sábado

Sócrates - um Homem com nervos d' aço em busca da 2ª maioria absoluta. António Costa, António Vitorino...

Depois de ser alvo duma tentativa de eliminação política - como nunca houve em Portugal (na escala, no timing e na intensidade) - Sócrates tem-se revelado um líder com ressonância positiva. Fala com autenticidade e sintonizado com a preocupação geral da sociedade (e, claro, do PS). Mas ao falar com aquela autenticidade sobre os seus próprios valores também dá eco às emoções de quem o rodeia, transmitindo a mensagem no tom certo, deixando as pessoas animadas e inspiradas num momento particularmente difícil. E quando um líder tem ressonância, isso lê-se imediatamente nos olhos das pessoas, que aparecem animadas e interessadas. Por efeito de contraste lembremo-nos das prestações melancólicas e medievais de Ferreira leite - para se perceber a diferença... O que faz de Sócrates um líder é a sua capacidade intelectual para apreender as especificidades das tarefas e dos desafios nacionais e o valor acrescentado que também revela para coligir um conjunto coerente e eficaz de propostas que integrem um Programa de Governo que coloque Portugal na rota do crescimento e do desenvolvimento. E com urgência, porque a recessão é um parasita tenebroso a quem importa não dar tréguas. Ou seja, Sócrates, hoje, mais do que nunca, terá de vestir a pele do negro Martin Luther King Jr.(ou de Obama), e conseguir mobilizar não apenas o partido - mas também a sociedade, nem que tenha de lhes dizer - que tem um "sonho". Mas que seja um sonho pressentido por todos e por cada um dos portugueses, sob pena do sonho descambar num pesadelo. Esse sonho mais não é do que, afinal, a grande metáfora e a meta-narrativa que nos permitirá aplacar os receios, eliminar as injustiças e desigualdades sociais e promover a esperança individual e colectiva. Caberá ao líder racionalizar esses valores, prioridades e estratégias, deles depende a expectativa e a confiança do próprio jogo económico onde se jogam investimento, trabalho, consumo, riqueza e bem-estar. Tudo coisas que não nascem debaixo das pedras, mas são emanações dum sonho. Sócrates tem até ao Verão para mostrar, de novo, que sabe sonhar (alto).Este Congresso será para aquecer os motores e configurar o sonho...
Já se percebeu que Sócrates é determinado e não desiste perante as dificuldades que hoje se colocam à economia e sociedade nacionais e que se agravaram significativamente com a recessão na economia mundial. Neste colete-de-forças Sócrates tem dois caminhos: ou é modesto e pede uma maioria simples; ou é ambicioso e reclama uma 2ª maioria absoluta a fim de dispôr de condições de governabilidade sólidas para aprovar medidas no Parlamento e fazer reformas na economia e na sociedade. Sócrates optou por pedir a maioria absoluta. Fez bem e até reflecte o esforço e o impulso reformista que imprimiu ao Governo nos primeiros anos do mandato que está em balanço.
Veremos como os indicadores socioeconómicos evoluem e o desemprego se comporta até ao Verão, embora aqui os vaticínios não sejam os melhores. Infelizmente, é assim em toda a Europa e nos EUA. A desgraça é global, a volatilidade das empresas e a forma como despedem e encerram a sua actividade é hoje o prato-do-dia. Este dado complica a governação e interfere com inúmeros problemas sociais com que é problemático lidar, simplesmente porque não existem nem respostas definitivas nem imediatas para tais problemas sociais e económicos. Hoje, além de complexos, os problemas arrastam-se no tempo, como se gozassem duma viscosidade nova.
Nesta óptica o peso da responsabilidade de que Sócrates fala poderá ser pesado, na medida em que os tais 150 mil postos de trabalho prometidos ficarão mais distantes por força da imposição da crise global que torna tudo mais difícil. Sem confiança não há investimentos nem geração de riqueza, e isto condiciona todos os indicadores económicos, especialmente os relacionados com o emprego e o consumo. Mas também aqui Sócrates andou bem - ao afirmar que não teme o julgamento democrático e que é o povo quem mais ordena, um slogan do pós-25 de Abril. Por momentos, foi o velho PS que deu um ar da sua graça ao PS da modernidade do séc. XXI. Sócrates recuperou (o capital simbólico) de Mário Soares e explicitou que o velho e o novo podem coabitar, até em matéria de velhos slogans de campanha e de mensagens políticas.
Neste quadro, hoje o PS é, seguramente, o único partido político que oferece um potencial elevado de credibilidade e de governação, seja pelos quadros que dispõe, pelo líder que conhece os dossiers seja ainda, quando se olha em redor para a fauna política da oposição, porque o PSD é hoje uma sombra do que foi; o cds é sempre aquele grupúsculo que funciona politicamente a "recibos-verdes" desejoso de integrar qualquer Governo (seja do PSD ou do PS, como históricamente sabemos); e depois temos dois partidos-radicais, anti-sistema: o PCP e o BE. Aquele demasiado centrado no operariado, o BE mais urbano e jovem pretende apelar e seduzir prometendo tudo a todos porque nunca terão o peso da responsabilização, além de que vive duma figura profundamente mediática, como é Louçã. No dia em que o BE mudar de líder o seu score eleitoral descerá para menos de metade da sede de apoio eleitoral de que hoje goza nas intenções de voto.
Esta perspectiva global mostra quão importante é hoje Sócrates em Portugal. Ele não é apenas o melhor líder para o PS, mas também o político no activo no País que melhor poderá oferecer uma proposta de governo para os próximos 4 anos. Sem radicalismos e sem as demagogias do BE, o oportunismo do PSD ou o sectarismo do PCP. No cds algo se poderá aproveitar...
Relativamente ao Freeport nem valerá a pena perder muito tempo com uma jogada que combina campanha negra da mediacracia (irredenta, sobretudo o Público após o chumbo da OPA à sonae), interesses neo-corporativos (da alta magistratura, vide fugas de informação e violação ao segredo de justiça), de alguns interesses obscuros de players isolados ou enquadrados partidáriamente.
E se tais condicionamentos fizeram estragos na pessoa do PM, o facto de Sócrates ter desmontado e reagido rapidamente tais motivações e o curso da investigação ter constituído dois arguídos - leva-nos a supôr que aquele homem acossado - que foi alvo de disparos cerrados que o tentaram eliminar políticamente - pode reverter a seu favor e, portanto, alguma vitimização não só é esperada como também politicamente racionalizada. No fundo, ele faz exactamente aquilo que cada um de nós faria em situações análogas: aquilo que não mata, só fortalece. Sócrates sabe-o, é natural que explore isso discursivamente. É o prémio e a compensação por ter estado duas ou três semanas sob intenso fogo cruzado que só visava uma coisa: assassiná-lo politicamente. Quando a política assume a lógica da calúnia é esperável alguma vitimização. É a subida aos extremos.
Agora o nó górdio da governação está preso ao facto de saber se o Investimento Público (IP) em grandes obras é aquele que mais e melhor tirará Portugal da crise em que mergulhou. I.é, saber se é esse IP que irá atenuar os problemas do desemprego e da falta de crescimento no País, que hoje nos prende à pobreza, à desigualdade afastando-nos dos indicadores de desenvolvimento social e humano dos países do pelotão da frente que integram a UE. Há hoje uma forte convicção, já que aqui nenhum economista de nomeada tem certezas, que o "complexo desenvolvimentista" constante das barragens, das escolas, das estradas e das energias alternativas integram um "pacote" de grandes investimentos que podem coadjuvar o take-of económico de que Portugal hoje precisa para o impulso de crescimento desejado.
Aliado a isto vem a prioridade do apoio às famílias e ao reforço da protecção social, o que pressupõe também um sistema tributário mais justo, de resto uma das ideias da moção de António Costa.
Eis algumas das ideias que retive do discurso lógico, racional e combativo de Sócrates, bem ao seu estilo, que irão criar o caldo de cultura para gerar um novo programa de governo a apresentar a eleições para os próximos 4 anos.
O que justifica, pela natureza das coisas, pelos resultados da governação deste 1º mandato e perspectivas que abre, e também (por contraste) pela pobreza política de toda a oposição, mormente para o PSd de Ferreira leite (uma verdadeira lástima) - que Sócrates tenha reclamado uma 2ª maioria absoluta para dar cabo da crise e pôr, de novo, Portugal na rota do crescimento, da modernidade e do desenvolvimento.
Três requisitos essenciais e viáveis se a 2ª maioria absoluta acontecer.
PS: Notei que Sócrates engordou, o que prova uma coisa e suscita outra: a crise e a tentativa de eliminação política não lhe tiraram o apetite, mas, por certo, roubaram-lhe tempo para regressar à prática do jogging.
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Vangelis - conquest of paradise

Adenda:

  • António Costa fez uma declaração em Espinho tão interessante quanto cirúrgica aproveitando a sua própria experiência política em Lisboa. Defendeu que o BE é um "partido-parasita" (não é novidade) cuja única finalidade é dividir o PS nunca aceitando as responsabilidades decorrentes da governação. Ou seja, à esquerda do PS não hà ninguém responsável, "com a direita nunca".

