domingo

Muppet Show Moreno and Animal

O romantismo de Manuel Alegre

Manuel Alegre garantiu hoje, no Porto, que não será "candidato [à Presidência da República] em nome de nenhum partido" mas sim "por Portugal e pela necessidade de dar uma nova esperança à democracia portuguesa".
Alegre rejeitado para Belém
Cavaco não comenta candidatura de Alegre
Obs:
O poeta M. Alegre tem um capital simbólico de combate à ditadura salazarista estimável, foi fundador de um partido importante do regime democrático, é um poeta admirado pelos seus amigos e seguidores, tem uma veia romantica e uma voz tonitroante que ainda assusta alguns eleitores, mas isso não faz dele, automaticamente, um candidato credível a Belém. Alegre não tem experiência governativa, não conhece a máquina do Estado, nunca exerceu funções executivas (de ministro ou sequer de secretário de Estado), nem autarca numa câmara de província, não se lhe conhece nenhum projecto infra-estruturante para o país, nem mesmo quando foi um dos deputados mais sedentários da república para garantir a sua reforma dourada.
Alegre só é hoje responsável por um mau precedente na democracia em Portugal: desencadear um processo eleitoral a um ano de distância da sua realização, obrigando os media a dar-lhe atenção e a distrair o país daquilo que é nuclear: a economia e a sociedade. Neste sentido, Alegre é, à priori, um candidato que viola uma das regras formais da democracia, e, desse modo, um mau democrata perante a ânsia de ser o 1º a apresentar-se na pool position.
Alegre, como é caçador, já deveria saber que a política tem regras e procedimentos e timings, como a caça, e violar essas regras é como ir à caça no tempo do defeso. Alguém irá lembrar ao poeta, talvez Cavaco, que é ilegal caçar no defeso, mas, pelos vistos, a vaidade e a gula de poder do poeta é tanta e tamanha que o Alegre anti-salazarista deconhece uma das regras básicas da democracia pluralista: respeitar os prazos próprios da democracia.
Bastaria que Diogo Freitas do Amaral desse à costa - apoiado pelo PS de Sócrates, como aqui defendemos há dias, para que Cavaco encostasse à box e a virtual aventura presidencial de Alegre não passasse duma miragem poética numa noite lírica.

Smoke City - Underwater Love

A responsabilidade à esquerda - João Marcelino

Os últimos dias mostram como a responsabilidade da governação só é assumida pelo PS, PSD e PP - ou seja, pela esquerda moderada, pelo centro e pela direita, se quisermos utilizar uma linguagem minimalista e às vezes pouco rigorosa. Os votos na esquerda, seja ela operária ou intelectual, do PCP ao Bloco, garantem o protesto mas continuam a não fornecer soluções reais para o País. Viu-se isso neste processo relativo à apresentação do Orçamento do Estado para 2010. dn
É evidente que, do ponto de vista factual, se pode dizer também, em sentido inverso, que Portugal está como está devido ao exercício do poder feito por esses mesmos três partidos do chamado arco da governação. Sobretudo o PS e o PSD, tendo repartido as responsabilidades nos últimos 25 anos, não podem assobiar para o lado. Não, não podem! Os últimos primeiros-ministros chamaram-se Cavaco Silva (mais ou menos dez anos), António Guterres (seis), Durão Barroso (dois) e José Sócrates (cinco). E antes deles Mário Soares. O bloco central trouxe-nos até aqui.
É preciso dizer que por vontade do PCP e do Bloco este défice e endividamento seriam necessariamente maiores. Garantir o emprego, alargar o alcance e a dimensão das políticas sociais e debitar tudo isso "aos ricos", "à banca", "aos paraísos fiscais" é uma utopia do século XX que esbarrou na condição humana. O muro caiu porque os melhores, os mais trabalhadores, não aceitam subsidiar, para além de limites aceitáveis, quem teve menos sorte, não é tão capaz ou, até, trabalha abaixo do que deveria.
2 O problema, à esquerda, está em saber quando se inverterá este quadro, se é que algu- ma vez isso acontecerá; e quando é que esses quase 20% dos votos se traduzirão numa proposta de caminho económico credível para Portugal - se é que a tem, e eu não a vejo.
É fácil propor sucessivos aumentos para os funcionários públicos. Mais polícias na rua. Mais médicos nos hospitais. Mais professores nas escolas. Mais magistrados a despacharem o tal milhão de processos assinalados pelo recente discurso do Presidente da República.
O que é difícil é dizer aos trabalhadores toda a verdade: nós não produzimos o suficiente para podermos continuar a aspirar à qualidade de vida a que nos habituámos. E, portanto, ou nos dispomos a melhorar a nossa produtividade, e a qualidade do que fazemos ou teremos de nos adaptar à ideia de que no futuro seremos mais pobres e mais infelizes, mesmo que essa pobreza e essa infelicidade devam ser mais bem repartidas.
Quando se discute o orçamento - e, felizmente, essa é uma discussão cada vez mais participada - é de tudo isso que falamos: de não desistir, de levantar cabeça, de sonhar que podemos ser melhores do que temos sido, até mais honestos na gestão dos fundos comunitários.
O Bloco e o PCP têm-se esgotado no enquadramento da contestação social, que sempre houve e haverá. São um factor de contrapeso necessário a um mais justo exercício do poder, mas não têm servido para liderar a construção de uma sociedade diferente. Nada que não soubéssemos, mas deve ser dito.
Teixeira dos Santos é o mesmo homem que em 2005, e durante três anos, liderou um eficaz combate ao défice das contas públicas (chegou a 2,6% do PIB, antes da crise). Merece confiança, mas no mínimo o benefício da dúvida que responsavelmente lhe é dado pelo PSD e pelo PP (à consideração das agências de rating). Este acordo tácito para a passagem do Orçamento do Estado era politicamente inevitável, sobretudo depois da mensagem do Presidente da República, mas seria muito difícil sem a imagem de competência técnica e honorabilidade pessoal do actual ministro das Finanças, cujo maior erro foi ter alinhado, durante o recente período eleitoral, no esconder da grave situação hoje à vista de todos. O técnico soçobrou perante o político com mais ou menos sinais de incomodidade. Foi pena.
Nota: Digamos que Teixeira dos Santos terá de ler (ou reler) alguns dos escritos de Max Weber para evitar que, de futuro, incorra no mesmo erro. É o velho problema do Político e do Cientista que o articulista talvez desconheça, mas ainda vai a tempo...

A próxima batalha interna do PSD

dn
O pior que podia acontecer ao PSD neste momento era mais uma luta fratricida pela sua liderança. Pior ainda é que esse risco existe. Depois de Manuela Ferreira Leite ter aceitado sacrificar-se e carregar sobre os ombros a responsabilidade política e os custos eleitorais de ajudar a viabilizar o Orçamento do Governo, deixando o terreno limpo para quem a suceder (conseguindo terminar assim o mandato com dignidade), eis que é "compensada" com um possível duelo entre os seus dois delfins, Aguiar-Branco e Paulo Rangel. Ambos, apesar de o deputado europeu não o confirmar, parecem claramente interessados no lugar, tendo passado os últimos tempos a vigiar-se mutuamente e a travar entre si todas as manobras no terreno que lhes permitam avançar com uma candidatura sólida. Um condicionamento mútuo cujos resultados são mais que previsíveis.

Além de uma divisão ainda maior dentro da manta de retalhos em que o PSD se transformou, este duelo iminente tem a agravante de poder vir a colocar frente a frente dois protagonistas da mesma ala dos sociais-democratas, que era suposto unir-se e não defrontar-se no objectivo de encontrar uma alternativa a Passos Coelho.

Esta feira de vaidades - razão pela qual Marcelo se negou a voltar à terra - só descredibiliza o maior partido da oposição e mantém-no secundarizado nas lutas do poder, dando aliás margem de crescimento ao partido à sua direita, o CDS-PP. Portanto, se a opção for a falada "terceira via", e em vez de chegarem a acordo Rangel e Aguiar-Branco decidirem defrontar-se, o PSD continuará a ser um partido adiado, que deverá passar os próximos tempos a contestar o seu próprio líder, seja ele qual for, em vez de fazer oposição a sério e solidificar-se como alternativa de governação.

A agenda do Conselho de Estado

Se dúvidas ainda existissem, os factos tornam tudo bem claro: estamos já em pré-campanha eleitoral para as presidenciais, muito embora elas só se realizem daqui a um ano. Enquanto Manuel Alegre, o candidato "disponível", continua em rodagem pelo País à espera do apoio oficial e fundamental do PS, Cavaco, no papel de grande estadista, parece ir já no terceiro grande episódio da sua recandidatura por anunciar.

A convocação do Conselho de Estado - que se reúne pela quinta vez em quatro anos - para esta semana, para discutir, segundo a agenda de trabalhos, "os desafios do futuro e o novo quadro parlamentar", mostra Cavaco a colocar-se no seu papel de presidente suprapartidário, preocupado apenas com os graves problemas económicos e sociais do País, fiel da balança para os acordos políticos que mantenham a boa governabilidade em minoria. O mesmo Cavaco, afinal, do discurso de Ano Novo - o ponto de partida para a negociação e viabilização do Orçamento - e dos recentes avisos críticos deixados no arranque do ano judicial.

