature a été fortement touchée par l’incident. Les végétaux comme les animaux auraient subi les conséquences de cette exposition aux radiations, comme le relaie le site américain de MSN. Les poissons, premières victimes  De la tomate à la grenouille en passant les cerises, les pissenlits ou bien encore les roses, de nombreux légumes, fruits, fleurs et animaux ont subi des mutations génétiques dues à la forte exposition aux radiations libérées par la centrale nucléaire de Fukushima Daiichi.  Cependant, la faune et la flore n’était pas la principale préoccupation des Japonais à l’époque. Pourtant, le Japon est un des pays qui consomme le plus de poisson au monde et l’activité de la pêche y est fortement développée. Aussi, le pays exporte énormément de produits provenant de ses eaux. Seulement quelques jours après la catastrophe, le taux de radioactivité dans la région de Fukushima était 380 fois supérieur au taux normal. Conséquence de cette hyper-radioactivité plus de deux ans après la catastrophe ? La voici en images. Des transformations végétales très étranges  Des tomates aux formes étonnantes, des concombres à la pousse inhabituelle, des tomates qui se transforment en aubergine ou bien encore des radis prenant la forme de la main de Mickey, la fameuse souris chère à Walt Disney... Les fruits ont également été touchés puisque les oranges ont pris une teinte assez étrange, les pêches sont devenues comme siamoises, les grappes de cerises n’accueillent plus une ou deux fruits mais au moins cinq. De même, le fruit local, la plaquemine, a vu son volume quadrupler. Au niveau des fleurs, les pissenlits, les roses ou bien encore les tournesols présentent des formes inhabituelles. Le plus inquiétant reste toutefois la transformation génétique de cette grenouille. Normalement verte, une photo nous l’affiche d’une couleur bleue claire. Si rien n'a officiellement montré le lien entre la catastrophe et la transformation de ces fruits, légumes et fleurs, les habitants n'ont eu aucun doute. Quelle conséquence sur l'humain ?  Les conséquences sur le génome humain ou tout du moins sur certains traits physiques n’ont pas encore été observées. Cependant, de nombreux incidents du même acabit peuvent certifier qu’un jour ou l’autre, l'Homme subira les conséquences de cette catastrophe. Et il est probable que des maladies génétiques et des cancers soient diagnostiqués dans la région durant les prochaines années, à l'instar de ce qui a pu se passer à Tchernobyl suite à l'explosion de la centrale le 26 avril 1986

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segunda-feira

Obama Steps Out Alone on Climate Change

Nota prévia: É problemático dizer à superpotência restante da Guerra Fria o que ela pode consumir em termos de recursos energéticos e o que pode emitir em termos de CO2 para a atmosfera. Mais problemático ainda é ajustar essa medida de consumo e de emissões com o padrão de consumo e de emissões que as demais superpotências, como a China, a Rússia, a Índia, entre outros grandes países emissores de gazes para a atmosfera, podem emitir e que, por essa via, alteram as condições climáticas do planeta em que vivemos. Diria que a área do ambiente é, talvez, a imensa zona da governação global onde os EUA têm maior dificuldade em ser coerentes com aquilo que tem marcado a narrativa discursiva de Obama. Veremos, doravante, se o gap entre o anunciado e o realizado não aumenta, e se esse mesmo fosso também não é agravado pelas demais potências mundiais que têm uma palavra a dizer na decisão final relativamente às condições que interferem com as condições climáticas do 1º quartel do séc. XXI no quadro das conferências mundiais sobre alterações climáticas. 



Globalist Perspective > Global Environment
Obama Steps Out Alone on Climate Change

By Geoffrey Berlin
President Obama announced recently that he would use his executive authority to rein in carbon emissions in the face of Congressional inaction. Geoffrey Berlin of Retrofit America argues that, while bold, this will be insufficient to combat such a large problem. Instead of waiting for the rest of the world to agree to cut emissions, the United States must lead by example.

resident Barack Obama's bold use of executive authority to combat climate change through the Clean Air Act is an admission that the national consensus he has sought to forge has proven elusive.
Obama's bold use of executive authority is an admission that the national consensus he sought has proven elusive.
As recently as 2008, U.S. action on climate change seemed imminent.