  • Assim, António Costa geometrizou a correlação de forças no espectro político-partidário no País - reclamando - em convergência com Sócrates - por uma 2ª maioria absoluta nas próximas eleições legislativas. Foi racional e lógico. De resto, em Lisboa o BE fez a sua purga quando o Vereador Sá Fernandes resolveu pensar pela sua própria cabeça no âmbito das políticas públicas municipais na capital. Imagine-se o que seria um BE com responsabilidades num qualquer Governo (de coligação) nacional. Seria de fugir...
  • No fundo, sob a capa de democrático o BE (juntamente com o PCP - dois partidos anti-sistema) ainda é um partido estalinista - que resolve com purgas aquilo que são divergências internas naturais.
    Partindo a espinha dorsal ao emergente BE - António Costa limita o crescimento do partido estalinista de Louçã, ajuda a estancar a sangria sociológica do PCP e, a breve prazo, cria o clima psicológico para estruturar uma aliança com o partido da Soeiro Pereira Gomes em Lisboa - no quadro das autárquicas.
    Se Jerónimo de Sousa - e o PCP - for minimamente inteligente é isso que pensará, é isso que fará... Foi também para eles que Costa falou.

Quanto a Manuel Alegre, essa prima-dona do PS, procura fazer-se notar pela ausência. Faz do bluff um método político e, se não for a Espinho, todos poderão afirmar que o poeta-deputado escolhe sempre as reuniões com o BE e a última fileira das cadeiras da AR onde tem assento para conspirar contra o seu próprio partido sem adiantar uma estratégia política credível que não seja fracturante para o PS. Em rigor, Alegre ao saber que "pode" fazer depender de si a diferença da maioria absoluta - chantageia permanentemente o seu próprio partido para obter dividendos políticos pessoais. Além de ser éticamente reprovável - a posição de Alegre é politicamente insustentável. Não deixa também de ser uma posição-política "parasita"..., embora tolerada democráticamente no PS.

Apareça ou não em Espinho, Alegre, ao invés do que defendem alguns analistas, nunca será a mola propulsora para determinar a conquista (ou perda) da maioiria absoluta do PS. Isso dependerá de como decorrerão os próximos meses até às legislativas e a forma como os indicadores socioeconómicos dos portugueses reagirem às políticas económicas e sociais do Governo (leia-se, desemprego e protecção social), e nunca da chantagem do poeta que lá por obter 1 milhão de votos nas últimas eleições presidenciais pensa (ingénuamente) que poderá linkar essa extrapolação no quadro das eleições legislativas. Tamanho erro...

Alegre quando não está a fazer poesia ou a caçar tordos, perdizes ou coelhos - anda sempre equivocado. Ele ainda não percebeu que apenas goza dum papel simbólico no PS, nada mais...

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  • PS Lumiar - Quem é quem no PS
  • Câmara Corporativa - Há dinheiro, prontos
  • Ferreira Leite pensa que a ausência de Sócrates na Cimeira Europeia, onde se vai discutir a crise mundial, para estar numa festa do Partido Socialista - é censurável...

    Provavelmente, se Sócrates fosse à Cimeira - criticá-lo-ía por desamparar o partido num Congresso tão importante - que visa preparar as eleições legislativas e mobilizar os eleitorados (no PS e na sociedade civil).

    Pensar hoje que tudo se decide na Europa é tão paroquial como pensar que tudo se decide domésticamente, embora haja que preparar o caminho interno para melhor saber o que pedir à Europa - designadamente em matéria de apoios ao combate à crise económica e social. É por estas debilidades de Ferreira Leite que aqui temos cunhado a senhora - não como líder dum partido de poder, mas como a "Chefe do economato" do partido da Lapa.

    Melhor fora que ela seguisse o exemplo de Sócrates e tentasse (ensaiar) uma mobilização semelhante à que o actual PM procurar fazer num momento de recessão económica que tem provocado inúmeros dramas sociais, com empresas a encerrar actividade diáriamente. Leite para esta "guerra" nenhum contributo tem dado, a não ser fazer os road-shows mesquinhos e oportunistas nas portarias dessas empresas e fazer discursos miserabilistas, pensando assim que arrebanha uns votinhos sabujos para a sua pobre causa.

    Está enganada, Roma não pagava a traidores e esse discurso e essa estratégia não paga a oportunistas nem a discursos miserabilistas.

António Vitorino foi igual a si próprio: assertivo, estruturado, abrangente, reflexivo e inteligente. Referiu que o PS não se deixa "escovar" pelo BE - que parece querer liderar a orientação global da esquerda em Portugal com aquela verborreia de Louçã, um trotskista que vestiu a pele de democrata, e assim engana meio mundo.

Por outro lado, António Vitorino fez bem em sublinhar uma outra verdade: este PS já fez mais pelo impulso às políticas da educação, da investigação e desenvolvimento - promovendo a coesão económica e social nos últimos 4 anos do que os demais partidos na última década.

No fundo, António Vitorino mostrou as defesas do "castelo", revelando que a iniciativa das Novas Fronteiras - é e pode continuar a ser - um pólo gerador de novas políticas públicas que fazem falta em Portugal.

Mais informação em Parlamento Global.

sexta-feira

The "El Camino Del Rey" Video

The "El Camino Del Rey" Video

KEANE

KEANE-Nothing in my Way

Keane- Spiralling

Manu Chao, Vicente Amigo e Sylvian & Sakamoto, James Ingram & Michael McDonald e Barry White...

MANU CHAO "Me Llaman Calle"

vicente amigo - tres notas para decir te quiero

Sylvian & Sakamoto - Forbidden Colours

James Ingram & Michael McDonald - Yah Mo B There

Barry White,James Ingram,El Debarge & Al B.Sure! (High Quality)

Desenhos de Graça Morais... Valores. Evocação de Agustina

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Outros valores:
Gostaria de ter escrito isto

As relações humanas são assim:

fios interrompidos

e retomados até que a morte venha fechar o anel em que

pousaram em vão esperanças e vontades.

Agustina, in Os Quatro Rios, p. 33

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Take That - Stardust - Rule the World