O Conselho de Estado em que, entre outros, se sentarão à mesma mesa Cavaco e Sócrates, Jardim e César, e Alegre e Soares parece mais uma conferência nacional para acordos gerais de bom senso. Se tiver bons resultados, sairá vencedor quem a preside.

Obs: O PSD nasceu duma conflitualidade entre potenciais líderes a desejar ocupar a liderança do partido. Tem sido assim ao longo da história, e se exceptuarmos o marco da sua fundação (com Sá Carneiro) - as escolhas pelo líder foram sempre aguerridas e polémicos, e nem sempre com proveito para a nação. Assim como pouco proveitoso para a nação é o putativo candidato do PS, perdão do BE, a Belém, na figura do poeta-Alegre, ser lançada de forma extemporânea e a um ano das eleições. Isto nunca se viu na democracia portuguesa, pelo que Alegre apenas oferece ao país um mau precedente para a nossa democracia formal, que tem procedimentos, prazos e regras. Tudo coisas que o poeta, não sei se por ser poeta, ou desconhece ou subverte, o que é lamentável para Portugal. Mas são aquelas características que também fazem a democracia - que o poeta desfaz no impulso descontrolado de vaidade pessoal que nenhuma relação tem com a democracia nem com a modernização nem com o desenvolvimento da sociedade e da economia do país.

sexta-feira

O Futuro

O futuro é uma criatura em potência que nunca sabemos como irá desenvolver-se e comportar-se consigo própria e em sociedade. O futuro é, pois, uma tremenda incerteza. Como a nossa economia e os agentes económicos nas relações entre si. É um animal. Mas para que tenhamos uma ideia de plenitude do futuro teremos de possuir uma consciência do tempo, o que permite organizá-lo em direcção a um destino diferente se não tivéssemos essa consciência. O qual nos permite apresentar o futuro como algo predeterminado, mas como algo que podemos modelar, como barro. Surge, assim, o futuro moderno, manipulável, marcado pela ideia de superação de males sociais, através de projectos de sociedade, de ideais, de utopias (que são as realidades de amanhã). E daqui irrompe a esperança de que a ciência e a tecnologia são molas fundamentais de aperfeiçoamento da humanidade. Todavia, o futuro é hoje termendamente plural, diversificado, regista inúmeras ligações económicas e sociais, políticas e ambentais, em parte irreversíveis e à escala mundial, planetária cuja regulação parece repousar nas alterações climáticas, nas catástrofes naturais - e em todo o agir humano, mas nunca como ele o havia pensado à partida. Portanto, o futuro torna-se múltiplas coisas ao mesmo tempo: modas, tendências, progresso, inovação tecnológica, comportamento concorrencial, amanhãs que cantam, amanhãs que choram. Nunca como hoje existiu tanto futuro por futurar, o problema é que o futuro acaba por crescer de forma não previsível, escapando ao molde, como diria Umberto Eco. E hoje ele comporta mais ameaças do que oportunidades. Em face disto urge perguntar se o futuro tem futuro?! E qual é a função da utopia na reformulação dos dados do problema, tal qual se colocam hoje às sociedades europeias. O futuro, como diria DI, significa que as coisas podem mudar. Cabendo ao papel teórico das utopias a representação dessas possibilidades emergentes, só que em vez de o homem prognósticar o futuro, a antecipação utópica deve ser equacionar a ponderação dos possíveis futuros. Haverá sempre o risco, como prova a história de previsão do futuro, de aparecerem homens como H. Khan, o super-homem da futurologia, que esboçou um conjunto de prognósticos que não passam de poeira: não existem controlos eficazes do apetite e do peso; nem luas artificiais a iluminar a Terra durante a noite. Isto também prova que não podemos depositar uma confiança cega nas capacidades futuras das tendências tecnológicas que estavam em moda na altura em que muitas dessas previsões foram realizadas. O único futuro que conhecemos é, em rigor, o presente. Explicito: o presente passado!!!

Nota: Imagine-se a angústia do ministro das Finanças a tentar compor o ramalhete que é o Orçamento de Estado para 2010 - com um Estado gordo, ineficiente e parasitado por 3 milhões de pessoas (os 700 mil directos mais os indirectos) e ainda muito improdutivo, com algumas excepções em certos sectores da AP e de direcções e delegações regionais. Faz lembrar a manta do Bocage: quando tapa a cabeça destapa os pés, e quando tapa os pés, destapa a ...

O Casarão (1976) - singela evocação -

O Casarão (1976)

O Casarão - Elenco (Quase) Completo

Ao JG por me o ter lembrado.

O processo orçamental - por António Vitorino -

dn
Várias vezes foi dito que o debate e votação do Orçamento do Estado para 2010 seria o momento da verdade em termos de governabilidade do País.
As razões de política interna que determinavam tal avaliação saíram reforçadas pela envolvente externa, numa lógica de "apertar o cerco" àquelas economias da Zona Euro que apresentavam desequilíbrios mais visíveis. Tudo começou pela Grécia, seguiu-se Portugal, e a Espanha e a Itália foram referenciadas como estando na linha seguinte de observação.
Podemos discordar das similitudes traçadas entre todos estes casos, como bem explicou numa entrevista recente o governador do Banco de Portugal. Acresce que algumas das vozes que se ouviram vêm daqueles sectores que em 1999 tinham decretado a inviabilidade do euro exactamente por se terem qualificado para a moeda única europeia os países mediterrânicos. Outros defendem mesmo uma "intervenção purificadora" na Zona Euro, criando nela duas velocidades em função dos perfis económicos dos vários países membros.
Independentemente dos fundamentos e até de um juízo de probabilidade política sobre tais "soluções", a verdade é que ninguém em Portugal poderia ignorar a pressão que foi subindo nas últimas semanas sobre as contas nacionais e a elevada expectativa sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2010.
As negociações levadas a cabo pelo Governo com os partidos da oposição permitiram que dois deles - o PSD e o CDS - declarassem a intenção de viabilizar o programa orçamental para este ano através da abstenção.
Salta à vista que estes dois partidos tiveram em linha de conta a envolvente externa referida e, aspirando a ser no futuro Governo, segundo as regras da alternância democrática, consideraram que uma crise política decorrente da rejeição do Orçamento só agravaria as já de si penosas condições da economia portuguesa.
Os partidos à esquerda do PS preferiram denunciar o acordo com a direita parlamentar, invocando, como de costume, uma espécie de perversão da orientação política dos socialistas, sempre propensa a fazer acordos com a direita. Para além do que esta imputação de intenções significa no campo da luta política imediata, o que esses partidos escamoteiam é que, por muito que desprezem os mercados financeiros e as organizações internacionais que têm os olhos postos em Portugal, na realidade um Orçamento que correspondesse a várias das suas pretensões traduzir-se-ia em aumento do défice e em insensibilidade quanto ao endividamento. Nesse cenário, uma reacção externa face a um Orçamento considerado irrealista acabaria por agravar as condições da retoma económica, dificultar o acesso ao crédito das famílias e das empresas que dele necessitam, especialmente as pequenas e médias empresas, e acabaria por resultar ainda em mais desemprego do que aquele que já se antevê para o corrente ano.
A abstenção da direita parlamentar louva-se do sentido de responsabilidade de que assim dá provas, mas garante aos seus protagonistas o distanciamento necessário face às concretas soluções do Governo na proposta de orçamento e sobretudo face à sua execução. Evita-se, assim, uma crise política sem que se percam as diferenças de estratégia política entre aqueles partidos que aspiram à governação.
Neste contexto surpreende que um candidato à liderança do PSD tenha vindo preconizar que o seu partido devia votar contra a proposta de Orçamento do Estado. Claro que esta posição de Pedro Passos Coelho pode ser interpretada como um elemento da luta interna pelo poder no partido, visando atingir, por antecipação, qualquer candidato alternativo oriundo da área da actual liderança do Partido. Mas, se assim for, registe-se pois que preferiu antepor os seus interesses partidários às preocupações com a estabilidade política do País! Pelo contrário, se a sua opinião não foi ditada por calculismos na disputa da liderança e antes corresponde a uma atitude tomada em nome do que pensa ser o interesse nacional, então seria exigível que explicasse porque é que preconiza, neste momento difícil e nesta conjuntura externa tão delicada, a abertura de uma crise política em Portugal…
Obs: Parece que nunca foi tão difícil governar como actualmente. Dantes o sistema representativo considerava-se a quinta-essência da política, o Estado providência era a tradução social de uma justiça imanente, a redistribuição dos recursos e dos impostos parecia mais fácil de fazer na acção governativa, não obstante a entrada cá do FMI - que ditou as regras durante uns anitos. Agora temos as agências de notação financeira, uma espécie de ASAE de Teixeira dos Santos.
Acresce que a modernidade trouxe uma democracia de opinião brutal, partidos políticos irresponsáveis e populistas, grupos corporativos que sequestram os recursos das políticas públicas para satisfazer interesses particulares organizados e, no final, o desgraçado do Estado tem que arranjar dinheiro para se pagar, o que não é pouco, e tornar ainda mais desgraçados aqueles que já o eram, pelos impostos que pagam e pelo escasso benefício ou vantagem que tiram do Estado. O pagamento por conta o que é senão um modo de o Estado se financiar antecipadamente à conta das empresas que trabalham para o Estado. Apesar de tudo, o OE/2010 foi a coisa possível, sem rasgo nem grandes promessas. Mas a oposição, tirando ao show-of do CDS, reconheceu não haver alternativa em face da actual conjuntura.
Na leva aparece-nos o "jovem mais velho" do psd, Passos Coelho, que diante da moral de convicção (kantiana) e a moral de responsabilidade (maquiavélica) - escolhe esta, por ser aquela que, no seu entender, melhor reforça o seu poder na luta interna pelo controlo do PSD. O que significa que este rapaz a governar colocaria sempre à frente dos interesses nacionais permanentes os interesses particulares e partidários que ainda farão de Pedro Passos Coelho o sucessor da srª Ferreira leite, o pior sinistro que poderia ter ocorrido ao PSD.
De tal forma que nenhuma seguradora faria hoje um seguro ao partido fundado por Sá Carneiro e, claro, pelo menino-guerreiro, com o seu PPD/PSD.

