sexta-feira

O vinho e os tratados de filosofia

Uma frase gira que uma amiga teve a amabilidade de partilhar.
Alegadamente da Duquesa do Cadaval: "Palavras para quê se, como diz o Poeta - "num só copo de Vinho há mais sabedoria do que em todos os tratados de Filosofia " (AS)
Obs: Gosto disto, apesar dos riscos da bebedeira. Na história sempre houve gente que não soube (sabe) beber vinho.

James Ingram & Michael McDonald - Yah Mo B There. Barry White,James Ingram,El Debarge & Al B.Sure

(To-F.-Sininho-W.L.)
James Ingram & Michael McDonald - Yah Mo B There

CRISTAL SONORO A CAVALGAR UMA PÉROLA N1 ROLLS (sem vinho)

Barry White,James Ingram,El Debarge & Al B.Sure! (High Quality)

Coldplay e keane

Coldplay - Viva La Vida
Coldplay - Talk
("alguém" me lembrou que os K. têm imensa "garganta" mas, na realidade, é mais talento. Apenas um misperception)
spiralling - keane

MUNDO MELHOR - por António Vitorino -

Raras vezes umas eleições presidenciais americanas terão despertado tanto interesse no mundo inteiro. O que paradoxalmente sucede num momento em que os EUA se apresentam particularmente vulneráveis do ponto de vista económico e registam índices de popularidade como país bastante baixos.
Este interesse resulta, antes do mais, da convicção que todos temos de que o resultado das eleições acabará por ter um impacto significativo na nossa própria vida corrente.
Mas também da inequívoca novidade que trouxe a candidatura de Barak Obama. Novidade que resulta sobretudo de, pela primeira vez na história, um americano de cor poder ser eleito para a Casa Branca. E este aspecto simbólico tem por vezes obscurecido outros aspectos inovadores que a candidatura democrata trouxe para a ribalta da vida pública americana.
Não se trata apenas de Obama ser um orador eloquente e dar provas de uma notável autocontenção perante a campanha negativa que contra ele foi movida, acima dos padrões a que nos habituámos nas eleições americanas. A campanha presidencial democrata usou meios e adoptou métodos de construção de um movimento de opinião muito assente em redes de contacto ou de convergência de interesses individuais e sectoriais, beneficiando das novas tecnologias de informação e de comunicação, que recolocaram o cidadão individualmente considerado no centro do diálogo político com o próprio candidato.
Estes aspectos inovadores merecem ser estudados, na medida em que muito provavelmente farão escola e serão replicados noutros quadrantes geográficos.
O enquadramento multilateralista das suas posições políticas fundamentais, a persistência nas grandes linhas económicas que definiu mesmo antes da crise financeira e que foram reiteradas e ampliadas depois da queda de Wall Street, a clareza do seu discurso sobre os malefícios dos offshores não regulados (como nunca antes havia sido feito por qualquer outro candidato presidencial), a retoma de uma linha de orientação assente na redistribuição da riqueza pela via fiscal, tudo isto contribuiu para que afirmasse uma dimensão de estadista com um rumo e uma vontade que muito o beneficiou perante o comportamento errático do seu adversário.
Como chamava a atenção Timothy Garton Ash esta semana no Guardian, Obama foi-se construindo durante os dois anos que leva de campanha, e essa evolução foi presenciada e escrutinada pelos próprios eleitores em todos os seus momentos decisivos.
Claro que em democracia não há vencedores antecipados. E as sondagens ainda se apresentam, em aspectos críticos para a vitória, dentro de uma margem de erro que não permite dar nada por adquirido. Mas os sinais apontam para ser mais forte a probabilidade de uma vitória de Obama.
Nisso parecem acreditar, aliás, os defensores portugueses de John MacCain, que se consolam por antecipação, prevendo as desilusões que um Obama-Presidente dará aos seus defensores europeus (maioritariamente de esquerda).
Tendo manifestado há muito tempo (logo no começo das próprias primárias) a minha preferência por Obama, fi-lo sempre na certeza de que Obama seria eleito Presidente dos EUA... para defender os interesses americanos, claro está! E esses interesses, em vários momentos, não coincidirão com os interesses europeus.
Mas a diferença da eleição de Obama virá dos valores, não dos interesses. E é esse reencontro com valores que mais facilmente partilharão americanos e europeus que me motivam neste momento. Valores que uma certa retórica neoconservadora espezinhou e depreciou nestes últimos oito anos e em relação aos quais os europeus, na sua esmagadora maioria, permaneceram afectos.
É que para os europeus em geral, e para a esquerda europeia em particular, será sempre preferível que o Presidente dos EUA seja alguém que sabe que a América precisa do mundo. Já que a esquerda europeia que acredita na liberdade, no multilateralismo e na tolerância, por seu turno, é a esquerda que sabe que o mundo precisa de uma América predisposta ao diálogo e liderada por quem sente na sua própria condição humana o valor do respeito das diferenças!
Porque esse será, sem dúvida, um mundo melhor!