Tango vs pensamento "californiano" de Michel Foucault. O paraíso e a desgraça

The Argentine Tango

shall we dance - jennifer lopez - gotan project

Cada dia da semana tem, ou pode ter, uma simbologia, e a 6ª Feira pode traduzir Tango, o Sábado desporto, o Domingo chuva e os restantes dias da semana sub-produtos do tempo porque obrigam o homem a trabalhar e ele não nasceu para trabalhar, mas para criar, como diria o amigo Agostinho da Silva. Assim sendo coloco aqui dois termos em equação: o pensamento californiano de Michel Foucault e as mulheres argentinas (por relação ao Tango), por serem as melhores e as mais belas do mundo. Do efeito de contraste nasce a verdade, uma verdade.
Dizia Foucault numa entrevista longíqua, que a amizade, desde a antiguidade foi, durante séculos, um modo de relação social muito importante, no seio do qual os homens dispunham de uma certa liberdade, de uma espécie de opção e que era ao mesmo tempo uma relação intensamente afectiva. Depois adiante que no séc. XVI e XVII que se vê desaparecer esse género de amizades, pelo menos na sociedade masculina (...). E depois afunda-se deste modo: "Uma das minhas hipóteses é que a homosexualidade, o sexo entre homens, se tenha tornado um problema no séc. XVIII. Vemo-la entrar em conflitos com a polícia, com o sistema judicial, etc. A razão pela qual ela constituiu socialmente um problema, está em que a amizade desapareceu. Enquanto a amizade era uma coisa importante e socialmente aceite, ninguém se dava conta de que os homens faziam amor juntos. Que eles fizessem amor ou não, não tinha de resto importância. Mas uma vez desaparecida a amizade enquanto relação culturalmente aceite, colocou-se o problema: O que é que os homens fazem juntos?
Estou certo, ao contrário de Foucault, que o "desaparecimento da amizade" como relação social e a declaração da homosexualidade como um "problema socio-político-médico" - nenhuma relação tem com a correlação abusiva estabelecida pelo filósofo. É óbvio que Michel Foucault nunca dançou um Tango, ou sequer teve disponibilidade mental para o apreciar, mas se tivesse ter-se-ía poupado a muita conjectura estéril, a muita hipótese académica parcial e emotiva, demasiado subjectivisada temperada com alguns disparates, porque uma coisa é ciência, outra são as nossas emoções a tomar conta dela. E se Foucault foi extraordináriamente produtivo e até original em inúmeros campos do saber, não julgo que a sua mais íntima felicidade "californiana" tenha dado um grande impulso à ciência ou aos territórios do saber em que foi mestre.
Faltou, talvez, a Foucault muito Tango ou algum tango - para ele perceber uma nova filosofia, não indo a tempo nem revelando essa abertura de esprit lá somou as duas bujardas e defendeu que a amizade entre dois homens terá de descambar forçosamente na mais pura homosexualidade. É um pensamento miserável - que até é capaz de envergonhar a grande obra do autor, mas o azar do autor foi tanto que - feliz e reconciliado consigo mesmo, com o seu trabalho e os prazeres do corpo, quando o filósofo resolve rumar em direcção aos EUA - para deixar uma França que já o sufocara, é o preciso momento (anos 80) em que a nova peste começava a propagar as suas odiosas devastações. Infelizmente, Foucault também foi vítima dela, mas ficou um grande pensamento - ainda que privado de Tango e da simbologia das 6ª feiras.
Gotan Project - Diferente

Gotan Project - Santa Maria (Del Buen Ayre)

ÚLTIMA OPORTUNIDADE - por António Vitorino -

O sublinhado é nosso.
ÚLTIMA OPORTUNIDADE, in dn
António Vitorino
Jurista
O problema do futuro não é tanto o de saber como será, mas de como lá chegar. Em cada dia que passa sentimos mais os efeitos da crise no nosso quotidiano, pesando a incerteza sobre a sua duração. Alguns discursos encantatórios tentam convencer-nos de que existe uma qualquer solução mágica que nos faça emergir ao virar da próxima esquina.
Mas a realidade encarrega-se de demonstrar que não só levará tempo a reinverter a crise de confiança e a recriar as condições da retoma económica, como entrementes há que cuidar dos efeitos nefastos que se vão produzindo.
A primeira lição da crise é a de que os países, mesmo os mais poderosos económica e militarmente, não terão êxito se actuarem sozinhos. A viagem da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a Pequim, pedindo que a China continue a adquirir títulos da dívida americana, não podia ser mais eloquente.
O exemplo europeu de Outubro passado aponta no mesmo sentido: só quando os 27 Estados da União acordaram numa acção conjunta e numa estratégia comum para estancar a deriva do sistema financeiro é que foi possível fazer a diferença e começar a pensar em limitar os estragos da crise nos mercados bolsistas e no sistema bancário.
Infelizmente, desde então para cá, a União Europeia voltou a dar uma imagem de incerteza e de insegurança quanto ao rumo a seguir, cada país correndo na sua própria pista para fazer face à recessão, sendo inúmeros os sinais de desentendimento quanto ao curso a seguir para limitar os efeitos do desemprego galopante e relançar o crescimento da economia.
No passado domingo reuniram-se em Berlim os líderes dos seis países da União que estarão presentes na cimeira do chamado Grupo dos 20, em começos de Abril, em Londres. Este tipo de reunião de um grupo restrito (mesmo que "composta" pela presença da presidência rotativa, da Comissão e do Banco Central Europeu) não ajuda a reforçar o essencial da mensagem: a de que só uma acção de todos os Estados membros da União pode, mais uma vez, fazer a diferença.
Por isso, é grande a responsabilidade dos chefes de Estado e de governo quando, no próximo domingo, se sentarem em Bruxelas na sessão extraordinária do Conselho Europeu convocada para responder aos efeitos da crise global. Uma eventual falta de acordo na sede própria acabaria por legitimar a lógica do "cada um por si" ou dos pequenos grupos sectoriais, enfraquecendo não apenas o papel político, mas também os efeito da acção conjunta dos Estados neste momento crítico da nossa vida colectiva.
Mais do que endossar as conclusões de Berlim (sobre a regulação e supervisão da generalidade dos produtos financeiros, sobre as regras reguladoras do papel das agências de rating, sobre as imposições aos offshores não cooperantes, sobre a centralidade do FMI na nova arquitectura financeira global), o Conselho Europeu tem que responder a duas questões centrais.
Por um lado, a resposta à crise não pode assentar em fugas para a frente de inspiração proteccionista, o que, a persistir, não só agravaria ainda mais os efeitos da recessão e poria em causa pilares fundamentais da integração económica europeia laboriosamente levada a cabo nas últimas décadas, do mercado interno e da política de concorrência.
Por outro lado, criar um horizonte de esperança para a superação desta crise profunda exige acção coordenada para suster a onda galopante de desemprego e para criar um quadro de soluções justas e democraticamente aceitáveis para aplicar aos bancos europeus que se encontram em situação financeira particularmente vulnerável, designadamente por nos seus balanços ainda constarem encobertos os chamados "activos tóxicos".
Neste momento aguarda-se um sinal de coesão e de solidariedade da parte das lideranças europeias, muito em especial para com os países da Europa Central e do Leste que estão numa posição particularmente frágil. É que qualquer perturbação maior nesses países acabará por ter um efeito imediato e directo na própria Zona Euro, não estando por isso ninguém imune ou preservado das ondas de choque que daí derivariam.
Tem-se, por isso, a sensação de que nos aproximamos de uma última oportunidade. Saberão aproveitá-la?
Obs: Envie-se xerox deste artigo de António Vitorino ao incumbente da Comissão Europeia que em lugar de tentar convencer os Estados, todos os Estados - e não apenas os grandes, de estabelecerem medidas para promoção efectiva do emprego e de protecção eficaz e transparente do sistema financeiro europeu (sem o qual não há crédito para funcionalizar a economia) - ande já em campanha pneumática com vista à recolha de apoios politico-diplomáticos para a sua reeleição. Mais importante do que ouvir Barroso a falar línguas nos púlpitos da Europa e do mundo - é olhar para a Europa hoje e ver um rumo - com horizonte e zenite. Infelizmente, não é isso que vemos, ou melhor, vemos um Barroso sim - mas sem zenite e horizonte.

Canção de Lisboa

Verdade = Liberdade, Nã-nã... As vacas da Praça de Espanha

Algures André Glucksman perguntava-se para que servia a filosofia e o pensamento em períodos de crise. O Manuel Maria Carrilho emigrou, os filósofos caseiros servem bicas ou andam disfarçados de enfermeiros a dar consultas psicológicas em vãos-de-escada, "maneiras" que ficamos encalhados na ausência de resposta, se resposta há...

Glucksman adianta que a filosofia e o pensamento não servem para quase nada, já que cada homem é uma ilha que brilha, ou pretende brilhar solitáriamente nesta revolução sem finalidade que vivemos.

Mas se assim é, de facto, como explicarmos que um cínico, como foi Nicolau Maquiavel conseguiu convencer o frade Savonarola a moralizar a vida em Florença, apesar deste ter acabado a sua vida enforcado. Uma maldade irreparável...

Isto faz com que o cínico actue pragmáticamente, fazendo o contrário daquilo que pensa; o céptico lá respeita aqueles que dizem conseguir alcançar a verdade, e os moralistas estampam-se sempre.

