terça-feira

Lamborghini Gallardo com tracção traseira. Parabéns a Balboni..

A Lamborghini apresentou uma edição especial e limitada do Gallardo, chamada LP 550-2 Valentino Balboni. Tal como a designação indica, trata-se de uma versão dedicada a Valentino Balboni, piloto de testes da marca durante 40 anos.
Este Gallardo apresenta a particularidade de contar com tracção traseira e o seu motor de 5,2 litros e 10 cilindros debita 550 cv de potência ao invés de 560 cv, como no LP560-4. Com um peso de 1380 kg, o LP 550-2 acelera dos 0 aos 100km/h em 3,9 segundos e atinge uma velocidade máxima de 320 km/h.
A produção do Lamborghini LP 550-2 Valentino Balboni será limitada a 250 unidades.

Obs: Dê-se os parabéns a Balboni e proceda-se à encomenda de um exemplar para esta morada e envie-se a conta para incertos. Alguém há-de pagar (ou "hádem", como diria o outro).

Massive Attack - Live With Me e Jamiroquai

Jamiroquai, You Give Me Something

Jamiroquai, Love Foolosophy

Ferreira leite e o cúmulo da estupidez: pressiona sem saber que o faz

in TSF
Manuela Ferreira Leite falava a propósito das declarações do presidente do conselho de administração da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro, publicadas hoje pelo jornal i, que a presidente do PSD disse não ter lido.
«Já parecem esquecidas as tentativas de intervenção do governo do PSD na Lusomundo Media, que levaram à minha demissão», observou Henrique Granadeiro, citado pelo jornal i, referindo-se à sua saída, em 2004, da presidência executiva da empresa do grupo PT que agrupava os meios de comunicação TSF, DN, JN, 24horas e Tal&Qual. Questionada pelos jornalistas sobre estas declarações, a presidente do PSD disse não saber a que se referia Henrique Granadeiro, mas admitiu que, se houve pressões por parte do PSD, então trata-se de algo errado.
«Se o PSD fez isso, só tem que considerar que fez mal e não é pelo facto de algum dia termos feito alguma coisa mal que eu posso deixar de criticar outra coisa que é feita mal», considerou.
A líder do PSD acrescentou que, pela parte que lhe toca, não pressiona nem gosta de ser pressionada. (...)
Obs: Será que um dia alguém no seu juízo desejaria pressionar Ferreira leite, e a que propósito, em que termos...
As dúvidas acerca desta senhora nem sequer são de natureza política, mas metafísica, ligadas à existência.
Pergunto-me se ela existe ou se é apenas um simulacro d' alguém falho de tudo que caíu nas estreitas ruas da Lapa em busca duma narrativa para o guião da sua existência. Alguém lhe deve ter dito que o psd seria a plataforma ideal que funcionaria como divã do psicanalista.
Leite "dirige" um partido que pressiona sem saber que o fez. Aliás, todos os partidos já o fizeram, directa ou indirectamente, e por maioria de razão o psd.
E até mesmo aqueles, como o cds/pp, que estando na oposição (e em minoria) mas dirigindo jornais, vide o caso do Indy ao tempo de Paulinho Portas, foram aqueles que servindo-se dos media mais contribuíram para atacar o poder, num caso de inversão do exemplo - apenas para ilustrar que a presssão, o condicionamento, a chantagem são instrumentos de trabalho recorrentes em certos meios.
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Os Contemporâneos - Manuela Ferreira Leite

Contemporâneos - Gafes:Manuela Ferreira Leite

Breves ao Notas Soltas de António Vitorino na RTP1

Ontem António Vitorino sistematizou alguns dos factos da semana de que aqui procuramos muito sumariamente reinterpretar.
Ainda que na política à portuguesa - uma evidência que remonta ao tempo do cavaquismo, se detecta um desvio entre o anunciado e o realizado, ou seja, entre o que Belém pensa e diz enquanto tal, e o que Belém dizia ao tempo do cavaquismo - enquanto o actual locatário de Belém era PM.
Dito isto, e tomando como referência o que o analista AV ontem sistematizou, deixo aqui algumas notas para ulterior reflexão.
A saber:
1. Cavaco aceitou contrariar-se através do agendamento das eleições legislativas num acto eleitoral distinto do das eleições autárquicas. Foi esse o sentir dos partidos auditados por Cavaco, foi essa a decisão de Belém, embora Cavaco quisesse fazer o seu habitual número predilecto: o tábu. Um tábu que anulou o efeito de arrastamento que, à partida, interessaria muito a Ferreira leite - que pensou que se os dois actos eleitorais fossem em simultâneo o psd beneficiaria com mais uns votinhos manhosos, captados em resultado do tal efeito de arrastamento ou do sistema de vasos comunicantes - que, em rigor, imputa(ria) um verdadeiro atestado de estupidez ao povo português. Mas essa é a crónica relação que a srª Ferreira mantém com o leitorado.
2. As sondagens são, cada vez mais, dada a framentação sociológica, um exercício pantanoso dada a dificuldade em arrumar e redistribuir os indecisos, o que baralha as previsões eleitorais e converte as sondagens em exercícios de magia.
3. Ferreira leite esteve mais à vontade, mais conversadora, não cometeu nenhuma gaffe e cavalgou a onda da tvi e do não ao TGV - aproveitando uma sondagem aos portugueses em que a vontade aí expressa é a de adiar o investimento. O que revela que leite afirma-se pela negativa, pois nenhuma ideia estruturante para o país alí se identificou.
4. Caberá ao PS desenhar novas propostas de políticas públicas e diferenciar-se do abismo e da ausência de ideias e propostas do actual psd, de resto a srª Ferreira, para afirmar o seu legado democrático - já disse que se for governo (credo!!!) fará tudo diferente do PS, excepto a reforma da Segurança Social. Já é alguma coisa... Infelizmente, o PS não poderá dizer o mesmo, reconhecendo uma única ideia a Ferreira leite. E não será por maldade, certamente!!!
5. Os indicadores de investimento e de consumo do INE - ainda que algo positivos estão longe de gerar um turn-over na actual crise, embora seja positivo esta alteração de percepção face à economia, sendo certo que o emprego é actualmente o problema n.º1 da economia nacional. Infelizmente, o manifesto dos 28 assim não o entendeu, o que revela que os economistas agora também estão apostados em andar por aí a fazer política-partidária, e alguns com muito pouco jeito. Depois até serão esquecidos como economistas. É mais um sinal dos tempos.
6. O dossier TVI e a aquisição do capital da Media Capital pela PT - mostrou como o governo esteve mal, objectivamente mal e trapalhão, com Mário Lino a fazer das suas, ou seja, contradições. Desde que se ligou essa aquisição à substituição da linha editorial da estação de Queluz e à dispensa de Moniz do cargo que ocupa - o governo ficou sem espaço de manobra para fazer o que quer seja. Se bem que do ponto de vista da estratégia empresarial faz sentido a PT ter uma estação a fim de potenciar os seus conteúdos e competir com a Zon num mercado cada vez mais agressivo.
De resto, também faz sentido - em termos de racionalidade empresarial - a PT entrar no capital espanhol - porque é também essa a aposta da Telefónica nas empresas portuguesas. Mas o mais curioso em toda esta trapalhada é que Moniz concordou com os termos do negócio e até ficaria no cargo que actualmente ocupa.
Quanto à restante trapalhada deste dossier quente, atrevo-me a dizer que ela foi de monta pelo facto de AV se encontrar no estrangeiro, e estando abroad parece que o governo fica privado de ajuda e de conselho inteligente e entra em remoinho e acaba por espalhar-se. Numa palavra: AV não pode estar fora muito tempo, estando o governo entra em regime de auto-trapalhada...
Sugira-se, pois, a AV que, doravante, não se ausente do país por mais de 24h. Ainda assim, quando se comparam os lapsos do Governo com a possibilidade tenebrosa de Ferreira leite ser governo os portugueses não deverão pensar duas vezes e investir em Sócrates.
7. Esta questão correlaciona-se com a Golden share que o Estado ainda detém na PT e que está em contradição com a doutrina jurisprudencial do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias. Posição que não se compreende a partir do momento em que tais empresas já não se encontram em regime de monopólio, mas sim aberta às regras do mercado competitivo, o que obrigará de futuro à identificação de soluções mais criativas e menos impositivas na relação do Estado com o sector empresarial em que, directa ou indirectamente, ainda detem participações.
Estranho, ou talvez não, é a circunstância de Ferreira leite levantar o braço e Cavaco, no take seguinte, estar a movimentar a orquestra - falando na transparência da PT.
Ou seja, Cavaco segue a sua pupila, e se dantes era Ferreira leite que servia de porta-vox não autorizada de Belém, parece que agora os termos da relação se inverteram, cabendo a Cavaco ser o porta-voz oficial da actual comissão liquidatária do PSD - com o intuito de ajudar a srª Ferreira a ser alguém na vida política nacional.
Por razões óbvias, não o conseguirá.

