segunda-feira

Capitalismo - Uma História de Amor. Michael Moore, again...

CAPITALISM: A LOVE STORY - TRAILER

Obs: Quando Alberto João Jardim se reformar ainda o veremos assumir o papel de M. Moore em Portugal...

domingo

Como em 1910 se imaginava que seria o ano 2000. Mobi..

Remake, Maio/09
Como as pessoas em 1910 imaginavam que seria o ano 2000
A "Biblioteca Nacional da França (BNF) tem uma impressionante coleção de gravuras feitas em 1910, que retratam o que seria a vida no ano de 2000. Veja as fotos:
Os bombeiros voariam...
Os sapatos teriam motor...
Os barbeiros seriam robôs... Os carros voariam... As mensagens seriam fonográficas... Existiriam drive-in para "carros voadores"... Os jornais seriam escutados ao invés de lidos... Existiriam videoconferências... Não existiriam funcionários nas obras, somente robôs... Os alunos não usariam livros, eles iriam ouvi-los, de acordo com a vontade do professor (observe a animação do auxiliar)... Fabricar roupas nunca seria tão fácil.

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Moby

sábado

A justiça portuguesa em BD e aos "bochechos"

A narrativa que se segue é pura ficção: tanta que ultrapassa a realidade. Uma imagem delirante da República
- O PGR, Pinto Monteiro: ainda estou à espera de mais certidões extraídas do processo Face Oculta, e se me mandarem 300 e nenhuma delas incriminar o Sócrates, eu aguardo pela 301, talvez tenha mais sorte...
- Alberto Costas, ex-ministro da Justiça: Este não é o meu PGR, este não é o meu Governo, este não é o meu país. Afinal, "eu" já não sou "eu".
- Presidente do STJ, Noronha do Nascimento: Este Pinto deve pensar que eu nasci ontem, manda-me as certidões aos "bochecos" na esperança de que a "batata quente" do odioso ao PM fique do meu lado. Este PGR espelha bem a miséria da justiça de que é fautor, mas, ao menos, enquanto está no sector não se estragou como deputado, ministro ou secretário de Estado... Nele tudo é mau e aos bochechos, até a visão que tem do mundo. Eis um pinto aos bochechos num país atravancado.

Cavaco numa atitude institucionalmente lamentável

À data do 25 de Abril, Ernesto Melo Antunes era major. Foi ministro sem pasta dos II e III governos provisórios, e titular da pasta dos Negócios Estrangeiros no IV e VI governos. Pertenceu ainda aos conselhos de Estado e da Revolução e presidiu à Comissão Constitucional - o órgão que antecedeu o actual Tribunal Constitucional. Subdirector-geral da UNESCO, não se candidatou ao cargo de director-geral daquele organismo especializado da ONU por não ter obtido o apoio do governo português, então chefiado por Cavaco Silva.[...]
Obs: Quando decorreu a revolução dos Cravos cavaco devia estar no RU a estudar para doutor e acumular muitos conhecimentos de economia que não servem para ajudar o governo a sair da crise económica, social e financeira em que vegetamos. Cavaco não tem cultura democrática, detesta o Parlamento - onde, de resto, frequentava pouco e mal quando foi PM, dialoga com alguma reserva, nunca foi um defensor convicto dos ideais e das ideias de Abril e, agora, que poderia promover esses valores na comemoração dos 10 anos da morte de Ernesto Melo Antunes - cavaco não assegura a sua presença, como devia fazer no plano institucional. Eanes, Soares e sampaio, os três PRs anteriores estiveram lá, Cavaco refugiou-se no Pátio dos Bichos, em Belém.
Quer em nome da democracia, quer em nome da história política contemporânea de Portugal - o actual PR deveria estar presente, porque a história do país está acima dele. Mas para cavaco, pelos vistos, é mais importante reconduzir um assessor que tentou assinar políticamente o PM de Portugal, através duma inventona de falsas escutas mal urdida, com a sua cumplicidade e cobertura política, pessoal e institucional, do que honrar a história.
É por estas e por outras que Cavaco não deveria ocupar o lugar que ocupa, já demonstrou não estar à altura da instituição da Presidência da República nem do Pais que lá o meteu. Esperemos que não faça um 2º mandato, ou que chumbe caso pretenda fazê-lo.
Ofereça-se um cravo a Cavaco...

O regresso do assessor - por João Marcelino -

O regresso do assessor, dn

1. Cavaco Silva não deixou cair Fernando Lima. Deu-lhe apenas cerca de dois meses de descanso por causa das eleições e do escândalo. Passado o burburinho, falhada a estratégia da "asfixia democrática", o assessor volta ao activo como se nada se tivesse passado. Como se não tivesse sido o protagonista de uma maquinação político-jornalística inédita em Portugal, na importância e no descaro.
Num outro País, democraticamente maduro, isto seria impossível.
Por cá, acima da opinião pública, se é que ela existe, e às vezes sinceramente duvido, está a vontade do Presidente da República.
A responsabilidade política, tão reclamada para outros servidores do Estado, e noutros sectores, não é coisa de Belém. Aí todos os cidadãos são livres de ter e explicitar a sua opinião - até de imaginar teorias conspirativas e passá-las para os jornais. Tudo isso é legítimo e pode ser pago com o dinheiro dos contribuintes.
Nunca tive dúvidas, no tal processo das escutas, de que Fernando Lima não dera um único passo à revelia de Cavaco. No campo da lealdade e devoção ao PR, o assessor não cometeu um erro em 20 anos de serviço.
Desta vez, a única coisa que se revelou errada foi a escolha do mensageiro. Tivesse isso resultado bem e não teria havido qualquer problema. A insídia teria feito caminho e evitaria aquela medíocre comunicação de Cavaco Silva que fica para os anais da pequena história política nacional.
Como as coisas correram da forma que é conhecida, este regresso de Lima, após dois meses "adormecido", significa confiança e apoio, mas também igualmente que Cavaco Silva continua a esticar a corda com José Sócrates. Não há um português que não saiba que os dois homens se detestam. Mas se alguém andasse desatento bastaria esta segunda nomeação do assessor que pretendeu levar ao País a convicção de que o gabinete do primeiro-ministro andava a espiar a Presidência da República...
Neste momento sabemos o que Cavaco, que não pode falar de escutas, pensa de Sócrates. Só nos falta saber o que Sócrates, que não pode falar de corrupção, pensa de Cavaco.
2. Depois de ter sido o primeiro-ministro com o maior estado de graça de sempre da democracia portuguesa (um pouco mais de dois anos), José Sócrates está a viver o outro lado: desta vez não teve direito a um dia sequer. Saiu das eleições quase directo para a polémica do "Face Oculta". Enfrenta a revelação de um défice muito acima do esperado. Vê o desemprego aumentar. Não parece ter nenhuma solução para um pequeno arranque da economia à margem da recuperação da crise internacional. Para além disso, o endividamento de Portugal agrava-se. E ontem mesmo viu as primeiras "coligações negativas" de toda a oposição suspenderem uma série de medidas aprovadas na legislatura anterior, a principal das quais o novo Código Contributivo, que lhe retira uns milhões de receitas ao Orçamento.
A legislatura arranca pois sem esperança nem um rumo que se perceba.
Estamos num momento muito difícil da nossa história moderna, disso ninguém pode ter dúvidas. Precisávamos de dinamismo empresarial, homens de Estado e uma população mobilizada. Em vez disso sobra-nos a mediocridade, o desalento e o conflito. Vamos demorar a sair deste ambiente e eu não descortino ainda os protagonistas da mudança de que Portugal precisa.
A diferença entre o público e o privado está muito bem ilustrada no "Face Oculta": Vara saiu (suspendeu-se) quase de imediato porque uma instituição como o BCP não pode viver com dúvidas; Penedos resistiu até a o juiz o mandar sair da REN porque o Estado se habituou a ser refém de tudo e de todos!
Obs: Felicite-se o autor do artigo porque acertou em cheio nas motivações dos actores que aqui assumem um papel de figurantes num filme série Y que já ninguém quer ver ou comprar. De resto, o assessor Lima sempre foi um jornalista medíocre, e quando esteve à frente do DN quase o levou à falência. Hoje, pelos vistos, "ajuda" a desprestigiar a instituição da Presidência da República, mas isso acontece porque o "seu dono" assim o promove neste Portugal dos pequeninos, povoado de imbecis e de idiotas que conquistaram o poder - num país cujo povo vive alienado entre a bola, o consumo e as contas do carro e da casa para pagar, além das viagens ao Brasil, claro...