Encontramos assim uma troika de "artistas" na sociedade, em que os que perdem são sempre mais honrados do que os triunfadores.

But..., há sempre um but... a verdade hoje tornou-se impossível, verteu-se num conceito dissoluto, evanescente. E tornando-se num estado gasoso a verdade torna-se indefesa, vendida à moda. E sendo assim o peso das convicções não bastam para refrear o cinismo - frio e sarcástico animado pela teoria de que os fins justificam os meios.

Quando este reconhecimento se dá na mente de alguns artistas percebe-se que a verdade é sempre uma convenção, negociável, com condições e prazos. A verdade - que deveria ser um impulso de liberdade - tornou-se, por razões velhas e doentes de toda uma civilização decadente, numa metáfora do tempo, precária, alheia aos valores que efectivamente tem valor.

Quando me pergunto hoje qual é a minha verdade só lembro dessa revolução sem finalidade que hoje todos vivemos, como se fôssemos aquelas vacas dos Açores que um publicitário "genial" pôs a pastar na Praça de Espanha na suposição de que dalí iria resultar um qualquer queijo roquefort que surpreenderia o Corte Inglês.

O que é a verdade hoje senão a vidinha de cada um de nós, nessa motivação hedonista-consumista-relativista que nem sequer serve para converter a verdade na liberdade, como seria suposto. De certo modo, todos ficámos reféns dessa falta de verdade. É para isto que a p... da filosofia serve: tornar claro quão miseráveis somos e miseráveis nos tornámos. Ainda que esforçados, já não sabemos ser diferentes. E aqueles que não alcançam isto ainda mais miseráveis são, pois desconhecem o estado de imbecilidade em que estão.

Tudo hoje ficou suspenso num mundo sem ideias. Chego a pensar que o tipo que meteu as vacas a pastar na Praça de Espanha (como jogada de marketing) era o homem "ideal" para emprestar finalidade à revolução que devemos empreender. Se ele pensou promover os Açores à pala dumas vacadas na Praça de Espanha eu posso presumir que se metermos Portugal no.......... sairemos da crise em que vegetamos.

O problema estará em saber preencher aquele espaço. Um espaço que também não deixa de ser miserável. Aliás, esta também é uma reflexão miserável que ocorre num tempo e num modo igualmente miseráveis.

Talvez seja esse o novo sinónimo das palavras verdade e liberdade: miserável.

Creme D`Or - Worth a Sin (funny commercial) & Best Players

que horas são?

NFL Fantasy Files: The Best Players

quinta-feira

Descubra as diferenças: Passos Coelho e a metáfora do pinguim...

Para quem ainda não descobriu a missão de Pedro "Passes Coêlho" (como diz o "grande" jornalista Crespo) no actual PSD encontra aqui uma metáfora: a metáfora do pinguim

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Gato fedorento Zé Carlos - Entrevia a Manuela Ferreira Leite

Contemporâneos - ...Compras...Manuela Ferreira Leite

Contemporâneos - Gafes:Manuela Ferreira Leite

Os Contemporâneos - Manuela Ferreira Leite

Steve Wonder - Isn't She Lovely

Stevie Wonder Isn't she lovely (espero que Wonder não se refira à crise...)

Paul Mccartney & Steve Wonder - Ebony And Ivory

Lugar de Porto Covo: foto nossa, letra e música de Rui Veloso -

Pôr-de-Sol em Porto Covo ...
Porto Covo, picadily...
Rui Veloso - Todo o Tempo do Mundo
Rui Veloso - Porto Côvo

As leituras de Pedro Passos Coelho: o second life

Consta (aqui) que Pedro Passos Coelho além de ser o "jovem mais velho" do PSD, dado que já é uma esperança política desde a década de 80 do séc. XX (misteriosos são os caminhos da liderança...) - trouxe agora uma inovação literária para a ribalta política. Referiu ter lido a "Fenomenologia do Ser" - atribuindo a sua autoria - não a Pacheco Pereira (grande expert em comunismo) mas, pasme-se, ao filósofo existencialista Jean Paul Sartre. Par azard, a dita obra não existe. O que existe é uma corrente fenomenológica que versa sobre a intencionalidade da consciência do homem, que visa interpretar os fenómenos que se apresentam à sua percepção.
Provavelmente, Passos Coelho ao olhar para a líder Ferreira Leite deve ver um monte de escombros, uma espécie de ruínas de guerra que o confrontam no seu processo de aprendizagem pondo em acção o "sujeito" e o "objecto". Talvez isso justifique o lapso de Coelho imputando a Sartre uma obra que não existindo - existe uma corrente fenomenológica que, no seu caso e contexto social, revela um desastre político designado Ferreira leite.
Nessa óptica, e tomando vantagem dum erro ou lapso, Passos Coelho deveria até ter lido Edmund Husserl, Martin Heideger, o velho-zarolho Sartre (que em rigor apenas veio dizer que a existência é prévia à essência, nada de novo, portanto!!!) ou ainda M. Merleau-Ponty. Talvez Coelho tivesse tudo isso em mente, e mais: que Michel Foucault foi visto no último Congresso do PCP no Campo Pequeno a fazer uma pega de caras integrado nos forcados da Golegã..., ou de Vila Franca de Xira, já não sei bem...
Do jovem Coelho tudo é esperado, afinal ele anda há quase 30 anos para se candidatar à liderança do PSD, e em vez do jornalista lhe perguntar quando é que acha que o destino deveria despachar a srª Leite para casa e aí tratar do netinho e fazer o bacalhau espiritual, perguntam a Passos Coelho coisas que ele nunca leu nem existem nos contornos referidos. Pode ser que Passos Coelho entre por esta via para o Second Life..., a fim de atingir as verdadeiras essências da vida, tornando tudo muito mais inteligível, captando o mundo na sua globalidade.
Cavaco também baralhava o número de estrofes de Os Lusíadas, muitos jovens em Portugal acham que Otelo Saraiva de Carvalho é que foi o verdadeiro Salazar, este, por sinal, "foi" o nome de um Hotel para muitos outros...
No fundo quem é que ainda não baralhou referências? Não misturou nomes de autores? Contudo, ficámos a saber que Passos Coelho leu primeiro os clássicos franceses, como Voltaire, e só depois mergulhou na literatura passional e realista de Camilo ou Eça. É um prematuro este rapaz.
Só falta perguntar-lhe que conclusões extraíu de Franz Kafka após ter lido O Processo... Talvez tenha sido aí que o Congresso de Guimarães do PSD se tenha inspirado para consagrar esse "absurdo" chamado Ferreira Leite. Portanto, Coelho não se enganou, ele apenas trocou as referências, e ao pensar na sua líder (a srª Ferreira) veio-lhe à cabeça o absurdo do Kafka narrado n' O Processo. Em rigor, Passos Coelho não é inculto, nem trapalhão, nem sequer quis armar-se aos cucos revelando uma cultura universal que, de facto, não tem; ele apenas sofre de aceleração mental, mecanismo que o empurra para tais dislates. Foi mais um. Por vezes é o preço que se paga entre abrir a boca e estar calado...
No fundo, temos de desculpar ao Pedro essas errâncias, tais imprecisões epistemológicas, como quem reinventa a roda, o fogo, a história, a literatura, a filosofia e a evolução das ideias que formatam as grandes dinâmicas políticas dos últimos três séculos.
O Pedro primeiro andou na jotinha laranja, por lá fez vida, partidarizou, intrigou, organizou, conspirou, idealizou, enfim, sonhou - e descambou num pesadelo. E só aos 30 anos, quando era suposto já estar licenciado, é que ele resolve demandar a Lusíada, essa universidade povoada de ex-salazaristas (embora também tenha gente boa) - e começar a fazer a sua licenciatura. É óbvio que neste circunstancialismo invertido algo teria de falhar. Foi a Fenomenologia que o traíu. C' est pas grave...
Pior seria afirmar que Ferreira leite antes de falar aos media e apresentar o seu pacote de medidas anti-crise vai dar uma voltinha de carrinhos-de-choque na Feira Popular e bebe uma garrafa de Aguardente Velha. Isto sim, seria injurioso... Até porque não existem provas de que a srª goste da pomada.
Grave mesmo é ele continuar a ser o jovem mais velho do PSD, e quando deveria assumir a liderança do partido - soçobra para esse elemento estranho ao corpo político revelando sinistralidade política representado por Ferreira leite. Este erro político ao pé de asneiras como dizer que Maquiavel terá escrito A Jangada de Pedra, atribuir a saramago a autoria da Bíblia, a Jesus Cristo o Livro do Pantagruel, ou mesmo afirmar que a Lili Caneças escreveu a História concisa de Portugal a meias com José Hermano Saraiva entre Palmela e uma das torres do castelo de Marvão - são peanuts...
Quem está quase 30 anos em "águas de bacalhau" a aguardar pela sua vez para se candidatar à liderança do psd, até é capaz de asseverar que a manuela Ferreira Leite foi a verdadeira autora do famoso Código de Condução da autoria de João Catatau - quando a srª Leite nem sequer a carta de condução tem. E anda a pé, e mal...
No fundo, tudo isto é relativo, logo desculpável... Hoje até podemos ter várias vidas, acreditar em Jesus Cristo e em Buda ao mesmo tempo, casar várias vezes, ser gay alternadamente com heterosexual (como afiança a Fernanda Câncio), gostar de Montanha Russa e ter vertigens e, como nota final, afiançar que este texto foi escrito a meias com o Passos Coelho e o Sartre cabendo a sua revisão técnica ao Fernando Pessoa - alí no Martinho da Arcada - por entre copos de três e alguns pirolitos e cartas d' amor para a Ofélia.
Hoje o espaço para a fantasia é limitado.
Eu até posso afirmar que o Pedro não cresceu e quando fala não passa dum ventríloco bem intencionado do alter-ego do eloquente Ângelo Correia, e que este quando pensa é sempre inspi$ado nos capitais das arábias - que hoje tanta falta fazem à economia nacional.
Por mim, o Pedro até pode dizer que viu o Eça na Lapa a recolher assinaturas para agendar um Congresso extraordinário do PSD a fim de consagrar esse jovem-velho que um dia meteu na cabeça que seria líder do PSD. Só não disse quando...
O Barroso safou-se com uma formulação semelhante... E depois de ter vendido a alma ao diabo, lá emigrou para Bruxelas. Ainda bem, assim inferniza a vida aos europeus deixando os portugueses um pouco mais tranquilos.
Já agora, também se poderia afirmar, com tom severo e grave, que foi Durão o autor do livro O meu Pipi... que é de autoria desconhecida, embora se presuma seja pertença do Gato Fedorento (em particular, o Ricardo Araújo).
Eu até posso afirmar que sou um misto de Brad Pitt e de Jesus Cristo Superstar a andar de skate na Alameda D. Afonso Henriques e o Pedro Passos Coelho um puto giro, com pose mas, na realidade, não tem nada na cabeça.
Dito doutro modo: valerá tanto como político como o Mário crespo como jornalista. Estão mesmo bem um para o outro, talvez por isso se entrevistem mutuamente.
No fundo, esta croniqueta nunca existiu, e quem a lê apenas está com uma tremenda ilusão. Se forem muitos, já é mais grave...
PS: Aproveito para enviar cumprimentos à Margarida Marante (na imagem supra) que foi uma grande jornalista na área política nos idos 80s. Foi uma pena ter desaparecido de cena. Há mulheres que nunca deveriam "casar"...
PS1: Já agora, se perguntarem ao Pedro quem escreveu A Insustentável Leveza do Ser, ele que responda que foi o Vaclav Havel, que se lixe o Kundera...
Jesus Cristo também não tinha biblioteca, como diria o outro...