quinta-feira

Tributo à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica

Sempre que aparece um novo equipamento o homem embevece e pensa logo em duas coisas: adquiri-lo e tirar partido dele a fim de atingir o bem supremo, a felicidade. O aparecimento do iPad apresentado pelo patrão da Apple, Steve Jobs, foi mais uma manifestação desse embevecimento tecnotrónico do nosso tempo, comprimido e ubiquo, onde já não há espaço nem para o tempo nem para o próprio espaço.
Aparentemente, isto é mais bom do que mau, mas não deixa de nos alienar nesta massa avassaladora de Pub. à escala planetária onde todos vêem tudo ao mesmo tempo, e todos, por extensão, ficam com os mesmos desejos por satisfazer: consumir. Daí a lembrança da Escola de Frankfurt - e de T. Adorno, H. Marcuse, Benjamim, depois J. Habermas (e outros) - por ser a plataforma de pensamento que elaborou as críticas a esse consumismo desenfreado que, vistas bem as coisas, não trazem mais felicidade ao bem comum nem melhor qualidade de vida, excepto para as empresas que comercializam esses equipamentos, agora na fronteira do super-telemóvel e do computador portátil.
Não obstante a funcionalidade de tais equipamentos, há aqui a criação artificial de necessidades que impele as massas ao consumo, e essa indução é típicamente um sub-produto do capitalismo. Dinamizado pela natureza das informações (veja-se como Steve Jobs vendeu o seu produto, de jeans e ténis), pela capacidade de produção mediática, pela dimensão pós-industrial da mensagem, pela manipulação dos símbolos, das cores, das formas, dos temas contidas naquele iPad.
É óbvio que será mais um sucesso de vendas, o desejo está criado, a necessidade artificializada, as pessoas já começaram a reservar recursos para adquirir o equipamento, e os portugueses, sempre eles, lá irão fazer fila indiana às portas da Fnac para se enterrarem ainda mais nessa alienação colectiva, muito semelhante aquela que corporizam quando vão ou regressam da "bola" - que é um dos desportos mais interessantes mas, ao mesmo tempo, um dos que mais estupidifica as pessoas.
Eis o que me evocou ver alí Steve Jobs, vendendo a sua banha da cobra, poderia ser uma matrafona a vender lençois e fronhas na Feira Ladra de alto-falante ao pescoço, mas não(!!), era Steve Jobs a vender felicidade e desejos naquela tablete de 700gr neste universo cultural em que vegetamos.
Houve um estímulo e o mundo, de súbito, começou a salivar. Pelo meio apareceu a mensagem nos media que teve como função vulnerabilizar mais as pessoas, perdão, os consumidores, e, desse modo, destruir-lhes as eventuais resistências à adesão ao referido equipamento.
Foi assim que o mundo inteiro levou mais uma injecção dada pela agulha hipodérmica de Steve Jobs - ao alienar boa parte do mundo ao seu novo brinquedo. Daí o sucesso da Apple - que disparou mais uma bala mágica e antecipou o sucesso comercial do equipamento, tal como ocorreu com o iPod.
Mais uma vez, também aqui, o conceito de massa é fundamental para se compreender estas abordagens (comerciais) de efeitos planetárias. Nós, o rebanho destinatário da mensagem, somos as ovelhas isoladas das referências sociais e culturais, e agimos egoísticamente em nome dessa felicidade tecnotrónica que nos faz sonhar com a eternidade e a imortalidade.
Transfomamo-nos assim numa espécie de rebanho feliz de écran nas mãos, que nos deixamos assimilar pelo pasto tecnológico que um norte-americano espertalhão vende à Europa e ao mundo, quebradas as resistências psicológicas e económicas que vão permitir meio mundo comer mais aquele tremoço tecnológico na esperança de contrair mais um milagre.

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Steve Jobs apresenta iPad da Apple ao mundo

Oficial: Apple apresenta o iPad ao mundo (com vídeo)Por Redacção, a Bola
«Muito melhor do que um portátil, muito melhor do que um smartphone», é a definição de Steve Jobs, presidente-executivo da Apple, para o mais recente produto da empresa, o iPad. Veja o vídeo do patrão da empresa californiana a revelar o mais recente dispositivo.
O iPad funciona na mesma base do iPhone e do iPod Touch, com ecrã de toque, mas com o sistema operativo melhorado, com ecrã de 9.7 polegadas, processador de 1GHz, manufacturado pela própria Apple, e autonomia de 10 horas. A capacidade de armazenamento é igual à do Touch: varia consoante os modelos, entre os 16 e os 64GB.
O objectivo deste aparelho é criar «uma terceira categoria de dispositivos», segundo Jobs, algo entre o smartphone e um portátil.
Mas para isso «estes dispositivos terão de ser muito melhores nalgumas tarefas essenciais. Quais? Navegar na internet, e-mail, fotos, vídeo, música, jogos e e-books», explicou.
A nível de aplicações, as que existem para o iPhone e iPod Touch são compatíveis com o iPad, sendo por isso um dispositivo que sairá para o mercado com cerca de 100 mil aplicações disponíveis.
Especificações técnicas do iPad: Espessura: 12,7 milímetros Peso: 680 gramas Ecrã: 246,38 milímetros de largura Processador: 1GHz Apple A4 chip Memória flash: entre 16 e 64 gigabites
Preços anunciados para os EUA: 499 dólares - 16GB, sem 3G 599 dólares - 32 GB, sem 3G 699 dólares - 64GB, sem 3G (mais 130 dólares com 3G) 19:10 - 27-01-2010
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Steve Jobs iPad announcement on Fox Live

O exemplo do Idiota é...

... alguém que não diz nada de construtivo. Se responder directamente a uma pergunta fá-lo sempre com alguma piada ainda mais idiota, sem graça ou com um comentário inútil, sem sentido. Mesmo que, para o efeito, e à falta de melhor argumento, designe outros de ditador, mesmo em democracia, o que cria dificuldades suplementares relativamente às tipologias sociopolitológicas existentes. Enfim, há idiotas que conseguem ser ainda mais idiotas do que os idiotas que já conhecemos. O que transforma numa grande idiotice a própria ideia de idiota.

Belmiro de Azevedo diz que Cavaco "é um ditador". Uma entrevista idiota

Belmiro de Azevedo diz que Cavaco "é um ditador"
O empresário diz, em entrevista à revista Visão, que Cavaco Silva «é um ditador». Sobre a candidatura de Alegre à presidência, Belmiro de Azevedo considera que «ele devia ter juízo».
O jornalista José Milheiro ouviu algumas partes da entrevista da revista Visão ao empresário Belmiro de Azevedo
Numa entrevista à revista Visão, que estará nas bancas esta quinta-feira, o empresário Belmiro de Azevedo afirma que Cavaco Silva «é um ditador» e explica a sua crítica com o facto do actual Presidente da República ter mandado «quatro amigos seus [do empresário], dos melhores ministros, para a rua, assim de mão directa».
Sobre o recente anúncio da candidatura de Manuel Alegre a Belém, o empresário sugere que o antigo deputado socialista «devia ter juízo porque se ganhar a eleição presidencial, no final do mandato já terá 80 anos. O que não é muito sensato».
O patrão da Sonae refere que «a democracia em Portugal se transformou num sistema em que as pessoas votam pelas festas, frigoríficos e passeios. Uma democracia com um Governo onde o primeiro-ministro, José Sócrates, telefona ou manda telefonar com muita frequência e que descredibilizou os ministros».
Belmiro de Azevedo confessa ainda, nesta entrevista à Visão, que tem dificuldade em saber os nomes de metade dos actuais ministros e que não está interessado num bloco central.
Belmiro de Azevedo Cavaco Silva imprensa Manuel Alegre Portugal Presidente da República Sonae
Obs: Na substância o empresário não anda muito longe da verdade, mas os argumentos que escolheu para criticar o "ditador" e o poeta-Alegre (idade) revelam má fé e profunda parcialidade, o que o coloca ao nível daqueles que critica.
Belmiro tinha "n" argumentos para criticar aqueles que visa na sua entrevista, mas ao escolher pessoalizar (e ridicularizar) as críticas o empresário acaba por deixar o próprio empresariado numa posição delicada.
Pois muitos dos empresários entendem que Alegre não tem nem perfil nem competência para o exercício do cargo de PR, e Cavaco, por parcialidade (e tentativa de golpe de estado - à boleia das falsas "escutas" implementadas pelo assessor Fernando lima) assumiu o comando do maior partido da oposição (o psd) e isso, só por si, torna Cavaco o chefe não-oficial do PSd e não, como devia, o PR de todos os portugueses ou, pelo menos, do maior número.
Numa palavra, o engº Belmiro revela duas coisas nesta leviana entrevista:
1. Falta de argumentos políticos para criticar, e não porque os seus amigos foram despedidos;
2. Revelando, por extensão, uma grande falta de categoria pessoal e intelectual que ele tenta compensar com a sua fortuna e com o império que, bem ou mal, construíu.
Em boa parte, curiosamente, também com a ajuda de algumas declarações daquele que o empresário agora apelida de "ditador" - acerca da bolsa de valores...
Com este nível de argumentação, pergunto-me por que razão Belmiro também não se candidata a Belém?! Ficaria tudo em casa...
Com sorte, ainda aparece alguém dizendo que o engenheiro não tem perfil para o cargo por ser demasiado rico. Tudo, portanto, em linha com a idiotice dos argumentos aduzidos por um dos homens mais ricos de Portugal.
O que prova uma outra coisa: não é o dinheiro que confere grande inteligência às pessoas...
Conclusão: trata-se duma entrevista idiota, na razão directa da fortuna do entrevistado.