COCK ROBIN - Just Around The Corner

Cock Robin, The Promise you Made - Alabama Hall 1986

sexta-feira

Martin Heidegger e a ocultação do ser

Quando se avalia a questão do terrorismo, sobretudo após o 11 de Setembro de 2001, essa "catástrofe" que revolucionou a percepção que o homem passou a ter do mundo (e de si próprio!!!) e matou milhares de homens e mulheres inocentes de forma bárbara, tem, necessáriamente, que se apreciar a política e o direito disponíveis no mercado das grandes decisões públicas nacionais, internacionais e globais, como parece decorrer da doutrina que os EUA querem fazer crer ao mundo ao julgar os terroristas com base nos procedimentos do Estado de direito e segundo as regras democráticas, como abaixo sistematiza AV no seu artigo no DN. Mas não são apenas os terroristas e os seus miseráveis métodos de racionalização da violência que são cirúrgicamente ocultados a fim de provocarem o maior dano possível a uma sociedade ou a uma civilização. É o próprio homem que constitui um mistério para si próprio, ele representa uma dimensão relativamente à qual ele não tem acesso privilegiado como observador de si mesmo.
Neste caso, a verdade não corresponde à sinceridade nem a democracia traduz transparência, nem, no limite, o direito aplicável aos referidos terroristas globalitários, poderá ser sinónimo de efectiva justiça, como pretendem os EUA ao julgar os terroristas do 11 de Setembro de 2001 segundo aquela normalidade constitucional.
Foi talvez o "odiado" filósofo Martin Heidegger, alí de costas, quem primeiro fixou essa noção de ocultação inevitável, já que ela não é um exclusivo desses operadores do crime global contemporâneo, nem sequer apanágio da subjectividade de cada um de nós, mas sim um reflexo inelutável da auto-ocultação do próprio ser humano. E se não utilizarmos a razão para boas finalidades sociais, sou tentado a admitir que cada homem, cada um de nós é, ou pode ser, um terrorista em potência.

O julgamento do século - por António Vitorino -

As críticas mais ferozes a esta opção vieram, naturalmente, do campo republicano.

Talvez o título seja pretensioso, mas a decisão da Administração Obama de levar a julgamento, perante um tribunal comum de Nova Iorque, os acusados da autoria moral e de cumplicidade nos atentados de 11 de Setembro de 2001 constitui, decerto, um marco maior da justiça mundial perante a ameaça terrorista.

Convém recordar que a anterior Administração americana havia criado comissões militares especiais para o julgamento dos acusados de terrorismo, entre os quais estavam os que foram detidos como mandantes, autores morais ou cúmplices dos suicidas que projectaram dois aviões sobre as Torres Gémeas de Nova Iorque, sobre o Pentágono, em Washington, e que desviaram o avião que se despenhou na Pensilvânia.

Esta decisão foi muito controversa, na medida em que criava um foro especial para aqueles julgamentos, subtraindo-os às regras gerais do direito penal e processual penal americanos, designadamente no que concerne a observância dos direitos de defesa dos arguidos. Mais tarde, o Supremo Tribunal viria a considerar que tais comissões especiais careciam de uma decisão do Congresso para se poderem ter por legítimas, pelo que ainda na Administração Bush foi redefinida a base legal da existência de tais comissões e a sua própria composição, embora sem alterar significativamente o seu modo de funcionamento. Esta segunda via continuou a ser severamente criticada por muitas vozes no campo dos democratas e por parte das organizações dos direitos civis nos EUA.

O tema constituiu um dos aspectos mais embaraçosos na campanha eleitoral para o candidato republicano, embaraço que foi habilmente aproveitado pela candidatura de Obama. Este, logo nos primeiros dias na Casa Branca, anunciou o encerramento do campo de Guantánamo e uma revisão dos processos e das bases de funcionamento das aludidas comissões especiais.

O anúncio feito esta semana segundo o qual o julgamento dos mais visíveis dos implicados nos atentados do 11 de Setembro seria feito num tribunal comum de Nova Iorque foi, por isso, recebido com júbilo pelos sectores que mais se haviam oposto à estratégia da "guerra contra o terrorismo" do Presidente George W. Bush. As críticas mais ferozes a esta opção vieram, naturalmente, do campo republicano.

A decisão, em si mesma, constitui, sem dúvida, uma vitória para todos aqueles que sempre defenderam que a criação de regimes de detenção e de julgamento excepcionais fortaleciam a retórica dos terroristas, constituíam armas da sua hipócrita propaganda de vitimização e acabavam por revelar uma debilidade estrutural dos estados democráticos na luta contra o terrorismo global. Na Europa, tirando uma excepção transitória no Reino Unido (rapidamente derrogada pela Câmara dos Lordes actuando como Tribunal Supremo), os processos judiciais antiterroristas foram todos conduzidos sempre de acordo com as regras do direito penal e processual penal comum e perante os tribunais criminais competentes (como sucedeu na nossa vizinha Espanha quando do julgamento dos implicados nos atentados de Atocha de 11 de Março de 2004).

A decisão tomada pela Administração americana vem assim colocar em linha todas as democracias ocidentais na forma como tratam da perseguição judicial dos atentados terroristas.

Trata-se de uma opção que tem a maior relevância do ponto de vista de defesa das liberdades públicas e da democracia e que, sem dúvida, robustece a causa da luta antiterrorista travada a partir do Estado de direito e de acordo com as regras da legalidade democrática.

Mas esta decisão não está isenta de riscos: um julgamento público, baseado no princípio do contraditório, com a obrigação de divulgação, por parte da acusação, perante o tribunal, dos meios de prova com base nos quais se pretende a condenação dos acusados e com o pleno direito de defesa destes constitui, decerto, uma prova dura e tensa acerca da capacidade de as democracias desmontarem a propaganda terrorista e demonstrarem a imperiosa condenação da barbárie terrorista.

Se assim acontecer, este será decerto um julgamento que marcará o Estado de direito democrático durante todo o século XXI!

Obs: Hoje a agressão às sociedades já não vem de "fora", emana de dentro, converte-se no terror a partir duma sola dum sapato de um indivíduo que pode viajar na cadeira do nosso lado: no carro, no comboio, no avião, no barco... Curiosamente, a convivência ao nível dos partidos políticos assume a mesma tipologia comportamental, ou seja, a traição, a violência parte quase sempre de "dentro" do sistema ou conhece as suas motivações psicológicas discriminatórias de "dentro" para "fora", paradoxalmente.

Ora, se os ataques no interior de uma modernidade viu desaparecer as distâncias espacio-temporais - por via das poderosas TIC (utilizadas ambivalentemente - para o bem e para o mal) - o mundo converteu-se numa imensa metrópole dificilmente estanque. E o trágico 11 de Setembro (e o 11 de Março), que ultrapassaram a própria ficção e o nosso imaginário no jogo das simulações mentais em que por vezes entramos na vigília, representou a versão mais trágica duma série de fenómenos típicos dum mundo negativamente globalizado, visto que reflecte o desconcerto não só dos aparelhos militares estatais contra esses inimigos invisíveis - que são os terroristas que operam em rede e de forma desterritorializada - mas também vieram por a nú as próprias estratégias políticas e económicas dos Estados para combater esse flagelo globalitário na esfera da globalidade que, hoje, nem os aparelhos de justiça sabem bem como dirimir. Ainda que com progressos pontuais, como sistematiza António Vitorino ao sublinhar que os terroristas podem (e devem) ser julgados segundo o Estado de direito e de acordo com as regras do Estado democrático.