Um projecto editorial...pelo jornalismo de investigação.

Portugal precisa hoje de bons jornalistas... Temos aqui defendido que um exemplo de mau jornalismo é representado no "veterano" Mário Crespo (o que é um paradoxo), e tal não decorre da sua campanha negra ao freeport (que foi miserável), mas da forma como fala o português, como se expressa e entrevista os seus convidados (como se estivesse na sua casa a ver um jogo de futebol), organiza as ideias e tira as conclusões e, mais grave, como viola todas as regras clássicas do bom jornalismo: rigor, isenção, objectividade e mais uma catrafada de regras que Crespo ou desconhece ou não consegue levar à prática, ainda que se esforce. Pois nem tudo é mau nele, o esforço deveria ser recompensado. Mas não no pleno exercício do jornalismo. Nuns casos, como aqui, chega até a embaraçar os entrevistados, bajulando-os de forma verdadeiramente inacreditável em pleno estúdio. Isto não é jornalismo, é algo diferente que a minha educação aqui me impede de escrever, mas não será difícil imaginar...
Esta introdução serve apenas para entrar no essencial, que aquele, e muitos outros jornalistas em Portugal, desconhecem. E desconhecem porquê? O mundo entretanto mudou, formiga de ideias que nascem, agitam-se e desaparecem ou reaparecem, e que sacodem as pessoas e as coisas. Ora, interpretar essas dinâmicas não se fazem com o jornalismo pacóvio e absurdo representado no Mário crespo, mas com jornalismo de investigação, mais sólido, mais rigoroso, mais reflexivo.
Naturalmente, essa expertise não se aprende apenas na tarimba da experiência, exige estudo que a generalidade dos jornalistas formatados na década de 70 manifestamente não tiveram, nem compensaram isso depois com estudos alternativos. O resultado, o sub-produto desse amadorismo improvisado tem nome: um jornalismo tendencioso, parcial que Mário Crespo hoje pratica. Um fio de novela sul-americana, uma multidão de paixões em stúdio, um gagarejar em composições de comboio, uma verdadeira conversa de chacha para a qual não há pachorra. Se, porventura, aquele jornalista tem o azar de apanhar um entrevistado que pense e fale como ele esse diálogo rápidamente degenera numa conversa de alcoólicos à saída duma cervejaria às 4 da madrugada. Ninguém se entende...
Ora, isso é o contrário do jornalismo - que implica rigor, método, imparcialidade, objectividade, reflexividade, cautela, manuseamento sóbrio das fontes e alguma racionalidade.
Hoje existem mais ideias na terra do que os intelectuais ou os jornalistas supõem. Tais ideias são mais activas, mais fortes, mais resistentes, mais apaixonadas do que pensam até os próprios políticos. Daí a necessidade de assistir ao nascimento dessas ideias e à sua explosão. Nao nos livros que as sistematizam, mas nos acontecimentos em que a sua força se manifesta, nas lutas que se travam ao redor das ideias, a favor ou contra elas. Não são, pois, as ideias que governam o mundo, mas é porque o mundo tem ideias - e porque as produz continuamente - que ele não é conduzido passivamente seja por políticos, seja por banqueiros, seja até por jornalistas na fabricagem das suas agendazinhas.
Não é aqui que temos de buscar a fonte daquilo que devemos ou não pensar na interpretação do nosso quotidiano. Tratando-se de jornalismo paroquial, doméstico e internacional. Isto habilita-nos a afirmar que hoje em Portugal o jornalismo político é como é, ou seja, medíocre (há excepções), porque carecemos de um jornalismo de investigação no País. Nuns casos, porque as universidades não têm conseguido fazer esse turn over no plano do ensino e na transmissão de conhecimentos, noutros casos porque uma classe de "jornalistas-manga-de-alpaca" (i.é, sem formação académica, beneficiando apenas da tarimba dos anos de prática enquistada na mediacracia) também tem resistido à renovação interna nas redacções dos jornais que dirigem. Por uma questão de poder oferecem toda a resistência possível para se manterem funcionais, o que agrava ainda mais, em certos casos, o clima de mediocridade latente na classe.
Há excepções, naturalmente...
Se mérito houve no freeport foi pôr a nú um jornalismo-parasita, lambisgóia, insustentável, caduco, estéril que não inspira nem estimula qualquer estagiário que ainda pense prosseguir os estudos nessa área.
A foto supra com M. Foucault (ladeado por Sartre que o Passos Coelho julga ser autor duma tal "Fenomenologia do Ser" que só existe na Lapa da sua mente) justifica a sua razão de ser neste contexto porque ele (Foucault), juntamente com outros filósofos e pensadores da altura, como André Glucksman, Alain Finkielkraut e outros, defenderam um verdadeiro jornalismo de investigação em França.
No fundo aquilo que hoje faz falta em Portugal. E é este o ponto desta reflexão.
Vistas as coisas neste plano, é por isso que defendemos que certos jornalistas em Portugal são tão maus. E isso não é bom para o jornalismo nem para a qualidade da democracia em Portugal.