Obs: [...] "Pouco me importei. As baixas expectativas libertavam-me de preocupações, vários apoios providenciais deram novo fôlego à minha credibilidade e atirei-me à corrida com uma energia e alegria que pensava já ter perdido. Contratei quatro ajudantes, todos na casa dos vinte, inícios dos trinta, inteligentes e convenientemente baratos. Arranjámos um pequeno gabinete, fizemos o nosso papel timbrado, instalámos linhas de telefone e vários computadores. Passei quatro ou cinco horas por dia a telefonar aos principais doadores democratas e a tentar que me voltassem a ligar. Dei conferências de imprensa a que ninguém compareceu. Inscrevemo-nos na parada anual do Dia de São Patrício e ficámos no último lugar disponível, de modo que eu e os dez voluntários acabámos a desfilar meia dúzia de passos à frente dos camiões de limpeza das ruas, a acenar aos poucos retardatários que tinham ficado pelo caminho, enquanto os trabalhadores da limpeza varriam o lixo e arrancavam os autocolantes com trevos verdes dos postes. A maior parte do tempo, no entanto, andei a viajar, muitas vezes sozinho, de carro, primeiro de bairro em bairro, depois de condado em condado e de cidade em cidade, até chegar ao extremo do estado (...)", in B. Obama, A Audácia da Esperança, Casa das Letras, pág. 15.

  • Agora Barak Obama está quase a "montar" o Império (vindo do bairro-do-condado-da-cidade-e-do-estado - e cuja herança é pesada) - que se encontra como aqueles leões em fim de carreira nas paisagens do Seringheti - incapazes de patrulhar o território e suster a ameaça de leões inimigos mais novos e vigorosos, de procriar e de lutar pelo espaço vital, é este o momento - também vital - em que a América irá ter, pela 1ª vez na sua história, um negro (embora multicolor por dentro...) sentado no cadeirão da Sala Oval. E é (já) crença generalizada, naturalmente, que por um mundo melhor, como sinaliza - e bem - António Vitorino.

ENOVIT Portugal: um salão em crescimento constante!

ENOVIT Portugal: um salão em crescimento constante!
O ENOVIT Portugal está de volta nos dias 6, 7 e 8 de Novembro de 2008, na FIL – Parque das Nações - Lisboa, para acompanhar todos os profissionais do sector da viticultura e enologia nas profundas mudanças que o sector está a atravessar.
Este Salão tem vindo a consolidar o crescimento de área de exposição de empresas nacionais, espanholas, francesas, italianas e alemãs, e de visitantes profissionais nacionais e estrangeiros.
A ambição do ENOVIT é clara: ser um mundo de ideias e de soluções ao serviço de todos os profissionais da fileira da vinha e do vinho. Para tal, irá desenvolver-se à volta de 3 eixos principiais:
- A terra e a condução da cultura da vinha ( material de tracção, material de cultivo da vinha, viveiristas, produtos fitossanitários, adubos, material de poda e de vindima);
- A adega e a elaboração do vinho (material de transporte e recepção da vindima, cubas, barricas e balseiros, adegas, material de laboratório, higiene, manutenção, logística);
- O mercado do vinho (engarrafamento, embalagem, rótulos, rolhas, marketing e comunicação, comercialização, formação, informática, consultores, finanças e seguros);
Assim, a próxima edição será uma vez mais o ponto de encontro de profissionais e, empresas do sector que elegem o Salão como a altura ideal para o lançamento de novos produtos e serviços juntos dos agentes económicos, assim como para reforçar a sua presença no mercado nacional.
(...)