Se assim for, também aqui a Liberdade e a Democracia farão a diferença relativamente aos métodos inomináveis praticados pelos terroristas globalitários do nosso tempo, que julgam que é com violência indiscriminada e surpreendente que capturam o desenvolvimento e a tão desejada modernidade para as suas sociedades.

Enfim, todos os séculos têm o seu caso Dreyfus...

Só que aqui os terroristas não são inocentes nem serão julgados, creio, com documentos e provas falsas ou forjadas. Nem, no limite, o julgamento aos terroristas que perpetraram o 11 de Setembro - que mudou o mundo - serão defendidos por uma vaga de fundo eco-fundamentalista que os tentará absolver desse crime contra a humanidade sob pretexto de que eles têm sido as vítimas do neo-imperialismo norte-americano (que os subdesenvolveu e deixou na miséria) que consolidou as suas raízes ideológicas, religiosas, económicas, políticas e morais nesse naco de geografia decadente conhecido por Velho Continente - que hoje é, em parte, dirigido por Durão barroso num mundo, que ainda à pouco tempo, era mal governado por G.W.Bush, Aznar, Blair e, claro, o mordomo que serviu as bebidas e os amendoins na fatídica cimeira dos Azores - que serviu de rampa de lançamento para Barroso se ter tornado o presidente da Comissão Europeia - duma Europa que hoje ainda não sabe como julgar os seus criminosos de guerra.

Ou, doravante, talvez se possa inspirar no império da lei do Tio Sam...

Passos convida Teixeira da Cruz para fazer o programa

por PAULA SÁ
A antiga 'vice' de Marques Mendes vai liderar grupo que irá preparar o programa com que Passos Coelho se irá apresentar nas eleições directas. Paula Teixeira da Cruz tem 'carta branca' para convidar colaboradores em nome da abrangência. (...)DN
Obs: Sempre é uma garantia adicional para que Passos Coelho não cometa tantas gaffes, na prática, seja menos gravoso do que tem sido Manuela Ferreira Leite, a pior líder do psd no pós-25 de Abril. É pena é que os papéis não se tenham invertido, i.é, que não seja a própria Paula Teixeira da Cruz a candidatar-se à liderança do PSD e ao cargo de PM - e que tenha sido ela a convidar o ainda inexperiente Passos Coelho a ajudar na feitura do programa.
Seria desejável que não venhamos a descobrir que, afinal, quem redigiu o capítulo da Justiça do dito programa foi o António Preto, embora tudo seja possível no actual PSD...

Espionagem à portuguesa. O contributo de Vieira da Silva para a "intelligence" nacional e a melhoria da Justiça

Quando para a semana o ministro da Economia, Vieira da Silva for ao Parlamento explicar o significado da sua expressão "espionagem política - que aduziu no âmbito do processo Face Oculta, o sucedâneo do Freeport - que já morreu na praia - terá, eventualmente, de retirar alguma carga dramática à expressão, senão mesmo trágica, que alguns candidatos a PM lhe atribuíram. São, provavelmente, os mesmos candidatos que vêm o cadeirão de S. Bento por uma das setes colinas de Lisboa, e vêm mal. Lembro-me que ainda este ano A. Costa foi ao Congresso do PS dizer que queria "partir a espinha" ao BE, e não foi criticado internamente por isso. Antes pelo contrário. Mas o povinho tem a memória curta, curtinha, como convém. Enfim, critérios...

Obviamente que aqui o conceito de "espionagem" não decorre do enquadramento do 11 de Setembro de 2001, que traduziu uma falha de segurança dos serviços de intelligence para prever o que se estava a passar, e foi depois da tragédia é que os budgets militares dispararam, o recrutamentos de homens da informação se intensificou e os conceitos de segurança se (re)sofisticaram um pouco por toda a Europa num mundo instável e crescentemente invisível..

Tal circunstância implicou uma mudança estratégica e cultural na forma como se passou a percepcionar a rede de relações sociais e políticas no domínio planetário.

Ora, no caso Face Oculta - que originou aquela expressão inovadora de Vieira da Silva, que deixou alguns correctores e desvios com aspirações a PM mais nervosos, e com alguns tiques censoriais, o que se pretendeu explicitar foi que existia, na realidade, muita informação que, contudo, as instituições e os operadores judiciais não souberam avaliar, desde logo pelo comportamento lamentável do sr. PGR, Pito Monteiro.

Creio que não é necessário ser hermeneuta para compreender o sentido das palavras de Vieira da Silva, que até convidou a um certo experimentalismo político e teve o mérito de por a justiça a discutir os actos de injustiça de que tem sido geradora na sociedade portuguesa, lamentavelmente.

Vieira da Silva terá, porventura, querido explicitar mais o seguinte através da sua formulação: o excesso de ruído informativo entre o Tribunal de Aveiro, o PGR, o presidente do STJ, Noronha do Nascimento, as fugas cirúrgicas de informação provenientes do interior do processo Face Oculta que chegava a algumas redações de jornais violando, sistemáticamente, o segredo de justiça terá levado, e bem, Vieira da Silva a afirmar o que afirmou. Sem, com isso, nos quisesse remeter para o universo dantesco do 11 de Setembro ou, mais remotamente, para meio século de Guerra Fria - em que a espionagem era o prato do dia que alimentava as Relações Internacionais no mundo pós-Yalta.

Mas isto já não será para a compreensão de qualquer jurista, salvo para aqueles que têm prática de docência e sabem de Direito Internacional (público), História diplomática, Filosofia política e Teoria das organizações internacionais, o que me parece não ser o caso daqueles juristas (de base micro) que censuraram as declarações experimentalistas de Vieira da Silva.

Dito isto, o regresso da espionagem lusa, agora em versão de Vieira da Silva, que aqui glosamos, resulta, no fundo, de a justiça que temos ser miserável, ou seja, não investiga, não apura objectivamente a informação, é laxista e incompetente, e, por tudo isso, gera areia na engrenagem.

E como a justiça em Portugal é uma não-justiça, uma aberração, apesar da separação de poderes, o poder formal da justiça (que não existe, de facto, em Portugal) abriu espaço a que essa sua não existência fosse preenchida pela suspeita, pela intriga, pela inveja e rancor e até pela conspiração de alguns sectores e operadores da justiça contra o PM em funções, José Sócrates.

A "espionagem", pelo menos no sentido em que Vieira da Silva utilizou o conceito, deve ser entendida como uma tarefa interpretativa diante da incompetência crescente da justiça, da imbecilidade de alguns críticos internos ao ministro da Economia.

Consequentemente, o contributo de Vieira da Silva para o debate em torno desta problemática parece ter sido considerável, já que sem o concurso dessa expressão as águas podres não teriam sido agitadas, e, as usual, as narrativas dominantes continuariam a fazer carreira, com as aparências a iludir a normalidade, por natureza confusa.

Numa palavra: a expressão de Vieira da Silva, com excepção de algumas imbecilidades que remetem para o desenho das lutas de poder no interior do PS a médio prazo, contribuíram para que a sociedade portuguesa aumentasse a sua vigilância sobre o ineficaz PGR e a justiça em geral.

Esperemos que daí resulte um grama de sol em prol do bem comum que falava Aristóteles - mas que a injustiça que temos, salvo honrosas excepções, tem sistemáticamente escavacado desde o 25 de Abril.