Princess - Say I'm your Number 1

Princess - "After The Love Has Gone" (1985)

segunda-feira

Plano de mobilidade eléctrica

Imagem picada por nós na rede.
Governo anuncia hoje plano da «Mobilidade Eléctrica», in DD
O Governo lança oficialmente esta segunda-feira o Programa para a Mobilidade Eléctrica, uma das primeiras da Europa, que prevê uma rede com 320 locais de abastecimento de carros eléctricos em 2010 e 1 300 daqui a dois anos.
O objectivo da rede, revelada no dia 16 pelo ministro da Economia em Londres, é minimizar a dependência energética do país e também as emissões de carbono.
Na ocasião, Manuel Pinho declarou que a rede - que segundo o governo permitirá a criação de 22 mil postos de trabalho - será desenvolvida por uma empresa portuguesa, mas recusou-se a revelar o nome.
A primeira rede nacional deste género foi iniciada por Israel, seguida pela Dinamarca no final de Maio.
O alargamento da rede (com 1.300 postos de abastecimento previstos em 2011) deverá coincidir com o lançamento dos automóveis eléctricos produzidos pela aliança Renault Nissan, com a qual o governo assinou um protocolo em Julho de 2008.
Paralelamente a esta rede, o executivo português prevê conceder aos proprietários de carros eléctricos incentivos fiscais como a isenção do imposto de circulação e benefícios fiscais no IRS.
Obs: Uma boa notícia no plano económico, ambiental e ao nível da revolução dos transportes e da mobilidade. Os ganhos ambientais e qualidade de vida para as cidades, em virtude da poluição de que nos veremos livres, é, de per si, um ganho substancial para o próprio planeta. Uma boa notícia, portanto.

sábado

Evocação de Amália Rodrigues: um valor permanente. Amália Hoje - Gaivota (VIDEOCLIP)

Amália Rodrigues é um valor permanente no capital simbólico nacional. Transcendeu-se, vive para lá da sua própria existência física, excepcionalidade só reservada a alguns. Hoje, perante a mesma letra, embora com um registo e um arranjo musical diferente, constatamos que o produto final acaba por ser diferente. Provavelmente, os contemporâneos de Amália optaram pela versão original, os da geração mais recente identificar-se-ão mais com a versão actual. Aqui também preferimos esta - embora prestando o tributo à matriz.
Amália Hoje - Gaivota (VIDEOCLIP)

Amália Rodrigues "Gaivota" Live

Nicola Conte

Nicola Conte - Like Leaves In The Wind ( clip colour )