O Borda d´Água também apoia o Obama.

O Obama deveria agradecer.
Com tanto apoio McCain devia desistir in advance...

The Economist (e o Finantial Times) dois apoios de peso (simbólico) a Obama.

"The Economist" apoia Barack Obama
"A "The Economist" não tem voto, mas se tivesse, ele seria para Barack Obama". O candidato democrata tem melhores hipóteses de restaurar a autoconfiança da América, diz a revista britânica que se junta, assim, ao "Financial Times" e vários jornais norte-americanos no apoio a Obama.
Ana Luísa Marques "A 'The Economist' não tem voto, mas se tivesse, ele seria para Barack Obama". O candidato democrata tem melhores hipóteses de restaurar a autoconfiança da América, diz a revista britânica que se junta, assim, ao "Financial Times" e vários jornais norte-americanos no apoio a Obama.
A revista admite, no entanto, que votar em Obama é também um “risco”, devido à sua falta de experiência e transparência em relação a algumas das suas crenças.
Ainda assim, Obama deve ser a escolha dos Estados Unidos, dado o futuro difícil que se prevê.
PS: Pergunte-se ao 24h. que candidato é que apoia.

quinta-feira

Fausto Bordalo Dias. Tom Jobim e Frank Sinatra. Três socos (sonoros) no estomago...

Todo este céu" - Fausto Bordalo Dias

Garota de Ipanema

A garota de Ipanema

O Magalhães ou a bolsa. A bolsa ou a vida...

O GRANDE CHEFE - com graça ironiza aqui em torno do Magalhães. Pensei para com os meus botões: entre investir na bolsa e investir no Magalhães, escolhia o PC anti-crise.

POEMA XX - PABLO NERUDA (c/trad.p/o Portugues). Carteiro...

POEMA XX - PABLO NERUDA (c/trad.p/o Portugues)
Da il postino

La poesia conquista Beatrice - Frammenti di Neruda

Whitesnake, Scorpions, Falco e Moloko. Quatro narrativas, dois tempos.

Whitesnake - Is This Love
Scorpions - Rock you Like a Hurricane LIVE 2000
Falco - Der Kommissar

Moloko - The Time Is Now

Moloko "Familiar Feeling

Os homens do teatro... Rui Veloso e Clã e...

Os estudantes de teatro dividem-se em duas categorias: os que cultivam e representam a cólera e os que preferem o choro. Mais adiante emergem os chamados "empresários da choradeira" - que procuram racionalizar (e popularizar) as emoções e canalizá-las para um determinado sentido. Todos representamos, mesmo aqueles que dizem só querer escrever romances ou defender a qualidade do ar. O mundo, que já é velho e resistente, aguenta com tudo isto e, ainda por cima, se ri.

RUI VELOSO - Todo o tempo do mundo

Vício De Ti

Clã - "Sexto andar"

Alcântara: novo terminal de contentores

Alcântara: novo terminal de contentores
Empresa do grupo Mota-Engil, a Liscont apresenta, esta quinta-feira, os planos de alargamento do terminal de contentores em Alcântara, intervenção que está já a levantar polémica, sobretudo pelo impacto visual e ambiental que pode causar naquela zona de Lisboa.
Em declarações à TSF, o presidente do Sindicato dos Estivadores mostra-se, contudo, de acordo com a obra, sem a qual «o porto de Lisboa vai acabar por morrer».
«Se não houver expansão do terminal de contentores e se não for aprovado o projecto de expansão para o porto de Lisboa, obviamente, este porto morre. Este porto tem que fazer face aos desafios da competitividade. É essencial e primordial a sua expansão», sublinha Vítor Dias.
Já o presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, assume-se contra a decisão do Governo de ampliar o terminal de contentores, já que, além de não conhecer bem o projecto, a parte que conhece, preocupa-o.
«Em termos de impactos ambientais não sei quais são as consequências, por exemplo, para as areias do Tejo. Também sou contra por se fazer um prolongamento de uma concessão por mais 27 anos sem concurso público», afirmou, em declarações à TSF,
José das Neves Godinho.
Obs: Aperfeiçoe-se o projecto a fim de diminuir impactos visuais que estraguem a bonita vista da cidade de Lisboa, em particular na sua linha costeira. É para isso que serve o diálogo entre engenheiros e arquitectos. De caminho, esclareça-se a questão do concurso, ou falta dele.