Michael Moore morde a mão que lhe dá de comer

Michael Moore morde a mão que lhe dá de comer Os seus documentários rendem muito dinheiro aos estúdios. É por isso que o filme se chama "Capitalismo: Uma História de Amor"? O ex-seminarista tem resposta para a ironia
Michael Moore está cansado. Está cansado de ser a única pessoa que pode responder pelos seus filmes e de ter constantemente de se defender do que considera acusações violentas. Claro que se expõe ao enfrentar o colapso do Sistema em "Capitalismo: Uma História de Amor", a Saúde norte-americana em "Sicko" e o ex-Presidente George W. Bush em "Farenheit 9/11". Com "Capitalismo: Uma História de Amor", porém, as coisas mudaram. O público americano tem estado a apoiá-lo como nunca antes. (...)
Obs: Ainda veremos Fernando Lima à porta do Vaticano a vociferar o Papa Bento XVI com o fito de o susbstituir como sucessor de Pedro, com o apoio clandestino de Maria Cavaco Silva, claro está... cada país tem o seu Moore.

Bacelar Gouveia quer liderar PSD-Lisboa. Um constitucionalista louco...

Bacelar Gouveia quer liderar PSD-LisboaO constitucionalista e deputado do PSD Bacelar Gouveia formalizou esta quarta-feira a sua candidatura à distrital do partido em Lisboa e contou com a presença de Pacheco Pereira, António Preto e Helena Lopes da Costa.(...)
Obs: Com amigos destes não vale a pena ter inimigos. Andou Bacelar a estudar códigos para hoje não conseguir distinguir a moral da política, a ética do esbulho público, e a charlatanice corruptiva representada por Petro com a boa política. Como Gouveia padece de tautismo deseja-se que perca clandestinamente as eleições na Distrital de Lx.
A conclusão a que chego é que Gouveia daria um belo advogado de António Preto no caso da mala. Sugira-se a ligação.

quinta-feira

O Princípio de Peter em Cavaco Silva

Cavaco Silva ficará na história de Belém como o pior PR do pós-25 de Abril, é o único PR que não está seguro de que conseguirá fazer um 2º mandato, como fizeram Eanes, Soares e Sampaio. Na raiz desse mal estão vetos desnecessários, apoio ao PSD de Ferreira Leite, campanhas urdidas juntamente com assessores do inner circle para queimar politicamente Sócrates - com o fito de o apear do poder. Depois Cavaco recebe os sindicalistas da justiça quando deveria fazê-lo com discrição e fora dos momentos de crise, tira o tapete a S. Bento quando inicialmente lhe prometera a tal "cooperação estratégica" nos assuntos mais relevantes da governação, os casos de deslealdade ao Governo multiplicam-se. São tantos que se torna difícil enumerá-los a todos.
Agora verificamos que Fernando Lima, um ex-director do DN - que quase ia levando o diário de notícias/DN à falência, foi reconduzido nas suas funções assessoriais em Belém. Após Lima ter tentado urdir a maior farsa do pós-25 de Abril para abater politicamente um PM, vemos cavaco reconduzir este figurante altamente perturbador do normal funcionamento das instituições. Em termos políticos isto é uma vergonha, no plano constitucional um atentado ao regular funcionamento das institucições, e no plano ético um vómito na naúsea comportamental de Belém em alguns aspectos da nossa vida pública.
Confesso que nunca esperei ver cavaco ter estas condutas a partir de Belém, até porque nos seus dez anos de PM a sua conduta, apesar de ter falhas, nunca chegou a este desrespeito constitucional - reconduzindo elementos que instabilizaram o funcionamento de órgãos de soberania.
Ao permanecer em Belém em funções discretamente destacadas, Lima apenas está a dizer ao país que não tem vergonha nem ética, deveria ter saído pelo seu pé em vez de fazer o papel amador do espião que veio da Madeira revelando, afinal, que é um ingénuo da política e até um mau jornalista. Cavaco, por outro lado, está a dizer ao país que quanto pior melhor, promove a incompetência, a instabilidade e a guerrilha entre órgãos de soberania.
Cavaco, afinal, ao invés do que imputava a certos deputados do PS, é que é o fautor da instabilidade e do condicionamento à acção dos media que atribuía ao Governo. Recorde-se que no Princípio de Peter - um sistema hierárquico defende que todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência, ou como diria Laurence Peter - a quem aqui prestamos homenagem - "In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence" - que se tornou um clássico da gestão empresarial.
Mas mais grave do que o PR estar a promover um seu íntimo colaborador e fiel amiguinho - em jeito de agradecimento e/ou reconhecimento pela cilada que tentaram - ambos - perpretar contra o PM josé Sócrates é a circunstância de Cavaco, ainda que indirectamente, estar a dizer aos portugueses: vejam como eu me identifico com estas sacanices político-constitucionais, como eu as apoio e promovo junto da minha casa Civil como se daí resultasse um modelo de virtudes públicas perante a sociedade portuguesa que assiste a esta vergonha estupefacta.
No limite, esta recondução vergonhosa de cavaco a F. Lima revela que o PR não percebeu bem o alcance das suas atitudes, e, em política, quem não entende isto não tem condições para governar uma retrosaria quanto mais presidir aos destinos de um país com quase um milénio de história.

Uma atitude censurável de Cavaco. Belém compensa os prevaricadores

Após a inventona das escutas por parte de Fernando Lima - com ou sem a cumplicidade de Cavaco - este reconduzir aquele como super-assessor em Belém revela tacanhez e provincioanismo político. É o princípio de Peter a funcionar em todo o seu esplendor, pois quanto mais prevaricador foi Lima para posicionar Cavaco a ajudar a sua pupila Ferreira Leite a montar-se no cadeirão de S. Bento - mais Lima sobe na hierarquia da Presidência da República e na Casa Civil. Ainda veremos Lima candidato à ONU proposto unilateralmente por Cavaco sob a justificação de que a sua especialidade são as comunicações interregionais e interculturais, agora numa dimensão global.
No limite, Lima ainda será um sério candidato a sucessor de Pedro, em Roma - com o apoio de Maria Cavaco, naturalmente...
Em Belém parece tudo estar em aberto. Demasiado aberto!!!
O Presidente da República efectuou alterações na Casa Civil da Presidência da República, mas Fernando Lima, que tinha abandonado o núcleo da Comunicação Social, permanece como assessor daquele serviço de consulta e apoio do chefe de Estado, uma notícia avançada hoje pelo Diário de Notícias. De acordo com o organigrama disponível no ‘site’ da Presidência da República, Fernando Lima continua como assessor da Casa Civil, mas deixa de ter o ‘pelouro’ da Comunicação Social.
“Quero manifestar a minha estupefacção por, na Presidência da República, sem qualquer justificação, uma pessoa que tinha alegadamente sido afastada, afinal permanecer” no Palácio de Belém, “quem sabe se para fazer a mesma coisa”. “Estranho mesmo que a Presidência da República possa manter o mesmo assessor para as funções que já tinha, embora agora para o chefe da Casa Civil”, Nunes Liberato, referiu o vice-presidente da bancada do PS.
Segundo Ricardo Rodrigues, na sequência do caso da alegada vigilância exercida por elementos ligados ao executivo de José Sócrates aos movimentos do “staff” da Presidência da República, “todos foram levados a pensar que o senhor [Fernando Lima] tinha saído”. “Afinal, [Fernando Lima] ficou na Presidência da República nas mesmas funções que tinha, embora não no Presidente da República mas no chefe da Casa Civil - a entidade que o senhor Presidente da República diz que fala em nome dele”, acrescentou.
Numa declaração à Agência Lusa, o chefe da Casa Civil da Presidência da República, Nunes Liberato, afirmou que “a composição e a estrutura da Casa Civil são uma competência exclusiva do Presidente da República e do chefe da Casa Civil, como aliás acontece nos outros órgãos de soberania”. Ainda segundo Nunes Liberato, “por uma questão de transparência, a Presidência da República publica no seu ‘site’ a composição da Casa Civil e Militar”.