sexta-feira

A transparência segundo Cavaco silva - pelo Jumento -

A PT decidiu equacionar a hipótese de comprar a Media Capital e Manuela Ferreira Leite não perdeu tempo, insinuou a o envolvimento de Sócrates com o objectivo de se livrar da família Moniz que, como se sabe, tem sido o “abono de família” da líder do PSD. Compreende-se que os partidos da oposições levantem questões e nos últimos tempos deixaram de respeitar as empresas privadas, Jerónimo de Sousa meteu-se na Autoeuropa fazendo perigar o seu futuro e Manuela Ferreira Leite atacou a PT e a Media Capital. Num país onde deixou de haver princípios a direita aproveita-se do jornalismo rasca, a esquerda conservadora faz tudo para agravar a situação económica do país, os votos tudo justificam.
O Presidente da República poderia ter ficado de fora, fazendo de conta que respeita a sua promessa de cooperação estratégica, mas o petisco era tão apetitoso que não resistiu à tentação, mal os outros partidos alinharam com Ferreira Leite sentiu-se em condições para evitar a crítica do alinhamento com a líder do seu partido. Mas Cavaco não se limitou a pedir explicações, usou a necessidade de transparência nos negócios de que se tanto fala desde que deflagrou a crise financeira.
Ora, Cavaco nem é presidente da assembleia de accionistas da PT nem do regulador da concorrência e, como é óbvio, a referência a transparência pode ser interpretada e é entendida por muitos portugueses como uma insinuação em relação ao primeiro-ministro, uma insinuação de que o governo mandou a PT comprar a Media Capital para se livrar da família Moniz. O que Cavaco fez foi dar força institucional a uma insinuação de Manuela ferreira Leite, diria que a líder do PSD espirrou e Cavaco constipou-se.
Isto é grave, um Presidente da República que em vez de pedir explicações ao primeiro-ministro vem a público quebrar todos os laços de solidariedade institucional e lança insinuações sobre a gestão interna de uma empresa privada sabendo que essa insinuação vai ser interpretada como uma insinuação sobre a actuação do primeiro-ministro, é um Presidente da República que intervém no processo político não hesitando em provocar uma crise política num momento de grandes dificuldades para o país. É a irresponsabilidade levada ao mais alto nível.
Mas já que Cavaco Silva fala de transparência nos negócios é bom recordar que o seu negócio de acções da SLN é um péssimo exemplo de transparência nos negócios privados de um político, o argumento de que não estava no activo não pega, o célebre artigo em que designou Santana Lopes por “má moeda” é a prova de envolvimento activo na política. É também um péssimo exemplo de transparência nos negócios de um banco, Cavaco ganhou muito dinheiro ao confiar as suas poupanças a um banco gerido pelos seus antigos subordinados, poupanças que serviram para comprar e vender acções da empresa dona desse banco, acções que não estavam cotadas pela bolsa e cujo valor foi arbitrariamente fixadas por um burlão que está preso e sobre o qual recaem suspeitas de fraude de valor superior a mil milhões. Mas nesta república das bananas parece ter-se abandonado o mais elementar princípio republicano, o de que todos os cidadãos são igual perante a lei, tratamos o Presidente da República como se fosse um Rei-Sol.
Se tivesse sido Sócrates a fazer este negócio ficaria sob suspeita, seriam analisados os negócios com acções de todos os seus familiares, até ao quinto grau de parentesco. Mas como foi Cavaco Silva e a filha a fazerem um negócio de lucro fácil e altamente lucrativo (que bom seria se todos os portugueses tivessem podido duplicar as suas poupanças num ano) não mereceu grandes críticas, bastou a Presidente fazer um “choradinho” público para o assunto ficar encerrado. Nos Estados Unidos um presidente pode ser posto em causa, mas nesta democracia de pacotilha o Presidente está acima de tudo, não pode ser questionado, como se a democracia dependesse do seu bem-estar. Em qualquer país com uma democracia a sério em vez de estar a falar da transparência nos negócios da PT, Cavaco Silva estaria a enfrentar um processo de demissão compulsiva na sequência do seu negócio estranho e altamente lucrativo com acções da SLN.
Para Cavaco Silva transparência é afirmar publicamente a inocência de Dias Loureiro, um dos ex-homens fortes do BP e, usando a mesma via, lançar insinuações sobre a PT e, pelo menos de forma indirecta , lançar insinuações sobre actuação do primeiro-ministro. Para Cavaco Silva a amizade pessoal parece ser mais importante para o país do que a lealdade institucional.
Obs: Divulgue-se pela lucidez e abrangência da análise. Vale a pena ser enviado para Belém, quem sabe assim o sr. PR se revê no reflexo decadente e triste (e institucionalmente virulento, além de desleal) que aqui é realisticamente tratado.
E como por vezes costumo receber uns mails metendo a minha morada num role doutros ilustres que pouco ou nada me dizem, todos ligados ao cavaquismo, talvez eu próprio o entregue ao ch. da casa civil para que ele perceba o que é fazer análise política em Portugal e não se brinque aos processos de tomada de decisão que de decisão nada têm, apenas de guerrilha política em que o PR não hesita em tomar partido pela directora da actual comissão liquidatária do partido da Lapa.
Da próxima vez que o sr. Cavaco e Silva se candidatar a Belém terá logo um role de portugueses a apontarem-lhe o dedo de que não pode (ou não soube ou não quis) observar o princípio para imparcialidde e da equidistância entre os demais órgãos de soberania e não andar por aí, como o outro.., a fazer fretes à pior directora do psd depois de santana lopes.

Blackout - Kika Santos -

Blackout - Vá Vem

Kika - Fina Flor

Dubai Chill House Grooves

Dubai Chill House Grooves

Wonderfull Chill Out Music by Karunesh

Homens Voadores Karunesh-Inshallah

Dream On - Café del Mar

O manifesto - por António Vitorino -

in DN,
o sublinhado é nosso.
Os ditames da mediatização da actividade política e a procura de diferenciação de projectos, particularmente intensa nos períodos eleitorais, tende sempre a levar à simplificação da mensagem dos protagonistas políticos.
Ponderando o debate pré-eleitoral, até parece que a próxima eleição parlamentar se resume a um referendo sobre o projecto do TGV ou, quando muito, sobre um conjunto de grandes investimentos em infra-estruturas.
Esta estratégia tem como corolário a afirmação de que "o" problema do País é o endividamento.
A uma tal postura contrapõe-se à dos que defendem que "o" problema do País é o desemprego. Acrescem os que entendem que "o" problema é a produtividade, os que "o" identificam na competitividade, os que "o" vêem na degradação ambiental e por aí além…
Todos têm assim a sua quota-parte de razão, ou de verdade, se quiserem.
Só que governar não é apenas escolher "um" problema e definir uma estratégia para o abordar. Do bom governo exige-se mais. Exige-se que identifique os vários problemas, defina as suas prioridades e apresente um rumo que, respondendo a eles, seja explícito quanto às implicações das soluções encontradas para cada um deles.
Na semana passada, um manifesto de 28 economistas aderiu à tese da dominância do endividamento. Tratando-se de uma operação política que visava travar decisões do actual Governo sobre a alta velocidade, o novo aeroporto e as auto-estradas ainda não adjudicadas, o seu impacto acabou por ser limitado pelo facto de o próprio Governo ter decidido adiar alguns dos actos que estava suposto praticar neste período que nos separa das eleições legislativas.
Sem embargo, a preocupação dos seus promotores foi o de ser abrangente na lista de subscritores. Por isso reuniu aqueles que têm um preconceito ideológico contra o investimento público aos que são apenas favoráveis ao aeroporto, mas contrários ao TGV, os que aceitando ou o aeroporto ou o TGV entendem que neste momento tudo deveria ser adiado para o período pós-crise e ainda os que mesmo aceitando a alta velocidade discordam da prioridade da ligação europeia.
O denominador comum entre tal diversidade foi a decisão de parar para reflectir, o mesmo é dizer, adiar qualquer decisão. Logo, a inércia seria a solução!
Até se percebe em que medida é que tal tomada de posição pode ter ressonância na opinião pública. Avessos ao risco em geral, não decidir é não correr riscos.
Mas a verdade é que as não soluções nunca resolveram nenhum problema. Com efeito, a recessão também pode reduzir o défice externo, porque, como sucede por exemplo em Espanha, se a quebra da actividade económica interna for maior no seu impacto na redução das importações do que no volume das exportações, o défice diminui. Mas ninguém no seu juízo recomenda as virtudes da recessão para reduzir o endividamento… De igual modo, uma retoma marcada por uma espiral inflacionista também pode levar a uma diminuição do peso da dívida, mas ninguém pode construir um programa responsável preconizando tal solução marcada pelo agravamento das desigualdades e das condições de vida.
Por isso, o que teria sido interessante, e até mais útil, seria que tão grande massa de qualificados economistas nos tivesse dado mais do que um conselho de nada fazer uma grelha de análise dos investimentos que pretendem avaliar.
Ninguém pode negar que a estratégia de resposta ao endividamento é uma questão crucial para o desenvolvimento futuro do País. O impacto dos grandes investimentos na dívida depende do modelo de financiamento dos projectos, do seu impacto na competitividade do País, dos ganhos em matéria ambiental sabido o peso da factura energética nesse défice externo. Nada disto transparece no manifesto.
Por outro lado, o impacto no emprego não constituirá também um elemento a ter em conta nesta avaliação? Mas não seria mais útil que tão reputados economistas tivessem aproveitado a oportunidade para nos demonstrar que o que não se gastaria nesses investimentos poderia ser directamente imputável a outros sectores com valia acrescentada em matéria de emprego? É que nesta fase de recessão passar ao lado da questão do emprego constitui uma cedência à simplificação da mensagem incompatível com os pergaminhos invocados pelos autores do manifesto.
Obs: Ao poder de coligação negativa da massa qualificada de economistas constante no "manifesto", à "soberania" vazia do endividamento molecular da srª Ferreira segundo o qual não há dinheiro para nada (excepto para o cabeleireiro), o país real ficou a saber que o actual psd governaria não governando, tomaria soluções para os problemas sectoriais adiando todas essas decisões e que os afamados economistas do embargo utilizam o seu talento ... não para jogar mas para impedir que outros joguem.
Ou seja, não jogam nem deixam jogar.
E o mais curioso é que há dias António Vitorino sugeriu à srª Ferreira que pensasse no seu programa de direita liberal para o país, o resultado foi aquela entrevista-maravilha a Ana Lourenço na Sic/N., em que todos ficámos a saber as componentes do projecto político do psd para Portugal: Paulo rangel é muito bom, Santana para Lisboa..., ainda pensei que a madrinha de António Preto pensasse nele para ministro dos Transportes e Comunicações - a fim de facilitar as licenças nas Escolas de Condução no contexto do jogo da mala que fronteira com a corrupção e com o financiamento partidário e ao pagamento de quotas.