quarta-feira

Recordar Isaac Hayes - Shaft - live 1973 e Moby

Moby - Extreme Ways (the bourne identity version)

moby

Retrato do tempo: uma aproximação à sociologia de Woody Allen -

Pode-se perguntar se a ética de Woody Allen conduz a uma ética da virtude na comunidade, dado o perfeccionismo que anima o cineasta. Sucede que a paranóia de Allen não projecta conforto na sociedade. De resto, toda a obra de Allen está centrada nessa cidade fragmentada, doente, alienada e regulada pelas forças do mercado e do darwinismo social que é Nova Yorque. E apesar de toda a sua grandeza, a Big Apple não é, seguramente, exemplo duma comunidade baseada na virtude.
Todavia, aquilo que interessa aqui sublinhar do realizador é perceber o seu método de fazer as coisas, em que ele pega nos pormenores, nas contingências humanas, herdadas e adquiridas, e procura dar-lhes um estilo no caos em que todos vivemos. Pormenores que retratam a farsa em que todos nós vivemos, sendo que a atenção que concede às questões sociais é tal que o seu imenso testemunho só pode culminar num também imenso contributo para as Ciências Sociais, tanta vez esquecido.
Só possível graças à imaginação colossal e ilimitada e ao conhecimento abrangente que tem da política, da filosofia, da literatura, da sociologia, da economia, da cultura popular, da ciência e de práticamente todas as demais categorias do conhecimento.
E Allen, apesar do seu congénito pessimismo e cepticismo acerca da vida, não anda muito longe da verdade quando defende que o mundo está dividido em duas categorias de pessoas: os horríveis e os desgraçados. Aqueles integram os casos terminais e as pessoas cegas e mutiladas, os desgraçados somos todos nós, os restantes.
Por isso, quando passarmos pela vida, como defende o realizador, diz-lhe: dá graças por seres desgraçada.
Talvez isto seja um traço neo-realista do mundo d'hoje: o nosso mundo, nas suas mais variadas vertentes e facetas. E tavez isto também ajude a explicar a razão pela qual Woody Allen diz que se Deus existe, espero que Ele tenha uma boa desculpa.
E não é necessário virarmos os holofotes para o Haiti...

Evocação de Woody Allen

Acho que, no fundo, tudo se resume ao facto de eu odiar a realidade. E, está a ver, infelizmente esse é o único sítio onde podemos comer um bom bife ao jantar.

Trazos en la nieve

Redes sociais na Net podem ser "altamente prejudiciais"

Redes sociais na Net podem ser "altamente prejudiciais" por Lusa
As redes sociais na Internet, como o Facebook, podem ser "altamente prejudiciais" para os trabalhadores e para a imagem das empresas mas, se bem utilizadas, as vantagens ultrapassam os prejuízos, considerou hoje Nuno Troni, especialista em recursos humanos.
Para Nuno Troni, especialista da empresa de recrutamento Michael Page, os trabalhadores têm "muito mais a ganhar do que a perder" com a utilização das redes sociais, mas precisam de estar atentos à forma como as utilizam, até para não prejudicarem a sua imagem perante futuros empregadores.
"Uma política de comunicação clara sobre a informação que os colaboradores de uma empresa podem passar ao exterior é a melhor forma de evitar constrangimentos nas redes sociais", como a polémica que envolve os pilotos e a administração da transportadora portuguesa TAP, provocado por comentários no Facebook, acrescentou o especialista.
Troni referiu ainda que a participação dos funcionários em redes sociais na Internet como o Facebook e o Twitter permite potenciar a exposição ao mercado laboral e divulgar o trabalho que realizam, desde que o façam "de forma inteligente" e não partilhar informações que se venha a arrepender mais tarde.
O trabalhador deve evitar informações "pouco abonatórias" para a empresa onde trabalha, até para proteger a sua imagem no mercado de trabalho, referiu Nuno Troni.
"Se estiver em processo de recrutamento para uma outra empresa, este tipo de comportamento não será bem visto pelo recrutador", afirmou.
De acordo com Nuno Troni, para as empresas "torna-se muito difícil controlar toda a informação que os colaboradores trocam entre si", quer no contexto de trabalho, quer no a nível social, com amigos ou familiares, dificuldades ainda maiores quando se trata de informação confidencial.
"A única forma de prevenir este tipo de situações é fazer uma boa política de comunicação que preveja este tipo de casos. Na banca isto funciona", disse.
A punição dos colaboradores também acaba por funcionar, mas de uma forma reactiva, considerou Nuno Troni.
TAP sanciona pilotos por conversa no Facebook com "curso de ética"
Segundo a notícia avançada pela Lusa, a TAP convocou nove dos seus pilotos para um "curso de ética", alegadamente por estes terem discutido assuntos da empresa na rede social Facebook.
Os pilotos acham que é uma "sanção disciplinar ilícita" e discriminatória, mas a TAP garante que este curso faz parte da formação dada a todos os trabalhadores e destina-se a todos os pilotos e pessoal de cabine.
O caso dos pilotos da TAP não é a primeira polémica laboral causada pelo Facebook. Recentemente, uma mulher no Canadá perdeu o direito à baixa médica, depois de terem sido descobertas fotografias suas no Facebook.
As fotografias mostravam que a funcionária da empresa informática IBM se estaria a divertir na praia, apesar quando esta se apresentava de baixa há mais de um ano, por depressão.
Obs: Hoje a necessidade de comunicar instantaneamente leva os intervenientes a cometer excessos, dar tiros no pé, e, por vezes, fazer da comunicação planos de implosão imediata, ainda que inconscientemente. Faz lembrar aqueles bloggers com a ânsia de potenciarem a sua visibilidade opinativa se agrupam em blogues colectivos, e depois aquilo mais parece uma salada russa intragável. Por vezes, o face book também é isso - em que todos dormem com todos, e isso só pode conduzir a uma coisa: promiscuidade.

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Ele procura...

Gerir um orçamento é sempre uma incerteza, é-o por maioria de razão o OE, pela complexidade, incerteza e contingência. Daí que gerir hoje um orçamento é como antever o desconhecido. Mas não o incognoscível. E é aqui que entra a intuição - que opera com o incognoscível, i.é, com aquilo que não pode ser conhecido mas tem que ser comunicado ao país. Por isso, a função do ministro das Finanças é quase a de um adivinho, bruxo ou, simplesmente, professor de Economia.
Obs: Será que procura um clip..., ou a password para a efectiva produtividade e competitividade da economia portuguesa, comprometida com um Estado gordo e ineficiente.

Teixeira dos Santos diz que era prematuro alterar Orçamento em Maio

O ministro das Finanças refutou hoje as acusações do PSD de que o Governo adiou a apresentação do Orçamento Rectificativo por causa das eleições. Económico
"Se eu tivesse avançado com um Orçamento Rectificativo em Maio ou Junho deste ano, estaríamos agora a discutir uma terceira proposta de alteração ao Orçamento", afirmou Teixeira dos Santos, durante a comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento . [...]
Nota: Mais vale um orçamento sofrível do que nenhum.

terça-feira

Mulher cai em museu e rasga quadro de Picasso

Mulher cai em museu e rasga quadro de Picasso
'O ator', tela de Pablo Picasso
Foto: Reprodução Uma importante pintura de Pablo Picasso ficou danificada quando uma mulher que assistia a uma aula de arte perdeu o equilíbrio, caiu sobre a obra "O ator" e a rasgou, informou o Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque.
A obra, de 196 x 115 cm, ficou com um rasgo vertical de 15,24 cm na parte inferior direita após o acidente ocorrido na sexta-feira.
O museu, que não especificou por que a mulher caiu, informou que o dano na pintura não prejudicou o "ponto focal da composição" e que deverá ser reparada nas próximas semanas, antes de uma importante retrospectiva de Picasso com 250 obras que começará 27 de abril.
A reparação deverá ser "discreta", acrescentou o museu.
Elaborada no inverno de 1904-1905, a pintura corresponde ao Período Rosa do pintor espanhol.
Fonte: Diário do Grande ABC
Nota: Imagine-se os estragos que seriam caso Jaime Gama tropeçasse na escadaria da Gulbenkian por ocasião duma exposição sobre Dalí...