Estelle e esse "soco sonoro" no estomago: Moloko

The Brit Awards 2009 - Estelle and The Ting Tings Perform [Cut]

Moloko - Sing it Back

Moloko - Forever More

Moloko - Familiar Feeling

Moloko - The Time Is Now

quarta-feira

Barack Obama e a "Pantera Negra"... A América unida por um dia

Acho que é a Michelle quem o inspira. Por cada festinha sai um discurso; por cada beijo uma medida política; por cada acto de amor mais pro-fundo uma reforma. Por cada reforma um filho... Talvez seja por isso que a Michelle já esteja de bebé...
O que é bom para a América a médio e longo prazos. Pois sempre é mais uma pessoa a querer comprar carro, casa, pipocas, etc..., aumentando a procura doméstica na economia.
Ter uma "Pantera Negra" daquelas em casa (ou mesmo fora de casa...) deve ser motivo de permanente inspiração. Deve dar tanto "trabalho" como governar a América em profunda recessão.
Eu também não desistia. Força Obama... Tu consegues, Pá!!!
PS: Alguém está a ver um dia assim em Portugal, em que PS e PSD congelam as suas divergências politico-partidárias e dão um abraço e fumam o cachimbo da paz... A questão aqui nem sequer é política, mas meta-política: quem é que iria abraçar a Ferreira Leite!? Esta impossibilidade técnica, de per se, inviabilizaria à cabeça o simbolismo do dia. Regressa Passos Coelho...
Dione Warwick That's What Friends Are For -

Cazuza e Baby Consuelo. Regresso ao passado para "comprar" futuro...

Cazuza - Faz parte do meu show

Baby Consuelo - Menino Do Rio

Richard Florida e a emergência do futuro em Lisboa

Vemos aqui Richard Florida em todo o seu esplendor na defesa das cidades criativas assente nos três t's (tecnologia, talento e tolerância), qualidades importantes, mas que hoje não chegam para encarar os problemas e resolvê-los corajosamente, ou seja, tomar em mãos obras que alteram a vida de milhares de pessoas causando-lhes transtornos diários, como a que está sendo feita na Ribeira das Naus - que consiste em tratar das infra-estruturas de sanemanento de águas residuais e de renovação de condutas de abastecimento de água à zona entre o cais do Sodré e Algés, consolidando também as fundações do Torreão Poente, hoje em risco de ruína. Obras que aguardavam realização há décadas, e que agora, em ano eleitoral e com o desgaste que causa aos transeuntes, está sendo executada. Portanto, as cidades criativas que fala Florida encontra outra realidade no terreno, pois na própria capital de Portugal os esgotos nessa zona nobre da cidade ainda estavam sendo despejados literalmente em condições terceiro-mundistas. Pelo que aos três t's terá que se adicionar sempre mais alguns ingredientes. Sob pena de a cidade ideal não se encontrar, a exclusão social aumentar, as condições de mobilidade não se resolverem e de tudo isso resultar uma cidade velha, estragada e doente - que afaste ainda mais as pessoas da capital. Daí a necessidade urgente de certas obras - como os esgotos que irão servir 120 mil lisboetas - que deixarão de lançar ao rio, mesmo em frente ao cais das Colunas, esgotos sem qualquer tratamento. No fundo, para que uma cidade possa pôr em prática processos e métodos sofisticados e criativos para desenvolver indústrias criativas e potenciar uma perspectiva global de negócio tem, primeiramente, de assegurar boas condições de habitalidade na cidade. O que não impede, como está sendo realizado na capital, que muitas coisas se possam fazer bem em simultâneo. Criando uma Lisboa sustentável, contribuindo para uma mudança de paradigma, o que implica que os cidadãos tomem consciência da necessidade de alterar mentalidades, atitudes e identificar as melhores políticas públicas municipais. Como diria Peter Drucker, e nisso António Costa tem sido pródigo, existe um tempo para fazer o futuro, precisamente porque está a fluir. Este é o tempo para agir.

António Costa no Dia D: sólido e produtivo

António Costa passou em revista alguns dos problemas que Lisboa enfrenta no Dia D, na Sic: pagar as dívidas da autarquia, reabilitar edifícios, proceder a arruamentos cujas condições de circulação se agravaram com as chuvas, devolver a zona ribeirinha aos Lisboetas, desembaraçar as obras há muito paralisadas na Baixa-Chiado e desbloquear dezenas de outros projectos igualmente importantes para a qualidade de vida na cidade. Licenciamentos, regulamentos e toda uma parafernália de burocracia que dantes emperrava e criava um caldo de cultura que convidava ao laxismo e à corrupção é, doravante, uma plataforma de eficiência e eficácia administrativa e maior igualdade no acesso dos munícipes aos bens, equipamentos e serviços da autarquia. Desde a habitação, ateliers, licenciamentos de obras - tudo ficou mais facilitado com o Simplis. Dito assim até parece propaganda, mas felizmente não é. Medida de que algo se alterou na CML, em que as palavras começaram a acompanhar os actos, as promessas encontraram realidade nos factos. No fundo, gerir uma cidade é compatibilizar contradições, harmonizar interesses contrapostos. Sendo que a qualidade de vida urbana compreende um conjunto de atributos, serviços de que as cidades dispõem ou produzem para facultar aos cidadãos, às organizações sociais e empresariais e às comunidades condições da realização pessoal, profissional e familiar para o exercício dos seus direitos de cidadania, mas também o ambiente para garantir o desenvolvimento das actividades produtivas e a coesão comunitária e territorial. E aqui aparecem o acesso à habitação; facilitação de serviços qualificados de educação e formação, saúde, cultura, lazer e desporto, bem como de serviços públicos e administrativos eficientes e amigáveis; condições de mobilidade, conjugando transportes, motorizados ou não, a mobilidade pedonal e a eliminação de barreiras para os deficientes; padrões urbanísticos, arquitectónicos e ambientais; segurança pública entre outras preocupações do governo da cidade. Tudo isto numa autarquia com uma dívida brutal, herdada do mandato anterior. E sem "ovos" António Costa e a sua equipa têm conseguido resolver e reformar muitos dos aspectos bloqueados na vida interna da autarquia, o que revela uma nova postura e um novo estilo de liderança autárquica em Portugal. Um líder credível para a capital com ressonâncias positivas para o futuro. Numa palavra: Lisboa está bem servida.

Google investiga bloqueio de 3 horas do Gmail

Obs: Se perguntarem ao Mário crespo talvez ele saiba e possa atribuir o bloqueio ao caso freeport, ou ao ministro Pedro Silva ou mesmo às condições climatéricas registadas no Cabo da Roca ou ainda, mais prosaicamente, ao estado de espírito de Valentim Loureiro. Crespo representa hoje uma sub-espécie do jornalismo político em Portugal: o jornalismo do absurdo.

terça-feira

Valentim Loureiro versus Mário Crespo (parte 2)

O Mário Crespo gosta é disto... O seu jornalismo paroquial converte-o num jornalista regional. Na (sua) excelência de conteúdos...