Leaders in the U.S. Senate were preparing cap-and-trade legislation to reduce U.S. carbon emissions.

Even the year's Republican standard-bearer, presidential nominee John McCain, was on board with taking action.

Former Republican House Speaker Newt Gingrich and then Democratic House Speaker Nancy Pelosi appeared "on the couch" together in front of the Capitol in a political advertisement (video).

The arch-conservative Mr. Gingrich stated, "We do agree, our country must take action to address climate change."

This emerging bipartisan consensus fell apart with the onset of the Great Recession. Today, a partisan divide endures not just in Washington, but across America.

The American Council for an Energy Efficient Economy ranks "blue states" — led by Massachusetts, California and New York — among the most progressive in implementing policy measures to improve energy efficiency.

Meanwhile, "red states," such as West Virginia, North Dakota, and Mississippi are among the least forthcoming.

This partisan divide can be seen in residential energy efficiency. Heating, cooling and powering U.S. homes comprises over 20% of U.S. energy consumption and CO2 emissions.

Consider the state of Georgia, where my company retrofits homes to make them energy efficient in the Atlanta area. The vast majority of homeowners who invest in these improvements are in the more liberal dominated "blue" neighborhoods.

"Blue states" are more progressive than "red states" in making policy to improve energy efficiency.
In more conservative "red" areas, adoption of these improvements is much less prevalent.

Politically liberal U.S. households are proving to be more conservative with their home energy use, while politically conservative households are more liberal with it.



A Self-Satisfied America?

The industrialized countries of Western Europe, where energy conservation has been a mainstay of lifestyles for decades, have been taking the lead on improving energy efficiency and action to combat climate change.

In the United States, by contrast, it is largely consumption as usual.

Why do Americans remain so ambivalent about improving their energy efficiency and taking action on climate change?

Any constraint to limit Americans' use of energy is seen by many as antithetical to the essence of the American Dream.

The nation's very founding held the promise of unbounded possibility — from the Founders' bold experiment in democracy to the manifest destiny of America's westward expansion to the Pacific.

Politically liberal U.S. households are more conservative on energy use than politically conservative households.
For the better part of the 19th and 20th centuries, the United States continued to fulfill this promise in leading the world's industrial expansion.

But there was one big hitch.

Scientific evidence now demonstrates that the United States and other industrialized nations have unwittingly altered the Earth's ecological balance.

Much of the problem comes from those industrialized economies' massive emissions of greenhouse gases, such as carbon dioxide and methane gas, from the combustion of fossil fuels.

This apparent contradiction — between Americans' penchant for a world of unbounded possibility and the challenge to transform how they exploit the world's energy resources — will define how the American narrative unfolds in the 21st century.

The last century — the "American century," no less — was punctuated by that Greatest Generation, which responded to a call to defend the world against fascism.

Will America now respond to the 21st century threat of climate change and lead, or will ambivalence prevail?



Carbon Choices

The U.S. intelligence community believes the time for action on climate change is now.

The U.S. National Intelligence Council's 2012 Global Trends 2030 report identifies climate change as one of four megatrends and concludes, "By 2030, the emissions trajectory will be cast, determining this century's climate outcome."

In fact, U.S. carbon emissions have fallen by 6.9% from 2005 to 2011.

But this is largely as a result of the economic contraction and the boom in natural gas from fracking operations, allowing power plants to convert their energy source from coal to less carbon-intensive natural gas.

Americans are torn between a belief in a world of unbounded possibility and the need to transform energy use.
Rather than a concerted U.S. effort to reduce carbon emissions, these measures are purely circumstantial.