O Miguel Sousa Tavares é um prematuro

Luís Faustino
Miguel Sousa Tavares abandona reunião municipal
Miguel Sousa Tavares abandonou a reunião do executivo municipal onde se discute o alargamento do terminal dos contentores de Alcântara. "Não vim aqui para assistir a uma sessão de propaganda do Porto de Lisboa", disse aos jornalistas. O escritor Miguel Sousa Tavares abandonou hoje a reunião do executivo municipal, onde se dicutiu o alargamento do terminal dos contentores de Alcântara.
"Não vim aqui para assistir a uma sessão de propaganda do Porto de Lisboa", disse aos jornalistas depois de ter abandonado a sala na altura em que Manuel Frasquilho, presidente da administração do Porto de Lisboa, começou a apresentar o projecto.
Em frente aos Paços do Concelho, local onde decorre a reunião, membros do sindicato dos Estivadores manifestaram-se e acusaram o movimento cívico, que contesta a expansão do terminal, de ignorar o "impacto social e financeiro" do projecto e da actividade do Porto de Lisboa.
Miguel Sousa Tavares pertence à associação cívica que está contra o projecto, o que fez com que fosse insultado à entrada pelos estivadores.
À saída, Sousa Tavares reconheceu aos jornalistas que aguardava escolta policial para abandonar o edifício. , in Expresso.
Obs: Imagine-se que Miguel Sousa Tavares começava a apresentar o seu próximo romance na Fnax de Freixo de Espada à Cinta (daqueles a que Vasco Pulido Valente classifica da forma que conhecemos..) e, no preciso momento em que começa a falar todos os seus convidados abandonam a sala. Inclusive o editor. E até alguém da casa apaga a luz, sob pretexto de que a crise impõe poupanças energéticas draconianas. O Miguel ficaria, assim, às escuras. Assim ao estilo do PCP quando a direita no hemiciclo apresenta um projecto de lei mais ousado. O que pensaria o Miguel dos seus próprios convidados?! Bem não seria, certamente. Isto na forma.
Desde logo, por razões de educação. Ainda que possam existir razões estéticas ou paisagísticas (ou outras) que colidam com a competitividade económica conexas à necessária modernização do Porto de Lisboa, sob pena de muitos dos fluxos económicos se perderem para outros portos. Governar é tramado. Sempre foi mais difícil do que escrever um romance.
Mas o Miguel não é um player qualquer: é um escritor com imensa influência que quer vir a ser recordado como um clássico, sobretudo ao nível dos seus leitores mais resistentes.
Eu, confesso, leio alguns dos seus artigos com gosto, os seus livros nada me dizem.
Mas a sua posição faz-me lembrar sempre a daqueles eco-fundamentalistas que se colocam sempre do lado dos gafanhotos com dois rabos, das baleias e dos pássaros de 7 asas em desfavor do desenvolvimento económico que cria riqueza, paga salários, alimenta as pessoas, etc.
O Miguel é um escritor de cruzada. Veremos a quem é que a história irá dar razão, sendo certo que em todos os processos de modernização económica e de mudança social não há inocentes.
Mas poderia ter ouvido algumas explicações, não lhe ficaria mal, e, assim, também não passaria por mal educado na casa que o convidou e recebeu.
Este Miguel é um ingrato, ainda sobe a ministro das paisagens e ordenamento do território. Não existe, mas pode ser criado (nalgum romance) - que depois o Vasco irá comentar..., as usual.

Cafe del Mar: Afterlife - Breather (Arifhunda Mix) e Massive Attack - Live With Me (Terry Version)

Remake
Cafe del Mar: Afterlife - Breather (Arifhunda Mix)
Massive Attack - Live With Me (Terry Version)
Buddha Bar 10 Years - An Indian Summer - Al-Pha-X
Deep Forest - Sweet Lullaby

Fernando Pessoa, again...