Acusações contra a OMS prestam um péssimo serviço à Saúde Pública

O director da Escola Nacional de Saúde Pública, Constatino Sakellarides, considerou hoje que o responsável do Conselho da Europa que caracterizou como "falsa" a pandemia de Gripe A H1N1 "presta um péssimo serviço à Saúde Pública". Público
O director da Escola Nacional de Saúde Pública considerou que é "é fácil dizer qualquer coisa, se não a fundamentar".A 14 de Janeiro, o presidente da comissão de Saúde da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, apresentou uma moção para investigar se há conflito de interesses entre a Organização Mundial de Saúde e as farmacêuticas.(...)

Um debate de urgência sobre a gripe A (H1N1) previsto para quinta-feira não conseguiu reunir o consenso da assembleia parlamentar do Conselho Europeu

Um debate de urgência sobre a gripe A (H1N1) previsto para quinta-feira não conseguiu reunir o consenso da assembleia parlamentar do Conselho Europeu, a decorrer em Estrasburgo, e foi adiado.Público
Subordinado ao tema "Falsas pandemias: uma ameaça para a saúde", o debate deveria analisar um relatório que denuncia a actuação dos grandes laboratórios farmacêuticos e uma alegada influência na compra de milhões de vacinas pelos governos de todo o mundo para combater o vírus H1N1.
Um total de 96 parlamentares votou a favor da realização do debate e 82 contra, sendo necessária uma maioria de dois terços para aprovar o projecto de resolução.
Apesar do adiamento do debate, ainda sem nova data, o assunto será analisado terça-feira numa audição pública da Comissão de Assuntos Sociais, Saúde e Família, realizada à margem da assembleia parlamentar do Conselho Europeu.
O relatório em análise é da responsabilidade do presidente da comissão de Saúde, o socialista alemão Wolfgang Wodarg.A 14 de Janeiro, Wodarg apresentou uma moção para investigar a eventual existência de conflito de interesses entre a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as farmacêuticas.
O parlamentar alemão declarou na altura que se assistiu "ao maior escândalo médico do século" e acusou a OMS de ter "relações impróprias" com as empresas do sector farmacêutico.
A OMS negou hoje, em comunicado, a existência de um conflito de interesses na gestão da pandemia da gripe A (H1N1), garantindo que o organismo não sofreu "uma influência imprópria" por parte das farmacêuticas.
A gripe A (H1N1) provocou a morte de 14.142 pessoas em todo o mundo desde que surgiu no México em Março/Abril de 2009, indicou o último balanço da OMS, divulgado sexta-feira.
Obs: Começa a ser altamente problemático conhecer os limites da ciência, da política e dos interesses económicos disfarçados (ou não) de falsas pandemias.

Dubai Fountain - "Shik Shak Shok" - Hassan Abou El Seoud

as maravilhas do petróleo...
Dubai Fountain - "Shik Shak Shok" - Hassan Abou El Seoud

Dubai Fountain - "Time to Say Goodbye" - Andrea Bocelli and Sarah Brightman

segunda-feira

Smoke City - Underwater Love

Smoke on the water

sábado

Diogo Freitas do Amaral: um promissor candidato à Presidência da República apoiado pelo PS de Sócrates

O currículo do prof. Diogo Freitas do Amaral é impressionante: em termos académicos e em termos políticos. Ele é conhecido de todos os portugueses. Apenas aqui alinho umas breves notas sobre ele. É licenciado em Direito, foi deputado, é doutorado em Ciências Político-Económicas, o que dá imenso jeito para a compreensão dos problemas contemporâneos, tem larga experiência académica e de gestão de universidades, chegando até a presidir várias vezes ao Concelho Científico da Faculdade de Direito. Foi fundador do CDS, fez a AD (com outros), foi ministro várias vezes, conhece bem o meio empresarial e a alta gestão, é um jurisconsolto de nomeada, tem visão e uma macro-leitura do fenómeno político, sabe de Relações Internacionais, conhece a Europa e o Direito Comunitário (tudo coisas que o poeta Alegre desconhece e até seria uma grande injustiça para Freitas estabelecer aqui qualquer tipo de comparação).
Foi MNE e MDN, Vice-PM, mais tarde Presidente da Assembleia Geral da ONU, conhece o funcionamento das OIs, tem mundo e uma arguta cosmovisão, pensa e escreve bem, é um excepcional orador, conhece bem a história do seu país, tendo até realizado uma interessante biografia do fundador da nacionalidade. Enfim, Freitas do Amaral, que em 1986 só não foi PR por uma unha negra contra Mário Soares, tem um largo perfil académico, civil e político que fazem dele um senador da república, condições que o colocam, à partida, para a corrida a Belém com o apoio do PS de Sócrates.
A ser assim, fragmentaria a já débil credibilidade de Cavaco (em cujo eleitorado Freitas entra), que tem feito um mau mandato, limitaria a 2ª aventura de Alegre e oferecia a Portugal uma possibilidade de reconciliação consigo próprio porque federaria e consensualizaria muitos sectores da sociedade civil que hoje não se revéem nem em Cavaco nem em Alegre.
De resto, importa recordar que Freitas do Amaral foi MNE do Governo maioritário de Sócrates - que teve de abandonar por motivos de saúde. Logo, por razões políticas (e pessoais), e apesar de ser um dos fundadores do CDS mas que conquistou um estatuto supra-partidário, é um ex-dirigente político mais próximo do PS de Sócrates (cujo governo integrou) do que, curiosamente, o próprio poeta Alegre que, sendo originário do PS - andou (com o BE ao colo) durante um ano a sabotar a execução do programa de Governo chefiado por aquele que hoje é PM dum Governo minoritário e de quem o proto-candidato, implícitamente, reclama apoio.
Por estas razões, atendendo a este mega-perfil e em face da conjuntura delicada que Portugal e os portugueses vivem, Diogo Freitas do Amaral é, hoje, o melhor candidato à PR que o PS de Sócrates poderia (e deveria) lançar para Belém.
Nota: Esta eventual candidatura de Freitas do Amaral até Mário Soares apoiaria. Bastaria, para o efeito, o encontro de duas vontades: a de Freitas e a de Sócrates, tanto mais que o professor de Direito Administrativo não está conotado com nenhum partido como hoje está Alegre com o BE, apesar de ser oriundo do PS (mais esquerdista). Daí a maior liberdade de acção de Freitas - que contrastaria também com o percurso de Cavaco - que hoje também está muito encravado com o psd de Ferreira Leite - cuja eleição para PM apoiou através dos seus assessores de Belém - demonstrando que não está preparado para saber ser um PR isento, imparcial e representante de todos os portugueses.

A grelha das presidenciais - por João Marcelino - dn

A grelha das presidenciais
por JOÃO MARCELINO
1. Manuel Alegre fez o que lhe competia, depois de três anos a cultivar o terreno. Primeiro deu uma entrevista, ao Expresso. Nela namorou o PS, marcou alguma distância para o Bloco e piscou o olho ao PCP. Depois foi jantar a Portimão e colocou José Sócrates perante um facto consumado: vai ser, de novo, candidato a Presidente da República.
Em 2006, como se sabe, foi diferente. Manuel Alegre esperou. Sócrates escolheu Soares. O PS acabou partido e, até, derrotado: Alegre venceu de forma surpreendente as primárias da esquerda. O problema esteve em que, ao contrário de 1986 (quando Soares ultrapassou Zenha para enfrentar Freitas do Amaral), o candidato do centro-direita, Cavaco Silva, conseguiu a maioria à primeira volta.
Desta vez, o primeiro-ministro e líder do PS tem muito menos espaço político para evitar apoiar a candidatura do homem que o atormentou durante a última legislatura. Não tem alternativa, porque Guterres não quer, Sampaio também não, Gama não possui notoriedade no País e ele próprio, Sócrates, poderia deitar tudo a perder se resolvesse recorrer à bomba atómica: a sua própria candidatura (num cenário altamente desfavorável, só possível com a renúncia ao Executivo, sem garantias de vitória e quatro anos antes do tempo previsível, aquele em que provavelmente enfrentará Durão Barroso na corrida a Belém).
Sócrates só não apoia desde já Alegre porque tem de negociar com o centro-direita a recuperação das contas do Estado - e não faz sentido estar a assinar acordos com Portas (e Manuela?) e, ao mesmo tempo, declarar a adesão ao candidato do Bloco!
2. O PS perderá bastante se, no entanto, demorar muito a concretizar esse apoio. Quanto mais crescerem as dúvidas entre os votantes socialistas moderados, mais possibilidades terá Cavaco Silva de renovar o mandato.
Um Manuel Alegre refém do Bloco, que desperta simpatias entre comunistas e dúvidas entre muitos dos seus camaradas de partido, dificilmente ganhará as eleições. Num ano, a maioria dos portugueses terá tendência a esquecer a inventona das escutas e a privilegiar o voto em alguém que não tenha dúvidas sobre a economia de mercado, o nosso destino europeu, a importância da saúde bancária, a necessidade de mexer no factor trabalho para melhorar a competitividade.
Entre um candidato da esquerda radical e um outro democrata do centro, que sempre teve preocupações sociais, o segundo ganhará sempre. A não ser que o PS resolva recuperar a confiança em Alegre, o faça saber e o demonstre, porque será o centro que resolverá a contenda. Foi talvez por representar o radicalismo (nessa altura de direita), que Frei- tas (48,82%) não venceu Soares (51,18%). Se também ele apenas representar o radicalismo (agora de esquerda), Alegre não vencerá Cavaco.
Seja como for, as próximas presidenciais serão uma luta interessante e intensa. Cavaco Silva tem vantagem, mas a verdade é que nunca ganhou umas eleições com sequer 51% de votos. Teve 50,22% na primeira maioria do PSD, em 87; 50,60% na segunda, em 1991; e 50,54% nas eleições presidenciais de 2006. Vantagem tem, mas não tanta quanto aquela que transparece da recente sondagem da Aximage (para o Correio da Manhã). O apoio do PS a Alegre tornará esta disputa muito, mas mesmo muito, equilibrada. Pela primeira vez, um presidente da República pode não ser reeleito. Esse risco nunca esteve, antes, sobre Eanes, Soares ou Sampaio.
Obs: João Marcelino terá razão, mas em política, ou em teoria política - há sempre a possibilidade de cenarizar, e nesse campo o quadro de possibilidades é imenso. Poderá ocorrer na cabeça de Sócrates que Diogo Freitas do Amaral preencha o perfil dum excelente PR, e se isso vier a acontecer - como seria interessante e útil para Portugal - a candidatura de Cavaco ficaria esfrangalhada, a aventura do poeta-Alegre diminuída, as possibilidades de Sócrates ter um candidato vencedor (e não imposto, como Alegre) às presidenciais em 2001 agigantar-se-íam, e este artigo interessante de João Marcelino também ficaria rapidamente desactualizado. Tudo dependeria da vontade do grande Freitas, já recomposto da sua operação à coluna e com a possibilidade de se recompensar duma batalha perdida em 1986 contra Mário Soares.