Recuperação de Rod Stewart, outro diamante sonoro do séc. XX

Rod Stewart - Do you think I'm sexy

Rod Stewart-Baby jane

Quando se começa a coligir os "monstros" musicais do séc. XX percebe-se que M. Jackson era uma referência, mas outras houve que, porventura, marcaram mais e de modo mais saudável a música desse tempo de guerra fria - em que o mundo era mais previsível, sabia-se quando as guerras começavam e terminavam, e Rod Stewart sempre foi um músico com personalidade, fez boa música, gosta de mulheres interessantes, praticou futebol e deixou um lastro musical de referência. Além disso, nunca quis ficar negro por desgostar da sua origem ou identidade deixando um traço simultaneamente de normalidade e de superioridade que outros não conseguiram ter. Por isso aqui o evocamos, e é bom saber que está vivo...

Juntos na política à portuguesa. Juntos por tudo e por nada... Evocação de António Variações

Juntos no partido da lapa
Juntos no Estatuto dos Açores

Juntos na concepção de modernização e desenvolvimento (paroquial) do país

Juntos no apoio aos amigos do BPN

Juntos no apoio ao Moniz, director da estação de tv que pior jornalismo produz em Portugal, qual Paulo Portas de Sócrates - agora em versão imagética de Queluz

Juntos na idade e na cosmovisão, pobrezinha e paroquial - faltando mundo, pensamento e reflexão a ambos

Juntos no fatalismo e no apoio ao santana lopes a Lisboa, afinal ele já não é a má moeda. Que vergonha este volte-face...
Juntos por tudo e por nada...
Juntos no vazio do abismo nesta antecâmara da morte do pensamento político em Portugal cujas linhas febris unem dois pontos que vão da Lapa a Belém.
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Antonio Variações - o corpo é que paga ( semi-original )

L'Animateur - The Animator - Der Trickzeichner

L'Animateur - The Animator - Der Trickzeichner

Crise

Chris Botti-Good Morning Heartache (feat. Jill Scott

CHRIS BOTTI

Michael Jackson - Billy Jean (LIVE,BUCHUREST,1992)

Evocação de Michael Jackson. Partiu cedo mas deixou um imenso legado

Michael Jackson - Thriller live (1987)

Michael Jackson Dangerous

Michael Jackson - Beat It

Michael Jackson smooth criminal concert

quinta-feira

Duas imagens da República em contexto eleitoral

Imagens Jumento
Pode ser Santana a encenar o seu putativo papel como mandatário de Cavaco às pesidenciais (num eventual 2º mandato). Houve quem dissesse que Lopes estaria a mudar a água às azeitonas, mas também poderia ser uma sessão de brainstorming ou mesmo uma cena espírita.

Pode ser uma campanha desenfreada para secar a venda de sofás e congéneres no Ikea, Conforama e Moviflôr - passe a Pub. Em contextos eleitorais vale tudo para tirar o pêlo ao adversário.

Tudo, mas com alguma ética, bem entendido!!!

O deleite de Cavaco: mais um tabuzinho com tiques post-modernos

O sr. PR não consegue esconder um indisfarçável deleite sempre que sente que apanha o governo na curva. Desta vez não se trata de explicar como comprou e vendeu acções da SLN/BPN, tratou-se antes de recordar ao governo que lhe cabe formalmente agendar as eleições autárquicas, reservando-se Belém o agendamento das eleições legislativas. E neste truque do tempo contraído (manhoso) pode residir o agendamento simultâneo dos dois actos eleitorais, o que só beneficiaria artificialmente o psd e a sua pupila, a srª Ferreira. Cavaco, na prática, não deixa de manipular - ainda que subtilmente - os mecanismos psico-políticos que primem as molas da pré-decisão tentando, assim, como é seu apanágio, ajudar o psd e a sua líder a ser alguém na política em Portugal. Agora só falta a Cavaco ir aos comícios da sua pupila, com sorte ainda puxa pelo nome de Santana Lopes, que cunhou de má moeda em 2004, ou seja, classificou de mau político e que agora - por via da sua pupila - apoia indirectamente. As voltas que a vida dá...
Ainda veremos Cavaco convidar Santana para seu mandatário de campanha num eventual 2º mandato no Palácio Rosa.
Será o tábu do tábu, ou seja, porque há coisas (e pessoas que não mudam) a velha tristeza de sempre...

