11 de Janeiro de 2012

José Adelino Maltez deixa um testemunho histórico multidimensional sobre a maçonaria

José Adelino Maltez deixa aqui contributos interessantes a vários níveis sobre a maçonaria que podem ser seminais para a própria investigação científica na área em Portugal. Uma perspectiva histórica comparada, filosófica e especulativa, a sua importância no combate à ditadura e instauração da democracia e mais tarde na origem da própria construção europeia. A visada foi, naturalmente, a srª ministra da Justiça (que é politicamente inexistente), além de intelectualmente impreparada.

Mas o que é mais curioso na dinâmica histórica, é que se não fossem as relações perigosas - e que estão devidamente identificadas e são conhecidas de todos e são objecto de averiguação pelo MP - entre intelligence e certas lojas maçons, esta questão jamais se colocaria. O que é pena, pois fica sempre a sensação de que o estudo de aspectos organizacionais com relevância histórica só é explicitado se houver um choque ou um conflito de interesses entre o domínio particular e o chamado interesse comum que deve ser assegurado pelo Estado.

Desse modo, podemos dizer que há males que vêm por bem, dando assim oportunidade aqueles que, sendo ou não membros da maçonaria, mas que estudaram este fenómeno histórico relevante para a história das relações internacionais dos últimos 300 anos, se aclare o seu valor e legado a fim de se compreender as dinâmicas das sociedades contemporâneas.

Quem sabe a própria reconstrução europeia não renasce dos esforços de boa vontade de homens que, de forma altruísta, repensem os fundamentos da Europa - que hoje estão em farrapos e, mais grave, está completamente de cócoras ao directório franco-alemão.

Em termos de referências pessoais, apreciei as que foram feitas ao historiador Oliveira Marques, que acompanhou muitos de nós no ensino Secundário e abriu horizontes de estudo para este fenómeno, a Jurgen Habermas e à "sociedade pós-secular" que aquele defende bem como aos grande construtores da Europa, de Monnet a Schuman e outros que hoje, infelizmente, não são seguidos por aquele directório.

Registei, por último, um desafio científico à criação duma teoria anti-maçónica que parece estar por escrever em Portugal. Também foi útil recordar a obra de JAM, recentemente lançada entre nós, intitulada ABECEDÁRIO SIMBIÓTICO - em relação à qual fizémos um breve enquadramento. Constatei que estes factos supervenientes obrigaram a rebobinar a história e a reapresentar a obra, o que é sempre uma boa recordação para o autor e útil para aqueles que querem compreender mais e melhor este fenómeno especulativo que tem interferido na dinâmica das sociedades.

Nuns casos, o saldo é positivo, noutros não o é. Pelo que é útil notar que, como em tudo na vida, há sempre um lado positivo e outro negativo na mesma moeda. Ou como diria um amigo, há prós e contras (nem de propósito!!) nestas sínteses que a vida tem e partilha connosco.

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