In Canada, carbon emissions increased by 18.9% from 1990 to 2011.

A significant part of that has come from the carbon-intensive production of crude oil from Alberta oil sands.

Canada consequently withdrew from its obligation to reduce carbon emissions under the Kyoto Protocol — the first time the country has ever reneged on an international treaty.

What if these natural resource endowments were reversed, with the United States facing the prospect of exploiting a new source of carbon-intensive oil reserves?

Would the U.S. choice be to produce and pollute, or would the resources be produced in a way to neutralize their carbon emissions?



Leaders or Followers?

While the United States has been the world's leading contributor to the stock of carbon emissions over the last century, action by the U.S. and other industrialized nations alone will not suffice to combat climate change.

The strong economic development of emerging economies is now escalating the world's annual carbon emissions.

China and India are now planning to bring on over 800 coal-fired power plants with over one million megawatts of new capacity.

The heating, cooling and powering of U.S. homes is over 20% of all U.S. energy consumption and CO2 output.
According to the U.S. Energy Information Administration, each country is expected to increase its CO2 emissions by over 50% from 2011 to 2030.

In the face of such significant carbon emission growth elsewhere, would U.S. efforts to reduce its own carbon emissions be an exercise in futility?

The climate change challenge for the 21st century requires a multilateral compact to transform how all the world's leading economies consume energy.

To date, the U.S. negotiating position has been to require firm commitments from each of the world's leading emitters if Americans are to be bound to any firm obligations.

But the leadership of emerging economies such as China and India expect the historical carbon polluters first to take the lead. In effect, the United States has tied a Gordian knot that binds the country to inaction.

In announcing his executive actions on climate change, Mr. Obama said, "I am convinced this is the fight America can, and will, lead in the 21st century.

"And I'm convinced this is a fight that America must lead." As in any endeavor, leadership must begin with action. However, U.S. executive action alone will not carry the day.


If not now, when?

Each generation of Americans offers fresh perspectives and renewed promise. I was recently out knocking on doors in one of Atlanta's more politically conservative neighborhoods, pitching my company's home retrofits.

China and India are expected to increase their CO2 emissions by over 50% from 2011 to 2030.
A boy of about 12 years old came to the door. His parents were out, so I gave him my business card to pass on.

"You can tell them that I'm the guy who makes homes energy efficient," I said.

"Cool," he said. "That's awesome!"
So maybe there is hope. The question is whether Americans really want to pass this fight on to his generation.

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domingo

Snowden tem informações que podem causar danos aos EUA


in Expresso.

Snowden tem informações que podem causar danos aos EUA

O ex-expião norte-americano tem uma enorme quantidade de documentos que provocariam graves danos ao governo norte-americano, mas esse não será o objetivo de Snowden.
Lusa
 

Snowden tem informações que podem causar danos aos EUA REUTERS
O antigo consultor dos serviços de informações norte-americanos
Edward Snowden possui uma "enorme quantidade de documentos"
 cuja eventual publicação poderá causar ainda mais danos aos
 Estados Unidos, referiu o jornalista que publicou as suas primeiras
revelações."Snowden tem informações suficientes para causar num
minuto mais danos na história dos Estados Unidos do que os
efetuados por qualquer outra pessoa até ao momento", afirmou o
jornalista norte-americano Glenn Greenwald numa entrevista hoje
publicada no  diário argentino "La Nacion". Cronista do diário
britânico "The Guardian", Glenn Greenwald, que vive
no Brasil, foi escolhido por Edward Snowden para publicar as primeiras das suas surpreendentes
revelações sobre as operações de vigilância eletrónica em larga escala praticadas pelos  Estados
Unidos no estrangeiro. Greenwald permanece em contacto com o informático norte-americano, antigo
consultor da Agência Nacional de segurança (NSA), procurado pelos Estados Unidos por espionagem
e bloqueado desde 23 de junho na zona de trânsito internacional do aeroporto de  
Moscovo-Cheremetievo. A partir do Brasil, Greenwald declarou ao "La Nacion" que Snowden "possui
uma enorme quantidade de documentos que provocariam graves danos ao governo dos Estados Unidos
caso fossem publicados". No entanto, "esse não é o objetivo de Snowden", assegurou.