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Coabitação decadente dos figurantes do sistema político nacional: Cavaco e Alegre

Abaixo explicitámos as razões que nos assistem em rejeitar a proto-candidatura do poeta Alegre para Belém e a de Cavaco, actual locatário do palácio Rosa, para nosso infortúnio. Nada temos contra estas duas estimáveis personalidades que, como vimos, até convergem mais do que divergem, ante o deserto de ideias e planos que têm para Portugal contextualizado no isomorfismo em que as analisámos.
Esta situação-limite em que o poeta-Alegre inscreveu o PS, dividindo-o mais do que suscitando consensos, pode traduzir-se noutra grelha analítica mais elaborada e que consiste numa coabitação de protagonismos que, nas respectivas funções institucionais, desempenham papéis que, na realidade, não correspondem às suas efectivas posições políticas procurando, desse modo, transferir a responsabilidade da crise a que chegámos de um para o outro, é, doravante, o que sucederá: veremos o poeta a imputar responsabilidades a Cavaco pela conflitualidade criada com o Governo, mormente por causa da questão das falsas escutas, e, por seu turno, veremos Cavaco, a contra-atacar dizendo que o poeta nunca apresentou uma proposta de Lei interessante no Parlamento onde teve residência fixa anos a fio trabalhando para a sua reforma dourada, que contrasta com a da generalidade dos portugueses.
Portanto, aquilo que aguarda os portugueses no próximo debate presidencial, que Alegre antecipou escandalosamente prejudicando, assim, os interesses do país em nome da sua vaidade pessoal e gula de poder, será um debate tão oco quanto romântico e quixotesco, cuja inutilidade será simétrica à recandidatura de Cavaco. Pois ambos já demonstraram à saciedade que bloqueiam mais o regime do que o renovam, que distorcem mais o funcionamento da democracia e do efectivo desenvolvimento da sociedade do que o promovem, e, nem por isso, hesitam em querer assumir altos postos de comando no vértice do Estado para os quais não têm perfil, aptidão ou capacidade.
Na prática, nenhum daqueles dois "figurantes" da democracia portuguesa, e Cavaco foi, de facto, importante ao tempo em que foi PM durante uma década e soube aplicar os milhões de euros que chegavam a Portugal diariamente via Fundos Estruturais/Comunitários, por isso se construíram estradas, hospitais e escolas, são, doravante, os rostos do futuro. E neste contexto de compita eleitoral é óbvio que o cv de Alegre não chega para ombrear com o de Cavaco que, apesar de tudo, ainda fez obra por Portugal, modernizando a sociedade e desenvolvendo a economia. Alegre, neste particular, só terá duas coisas para apresentar aos portugueses: o seu passado anti-fascista, que pouco diz às novas gerações que nem sequer sabem onde ficou o Império ou identificam Salazar, e ser autor de uns livros de poemas.
Nesse sentido, nenhum dos figurantes desta peça à portuguesa está a construir o futuro, cada um usará o seu passado para justificar o que existe no presente. Ora, o que se pode encontrar neste contexto de sobreposição assente numa compita presidencial Cavaco-Alegre, não será a discussão do futuro de Portugal, mas a fuga ao lugar das responsabilidades que cada um teve, no quadro da sua esfera de competências, a fim de se eximir ao lugar da vítima expiatória.
Naturalmente, a sociedade portuguesa, os portugueses em geral, esperam algo mais do que este sub-produto da estória que um e outro terão para oferecer ao País.
Ou seja, aquilo que cada um dos candidatos pode prometer ao país no exercício das suas funções institucionais, não é mais do que procurar colocar o outro na posição simbólica do responsável pela crise e pela linha de descontinuidade cujo resultado está à vista nos indicadores socioeconómicos de desenvolvimento.
É por isso que advogamos aqui a emergência de caras novas que se possam perfilar na corrida a Belém para dar um novo alento a Portugal e aos portugueses.

sexta-feira

Isomorfismo político na corrida a Belém: um paralelo surpreendente entre Cavaco e Alegre