Muppets em...Bohemian Rhapsody! Evocação de Freddie Mercury dos Queen

José Penedos foi suspenso pelo juiz e perdeu por momentos o sorriso

E ao terceiro dia, José Penedos falou. Mesmo que tenha sido para dizer que não vai falar. "Só falo no fim do processo. É só o que tenho a dizer". Assim - seco e com um semblante tenso que nunca antes se lhe tinha vislumbrado nas passagens anteriores pelo Juízo de Instrução Criminal de Aveiro. Mas ontem, e ao contrário das duas vezes anteriores em que foi ouvido, o presidente da REN tinha motivos para estar apreensivo. (...)

Obs: Penedos já poderia ter aprendido algo com António Vitorino - quando há anos um jornalista Marújo do Púbico inventou umas ilegalidades para entalar o então ministro da Defesa do Governo Guterres. Sucede que mesmo inocente, Penedos poderia ter colhido a lição ético-política de António Vitorino que é simples e se explica numa penada: a saída do Governo, assim como nas empresas, revela as vantagens de quem pede a demissão em relação a quem é demitido.

Na prática, enquanto que a cotação moral, ética e política de António Vitorino disparou no mercado público e privado da credibilidade e do prestígio, a cotação de Penedos desceu no carrossel desse mercado, ainda que, no final do processo, se apure que Penedos é um anjo com 7 asas.

quarta-feira

Aishwarya Rai, Sting, Karunesh, T.Sun

Aishwarya Rai, uma das mulheres mais belas do mundo. Aqui, à distância duma mão, como a vida, como a morte...
Wonderfull Chill Out Music by Karunesh

Triangle Sun - You'll Never Give Up

Triangle sun - Beautiful

O 25 de Novembro... Uma nota para evocar Melo Antunes

O 25 de Nov. assinala a última grande crise politico-militar durante o PREC, a dita fase de excepção do Período Revolucionário em Curso. Tratou-se duma confrontação não-violenta entre militares, uma espécie de "guerra aritmética". Mas o que urge sublinhar nesta data é que enquanto Melo Antunes encontra o Presidente Rumor na Itália para advogar a entrada de Portugal na então C.E.E., Otelo Saraiva de Carvalho visita Cuba, e Costa Gomes nega em Helsinquia, onde participou na Conferência sobre a Segurança Europeia, a ingerência soviética na vida política portuguesa. Provavelmente, se Álvaro Cunhal fosse vivo ainda descobriríamos que o líder carismático do PCP foi o "pai" do neoliberalismo e Jesus Cristo o fundador da Microsoft.
Ou seja, o que importa sublinhar nesta efeméride é, de facto, a visão e qualidade política e moral do tenente-coronel Melo Antunes - que negociou no Luxemburgo (24/09/1975) a entrada de Portugal na C.E.E., o resto é mesmo um resto: um resíduo arqueológico na história política contemporânea portuguesa.

Moby - Extreme Ways

Moby - Extreme Ways

Moby - In this world

Sergio Cotta - O desafio tecnológico -

É hoje ambígua a noção de crise, ela penetra a família, o direito, escavaca a sociedade, mina a sociedade política - leia-se, o Estado - , danifica os valores. É, na sua plenitude, a crise do homem. É perante este desconcerto que hoje tropecei numa obra pequena mas que já tem mais de 40 anos, e, na sua essência, ainda não se desactualizou. Mas apesar de o homem ter sulcado as novas tecnologias que hoje inundam o seu tempo e imaginário, como satélites, sondas e o mais, inaugurando uma situação radicalmente diferente do passado, o tal mundo d' ontem, é o mesmo homem que tem de enfrentar a vida, a morte, o amor, os céus e a terra. E neste "capítulo" a coisa não mudou muito. Trata-se, pois, duma obra antiga, mas actual nas preocupações, pois entre a ciência, a técnica e a produção estabelece-se, por consequência, uma relação contínua de interacção propulsora, que se desenvolve segundo um circuito em espiral progressiva, só é pena é que a Europa de Durão Barroso esteja económica e socialmente destruída pela desarticulação daquela espiral que, à cabeça, deveria servir o bem comum, e não o interesse particular de homens como Barroso que zarparam para a Europa - não para a engrandecer, mas para se engrandecerem a si, ainda que à custa duma Europa que já deu cartas no mundo e hoje não passa dum gigante com pés de barro.

Pura adrenalina

El Camino del Rey [High Quality]

terça-feira

Evocação de Maurice Merleau-Ponty. A força humanizadora da revogação

Merleau-Ponty entende que quando o ser humano se depara com algo diante da sua consciência - ele nota e percebe esse objecto, só depois - mediante a sua consciência perceptiva - ele passa a ter um fenómeno diante de si. A intuição, a imaginação e só depois o conhecimento gerado em torno do fenómeno. Eis o método de M.M.Ponty - que seguiu Sartre para depois se desiludir com ele e seguir o seu próprio caminho, mas isso agora não importa.
O que importa é que o fenómeno humano do nosso tempo é interferido por um aumento do progresso da ciência, mas nem por isso anda associado a melhores condições de vida; as relações entre os homens intensificaram-se, mas nem por isso melhoraram na sua qualidade ética e material. Tudo pequenos sinais (paradoxais) de que nos estamos a afastar da ordem natural das coisas, na sua esfera ética, religiosa e material, e isso representa um perigo para o homem, porque limita a sua autonomia, a sua liberdade.
À partida, esta preocupação parece esquinar com uma preocupação "beata" e redutora mas, na verdade, está muito para além dela, ou seja, o que define o homem, onde quer que esteja, e daí a importância nesta evocação a um filósofo (fenomenologista) algo esquecido, como Maurice Merleau-Ponty - não consiste em criar uma segunda natureza - social, económica e cultural no nosso tempo - , mas passar por cima das estruturas existentes e, a partir delas, criar outras ainda mais sólidas e adaptadas ao novo tempo.
Eis um dos grandes desafios - políticos, sociais e económicos do nosso tempo, seja no espaço intra-societário, seja na esfera da globalidade. Um desafio simultaneamente reflexivo, social e político, e também ético-religioso, já que sem uma força revogadora e humanizadora nada de novo se constrói na ordem social e económica em Portugal. O que implica rever o quadro de relacionamento do Estado com o chamado Terceiro Sector, como Peter Drucker designou.
Ora, é neste colete-de-forças em que estamos que caberá à filosofia um papel social crescente. Seja para reduzir a complexidade do tempo presente, seja para propor alternativas potenciais e modelos de pensamento contrários às interpretações institucionalizadas do mundo moderno e da praxis dominante que o suporta.
Parece, uma vez mais, que cabe à filosofia o papel de "ciência-Mãe", porque é ela que melhor está apetrechada para formular "os porquês" dessa resistência, embora nem sempre esteja em condições de oferecer razões inteiramente convincentes.
Dito isto, regressamos à formulação matricial mais densa em Ponty, por isso aqui o evocamos na boa companhia do sempre amigo, sistemático e reflexivo Acácio: só singramos se formos capazes de desenvolver a capacidade de passar por cima das estruturas criadas para gerar outras a partir delas. E para isso teremos todos de ter a força humanizadora de revogar aquilo que hoje pouco ou nada interessa.
E é tanto...

segunda-feira

Negócios da alma na esquina da eternidade. Ao Mário...