Alerta para os riscos dos programas de vigilância  


O seu objetivo, referiu, é revelar os riscos que representam "os programas informáticos que as pessoas
utilizam por todo o mundo sem saber ao que se expõem e sem terem aceitado conscientemente
renunciar ao direito à proteção da sua vida privada". Snowden anunciou na sexta-feira que vai pedir um
asilo temporário à Rússia, enquanto aguarda poder deslocar-se para a América Latina, quando a Bolívia,
Venezuela e Nicarágua já lhe ofereceram asilo político. Para Glenn Greenwald, existe a possibilidade de
que alguém tente matar Snowden, mas o ex-consultor da NSA "já distribuiu milhares de documentos
para que diversas pessoas no mundo disponham de arquivos completos" das informações que recolheu.
"O governo dos Estados Unidos deve rezar todos os dias para que ninguém
 consiga chegar a Snowden, porque se lhe acontecer alguma coisa toda a
informação seria revelada e isso seria o seu pior pesadelo", assegurou o
 jornalista do "The Guardian".





Obs: Raras vezes na história da América um só cidadão reuniu em si tanto poder relativamente à República Imperial comprometendo, assim, a credibilidade das instituições dos EUA, vulnerabilizando a sua liderança e fragilizando as relações politico-diplomáticas dos EUA com a Europa (os seus tradicionais aliados) e o mundo em geral. A última guerra que os EUA moverem contra uma só pessoa (ainda que se tratasse dum movimento terrorista com múltiplas ramificações e apoios) só a ganharam ao cabo duma década, com a morte de Bin laden, mas neste caso os dados da equação invertem-se completamente, dado que as causas e as motivações são em defesa das liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, e não a sua destruição. 



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sábado

Bertrand Russell "A History of Western Philosophy - about skepticism -





"Skepticism as a philosophy is not merely doubt, but what may be called dogmatic doubt. The man of science says "I think it is so-and-so, but I am not sure." The man of intellectual curiosity says "I don't know how it is, but I hope to find out." The philosophical Skeptic says "nobody knows and nobody ever can know." It is this element of dogmatism that makes the system vulnerable."

-Bertrand Russell "A History of Western Philosophy" (1945) Book One, Part III, Chapter XXVI, Cynics and Skeptics, p. 234

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sexta-feira

Portugal-catastrófico


O percurso registado pelos actores, políticas, motivações, comportamentos, comunicações, sinais, acções e omissões dos principais agentes e figurantes do nosso sistema político, evoca-me um cenário catastrófico tal como ocorre na Natureza, embora neste caso nem sempre abrindo caminho à reconstrução.

Quer dizer, desde a demissão dos ministros das Finanças e Negócios Estrangeiros aquilo a que os portugueses assistem, com alguma nebulosa adensada pelo discurso de Belém, é ao desencadear de uma situação de catástrofe (política) evolutiva, em que os factores de risco se acumulam, em lugar de se dissiparem. 

E ao agravar-se o estado de tensão política, com o povo a reclamar eleições e um certo país-oficial e desejar a manutenção da situação, por demais apodrecida, os factores de risco vão-se infiltrando subrepticiamente (vide, as declarações ontem da presidente da AR e das expressões utilizadas no hemiciclo - denotando um certo ambiente de fim de regime..), desgastando as reservas (humanas e materiais) de paciência da comunidade a esta impreparação e inimputabilidade política geral com que os 10 milhões de portugueses são confrontados.