Moniz é o "novo Cristiano Ronaldo" de Ferreira leite. Notas miseráveis desta republicazinha

Ontem na SIC/N. percebeu-se, perante a ausência total de ideias e de projecto político de Ferreira leite e do actual PSD para Portugal, que Moniz é uma espécie de Cristiano Ronaldo da Lapa, que serve de mola propulsora para relançar o psd nas legislativas e, assim, procurar ganhar na secretaria o que não consegue conquistar no terreno político. Até porque o valor do "passe" de Moniz é exorbitante, superior até ao de Ronaldo do Manchester para o Real Madrid.
Mas seria uma grande estupidez política associá-lo
a um telecomando do actual PM, e não, como é suposto, correlacioná-lo ao péssimo jornalismo que a família Moniz tem praticado, aos magros resultados (empresariais) em termos de share de audiências e de receita publicitária.
De facto, a manutenção daquele elefante branco informativo é mau para os espanhóis da Prisa, que agora concluem que fizeram um péssimo negócio e estão a perder rios de dinheiro,
por isso não é de admirar que queiram vender a sua posição à PT ou a qualquer outro investidor interessado.
Ou seja, mais escandaloso do que o valor da transferência de Cristiano Ronaldo só mesmo o passe deste player da tvi, e pior do que aquelas duas referências para a civilização contemporânea, só mesmo uma senhora idosa perdida na Lapa, em busca dum papel, duma narrativa, dum guião para executar.
E ninguém aceitar ser o seu realizador.
Nem com o Moniz, que é o novo Cristiano Ronaldo de Ferreira Leite, este PSD lá vai...
Pergunte-se a Ferreira Leite se já arranjou um advogado à altura para o seu constituinte..., ou se será a actual comissão liquidatária da Lapa a assumir esse papel.

O tempo ou a espera

Todos temos uma agenda que não serve para nada: se estou a ver um filme penso que poderia estar no teatro; se estou em Lx penso no Alentejo, se estou na aulas lembro-me que poderia estar a fazer desporto; se estou a ler penso que devia estar a escrever, se não fizer uma coisa nem outra lembro-me que poderia estar na tal reunião. O tempo é o bem mais precioso que temos, talvez até mais do que o dinheiro. E à medida que a pressa aumenta é mais difícil dar-lhe um rumo. No fundo, o tempo é uma variável em que pensamos para nos tentarmos organizar, mas, na realidade, o tempo já passou à história. O tempo não é senão uma ilusão. O tempo só existe para aqueles que agora nascem e rasgam a adolescência dos tempos. Passada essa fase logo chegam à esmagadora conclusão: o tempo não existe. O que existe é uma espera [tst]. Alan Parsons Project "TIME"

Alan Parsons Project Time Machine (1999

quarta-feira

Muppet Show Moreno and Animal

Temos "líder": neo-salazar de saías...

"Piquenas e Médias Empresas"... e Endividamento. Era nisto que Sócrates deveria ter falado, não falou. Por isso, votem na srª Ferreira. Eis o plano deste PSD para oferecer a Portugal uma alternativa política. É um "bom" plano... É como levar um canivete suíço para o Parque Nacional da Gorongosa, com sorte ainda se caçam bufalos, leões e "alifantes". Esta Manela é um fenómeno do Entroncamento..., embora esteja na Lapa.
Vejamos os detalhes do plano: Paulo Rangel é bom, Passos Coelho daria um bom deputado (mas agora não falo nisso), Santana conseguirá aumentar o passivo do buraco autárquico que deixou para António Costa liquidar, nada de espectáculo, falar verdade, a regulação do BdP falhou. Só faltou saber se a srª Ferreira joga futebol de saías ou de calças. Meu Deus, onde é que está o plano?! É um plano imperceptível, inclinado, curvo, côncavo, convexo, invisível. É o plano Ferreira Leite, Pacheco, Rangel & Associados.
Só já falta abrir escritório na Lapa...
Não há dinheiro para nada, muito menos para o TGV, o aeroporto e demais infra-estruturas. Este nível de argumentação obriga-nos também a baixar o nível da análise, ou seja, só há dinheiro para o cabeleireiro, unhas, dentes e pouco mais...
Votem em mim, meninos... Sou o futuro, e o Rangel é muito bom. Ah, e o Passos Coelho, o jovem mais idoso do PSD, também vai a deputado. Como se depreende, é um grande plano.

Salvador Dali / Nicola Conte

Nicola Conte - uma pérola -

Nicola Conte é um músico de gosto apurado, ligado à música electrónica e ao jazz, foi DJ e hoje cultiva o novo jazz, sem esquecer a bossa nova e os ritmos latinos e afro-americanos. Uma referência a reter.
Nicola Conte - Like Leaves In The Wind ( clip colour )

Nicola Conte - Arabesque

O soft power de Durão barroso e o TGV que meteu na gaveta

Nota prévia: eles, nítidamente, não se abraçam, a função daqueles quatro braços é impedir que, efectivamente, se abracem. E santana ainda terá conjecturado uma cabeçada, por conta das guerras antigas da Faculdade de Direito... Agora quer ser edil em Lisboa - que no passado recente ajudou a endividar, gerou o caos urbanístico e a criou um caldo de cultura politico-administrativo propício à corrupção.