PSP apreende livros por considerar pornográfica reprodução na capa de um quadro, in tsf
"A Origem do Mundo", de Gustave Courbet
A PSP de Braga apreendeu, este domingo numa feira de livros de saldo, cinco exemplares de um livro sobre pintura, considerando que o quadro reproduzido na capa, do pintor Gustave Courbet, é pornográfico, contou à TSF António Lopes, organizador da feira. (...)
PS: O Mário Crespo adora estes acepipes, é como se alguém desse o "rabiosque e 8 tostões" para fazer um número. Recorro a esta expressão que é uma fórmula antiga, já do tempo do próprio Crespo, para mostrar o ênfase do jornalista ao transmitir na sic este tipo de notícias pirosas e paroquiais. E o mais paroquial é que ele, o soit disant jornalista da Sic, acha que belisca do Sócrates e o Governo no seu conjunto - tecendo aquelas notícias de carnaval - como se estivesse a anunciar a morte do Papa. Às tantas o Crespo ainda pensa que é Sócrates do seu gabinete em S. Bento que carrega num botão e manda a PSP apreender o dito livro.
Ele, porque tem um quadro mental pouco elástico, não compreende que as autoridades policiais do país, designadamente GNR e PSP - ainda gozam de um índice cultural baixo, e esse factor contribui, em inúmeros casos, para explicar certo excesso de zelo que, além de ridículos, são ilegais e nem uma gargalhada merecem.
Mas o Crespo o que deseja é "sangue". E nada melhor do que uma grelada relaxada daquele quilate porque, na realidade, é disso que ele se alimenta para nutrir a sua guerrazinha informacional ao Sócrates finda que foi a campanha negra do freeport (na qual também contribuíu, prestando um péssimo serviço ao bom jornalismo - que, na realidade, ele desconhece). Desde logo, pela forma como fala, naquele gagarejar arrastado que nem se percebe bem.
O Crespo jornalista é hoje o retrato ou a metáfora duma profissão que não estudou, não investigou, não se interdisciplinarizou e, como tal, faz ainda jornalismo com as emoções marginalizando as racionalizações. O resultado só poderia culminar naquele relaxe de meia-idade.
Olho para aquela figura relaxada e de tremendo mau gosto, embora saiba que os gostos - como a arte - cada qual tem a sua, e lembro-me logo da cara do Mário Crespo a reclamar o seu jornalismo de excelência - na excelência de conteúdos e cone...xos. Que é a sua, naturalmente..
Amanhã quando o jornalista Crespo apresentar uma qualquer outra notícia a imagem que se lhe cola melhor à cara é aquela "peça d´arte"..., decadente e relaxada, como certo jornalismo-parasita e hiper-emocional que há décadas deveria estar na prateleira em Portugal. Sobretudo, para dar lugar aos jovens jornalistas com melhor preparação teórica e cultural.
Façamos, pois, de conta que neste caso (também) foi o PM que mandou apreender o book. Assim, o Crespo fica todo lambusado de alegria.
PS: Meus amigos: se aquilo é arte, até o Crespo é um "grande jornalista" e a Ferreira leite subirá a PM no próximo Verão. Vivemos hoje tempos do absurdo.

Her Morning Elegance / Oren Lavie

João Rendeiro - um "banqueiro de sucesso". O Estado-vaquinha-cornélia

João Rendeiro é, hoje, uma "sub-espécie de Oliveira e Costa". Explicito: ao saber que dezenas, centenas dos clientes do BPP (de que foi o seu máximo responsável) faziam contratos a prazo e o banco dava-lhes outro destino a fim de gerar mais-valias - incorreu em deslealdade para com os seus depositantes. Isso configura um crime e deve ser sancionado pela lei. Tal como sucede a um cidadão que pediu um empréstimo ao banco e deixou de assegurar a sua prestação. Se não tem dinheiro, devolve a casa (hipotecada ao banco), que depois é vendida em leilão (a um oportunista que fará um bom negócio). Esta tem sido a prática da banca nos últimos anos em Portugal perante os cidadãos faltosos. Só falta perguntar para onde vão morar tais pessoas aos 30 e 40 anos, com mulher e filhos... Presume-se que vão todos de charola para casa dos pais. Enfim, uma grande salganhada. Ora, o dinheiro depositado no BPP não tendo asas próprias, voou para algures, e o "sr. Algures", hoje, não responde perante as centenas de clientes que pretendem desesperadamente recuperar os seus capitais, por vezes poupança duma vida e das quais dependem para sobreviver. Neste quadro dramático de rarefacção do capital talvez não fosse desavisado o sr. Rendeiro, o tal que teve a sagesse de lançar o seu livro no dia da bronca, vir a público dar uma palavrinha a fim de tranquilizar os seus clientes. Afirmando que tem intenções de lhes devolver os capitais, nem que para isso faça o óbvio: alienar o imenso património do BPP e assim honrar as dívidas. Seria o mínimo que o sr. rendeiro poderia - e deveria - fazer. Mas ele não aparece, e não aparecendo - nem com a ajuda de David Copperfield, nenhum leitor lhe poderá pedir um autógrafo. E é pena, porque mesmo quando não se consegue liquidar as dívidas, procura lavar-se a honra, qualidade essencial a quem está na banca, mas que aqui parece também estar em saldo negativo. O Estado, e bem, demarca-se dessa irresponsabilidade grosseira, mas terá meios legais (coercivos) para fazer aplicar a lei caso o BPP não honre as dívidas que tem para com os seus depositantes. O Estado não deve apenas intervir mediante a figura da nacionalização (como no BPN), no caso do BPP o Estado deverá operar mais como o contabilista de serviço a quem incumbe garantir o bem comum, ainda que para o efeito inste o banco privado (e os seus accionistas, novos e velhos) a serem pessoas de bem num estado de direito. Porque também foi à sombra dessas regras que fizeram fortunas.
Nada fazer, não aparecer, esconder-se é não apenas sinónimo de falta de carácter como uma grosseira irresponsabilidade que questiona a honra de todos aqueles que operam no sector da alta finança em Portugal. Nada fazer é presumir que o "Estado é a vaquinha-cornélia" que tudo resolve, e isso ninguém perdoará ao sr. Rendeiro e aos seus sócios, ou associados... Presumir isso é inadmissível.
Ah, e que paguem os juros...
PS: Desconhecendo o teor do livrinho do sr. Rendeiro atrevo-me a dizer que ele terá que fazer mexidas no Índice e, provavelmente, introduzir um Capítulo sobre lisura, carácter e honra no sector da banca em Portugal. Temo que será incapaz de o escrever. Mas alguém terá de o fazer...

Marcelo é o "analista-iceberg" português. O Bairro do Amor

O facto de Marcelo ter cunhado o PM três ou quatro vezes de "chico-esperto" coloca-nos um desafio epistemológico mais fino do que aquele que expendemos na reflexão abaixo. Ninguém está acima da lei, mas por efeito de sugestão e de repetição duma "ideia assassina" (de carácter) consegue-se produzir alguns efeitos na sociedade, foi isso que o comentador pretendeu ao designar como designou o PM em funções. Mas mais: naquele chico-esperto estão muitas sub-categorias sociais escondidas que representam comportamentos e actos ilícitos que são criminalizados pelos códigos vigentes, embora se considere que comprar ao melhor preço de mercado não entre nessa categorização.

Mas o que impressiona em Marcelo é, de facto, a sua grande fluência e articulação, ainda que não apresente nenhuma reflexão que mereça ser meditada ou ostente um pensamento mais elaborado. Tudo aquilo decorre duma maneira ilusória de sistematizar, de expor que, de resto, está em linha com o pensamento moderno das luzes, da racionalidade, da expressividade a que a própria constituição das ciências humanas estão expostas.

Mas o recurso repetitivo de marcelo à figura do chico-esperto teve três grandes objectivos no quadro da sua racionalidade política-analítica. Vejamos sumariamente cada um deles:

    • 1. Deslocar o sentido das causas materiais de um facto (aquisição de casa) para um lugar da ilicitude - colando no visado uma aura de corrupto e, por esse expediente discursivo (com elevada sugestão), criar um reflexo falseado na sociedade mediante a fórmula relativamente passiva do "chico-esperto" para animar a intriga social em que Marcelo há muito se especializou;
    • 2. Deslocar em direcção às estruturas psíquicas insconscientes dos portugueses a ideia de que têm um PM vigarista, e por essa via antagonizar a vontade do eleitorado com o desejo de Sócrates ser novamente eleito. O psiquismo de Marcelo vai a este ponto: pérfido. O que não conseguiu na política, executa na análise;
    • 3. Deslocar em direcção à natureza discursiva do psd de que com Ferreira Leite não existem chico-espertos, mas apenas gente virtuosa, anjos que pairam acima dos homens. E talvez por isso o Bairro da Lapa devesse mudar de nome, para o Bairro dos Anjos - ou mesmo Bairro do Amor, para retomar uma letra e música bonitas de Jorge Palma.