Aparentemente Cavaco e Alegre nada têm em comum, são ambos actores políticos de formações intelectuais distintas (um de economia e finanças, o outro de letras), têm backgrounds distintos, para não dizer antagónicos, pois enquanto Alegre reclama o seu estatuto anti-fascista na rádio de Argel (qual disco riscado), Cavaco estava a doutorar-se em Oxford, mas nenhum foi à guerra e cumpriu a teoria de Raymond Aron quando defendia que o diplomata defendia o seu país pela palavra e pelas negociações e o soldado, se necessário for, dando a vida pela sua pátria. Ambos conheceram o Império colonial de longe, à distância, mas nenhum sofreu as suas agruras.
Por outro lado, Cavaco é de direita, hiper-conservador e "come" eleitorado ao centro e cultiva uma relação estreita com o actual e moribundo PSD; Alegre vem da esquerda, entra mal no eleitorado do centro, não tem experiência governativa e, nos últimos tempos, tem andado de braço dado com Anacleto Louçã para armadilhar a governação a Sócrates a pretexto das leis laborais e do código laboral. Embora, na realidade, o poeta Alegre se esteja a borrifar para o nível das pensões dos reformados, para os trabalhadores precários e os desempregados. Nada mais do que retórica para se integrar no circo mediático que lhe dá palco e alimenta a vaidade e a gula pelo poder, tal a dimensão do seu umbigo-político – ingenuamente nutrido pelos seus apoiantes românticos.
Alegre é poeta e escreve livros que alguns amigos fazem o favor de ler, Cavaco desconhece a importância da poesia e nem sabe bem quem foi Luís Vaz de Camões cujos Os Lusíadas desconhece, apesar de saber que no dia 10 de Junho tem uma cerimónia por cumprir que o obriga protocolarmente a atribuir umas medalhas a quem se destaca na vida pública nacional.
Aparentemente nada neles converge: formação intelectual, background, cosmovisão, filiação partidária, gostos culturais e o mais. Não poderiam estar mais nos antípodas um do outro. Cavaco procura quantificações e estatísticas para traduzir a realidade social, Alegre lê poemas marialvas para salvar a pátria. Embora nenhum acerte na escapatória que permite a felicidade do país: com mais PIB, menos impostos, mais produtividade e melhor competitividade, mais saúde, mais educação, mais riqueza, melhor qualidade de vida e de bem-estar.
Mas se estes são os termos que os distinguem e os separam haverá, porventura, factores - subliminares - que os aproximam. E isso remete a análise para a mimética dos actos do poder, para o campo normativo e para as fórmulas que cada um encontra para seduzir o eleitorado a votar neles.
Alegre é um actor político informal, mas não deixa de pretender o apoio institucional do seu velho PS e de toda a tralha esquerdista que o tem acompanhado no seu combate romântico ao governo – para agradar a uma esquerda radical que só empobrece ainda mais a economia nacional com as suas propostas.
Cavaco é mais institucional, mas não deixa de querer o apoio de sectores não alinhados da sociedade para alargar a sua já mui débil base de apoio, resultado do péssimo mandato presidencial que tem feito, parecendo até que só tem sido presidente do grupo de pessoas da srª Manuela Ferreira Leite, sua incondicional discípula.
Um e outro são, portanto, simultaneamente institucionais e informais neste isomorfismo pré-presidencial na busca de sedução de apoios que fixe e reforce os respectivos eleitorados.
Por outro lado, ambos alimentam grandes expectativas relativamente à conduta dos respectivos partidos no posicionamento a cada um dos candidatos presidenciais. Ou seja, Cavaco desconhece qual será o resultado do congresso do PSD, por isso não lhe será indiferente quem vier a conquistar a liderança do seu partido; e a Alegre também não será indiferente o apoio do PS ou só de alguns dos seus números 2, 3, 4 e 5 – como António Costa – que Alegre apoiou para esse "albergue espanhol" que é hoje a autarquia lisboeta, por isso era de prever que Costa o apoiasse agora para Belém. Foi um bom negócio, mas Alegre ainda não cobrou a factura a Costa – embora este já tenha endossado o cheque.
Se Pedro Passos Coelho subir à liderança do PSD, como tudo indica (ante a cobardia política de Marcelo de Sousa), Cavaco terá um “aliado” que estará sempre pronto a criticá-lo, muito diferente da incondicionalidade de Ferreira Leite – que nunca foi mais do que um apêndice de Belém, por vezes serviu até como seu porta-voz não-oficial (ou não autorizado); Se Sócrates vier a dar o seu apoio a Alegre fá-lo-á sempre com algmas reservas e colocando algumas condições que neste momento ainda são desconhecidas.
Por conseguinte, quer Cavaco quer Alegre estão ambos muito dependentes do apoio político dos respectivos partidos neste isomorfismo estratégico em que ambos se situam.
Ambos tendem a copiar as passadas do outro na captura pelo apoio dos partidos a que sempre pertenceram e ambos têm, doravante, de seduzir aqueles sectores da sociedade civil não alinhada que vai votando no PS e no PSD, consoante a confiança que as lideranças partidárias inspira à sociedade a cada conjuntura.
Ambos também irão dissertar sobre a insegurança, o desemprego, o ambiente, a educação, a saúde no quadro do isomorfismo ilusório preparado pelas narrativas emergentes que cada um dos lados irá montar ao nível do marketing político – que os spin doctors – irão aprimorar a fim de potenciar a eficácia da comunicação política no labirinto de espelhos que é a sedução do eleitorado.
Cavaco e Alegre irão, pois, imitar-se um ao outro sob certos apoios, condições e obedecendo à lógica de determinados financiamentos.
Terão ambos o mesmo catálogo de preocupações, o mesmo caderno de encargos, apenas Cavaco terá que se "culturalizar e humanizar" mais, e Alegre, simetricamente, de se "economizar e tecnicizar" de modo a que Cavaco quando fale de cultura e sociedade não pareça um E.T. desterrado na rocha de Conde de Óbidos proveniente de Boliqueime, e Alegre quando disserte sobre questões económicas não se assemelhe a um brasileiro a tentar falar chinês depois de um estágio em Argel.
Em suma: ambos desejam ardentemente ocupar o Palácio Rosa, Cavaco já o conhece, Alegre deseja conhecê-lo, mas, no fundo, ambos são iguais no vazio ideológico e programático que prometem ao país, já mais do que testado na ausência de propostas para Portugal.
Além de serem ambos vagos relativamente à Europa e ao papel que Portugal deverá assumir nessa importante plataforma, e dirão exactamente o mesmo em matéria de promoção da lusofonia, ou seja, ambos farão mais retórica e mais cacofonia presidencial.
Ambos serão iguais no desejo, vaidade e gula de poder e ambos serão também iguais na necessidade que têm em criar uma nova identidade que os demarque da imagem do passado que ambos já lavraram no país que os conhece: candidatos velhos e cansados, sem propostas inovadoras nem ideias e ideais que possam trazer uma mensagem de esperança, modernização e desenvolvimento ao país.
Creio que estes pecados capitais, intimamente agregados a cada um dos candidatos, não farão deles, automaticamente, candidatos realistas para o estado actual em que Portugal e os portugueses se encontram.
Numa palavra: ambos os candidatos manipulam ilusões, e por não terem uma mensagem nova para dar aos portugueses potenciam a opacidade voluntária e deliberada distorcendo, ao mesmo tempo, os mecanismos de regulação democrática, porque impedem uma avaliação objectiva dos governantes pelos eleitores, além de induzirem, o que é mais grave, uma percepção na sociedade de que as suas escolhas eleitorais são indiferentes porque os resultados práticos a que chegam são sempre os mesmos.
Ambos os candidatos, portanto, operam em função de interesses políticos e de projectos de poder pessoal, e não em nome do bem comum ensinado por Aristóteles e em prol dum eficaz e eficiente funcionamento da democracia em Portugal.

Não me arrependo! - por António Vitorino -

Há um ano Barack Obama tomava posse como Presidente dos Estados Unidos. Não é possível fazer o balanço deste primeiro ano de mandato sem reler o memorável discurso que proferiu então, nas escadarias do Capitólio. Sobretudo para reconhecer que um responsável político como o Presidente americano tinha perfeita consciência - já então ! - de como seria aferido o seu desempenho neste primeiro ano.

Ressalta, desde logo, a consciência das elevadas expectativas geradas com a sua eleição. Quando assim é, maior é o risco de decepcionar. E ele disse-os à cabeça. Mas a verdade é que essas expectativas elevadas, um misto de cansaço com a Administração precedente de George W. Bush e de simbolismo traduzido na eleição do primeiro presidente afro-americano, foram encaradas pelo próprio Obama não com temor mas como um estímulo. Um incentivo à mobilização das forças vivas da sociedade americana, um apelo a uma sociedade mais inclusiva e mais participativa (sobretudo em relação às muitas minorias que a compõem) e um desafio à superação dos obstáculos decorrentes da crise global e dos vários focos de tensão na cena internacional.

O discurso de Obama, nessa cerimónia, é muito claro na distinção que faz entre o que é urgente fazer e aquilo que obriga a tomar opções (difíceis) com os olhos postos no médio prazo.

Claro que hoje, passado um ano de mandato, os órfãos da Administração Bush nos EUA (e também os que existem por cá…) se apressam a julgar severamente este período do mandato à luz da elevada fasquia das expectativas, esquecendo--se intencionalmente de pôr em perspectiva o que foi feito. Guantánamo não fechou! O desemprego nos EUA atinge níveis históricos! O Afeganistão é um atoleiro de que não se vê a saída! Os mais exaltados até se queixam de que afinal Ben Laden não foi ainda detido…

É verdade que o apoio a Obama tem vindo a cair nas sondagens de opinião pública. Curiosamente, contudo (e decerto para grande desgosto do ex-vice-presidente Dick Cheney), um dos índices de melhor valoração da acção de Obama tem a ver exactamente com a estratégia de luta contra o terrorismo global.

Mas onde Obama joga o seu mandato, no imediato, é no plano da recuperação económica e da reforma da saúde. Os dois assuntos conheceram evoluções positivas durante este primeiro ano de mandato e o desfecho da acção do Presidente só poderá ser aferido com rigor no decurso de 2010. Aqueles que ao fim destes 365 dias se apressam a decretar "o falhanço de Obama" deveriam, por isso, ser mais cuidadosos e aguardar as cenas dos próximos capítulos mais imediatos.

Mas, por paradoxal que pareça, o papel de Obama está para além destas evoluções conjunturais e da mera comparação entre as elevadas expectativas da eleição e os resultados concretos deste primeiro ano.

O verdadeiro teste a Obama será o de preparar os EUA para o complexo equilíbrio de forças emergente, que já estava inscrito nos astros antes da sua eleição mas que foi acelerado com a eclosão da crise financeira global. Com efeito, a tarefa mais difícil para o Presidente dos EUA será a de preparar os americanos para um mundo onde terão de reformular o seu posicionamento tanto no plano económico como no plano da segurança, mantendo uma posição liderante embora construída em bases distintas das que conheceram no passado.

O que sucedeu no G20 em Pittsburg e a Cimeira de Copenhaga foram apenas prenúncios desse desafio. E se algo se pode assacar ao Presidente Obama é o facto de ter tido de operar naqueles dois cenários na base de um entendimento político doméstico onde quer os republicanos quer muitos (mesmo muitos!) democratas ainda não fizeram o percurso de adaptação à nova realidade com que os EUA vão ter de se defrontar. Mesmo assim, Obama deu sinais inequívocos de compreender o que se esperava dele na cena internacional. Só que, como em todas as boas democracias, o seu sucesso depende do consenso político que lograr gerar entre os seus próprios concidadãos!

Por isso, no fim deste primeiro ano, não me arrependo de ter votado nele! Perdão, de ter votado nele se tivesse podido votar, claro!

Obs: António Vitorino fez bem em inscrever este seu - "não arrependimento" - no 1º ano de balanço do mandato Obama nas questões mistas de hard e de softpower (J. Nye), porque Obama é um PR singular na história política da América e herdou um pesado fardo que não se resolve ou dissipa num ano de mandato. De resto a Europa também não melhorou nos seus indicadores de desenvolvimento, daí a dificuldade acrescida em estabelecer comparações de sucesso ou insucesso no plano das RI entre os dois lados do Atlântico.

Karl Frierson - Ten Minutes

Evocação de Diógenes

A palavra deriva do grego kynismós, chegando até o presente pelo latim cynismu. A origem do termo, porém, é incerta: Alguns autores afirmam que o nome originou-se do local onde Antístenes teria fundado sua Escola, o Ginásio Cinosarge, ao passo que outros afirmam ser um termo derivado da palavra grega para cachorro: kŷőn, kynós, numa analogia com o fato de os cínicos pregarem uma vida como a dos cães, na ótica das pessoas contemporâneas, Wiki.
Obs: Dedicada a todos os cínicos da política à portuguesa que fazem política exclusivamente a pensar nos dividendos pessoais que dela possam extrair.