Quando um amigo partilha connosco aquilo que aqui convenciono designar pistas de reflexão que informam os "negócios da alma e do espírito", ficamos um pouco assustados.
Assustados, desde logo, porque a questão metafísica se coloca perante o écran de um computador, e não já num espaço religioso ou na casa de um amigo. Isto significa, à priori, que estamos numa fase da nossa civilização em que Deus desapareceu, a sociedade explodiu (ou implodiu, não sei bem!!), e os valores e princípios que nortearam uma cultura, uma sociedade e uma economia dissolveram-se, fragmentaram-se. De modo que ficámos sem guia, privados de mapa e em busca duma narrativa que sirva para prosseguir um caminho. Mesmo que “um” caminho não seja “o” caminho. Daí a indefinição estratégica dos tempos.
Resta então o quê (!?), senão recuperar um novo culto, em que a comunicação de algo significa por em comum esse algo.
Mesmo que esse “algo” se recorte num paradoxo que consiste no seguinte: concebemos Deus a partir das qualidades humanas e atribuímos-lhe mesmo um poder sobre nós.
Na verdade, somos muito complicados, não somos Mário…
No fundo, o Homem passa o tempo a procurar a verdade que convém à sua realidade. Encontrada essa realidade, a verdade já não lhe convém.
Na vida, compreender é o preço da consolação. O resto é vaidade e vento que passa, como diria o Eclesiastes…

Papa Bento XVI admite que escolher Cristo não garante êxito material

Igreja Católica, tsf
Papa Bento XVI admite que escolher Cristo não garante êxito material
O Papa Bento XVI admitiu hoje durante a oração dominical do Angelus que eleger Cristo não garante o êxito nos termos em que este é concebido na sociedade actual, mas assegura a paz e a felicidade.
«Para qualquer tomada de consciência é preciso fazer uma escolha: a quem seguir, Deus ou o Maligno, a verdade ou a mentira? Escolher Cristo não garante o êxito segundo os critérios mundanos, mas assegura a paz e a felicidade que só ele pode proporcionar», disse o sumo pontífice da sua janela na praça de S. Pedro do Vaticano.
«Isto é demonstrado em cada época pela experiência de muitos homens e mulheres que, em nome de Cristo, em nome da verdade e da justiça, souberam opor-se às ilusões dos poderes terrestres com os seus diferentes matizes e que até selaram a sua fidelidade com o martírio», acrescentou.
O Papa recordou que neste último domingo do ano litúrgico é celebrada a solenidade de Jesus Cristo como rei do Universo, e exprimiu uma «cordial saudação» às comunidades religiosas de clausura, que no sábado comemoraram a jornada «pro orantibus».
Bento XVI teve também palavras para soror Maria Alfonsina Danil Ghattas, nascida em Jerusalém em 1843 no seio de uma família cristã e cuja cerimónia de beatificação tem hoje lugar na sua cidade de origem.
«A beatificação desta tão significativa figura de mulher é de particular conforto para a comunidade católica na Terra Santa e um convite a que confie sempre, com firme esperança, na Divina Providência e na protecção maternal de Maria», considerou o chefe da Igreja católica na sua oração do Angelus.
«A ela cabe o mérito de ter fundado uma congregação formada apenas por mulheres locais, com o objectivo do ensino religioso, para pôr termo ao analfabetismo e melhorar as condições da mulher dessa época na terra onde o próprio Jesus exaltou a dignidade», disse.
Em espanhol, o papa saudou "com afecto" os peregrinos de língua hispânica presentes na praça de S. Pedro, em especial os fiéis das paróquias de S. Tomás Apóstolo e de S. Domingos Savio, da região de Valença (Espanha).
Obs: Digamos que a paz e a guerra começa sempre no coração dos homens, como diria o Papa João Paulo II, tão querido pelos crentes e católicos de todo o mundo. Bento XVI, ao seu estilo, sabe que para crermos nas coisas divinas temos também de crer nas coisas civis, terrenas, de modo que tanto podemos encontrar Cristo sentado numa nuvem a fazer rendilhado atmosférico, como O podemos avistar na esquina da nossa rua levando o saco do pão para casa. Eu, confesso, gostaria de o avistar em ambas as circunstâncias e fazer-lhe umas perguntinhas para as quais ainda não encontrei resposta. Nem quando olho para o céu, nem quando passeio na minha rua. A fé faz milagres. E um dos milagres da vida resulta do facto de podermos caminhar diáriamente na nossa rua.

Marcelo reitera que não é candidato à liderança do PSD

Marcelo reitera que não é candidato à liderança do PSD, tsf
O professor Marcelo Rebelo de Sousa reiterou, esta noite, na RTP, que não será candidato à liderança do PSD e considerou ainda que o calendário para as eleições do partido não deve ser alterado devido à discussão do Orçamento de Estado.(...)

Obs: O douto Marcelo, consabidamente, diz o contrário daquilo que pensa. Essa regra intensifica-se sempre que o comentador disserta sobre o PSD, a sua liderança e a corrida ao cargo de PM e à poltrona de S. Bento. Portanto, arquive-se a proposição do comentador por falta de credibilidade. Poucos são os que hoje acreditam nele.

Arquive-se por falta de interesse e verosimelhança.

domingo

Herman Van Rompuy e Catherine Ashton nomeados para os novos cargos europeus

Bruxelas – Os líderes dos 27 Estados-membros da União Europeia escolheram o belga Herman van Rompuy e a britânica Catherine Ashton para ocuparem os novos cargos criados pelo Tratado de Lisboa. JN
Após muitas divergências, os líderes dos 27 acabaram por escolher dois desconhecidos para os dois cargos mais importantes da União Europeia. Bastou uma hora e meia para que escolhessem o primeiro-ministro belga, Herman van Rompuy, para o cargo de presidente do Conselho Europeu e a Comissária Europeia para o Comércio, Catherine Ashton para Alto Representante para a política externa europeia.
O primeiro-ministro belga era já dado como favorito na corrida para a presidência e embora não tivesse feito muita campanha para a sua eleição afirmou que assume o cargo com responsabilidade. «O papel do presidente pode ser apenas um: de diálogo, de unidade e de acção», adiantou van Rompuy.
Com a desistência de Gordon Brown em fazer força para que Tony Blair assumisse o cargo de presidente do Conselho Van Rompuy teve o caminho livre. Em troca, conseguiu a nomeação de Catherine Ashton para chefe da diplomacia.
Ashton assumiu há cerca de ano e meio a pasta do Comércio no Executivo. A partir de agora irá continuar sob a chefia de Durão Barroso, uma vez que Alto-representante para a política externa da UE será também vice-presidente da Comissão.
Ouviram-se alguns comentários sobre o facto do nome de Ashton não ser o mais indicado para o cargo, uma vez que não tem experiência de diplomacia, mas o facto de ser mulher teve um grande peso na decisão, visto que havia fortes pressões para que um dos cargos criados pelo tratado fosse atribuído a uma mulher.
Herman van Rompuy e Catherine Ashton serão oficialmente designados a 1 de Dezembro, data em que entrará em vigor o Tratado de Lisboa.
Obs: Deseje-se boa sorte aos novos eurocratas, Solana não deixa boa memória na Europa. É como Barroso, serviu-se do cargo para se promover e não engradecer o projecto europeu. E nisto emparelha, lamentavelmente, com Durão barroso. Ambos tiveram uma visão mesquinha$e egocentrica da política, sempre centrada no seu umbigo.