Pode até supor-se que, no curto prazo, a opção do adiamento da catástrofe política (empurrando as eleições para o verão de 2014, aquando da saída da troika do país) pode ser benéfica para Portugal, porque apela à resiliência das populações e acalma os mercados; mas a a médio e longo prazos - os portugueses podem ficar completamente exangues e sem qualquer capacidade de reacção e, por essa via, ver aniquiladas as possibilidades de recuperação nacional. 

O que seria verdadeiramente trágico para todos nós e para a continuidade do Estado português.


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Cavaco entronizou-se senhor do regime democrático em Portugal e acerta contas com a história


O nosso regime constitucional é de tipo semipresidencialista, dado que o PR é eleito pelo povo e aí colhe a legitimidade democrática necessária para exercer os seus poderes conferidos pela CRP, e o governo é responsável politicamente perante o parlamento. Por isso é que Cavaco já repetiu a ideia  de que não faria cair o governo, essa é uma função dos partidos políticos com representação parlamentar que o podem fazer, caso consigam, mediante a apresentação duma moção de censura ao governo, e desde que reúnam o número de votos necessário para o efeito. A esta luz, Cavaco tem razão quando diz que não lhe cabe demitir o governo dissolvendo a AR, pois essa é uma competência do Parlamento e dos partidos que lá se encontram representados. 

Contudo, o PR é mais do que uma figura protocolar ou mediador político, pois no quadro das últimas circunstâncias fez uma espécie de "cheque mate" ao Governo de coligação centro-direita, impondo-lhe condições para continuar a governar. Mas isto também não faz da praxis do PR um regime que configura o presidencialismo, porquanto o Governo será sempre responsável perante o Parlamento. Mas como neste caso é a coligação de centro-direita, profundamente enfraquecida, que sustenta esta maioria, o centro de gravidade do poder desliza para Belém sobre quem repousa, verdadeiramente, o poder condicionador e de quem sempre depende, no limite, a utilização da chamada "bomba atómica" constitucional, ou seja, dissolver a AR e convocar eleições cujo freio é a Troika e as condições de endividamento extremo em que nos encontramos. 

Neste domínio, a definição dos poderes do PR não se definem tanto pelo texto e o normativo constitucional, mas pela praxis política que foi obrigado a assumir atendendo ao apodrecimento da relação dentro da coligação que suporta o Governo, da relação deste com a sociedade e no âmbito mais geral relacionado com a má performance das políticas públicas e dos indicadores micro e macroeconómicos da economia portuguesa. Assim, mais relevante do que a letra da Constituição, é a praxis política do PR na definição do jogo de forças cujos termos e horizonte ele definiu no seu discurso. 

Na prática, ainda que de forma indirecta, é o PR o responsável pela definição da política geral do país, que se confina à observação das medidas impostas pela Troika, a fim de pagarmos as dívidas, equilibrarmos as finanças públicas e regressarmos aos mercados com juros baixos. 

O singular da questão, por força da ditadura dos acontecimentos, em larga medida motivados pela demissão inesperada (e irresponsável) do MNE e de Estado, é que nos encontramos agora numa situação anómala em que o PR é quase ao mesmo tempo também o chefe de Governo e exerce efectivamente os seus poderes. 

Os ministros, por sua vez, não têm autoridade política, estão profundamente diminuídos na sua legitimidade (de título e de exercício) e, por isso, não passam de meros ajudantes (ou "secretários") do PR, nos vários departamentos ministeriais, assumindo maior protagonismo os conselheiros e colaboradores próximos do PR, que o passam a aconselhar agora no domínio governamental. 

A história escreve direito por linhas tortas, pois não seria de admitir que a sentença de morte do XIX Governo Constitucional - terminasse desta forma: a) por um lado, Cavaco limita fortemente o campo de acção do PM que, aliás, nunca definiu um rumo para o país e esteve sempre muito dependente de Gaspar; b) por outro lado, o PR mete o líder do CDS num colete-de-forças do qual dificilmente sairá nos próximos anos. Este ciclo político que finda tenderá a empurrar, de novo, o CDS para o "partido do taxi".