Já se percebeu que Marcelo não sendo um conhecedor do sistema de signos de que a linguagem é portadora, não é parvo e sabe utilizar as palavras para as transformar em calhaus e, assim, partir a espinha e a cabeça a muita gente. É o que o comentador tem feito ao longo de 30 anos de análise. Com virtudes, seguramente, mas também com imensos defeitos, como aqui sinalizamos. Em França Marcelo seria banalisado, mas Portugal ainda é pequeno e paroquial, por isso ocupa um lugar especial neste mundinho da análise e do comentário político.

Só que é um "lugar especial" povoado de enxertos analíticos, travestidos duma linguagem aparentemente neutral e a-política mas cuja finalidade é, de facto, assassinar o carácter dos visados. Trata-se do PM, do ministro da Agricultura ou de qualquer outra personalidade que o comentador, por acção ou omissão, pretenda queimar na praça pública.

No fundo, esta arrumação conceptual, que revela que Marcelo não passa dum mito analítico dos anos 70 e que hoje pouco ou nada diz às gerações emergentes de investigadores, é também a prova provada de que o comentador se serve das suas análises para fazer combate político. O que é desleal na medida em que os visados não se podem defender no momento dos ataques.

Marcelo aparenta ser um sacerdote da análise mas, na realidade, ele é um grande frustrado da política, um guerreiro da análise cujos comentários dizem mais acerca da sua personalidade do que esclarecem a dos visados. E nesse sentido, o comentador é um "analista-iceberg" digno dum study-case pela psicanálise.

Ao esconder as suas verdadeiras motivações políticas (disfarçadas de análise objectiva e isenta) deixa entrever que o comentador tem um sério conflito de personalidade entre a sua dimensão de académico (sucedido) com a sua dimensão de político (frustrado). E isto não se resolve fazendo análise na tv, resolve-se no divã do psicanalista.

Resta saber é quem está disponível para...

Jorge Palma e Lena d'Água - O Bairro do Amor

UM BÓNUS...
Bruce Lee vs Chuck Norris

O chico-esperto é uma instituição. O exemplo de Marcelo e a Política com todos

Qual de nós não tentou já armar-se em chico-esperto... Na fila do trânsito, na repartição de finanças, nos correios, na padaria, no quiosque, na farmácia, na política e até na análise e comentário político...
Ontem o douto Marcelo Rebelo de Sousa usou e abusou desse epíteto para cunhar o PM - no âmbito da compra de casa que parece ter decorrido ao melhor preço de mercado. Mas Marcelo aproveitou a onda do Freeport e tentou fazer um "tubo", como se diz em linguagem de surfista. O que interessa é que o efeito de sugestão tenha prevalecido sobre a natureza dos factos. Com o curso, segundo Marcelo, o PM terá feito o mesmo. Depois rematou, como quem julga a vontade dos portugueses através do comentário político, que tal "chico-espertismo" não impedirá os portugueses de voltar a eleger Sócrates para o cargo de PM, um sonho tornado pesadelo para Marcelo.
E porquê? É simples: por vezes, muitas vezes, o comentarista congela a sua função de analista e vê-se ou transporta-se para a função de PM, sentado no cadeirão de S. Bento, que ele tem recalcada na sua personalidade.
Até parece que Marcelo acha que os portugueses gostam da figura do "chico-esperto", por isso irão votar nele novamente. No fundo, Marcelo chamou chico-esperto a todos aqueles que votam Sócrates. Como Marcelo nos últimos anos não vota PSD, presume-se que também seja um deles...
Pergunto-me o que diria o PSD em bloco, com Paulo Rangel à ilharga, caso amanhã António Vitorino cunhasse a srª drª Manuela Ferreira Leite de "bacalhau seco" (que é como alguns dos seus assessores a tratam à boca pequena), "tábua de engomar", "idosa lambisgóia", "bisnaga", o canivete-da-Lapa (este é meu e vai entrar agora na gramática política, que Deus me perdoe) ou mesmo "bruxa da Ajuda" - um lugar que tem uma ressonância negativa para Santana Lopes. Tudo nomes que não dignificam a política nem a relação pessoal e institucional que deverá existir sempre entre todos os titulares de cargos públicos - bem como na sociedade em geral.
Ora, o facto do douto Marcelo ter usado e abusado do epíteto relativamente ao Primeiro Ministro de Portugal (goste-se ou não dele) - abre a porta para que o próprio Sócrates (ou qualquer outro actor político), amanhã, numa qualquer cerimónia pública, pergunte:
  • Como qualificar o próprio Marcelo quando este deu o mergulho no rio Tejo para, através desse expediente balnear oportunista, tentar arrebanhar uns votinhos para a CML - que perdeu em 1989, e bem, para Jorge Sampaio?
  • Como qualificar Marcelo quando atribuía a nota de 16 valores a Marques Mendes quando este interferia diáriamente na vida interna da autarquia de Lisboa quando esta era dirigida pelo prof. Carmona Rodrigues?;
  • Como qualificar Marcelo quando designou Francisco Pinto Balsemão de "lé-lé da Cuca", facto pelo qual foi depois convidado a pedir desculpa(?);
  • Como qualificar Marcelo quando tentou estabelecer uma aliança política (contra-natura) e oportunista com o cds de Paulo Portas cujo desfecho o obrigou a sair pela porta pequena do PSD e da política activa?;
  • Como qualificar Marcelo quando nos últimos 20 anos mais não tem feito do que torpedear sistemáticamente os vários líderes do seu próprio partido?;
  • Como qualificar Marcelo quando este faz Pub. a livros que, em inúmeros casos, ou não têm qualidade ou nem sequer foram devidamente lidos (?). Bem sei que tem uma biblioteca em Celorico que deseja equipar, mas...

O douto Marcelo tem, de facto, um grande problema de afirmação política em Portugal. Ele sabe que é um herói na academia, um jurisconsulto conceituado, um comunicador nato. Mas, na realidade, quando ele tenta acertar o passo entre aquelas dimensões da sua vida socioprofissional com a dimensão política o gap é tão monstruoso quanto frustrante. Fica uma mão cheia de nada. E isso diminuo-o perante qualquer político em Portugal.

Este facto tortura psicológicamente o comentador e abre a porta para que uma tendência comportamental (desviante) nele se avolume: a esquizofrenia política, da qual resultam as relações de amor-ódio que o analista desenvolve com alguns actores políticos em Portugal - que escolhe como alvos dos seus comentários. Sócrates é um, o ministro da Agricultura deste governo é outro. Mas há mais. Em tempos teve Belmiro na mira, mas depois faltou-lhe coragem para passar a fronteira e kantianamente auto-limitou-se.

Ao fim e ao cabo, qualquer autarca de província, que tenha mandado calcetar uma rua ou requalificado a empena duma igreja já fez mais obra do que Marcelo, que tirando as aulas, os pareceres e a direcção do Expresso poucas ou nenhumas marcas deixou na política activa em Portugal. Intriga, muita intriga... Paulo Portas que o diga naquelas histórias da vichysoise de Belém, que o obrigaram a publicar invenções de Marcelo nas folhas do Indy...

Na teoria psicopolítica isto explica as toneladas de traumas que Marcelo já interiorizou na sua vida política. Portanto, é compreensível que ele diga o que diz do PM. Podemos até dizer que, de facto, tudo aquilo a que o douto Marcelo se propôs perdeu sempre. Nem sequer autarca em Lisboa conseguiu ser. Nem mesmo com o lance de manifesto "chico-esperto" através daquele mergulho no rio Tejo - os lisboetas se deixaram endrominar pela teoria que Marcelo critica em Sócrates, mas que, afinal, tem sido um verdadeiro autor e praticante em Portugal.

Sobretudo, quando se serve dos comentários dominicais para catalogar e apoucar as pessoas que ele tenta combater politicamente através da sua suposta "análise".

Creio que pior do que ser chico-esperto é, por vezes, sermos intelectualmente desonestos (que é uma espécie de chico-esperto terceiro-mundista). E nisto o comentarista já tem uma tonelada de doutoramentos.

Em rigor, o problema de Marcelo, tal como o de Pedro santana Lopes, nem sequer é político ou analítico, mas psicanalítico. E o mais grave é que eles ainda não perceberam uma coisa tão simples...