A sociedade Frankenstein: o mau exemplo do PGR e o drama da trivialidade

A sociedade Frankenstein: o exemplo do PGR e o drama da trivialidade
Quando vivemos num mundo absurdo capaz de fabricar, de pensar, de dizer aquilo que pode ser o nosso próprio “duplo” – estamos perante a sociedade Frankenstein. Frankenstein é, assim, aquele que nós criámos, repleto de contradições e incongruências, as quais se alimentam umas das outras para gerar o tal absurdo. Que pode ser pior até do que o “absurdo” de Franz Kafka. A justiça em Portugal, pelo protagonismo do PGR, Pinto Monteiro, é um subproduto social e político da sociedade Frankenstein. Nada funciona na nossa justiça, como sabemos: investigação e apuramento rigoroso dos factos, respeito pelo segredo de justiça, instrução dos processos, delimitação de competências, relações interinstitucionais no seio do aparelho de justiça e assuntos conexos.
Parece até que este PGR existe para demonstrar a existência do absurdo, do vazio, da não-comunicação. Mas nem por isso o dito Pinto Monteiro se reserva a vociferar declarações inúteis, dum tautismo pleno de confusão que baralha ainda mais os portugueses acerca das condições sob as quais a nossa miserável justiça opera.
Basta recordar algumas das aparições e declarações de Pinto Monteiro para se perceber a sua inutilidade. Acerca da sua relação com o STJ, com o Tribunal de Aveiro e conexos, na ligação à sociedade, enfim, com a própria racionalidade. Nada ali funciona, excepto a sua sede de protagonismo para alimentar a sua vaidade pessoal. Parece até que Pinto Monteiro se vê no papel do criador do próprio Deus – que depois se impõe a Ele – como o seu produtor. A conduta de Monteiro é ridícula e gratuita em quase todas as suas tomadas de posição pública. Não acerta uma. Não faz serviço público. Degrada tudo aquilo em que toca.
Perante tanta inutilidade funcional na esfera da nossa justiça, em que tanto teríamos para aprender e construir em prol do bem comum, ajudando as empresas e os cidadãos a dirimir os seus conflitos em direcção à boa sociedade, temos de ver Pinto Monteiro na sua produção diária de inutilidade, a qual se pode definir por uma infinita circularidade. As suas declarações não têm começo nem fim, não existem limites à sua não-comunicação, à sua anarquia de pensamento e acção. O sr. PGR é, ele próprio um mega-factóide, uma não existência, um pseudo-acontecimento que mancha ainda mais a já mui debilitada imagem da justiça nacional.
Souto Moura, o anterior PGR – dava conferências e fazia declarações em andamento, algumas faziam sentido, apesar de ser permissivo às sucessivas fugas ao segredo de justiça. Sobretudo no âmbito do vergonhoso processo casa Pia. O actual PGR não fala em andamento, demonstra a sua inutilidade funcional parado, mas é igualmente permissivo e laxista relativamente às fugas selectivas ao segredo de justiça – que parece estimular. As quais têm por finalidade queimar políticos em lume brando na praça pública. Eis o medo e o poder de ameaça que Pinto Monteiro gosta e quer instilar na sociedade política, ou seja, em alguns titulares importantes de órgãos de aparelho de Estado em Portugal.
O “contributo” de Pinto Monteiro consiste em generalizar o modelo da “sociedade espectáculo” (RGS), em projectar a sua vaidade na caixa negra, em representar um papel numa má peça de teatro, enfim, em embriagar os portugueses que transforma em espectadores e figurantes perante tanta inutilidade – por parte de um órgão jurisdicional que deveria saber defender os cidadãos dos abusos e desvarios do Estado. Daí a violência da contradição da existência funcional e orgânica do actual Procurador-Geral da República, locatário do palácio Palmela.
Numa palavra: o actual PGR, Pinto Monteiro, por ser tão contraditório, incompetente e trapalhão – não deixa aos cidadãos o menor índice de confiança, responsabilidade e liberdade para proteger a sociedade dos abusos do Estado. Já que ele próprio, através do importante órgão que tutela, se tornou no produtor de inutilidade, de violação ao segredo de justiça, fautor de múltiplas injustiças em quase todos os processos que deveriam concorrer para fazer boa justiça em Portugal.
Pinto Monteiro, pelos maus exemplos de que tem sido fautor no aparelho de justiça em Portugal, é hoje o espelho do grande inimigo da democracia. E não o é por causa da sua política selectiva de segredo e ocultação ou intriga, da sua utilização cirúrgica e manhosa da violação ao segredo de justiça para “matar politicamente” o PM e outros agentes do actual Governo, mas sim pela trivialidade, pelo banal das suas declarações, pela falta de rigor dos seus procedimentos. São demasiados aspectos que já deveriam ter levado Pinto Monteiro à demissão.
Como Monteiro não tem um sistema auto-corrector capaz de o ligar à sociedade através de bons procedimentos, transparência, declarações serenas e objectivas que resolvam problemas – ele constitui-se automaticamente num nó górdio que não só escavaca a democracia como denigre o estado de direito.
Pinto Monteiro há muito que é um problema, como um abcesso e um quisto da democracia. Parece ter-se afundado, e o caso Face Oculta – e as escutas ao PM – é apenas mais uma peça da sua incompetência, embora o mais grave resulte das dezenas de situações em que Monteiro foi confuso e pautou as suas aparições na caixa negra apenas como um tributo à sua vaidade.
Estou mesmo em crer que Pinto Monteiro nem sequer sabe o que é Justiça nem leu Sócrates e nada sabe dos escritos de Platão – que o divulgou. Monteiro, no fundo, é um pobre ignorante que teve o azar de ser designado PGR. Se ninguém se tivesse lembrado dele para o cargo, muito provavelmente – todos aqueles que o conhecem ficariam com a impressão de que ele saberia alguma coisa.
Ser PGR foi, em rigor, uma terrível oportunidade para demonstrar a sua inutilidade e infinita circularidade da sociedade Frankenstein de que ele próprio também é fautor.
E isso é mau porque agrava ainda mais a já péssima justiça que temos e ameaça a democracia e o rule of law como se de um cancro se tratasse, pleno de metástases no corpo social do sistema político português.

Pinto monteiro: o pior PGR no pós-25 de Abril.

POR MOMENTOS PENSEI TRATAR-SE DO NOVO ANÚNCIO DA MARTINI, O QUE SERIA UMA DESGRAÇA QUE LEVARIA A MARCA À FALÊNCIA. NÃO É, FELIZMENTE...
Face Oculta
Não existem elementos que justifiquem procedimento criminal contra José Sócrates, diz PGR
O procurador-geral da República (PGR) considerou, este sábado, em comunicado, que nas restantes cinco escutas telefónicas que envolvem o primeiro-ministro «não existem elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal» contra José Sócrates, pelo que ordenou o arquivamento dos documentos.(...)TSF
Obs: O problema de Pinto monteiro não decorre de querer decaptir o PM e o PS juntos por este ter interferido com algumas da regalias medievais daquela corporação. O grande problema de Monteiro resulta da sua impreparação para o cargo, traduzido na sua congénita incapacidade de comunicar as coisas complexas e morosas da justiça numa linguagem simples e objectiva. Numa palavra, o sr. PGR é um grande trapalhão, e a justiça, convenhamos, precisa de tudo menos de trapalhões.
Arranje-se um Lego da justiça no Toys "R" us neste Natal para que o sr. PGR possa brincar como deseja com a imagem das pessoas como se de peças de lego se tratasse.
Pito MOnteiro ainda acaba vítima da injustiça que faz aos outros. Aguarde-se.

O jumento sobre o Edil da capital

MAIS UMA DO ANTÓNIO COSTA
«Continuam as ondas de choque dentro do PS devido às declarações do ministro Vieira da Silva (há uma semana, na Antena 1) considerando "espionagem política" o facto de José Sócrates ter sido interceptado nas escutas dos investigadores do caso "Face Oculta" a Armando Vara.
O facto de Vieira da Silva ter politizado a actuação da investigação criminal suscitou várias críticas internas, inclusivamente dentro do Executivo liderado por José Sócrates e na cúpula da direcção do partido. Alberto Martins, ministro da Justiça, fez saber que se distanciava da declaração. Anteontem à noite, na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), foi a vez de o número dois do partido, António Costa, se mostrar desagradado: "O exercício de certas funções impõe restrições à forma como falamos e como agimos. Um membro do Governo tem especiais deveres de reserva na forma como comenta a actuação de outros órgãos de soberania, designadamente o poder judicial", afirmou, considerando depois que actuações que não respeitam estas regras são "disfuncionais".» [Diário de Notícias]
Parecer:
António Costa está sempre disponível na hora de lhe dar jeito demarcar-se de José Sócrates e desaparece sempre nos momentos de manifestar solidariedade. Enfim, cada um sobe na política como sabe.
Despacho do Director-Geral do Palheiro: «Lamente-se.»
Obs: Em política a linguagem - formal e substancial - é importante. Mas para lá das expressões, existem os factos pidescos que circundam o PM, ou seja, visa-se escutar os amigos pessoais do PM para atingir Sócrates. Neste sentido, algumas expressões são integráveis e/ou desculpáveis no discurso político corrente. E é nos momentos de aperto que o cerco se deve fechar e não abrir, é nesses momentos que se impõe um quadro de solidariedade e não uma lógica disruptiva como quem está na Baixa da cidade a olhar para S. Bento. São estes olhares cínicos que a política humanista deve evitar.

sábado

Queen - We are the champions, live

Morreu Jorge Ferreira, o político frontal e generoso

in Público

Jorge Ferreira, 48 anos, morreu esta manhã, em Lisboa, vítima de doença prolongada. O velório realiza-se hoje, a partir das 20h00, na igreja da Penha de França, em Lisboa. E o funeral sai amanhã, às 15h00, da igreja para o cemitério de Oeiras.