Investimentos: Durão Barroso recusa sanções a portugal, in CM
‘Queda’ do TGV sem castigo
O presidente da Comissão Europeia recusou ontem que Portugal possa ser penalizado a nível de fundos comunitários pela não-concretização do TGV. "Não, sanções não", sublinhou Durão Barroso em Lisboa, onde participou no 175º aniversário da Associação Comercial de Lisboa. (...)
Obs: Tenho para mim que Durão suavizou a posição porque, na prática, foi ele que queria lançar o TGV (com 5 linhas para Espanha), mas como não teve envergadura política em 2004 para lançar o projecto, engavetou-o. Já estava com os olhos postos na Europa.
Cinco anos volvidos, hoje investido nas funções de presidente da CE (com a ajuda de W. Bush, Asnar e Blair na rampa de lançamento que foi a cimeira dos Azores) - resolve fazer o mea culpa, ainda que a pretexto de ajudar o Governo português a não perder as verbas que suportam o projecto de alta velocidade.
É o habitual cinismo político, hoje com traços neorealistas e bruxelizados.
Até nisto Durão meteu o seu interesse pessoal à frente do interesse nacional, de caminho deu mais uma borla à srª Ferreira, a pupila de Belém (e ex-porta-vox não autorizada de Cavaco, como diria, e bem, Vital Moreira).
No fundo, Barroso não mudou nada desde o tempo em que dava umas aulitas na universidade Lusíada - e com quem ninguém aprendia coisa útil. Dalí só mesmo uma pose de falso estadista aprimorada com aquele trejeito do queixo a fitar o céu, alguém lhe deve ter dito que o tique lhe confere o selo de estadista. Mas, na prática, apenas lhe garante uma nota de pé-de-página na história geral da Europa quando um dia se fizer o balanço destes últimos anos.
Ainda no outro dia o previsível Marcelo disse de Barroso uma coisa curiosa e que reflecte bem o estado da arte: "barroso fez um bom mandato na CE porque conseguiu gerir bem os equilíbrios internos". Pobre Marcelo...
Mas de projecto europeu, visão, alcance histórico e geopolítico e de pujança económica, a Europa de barroso vale Zero.
Durão, se tiver sorte, será recordado pelos futuros historiadores com o único ex-PM que conseguiu - quase em simultaneo - ser tão mau em Portugal (como PM) como presidente da CE.
Mas Belém, Leite e alguns economistas parolos satelizados em torno de Durão afirmam o contrário.
Não conheço maior ofensa a Jacques Delors do que dizer, ainda que na brincadeira, que Durão foi um bom presidente da CE.
Mas a magna quaestio nem sequer se centra em durão ou tgv (que ele não soube ou não pode concretizar), mas na triste circunstância histórico-política de não ter sido o António Vitorino, como devia, o presidente da CE, de resto considerado pelo colégio de comissários o melhor entre os melhores. Aquele que melhor preparado se encontrava técnica, politica e culturalmente para o cabal desempenho da função.
Daí a necessidade de reformular toda esta questão: que lucros cessantes a Europa perdeu pelo facto de não ter sido o ex-Comissário da Justiça e Assuntos Internos o presidente da CE?
A resposta é tão simples quanto breve: perdeu muito, seguramente.
Durão dá à Europa uma mão-cheia de nada, e aos tolinhos dos portugueses uma sopa de pedra que nos satisfaz por, afinal, já não sermos castigados pelo adiamento da realização do TGV, projecto de sempre adstrito a este miserável PSD que, de 2004 até ao presente - se anquilosou.
É a vida, e cada um tem o que merece. Se calhar a Europa merece mesmo um barroso (2ª via), como a Lapa merece a srª Ferreira. Estão bem um para o outro no cruzamento das linhas de Lisboa-Bruxelas.

Uma troika de registos: Gustav Klimt, Fernando Pessoa e o Guincho

Gustav Klimt conseguiu transformar o beijo num objecto d' arte. Foi um simbolismo feliz, uma arte nova que veio a tempo, um movimento bem rolado. O ponto é que O Beijo - em Klimt - assenta em si mesmo e na sua amante, a mulher fatal e submissa - que comunica a sua sexualidade latente. O problema é que o beijo neste artista espelha a secessão, logo o afastamento e a separação d´ algo que estava unido.
Entre a secessão presente no beijo de Klimt é preferível essa outra obra d' arte da Mãe-Natureza presente no mar do Guincho. Alí a força da Natureza convergia mais do que divergia. Logo: Guincho 1 - Klimt - 0.
[...]
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e,
com sensíveis Movimentos da esp'rança
e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte
— Os beijos merecidos da Verdade
Fernando Pessoa
Em suma: Mais vale o glaciar quente do Guincho e a poesia excepcional de Fernando Pessoa do que a simbologia do quadro de Gustav Klimt - que é belo (parece uma "árvore de natal") mas fragmenta, parte e separa.
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Ryuichi Sakamoto - Love and Hate (Live 1994)

Sakamoto Ryuichi - Merry Christmas Mr. Lawrence (Live) - forbbiden colours..

terça-feira

Joaquim, o Último dos Profetas - por António Fidalgo -

António Fidalgo Joaquim, o Último dos Profetas Romance
Nos nossos dias, em que o papa é João Paulo II e António o patriarca de Lisboa, Deus dirigiu a sua palavra a Joaquim, filho da viúva Isaura, quando guardava o rebanho de cabras e ovelhas nas campos da Idanha. Eram três horas da tarde do primeiro Domingo de Agosto quando Joaquim viu um remoinho que avançava direito como uma coluna pelo caminho do Areal. Aproximando-se a coluna de poeira cada vez mais, persignou-se e começou a rezar pelas almas. De súbito tudo ficou em silêncio e o sol de Verão tornou-se ainda mais ardente. Joaquim encheu-se de medo e de suores frios. [...]
Obs: Uma sugestão de romance para este Verão, que poderá servir para múltiplas coisas: desentoxicar do caldo de cultura mercantil (e mercantilizado) em que vegetamos, regressar às origens, recuar no tempo para "comprar futuro", afinar os fios ténues e traidores da memória, tornar Deus inteligível (ou perder as esperanças n' Ele), queimar alguns (ou todos) dos nossos pecados capitais e aprender a ser-se mais homem nesta incompletude da espuma dos dias que passam, deixando cair as máscaras da simulação (mostrando o que não se tem e o que não se é) ou da dissimulação (ocultando o que se tem e escondendo o que se é).
Contudo, e pelo pouco que sei e tenho visto por cá, nesta vidinha terrena (que encanta tanto quanto desencanta), já não sei o que será pior (ou melhor): se o esgotamento da paciência de Deus; se a detecção do seu oculto entusiasmo!?
A Sua falta de paciência já a conhecemos. Tenho, confesso, alguma curiosidade em conhecer o Seu entusiasmo. Mas também isto é ilusão..., como tudo que é meta-físico.
Resta-nos guardar os "rebanhos" dos nossos pensamentos, como diria o Pessoa...
Sendo certo que, por vezes, há ficções mais reais do que a própria realidade. Além de que também não valerá viver uma vida que não pode ser posta em questão.
Dito doutro modo, na linha de Sócrates (o de Atenas): se não se pode ter liberdade de colocar questões, então não vale a pena viver. E aqui chegados batemos no ponto crucial da equação:
    • É que a vida só por si não é suficiente; as pessoas devem ter também a liberdade de analisar a sua própria existência, e até brincar com ela, se for caso disso...

O "complexo" de Paulo Rangel: Europa cá dentro

Paulo Rangel ao sugerir há dias que pode ter o mesmo destino do que Ana Gomes ou Elisa Ferreira (em Sintra e no Porto), com um pé na Europa e outro no burgo local e mais identitário, é, ou escorrega naquilo que aqui temos designado por "efeito trapalhão". Desde que Rangel ganhou as europeias julga-se o César da Europa, mas também já equacionou a possibilidade de travar a luta política da sua vida regressando ao burgo, por entender que a luta política se trava intra e não extra-muros. É o Rangel na sua versão internacionalizada e trapalhona. Para agravar todo este quadro psico-clínico lembrei-me que num dos filmes de Woody Allen, A Rosa Púrpura do Cairo, há uma pobre dona de casa que adora um personagem do ecrã e faz-lhe a corte. Ela enamora-se logo dele. Mas depois chega o actor de carne e osso, que é ainda mais atraente que o personagem. A dada altura quer um quer outro vão-se embora.
Razão por que aqui temos abundantemente defendido que em vez de ser Rangel a emigrar para a reforma dourada na Europa fosse a sua madrinha política a fazê-lo. A senhora já está idosa, da sua idade não brota sabedoria, Rangel está ainda na flor da idade - e faz mais falta cá do que lá. Até porque a nossa taxa de natalidade há muito que é regressiva, e a Europa - no seu conjunto - também não está muito melhor.
De tudo resulta uma questão que parece pertinente: Rangel vai para a Europa cá dentro?