Curioso é notar que quando Cavaco Silva era PM, e desempenhou essas funções durante uma década, tinha ajudantes. Volvidas duas décadas, Cavaco volta a ditar as regras do jogo democrático e faz dos ministros deste (ainda) Governo de coligação de centro-direita uma espécie de dirigentes administrativos e de chefes do economato, úteis para aplicar as medidas da Troika. 

Neste novo (velho) quadro político pergunto-me, a duas décadas de distância, que manchetes faria hoje o Indy se, porventura, ainda estivesse no mercado das notícias, da opinião e dos factóides apenas com fito de assassinar politicamente os ministros do cavaquismo e, no limite, aniquilar o próprio Cavaco, como aconteceu. 



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Governo de gestão em Portugal: a presidencialização do papel do primeiro-ministro





Nota prévia: Creio que o Sr. PR poderia ter evocado a última parte do artigo infra da CRP para justificar o adiamento das eleições legislativas antecipadas. Não o disse, mas podemos (e devemos) admiti-lo, desde que aceitemos que o regime de protectorado em que nos encontramos, com a Troika a teleguiar o Governo e a ditar as normas, é um verdadeiro estado de Sítio e de emergência em Portugal. 
Artigo 172.º
(Dissolução)
  1. A Assembleia da República não pode ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição, no último semestre do mandato do Presidente da República ou durante a vigência do estado de Sítio ou do estado de emergência.



Um Governo de gestão é como um Porsche Panamera com um motor do Fiat 127 lá enfiado. O chassi é do Panamera, mas a potência não existe. E para não gripar ante do tempo de vida que lhe foi diagnosticado pelo mecânico, 10/12 meses, até ao termo de vigência da Troika, o Panamera só pode andar muito devagar a fim de o motor não partir. 

Quer dizer, os poderes de um Governo de gestão são muito limitados. Destinam-se apenas à prática de actos correntes estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos, segundo a CRP. Ou seja, trata-se de um Executivo verdadeiramente diminuído até às eleições e tomada de posse do governo emergente, já com legitimidade política saída das urnas. 

Só a ajuda externa da Troika veio baralhar o conceito de Governos de gestão teorizado por Diogo Freitas do Amaral, em 1983, nas suas provas públicas de agregação e cuja obra valerá a pena reler. Pois é da manutenção do Estado que se trata, já que o XIX Governo Constitucional perdeu grande parte da sua legitimidade e, assim, quebrou-se também o elo psico-afectivo entre governantes e governados em Portugal. 

Naturalmente, um Governo nestas condições não pode tomar medidas de fundo, e também não pode (nem deve) fazer nomeações partidárias, como é apanágio nestas alturas, nem aprovar projectos ou decretos de lei que vão para além do estritamente necessário à continuidade do Estado. 

A observação dos compromissos financeiros impostos pela Troika, em resultado do desequilíbrio das nossas finanças públicas, são aqui a excepção a esse estado de gestão corrente, mas nesse caso são as questões inadiáveis que justificam essa excepcionalidade. 

Na prática, o que ouvimos ontem o PR dizer foi que é ele quem passa a tutelar a democracia de partidos em Portugal, é ele que define o timing das eleições, é ele quem escolhe a tal personalidade de perfil senatorial, a ser submetida à audição Parlamentar, para assegurar a manutenção dos negócios do Estado quando este Governo débil implodir. 

No fundo, isto é a presidencialização (diferida) das funções do primeiro-ministro saída da crise que começou com a demissão de Gaspar e se agravou com a demissão inesperada de Portas com os mercados, consequentemente, a ditarem as regras do jogo económico, financeiro e a subverter completamente as regras da democracia representativa entre nós. 


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