Na passada semana enviou aos seus alunos do Instituto Politécnico de Tomar, onde dava aulas há dez anos, uma carta de despedida. E no blogue que criou em Dezembro de 2006, o último texto que escreveu (sobre os cálculos do Governo para o défice deste ano) data da última quinta-feira, dia em que publicou 11 “posts”.

Através deste blogue, que actualizava quase diariamente, os leitores ficaram a conhecê-lo um pouco melhor: gostava dos Queen, de coleccionar postais antigos, e do filme “Era uma vez na América”, de Sergio Leone.

O activismo político deste advogado teve início nos movimentos associativos estudantis. Seguiu-se a Juventude Centrista (JC), onde conheceu Manuel Monteiro, e depois o CDS-PP. Durante a liderança de Monteiro ocupou as funções de vice-presidente do partido e, entre 1996 e 1998, foi líder da bancada parlamentar. “Já nas reuniões da JC nunca se preocupava em ter votos ou palmas, mas antes em dizer a verdade. E fez o mesmo no Parlamento”, recorda Monteiro. Que diz ter partilhado com Ferreira uma “lealdade” e uma “cumplicidade” singulares na política nacional. “Eu não perco um amigo; perco o amigo. Deu-me muito mais a mim do que eu a ele.”

Foi quando Ferreira liderava o grupo democrata-cristão que Maria José Nogueira Pinto se estreou no Parlamento, tendo sido a sua sucessora na presidência da bancada. “Foi extremamente generoso porque ensinou-me e explicou-me tudo na fase de transição”, afirma. “Tinha um feito muito especial. Era frontal e impulsivo”, lembra, sublinhando que “são pessoas assim que fazem falta.”

A frontalidade e a generosidade de Ferreira são também evocadas por Miguel Relvas, o social-democrata que, nas autárquicas, reencontrou-se com o seu amigo na corrida à câmara de Tomar – Relvas foi candidato à Assembleia Municipal, e Ferreira encabeçou o movimento independente “Tomar em primeiro lugar”. “Muitos dos seus adversários”, diz, “confundiam a sua frontalidade com uma atitude belicista, mas ele era muito generoso”.

Obs: Foi uma notícia triste e injusta. Jorge Ferreira, como o escrevi aqui há anos, foi um deputado eficiente, estruturado, combativo e frontal. Tinha um blog, o Tomar Partido - interessante que seguia sempre que podia, pensava e escrevia bem. É uma perda na flor da idade. Daí a injustiça ser maior, por isso deixamos aqui uma singela palavra em sua homenagem. Que descanse em paz. Tomar Partido, o blog de Jorge Ferreira

O Governo vai apresentar um Orçamento de Estado rectificativo para 2009, cujo défice estará calculado em 8% do produto interno bruto (PIB), de acordo com as declarações de Teixeira dos Santos no final do Conselho de Ministros de hoje.

A sobrevivência da civilização - por Anselmo Borges -

Leszek Kolakowski morreu no dia 17 de Julho último, em Oxford. Era pouco conhecido entre nós, mas foi um filósofo ilustre. Nasceu em Radom (Polónia), em 1927. Partidário de um "marxismo humanista", foi expulso do Partido comunista e da cátedra universitária, por causa da oposição ao regime e luta pela liberdade. Deixou o país e leccionou em Universidades afamadas, como Oxford, Yale e Berkeley. "Correntes principais do marxismo" é uma obra fundamental para conhecer o marxismo, que considerou uma religião secular.
Pouco antes de morrer, o alemão DIE WELT entrevistou-o. Fica aí uma síntese da entrevista.
As profecias racionalistas sobre a religião mostraram-se falsas. "Não conto com a morte da religião nem de Deus. O país tecnologicamente mais desenvolvido do mundo, os Estados Unidos, não é de modo nenhum o mais secularizado. A secularização, longe de conduzir inexoravelmente à morte da religião, levou à busca de novas formas de vida religiosa. Nunca se chegou à vitória iminente do reino da razão. Nem só de razão vive o Homem."
Um admirável mundo novo, tecnologicamente avançado, no qual a Humanidade esquecesse "a sua herança religiosa e a sua tradição histórica" - por isso, sem fundamento para captar a sua própria vida em conceitos morais -, significaria "o fim da Humanidade". Aliás, "é sumamente improvável que a Humanidade, privada da sua consciência histórica e das suas tradições religiosas, por serem tecnologicamente inúteis, pudesse viver em paz, satisfeita com as suas conquistas".
A razão disso está em que os desejos do Homem não têm limites: "Podem crescer incessantemente, numa espiral sem fim de avidez." Mas, uma vez que o nosso planeta é limitado, somos forçados a limitar os nossos desejos. Ora, sem uma consciência dos limites, que "só pode provir da história e da religião", toda a tentativa de limitá-los "terminará numa terrível frustração e agressividade", possivelmente em grande escala. "Todas as tradições religiosas nos ensinaram ao longo de séculos a não nos vincularmos a uma só dimensão: a acumulação de riqueza e ocuparmo-nos exclusivamente com a nossa vida material presente." Assim, "a sobrevivência da nossa herança religiosa é condição para a sobrevivência da civilização".
A mais perigosa ilusão da nossa civilização consiste em o Homem pretender libertar-se totalmente da tradição e de todo o sentido preexistente, para abrir a perspectiva de uma autocriação divina. Esta "confiança utópica" e esta "quimera moderna" de inventar-se a si mesmo numa perfeição ilimitada "poderiam ser o mais impressionante instrumento do suicídio criado pela cultura humana". É que, "quando a cultura perde o sentido do sagrado, perde todo o sentido".
A religião não deve entrar no lugar que pertence à ciência e à técnica. Ela surge de outra dimensão, que "nos capacita para conviver com o fracasso, o sofrimento e a morte". Ela é o caminho que nos leva a "aceitar a derrota inexorável". Para a Humanidade, não há a última vitória, já que, "no fim, morremos".
Não se fundamentam os valores éticos na razão? "Evidentemente, os indivíduos podem manter altos padrões morais e ser a-religiosos. Mas duvido de que também as civilizações o possam fazer. Sem tradições religiosas, que razão haveria para respeitar os direitos humanos? Vendo as coisas cientificamente, o que é a dignidade humana? Superstição? Do ponto de vista empírico, os homens são desiguais. Como justificar a igualdade? Os direitos humanos são uma ideia a-científica."
As normas morais não podem assentar apenas no medo, segundo o modelo de Hobbes. Até certo ponto, "estamos programados instintivamente para a conservação da espécie". Mas não se pode esquecer que "a história do século passado mostrou inequivocamente que podemos, sem grandes inibições, aniquilar membros da nossa própria espécie. Por isso, precisamos de instrumentos de solidariedade humana, que não assentam nos nossos instintos, interesses próprios ou violência". "A falta da dimensão da Transcendência enfraquece o acordo social."
Obs: Divulgue-se o pensamento deste filósofo que partilhou ideias com tanta gente que nunca lhe soube retribuir. Agradeça-se a L. Kolakowski o seu excecpional, inovador e fecundo pensamento - que contribuíu para "ler" o marxismo com novas e mais flexíveis lentes. Em boa hora o Pre. Borges se lembrou de sublinhar o essencial, aquilo que é permanente e duradoiro.