O Irão não tem emenda: morrerá teocrático, medieval, quezilento e criminoso

Irão acusa Londres de ingerência e endurece posições
por L. N.Hoje
Num domingo mais calmo, a televisão estatal iraniana disse que nas manifestações de sábado morreram dez pessoas e ficaram feridas cem, mas a culpa da violência foi dos "terroristas armados"
O Irão endureceu ontem as críticas em relação a alegadas interferências ocidentais na crise política, com acusações especialmente fortes contra o Reino Unido. O balanço oficial de vítimas da repressão das manifestações de sábado eleva-se a dez mortos e cem feridos, isto segundo a televisão estatal, para quem a culpa da violência foi de "grupos terroristas" que tinham armas de fogo e explosivos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manouchehr Mottaki, acusou ontem Londres de ter planeado a crise durante dois anos e de ter enviado elementos ligados aos seus serviços secretos para perturbar as eleições presidenciais. Os ingleses já rejeitaram estas acusações.
Por seu turno o presidente eleito do Irão, Mahmud Ahmadinejad, juntou Londres e Washington nas acusações "de ingerência", cuja paragem exigiu num texto publicado no seu site de internet.
Ontem, as ruas de Teerão estiveram calmas e não houve manifestações. O governo iraniano convocou entretanto todos os embaixadores e representantes dos países da UE. Várias embaixadas receberam pedidos de refugiados, tendo algumas recusado.
Apesar da calma nas ruas, a repressão do movimento reformista não parece abrandar. Há escassos relatos independentes da situação, mas todos apontam para uma grave violência política. Jornalistas ocidentais foram presos ou expulsos (incluindo da BBC e Newsweek) e houve um número indeterminado, que se presume alto, de pessoas detidas, incluindo três jornalistas.
A nível diplomático, a chanceler alemã, Angela Merkel, liderou ontem as pressões internacionais, com uma intervenção muito crítica, onde apelou aos dirigentes iranianos para que "aceitem a recontagem dos votos". Segundo Merkel, o regime iraniano terá de "autorizar as manifestações pacíficas, não usar violência contra os manifestantes, libertar os opositores presos e autorizar os media a cobrir os acontecimentos livremente". Os EUA também já aumentaram o tom das críticas, apesar dos riscos. Os dirigentes americanos dizem que não podem influenciar os acontecimentos, apenas observar.
Obs: Os regimes teocráticos são tão maus para o desenvolvimento, a coesão social, violadoras de todos os direitos, liberdades e garantias que até quando se perdem em justificações a estupidez tem um sabor amargo, diabólico, um verdadeiro atentado contra o próprio interesse nacional sempre fundado no velho bode expiatório (externo) entre o RU e os EUA.
O louco Ahmadinejad não tem elastecidade mental para mais, reflexo duma imagem tão pacóvia quanto diabólica agravada pelo peso excessivo dos ayatolas no país - que também parecem estar divididos..
Alí a palavra "reforma" vale tanto como o regresso da "ditadura" em Portugal, um expediente para reformar Portugal, segundo alguns líderes da oposição...

Gentleman - Intoxication

Gentleman - Intoxication

Exemplo duma não notícia. Um factóide

A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, disse que não vai pedir maioria absoluta nas próximas eleições legislativas e voltou a defender que estas se realizem no mesmo dia das autárquicas., PD Esta definição de estratégia para as próximas eleições surgiu no dia da primeira reunião do conselho nacional social-democrata depois das eleições europeias. [...]
Obs: mandaria o bom senso que a srª Ferreira nem sequer equacionasse o que irá pedir ao eleitorado, mas não se fica por alí - a fim de dar uma imagem de falsa humildade: pede, logo de seguida, a simultaneidade do acto eleitoral autárquico com as legislativas.
Pensando, assim, que contagia os vários actos eleitorais numa terrível dança de pormíscuidade socioeleitoral. No fundo, a srª Ferreira começa por dizer que não pede maiorias ao eleitorado para, na frase seguinte - chamar-lhe parvinho - supondo que se o acto eleitoral for simultâneo o psd arrecadará a sua vantagem administrativa e política.
Ferreira leite é mesmo um elefante numa loja de porcelanas.
Uma protuberância na democracia, com que tem escassa afinidade... E é pena porque o psd merecia algo de melhor, para melhor neste Portugal colonizado por uma medíocre oposição.

segunda-feira

John Legend: uma tonelada de talento, a rever e a meditar..

John Legend - Save Room

John Legend - Each Day Gets Better

John Legend Used To Love You

Líder do PSD deveria apresentar programa eleitoral já, diz Rebelo de Sousa

Líder do PSD deveria apresentar programa eleitoral já, diz Rebelo de Sousa, in TSF
Marcelo Rebelo de Sousa criticou, esta domingo, o facto de a líder do PSD apresentar o programa eleitoral no final de Julho, defendendo que as propostas deveriam serem conhecidas o quanto antes.
(...)
«Ela está a fazer uma preservação para evitar que o PS converta o programa do PSD no bombo da festa da campanha eleitoral», disse.
«Estamos a 14 semanas das eleições e ela vai deixar o programa para três ou quatro semanas antes», acrescentou, considerando que se trata de uma data muito tardia.
Obs: Em democracia é suposto funcionar a competição saudável das ideias e das propostas políticas para os vários domínios da governação. Estranhamente, a concepção que Fereira Leite tem da política é animada pelo segredo, o que faz com que ela apresente as suas ideias demasiado próximo dos acontecimentos. Marcelo sublinhou esse aspecto, e creio que não o imputou ao facto de a senhora ter uma idade avançada, mas à concepção e à cosmovisão paroquial com que a srª Ferreira pensa e faz política.
Ou seja, ela não apresenta as suas ideias com receio dos outros as plagiarem.
Ela nem sequer percebe que se desse publicidade às suas "brilhantes ideias" (que todos desconhecem) a opinião pública tomaria devida conta das suas orientações - e caso houvesse essa obsessão com a apropriação de ideias por parte do PS - seria essa entidade mais ou menos abstracta vertida na opinião pública - quem penalizaria os putativos plagiadores e valorizaria os autores das propostas.
O problema, como decorre da análise de Marcelo, é que a srª Ferreira não tem nem nunca teve ideias para Portugal. Por isso ontem quando António Vitorino a instou a apresentar o seu programa de direita para Portugal - a coisa só pode ser lida com muita benevolência por parte do coordenador das Novas Fronteiras.
Razão tem Paulo Rangel em segurá-la com o seu braço direito.

domingo

Clannad - In A Lifetime (Live 1998). Uma pérola da década de 80...