Uma-mão-lava-a-outra

Por vezes a política tem uma geometria terrivelmente simples que não carece de muita elaboração intelectual, assim Alegre apoiou Costa para Lisboa para que Costa, doravante, apoie Alegre para Belém - neste trade-of de mais do mesmo da política à portuguesa. Sem que ninguém cuide de saber o que distingue o projecto do poeta para Portugal - relativamente à mediocridade do mandato cavaquista que tem assolado Belém e os portugueses. Esta escala axiológica na política nacional é deveras interessante e só me lembra que o tal bem-comum de que falava Aristóteles e que deveria animar a acção política não passa retórica política. De facto, uma mão lava a outra... E é triste que o futuro seja, cada vez mais, feito com caras do passado, por mais simbólicas que sejam...

Marinho Pinto.. sempre polémico, sempre genuíno

O bastonário da Ordem dos Advogados considerou hoje que o segredo de justiça "é uma farsa" e que tem servido para "dar cobertura à negligência e à incompetência e para fazer julgamentos na praça pública".dn
Obs: Goste-se ou não de Marinho e Pinto ele fala mais vezes verdade do que mentira, ele esforça-se mais vezes por ser autentico do que hipócrita, ele acerta mais vezes do que falha. Nem parece um advogado. Marinho daria um excelente Presidente da República, a avaliar pelos dois candidatos que Portugal terá de suportar ao longo - deste longo - ano!!!.

quinta-feira

"Amor com amor se paga"

O antigo Presidente da República Mário Soares recusou hoje comentar a candidatura de Manuel Alegre às presidenciais por considerar "inconveniente entrar nessa discussão". DN
"Neste ponto, estou de acordo com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, de que é muito cedo falar disso, é inconveniente entrar nessa discussão porque isso distrai-nos do essencial", afirmou Mário Soares aos jornalistas.
No entender do antigo chefe de Estado, "isso é um problema que se vai pôr daqui a uns largos meses".
Inquirido sobre se o PS deveria avançar com um candidato, Mário Soares escusou-se a comentar, mas argumentou: "não tenho nada que me pronunciar sobre isso, sou um militante de base do PS".
Sobre uma eventual divisão no seio do Partido Socialista face à entrada de Alegre na corrida a Belém, Soares mostrou-se convicto de que tal não vai acontecer.
"Debates dentro do PS, há debates com certeza, vai haver e deve continuar a haver, mas dividido não. Não tenho receios, aliás, não sou de receios", disse.
Obs: O dr. Soares, ex-PR, sempre olhou para o seu compagnon de route, o poeta Alegre, como uma espécie de seu secretário pessoal, que jamais lhe faria frente em qualquer circunstância política, muito menos na corrida a Belém - contra a qual Soares foi humilhado pelo próprio poeta, o tal "secretário" de Soares... Hoje, e porque Soares tem memória de elefante, só se esperava do ex-Chefe de Estado que omitisse e/ou desvalorizasse a proto-candidatura de Alegre que - só ele e alguns correligionários levarão a sério. De resto, Alegre - por ser mais poeta do que político com alma de estadista, já deveria ter percebido que a sua imposição no terreno pondo-se em bicos de pés no circo mediático - para que o apoiem a Belém é um elemento pernicioso na nossa agenda política, e em nada contribui para extirpar a crise social, económica e financeira em que nos encontramos. Esta auto-imposição parece que só beneficia o umbigo do poeta, e para homem de cultura, convenhamos, também deixa muito a desejar. Ninguém preside a um país com quase um milénio de história com o umbigo...

El espacio emocional - por Daniel Innerarity -

El espacio emocional
Daniel Innerarity
El Correo / Diario Vasco Opinión 23/03/2005 Los actuales espacios sociales, informes y difusos, cada vez menos gobernables por los Estados, unificados por los medios y atravesados por un proceso de globalización que todavía no los articula institucionalmente, son muy vulnerables a las convocatorias sentimentales. En cada país y en el espacio global, se suceden los acontecimientos que provocan una fuerte descarga emocional. Cuando los espacios políticos no delimitan ni protegen, entonces no hay quien detenga la globalización sentimental. La descarga emotiva discurre libremente sin que nada limite su despliegue. La desregulación, además de un proceso económico, es también algo que afecta al registro de los sentimientos. Pensemos concretamente en el efecto emocional de las tragedias, que no son más dramáticas que las de otras épocas, pero que nos golpean ahora con una inaudita capacidad de conmover. Hay algo común en la respuesta que provocan el 'tsunami', el terrorismo, las guerras o el pánico bursátil: una electricidad sentimental que configura comunidades de indignación, tan poderosas como efímeras.
Las catástrofes ecológicas, como el reciente maremoto del sudeste asiático, tienen una enorme capacidad aglutinante. Las corrientes de solidaridad que provocan han modificado también nuestra sensibilidad moral, dando lugar a una ética de la asistencia a distancia propia del mundo unificado. Las catástrofes tienen, además, una gran significación política, hasta el punto de que a veces son lo único que puede provocar vuelcos electorales cuando el público es, a la vez, políticamente apático y emocionalmente histérico. Hay muchos ejemplos de cambios electorales que no se habrían producido de no mediar un acontecimiento emocional de estas características, en que los votantes han sancionado las reacciones correspondientes. Como es lógico, las guerras son otra fuente de dramatización con una especial capacidad de convocatoria. En un momento en el que las identificaciones son más bien débiles, la indignación parece ser el más poderoso aglutinante social. Lo que está sucediendo a propósito de las víctimas del terrorismo es muy elocuente a este respecto. En torno a ellas se acumula una energía sentimental que resulta muy difícil dejar de aprovechar. Y la política se convierte en victimología: el arte de dramatizar de manera convincente y utilizar en beneficio propio la fuerza emocional que generan las víctimas de la injusticia.
La carga emocional que originan los acontecimientos dramáticos no sería posible sin nuestros actuales medios de comunicación. Mientras que en 1755 del terremoto de Lisboa sólo se enteraron en Londres o París dos semanas después, la actual ecumene de los telespectadores convierte las catástrofes en eventos inmediatos y simultáneos. Contra lo que pensaba Rousseau, que no pudo imaginar una sociedad de medios de comunicación como la nuestra, el sentimiento de humanidad no se debilita cuando ésta se extiende a todo lo largo de la Tierra; las desgracias no nos afectan menos cuanto mayor es la distancia en la que se producen. La lejanía y la cercanía son magnitudes que se han trastocado en el mundo global y en virtud de los medios. Y una de las distancias que se han suprimido es la distancia emocional, que no siempre coincide con la distancia geográfica. Una sociedad, desde la doméstica hasta la mundial, se mantiene unida en la medida y en el modo como la mantienen unida los medios de comunicación. Por tanto, con las mismas características que rodean el mundo de los medios, es decir, con las leyes que gobiernan ese peculiar mercado de la atención, que es selectivo, inconstante, sensacional, simplificador, emotivo y esquemático.
Para los medios, el mundo acontece como escándalo y catástrofe. De ahí que mantengan permanentemente despiertos los sentimientos de vulnerabilidad, desprotección e inseguridad. En los espacios mediáticos las noticias y sus correspondientes cargas afectivas discurren a gran velocidad, sin el efecto moderador de la distancia o de la compartimentalización. Esta desmesura tiene mucho que ver con la fragilidad institucional de un mundo sin formatear, sin protocolos; el carácter amorfo de los sentimientos corresponde a su vez con un tipo de socialización que no se basa en valores y normas compartidas, sino en amenazas comunes, como los riesgos, las catástrofes o las crisis. Nuestros vínculos están constituidos más por lo que tememos o nos indigna que por una integración positiva.
La compasión, que es un signo de humanidad, también tiene sus caprichos. Nuestros espacios emocionales, como nuestra atención hacia el mundo, es frecuentemente selectiva, arbitraria e inconstante. La agenda de la atención está configurada de manera bastante caprichosa y tiende a priorizar lo que resulta más sensacional. También tiene mala memoria. Las emociones más intensas suelen ser las más rápidamente olvidadas. En cualquier caso, los dramas existen antes de que los medios se fijen en ellos y persisten también cuando éstos dejan de atenderlos.
La indignación o el sentimiento de compasión son reacciones especialmente valiosas que también se pueden volver extravagantes. Es cierto que la sociedad sería más pobre sin esa compasión que suscita el mal ajeno o sin la ira que provoca la injusticia. Pero las corrientes emocionales, cuando no son articuladas política e institucionalmente, provocan tanto oleadas de generosidad como de histeria. No es que los seres humanos se hayan hecho más egoístas o insensibles; nunca han dejado de interesarse los unos por los otros y promover corrientes muy poderosas de solidaridad. Pero no es posible poner estas disposiciones amorfas al servicio de la sociedad sin mediaciones institucionales. La política, tan denostada en ocasiones y desde motivos sentimentales, es precisamente el trabajo para darle a todo ello una forma concreta, duradera, razonable y eficaz. La política consiste en civilizar lo emocional e impedir la instrumentalización de las pasiones; transforma el sentir en actuar y asigna responsabilidades donde faltaban o no había más que imputaciones genéricas. La política no reprime las emociones, de las que vive; cuántas conquistas sociales tuvieron su origen en una determinada indignación. Pero sin ese trabajo sobre la inmediatez emocional quedaría insatisfecha aquella inquietud de fondo que late en nuestros mejores sentimientos.
Obs: Divulgue-se.