As Novas Fronteiras. António Vitorino pede um milagre: quer que a srª Ferreira pense...

Hoje percebi que o António Vitorino sofre com o calor, pois foi a 1ª vez que o ouvi referir algo que é contraditório nos seus termos: pedir à srª Ferreira leite que pense um programa de direita liberal para Portugal. Por momentos pensei que Vitorino se dirigia ao presidente itinerante da CE e à medíocre Europa que perdeu estatuto, influência e poder nestes últimos quatro anos, apesar dos discursos de pacotilha sobre globalização lidos por Durão. Como sabemos, e desde que Ferreira Leite assumiu a secretaria-geral do PSD e é a directora dessa comissão liquidatária do partido que já foi de Francisco Sá Carneiro, a srª Ferreira não pensa rigorosamente nada acerca de coisa nenhuma. Daí o perigo..
Ora, meter-lhe Portugal nas mãos, como sugere António Vitorino.., é uma maldade ao próprio acto de pensar - por natura incompatível com o perfil da actual locatária da Lapa. Pergunto-me se este foi um lapso do analista (também coordenador das Novas Fronteiras) ou uma manifestação de credulidade infinita e de fé absoluta relativamente à pior líder que o PSD já teve seguida de Santana Lopes...
Sócrates conhece os dossiers, conhece a manha das corporações, tem uma experiência governativa significativa, tem vitalidade e determinação e uma infinita capacidade de trabalho. Tem, também, e infelizmente para Ferreira leite, uma boa presença e é um bom orador e é combativo (e não derrotista, fatalista e decadente como Leite), o que facilita as coisas à mesa das negociações e na implementação das políticas públicas. Eis um breve conjunto de razões que faz com que o Portugal lúcido e realista veja nele o candidato a PM mais credível no actual mercado das ideias e dos líderes com perfil para se sentar no cadeirão de S. Bento por mais 4 anos. Invista-se, pois, politicamente em Sócrates.
Faço um esforço exegético-hermeneutico para arrancar qualquer coisinha por detrás da testa da srª Ferreira, mas só vejo 1/3 de leque com que se abana, quiça na vã esperança de identificar uma única ideia sobre Portugal. Algo que surpreenda o crédulo António Vitorino mais 10 milhões de portugueses. Mas nada.
Temo bem que dalí venha mais uma proclamação made in America Club. Algo que tinha a ver com o regresso da ditadura e o congelamento da democracia a fim de realizar as reformas no país. Na casa da srª Ferreira este também deve ser o método ou o modus operandi..., com que a dita assegura a governação da oikos...
Que Deus nos livre do cadeirão de S. Bento ser aquecido por uma contabilista daquele quilate. Isto é, por alguém que pensa que governar Portugal é como gerir uma "Piquena e Média Empresa" falida do Vale do Ave...
Hoje António Vitorino distraíu-se. Por excesso de credulidade, evidentemente!!!
Tal significa a mais elevada expressão da inteligência e da benevolência. Ferreira leite terá de lhe agradecer.

sábado

Irlanda vence batalha sobre o Tratado de Lisboa

o sublinhado é nosso.
"Viemos com dois objectivos, conseguir garantias políticas e um protocolo, e atingimos os dois", continuou Cowen, no rescaldo de uma negociação que "foi difícil", nas palavras de Durão Barroso e de Jan Fisher, presidente em exercício da UE pela República Checa. O Reino Unido em particular decidiu abandonar a rejeição que mantinha ao facto de Dublim pretender mais do que uma simples declaração anexa ao Tratado.
A diferença entre a solução pretendida por Brown antes da chegada à cimeira de Bruxelas e a opção que acabou por ir adiante, a do protocolo anexo, é que a primeira funcionaria apenas como declaração clarificadora do próprio tratado, sem necessidade de ser ratificado por todos os países. Neste caso, o problema residia na eventual reabertura dos debates sobre o Tratado de Lisboa na maioria dos Estados membros que completaram o processo de ratificação.
Cowen chegou a Bruxelas dizendo que a forma jurídica das garantias dadas ao povo irlandês poderia ser fundamental para o resultado da segunda consulta popular. Apesar de estar garantido o estatuto vinculativo do protocolo irlandês, a presidência da UE assegura que tal não vai alterar em nada o estatuto do tratado nos países que já o ratificaram.
De acordo com as garantias acordadas entre os 27, o Tratado Reformador, a designação alternativa, não vai influir na neutralidade militar da Irlanda face à UE, o que significa que, em caso de ataque militar a algum Estado membro da UE, cabe a Dublim decidir se se envolve na defesa comum ou opta por manter o não envolvimento.
Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro Brian Cowen poderá assegurar que o país vai manter nas suas mãos as rédeas da política fiscal interna. Na mesma linha, ficaram ainda acautelados os receios quanto às questões que se prendem com a família e o direito à vida, muito em particular o aborto.
A composição da Comissão Europeia já tinha ficado acautelada antes da cimeira de dois dias que terminou ontem em Bruxelas. Uma das questões que os estudos de opinião indicaram ter sido motivos do "não" irlandês residia na possibilidade de a Irlanda vir a perder o seu lugar no colégio de comissários europeus. Apesar da disposição inscrita no texto, o mesmo Tratado de Lisboa permite que, por decisão unânime do Conselho Europeu, se possa fixar um qualquer número de comissários, pelo que a Comissão Europeia, com Lisboa, manterá os 27 elementos provenientes de cada Estado.
A 12 de Junho do ano passado, 52,3% dos irlandeses chumbaram o tratado que prevê uma reforma no funcionamento das instituições da União, nomeadamente criando novos cargos e uma nova arquitectura de poder entre o Parlamento Europeu e o órgão representativo dos governos europeus.
Obs: Digamos que a Irlanda, à partida já conseguiu todas as vantagens políticas que desejava sem, contudo, contribuir para o "bolo comum". Este será o momento para inverter os resultados ao referendo do ano passado e procurar - com a participação activa da Irlanda - que até foi um paradigma de modernização e desenvolvimento na Europa, construir uma Europa politicamente mais eficiente no quadro da crise de confiança global que afecta actualmente os mercados, o sistema internacional e interfere com os projectos de vida de milhões de pessoas em todo o mundo que hoje vêm o seu futuro (pessoal e colectivo) com desconfiança.