Pessoa explica tudo: Caeiro, Campos, Reis, Soares e o mais... Todos eles são um mundo e ninguém. Essa foi a arte: o tudo e nada. A coisa é, aparentemente, simples: todos nós somos o mundo e ninguém. O eu moderno é, cada vez mais isso, essa abrangência-nula do 1000-ao-Zero em 5segundos.
O génio de Pessoa reside nisso: numa antecipação alucinante que multiplicou máscaras sobre o rosto do nosso nada. Actuando asim, não o ocultou nem o reduziu, como sublinhou Eduardo Lourenço, um pessoano dos quatro costados. Contribuindo para fazer brilhar Pessoa com intensidade.
Até um inspector-estagiário da PJ com dois dedos de testa perceberia isso - tratando-se dessas (outras) máscaras usadas por El solitário nos assaltos a bancos. Em Espanha e em Portugal.
De facto, Pessoa, mesmo sem querer, elaborou uma teoria poética que fez incursões na criminologia que hoje pode ajudar a compreender muita coisa ao nível das polícias de investigação. Mais fácilmente se apanha um criminoso se se dominar a teoria da máscara. E uma teoria da máscara explica sempre a génese de dezenas de máscaras.
Sobretudo hoje em que o mundo inteiro anda a representar, desde logo a economia virtual não casa com a economia real.

‘El Solitário’ “arrependeu-se” de assaltar

Primeira sessão de julgamento na Figueira da Foz, in CM
‘El Solitário’ “arrependeu-se” de assaltar
‘El Solitário’ confessou esta quarta-feira no Tribunal da Figueira da Foz que tinha a intenção de assaltar a agência da Caixa de Crédito Agrícola daquela cidade, mas acabou por se arrepender do plano antes de ser detido. (link)
“A minha intenção era assaltar o banco, mas no último momento arrependi-me. Quis voltar à carrinha sem assaltar o banco”, disse Jaime Gimenez Abe, na primeira sessão de julgamento.
Suspeito de vários assaltos em Espanha, ‘El Solitário’ justificou a sua desistência com o facto de não ter nada contra as agências bancárias portuguesas. “A minha luta é contra os bancos espanhóis e não contra os bancos portugueses. O sistema financeiro português a mim não me afectou nada”, sustentou.
Acusado do crime de resistência à autoridade, Giménez recusou a acusação, afirmando que “era impossível resistir à autoridade”, porque “lamentavelmente não tenho três mãos”.
Questionado pelo procurador do Ministério Público, Adérito Santos, sobre o porquê de não ter regressado à carrinha, estacionada num parque, e ter continuado a andar junto à agência bancária, ‘El Solitário’, justificou que “era muito mais discreto continuar a caminhar e dar a volta”, considerando que, por usar um colete à prova de bala debaixo da roupa, “parecia um pequeno super-homem”.
Gimenez é acusado de um crime de roubo na forma tentada, um de falsificação, um de resistência à autoridade, detenção de armas e munições proibidas.
Obs: E parece que este animal também matou 3 agentes policiais em Espanha. Pior que um assassino só mesmo um assassino armado em intelectual do crime com um discurso de autojustificação.
No meu entendimento os crimes deveriam ser tipificados em graves e muito graves, e nestes - os respectivos criminosos deveriam levar uma pena elevada - com a agravante de que a sua manutenção na cadeia (comida, roupa, cuidados de saúde, etc) fosse paga às expensas dos próprios criminosos. Do muito que sacaram à sociedade.
Quantos traumas - além dos assassinos - é que este animal causou à sociedade espanhola? Pergunte-se também ao criminoso se a génese do seu arrependimento é prévia a saber que iria ser engaiolado ou é post-factum...
Além de criminoso é idiota. Um idiota-criminoso.
Ainda por cima, armado em intelectual revolucionário, o que configura um outro crime: o de ofensa aos intelectuais que não fazem mal a uma mosca. Estes, por regra, só se ofendem entre si... Mas é com palavras.

quarta-feira

Ricardo Salgado Espírito Santo parece optimista

Presidente do BES parece optimista
Crise: Ricardo Salgado já vislumbra sinais de recuperação Apesar de considerar esta conjuntura como a pior de sempre
O presidente do Banco Espírito Santo (BES) acredita que já se começam a fazer antever, nos últimos dias, alguns sinais que indiciam o início da recuperação internacional.
Na apresentação de contas do banco relativas ao terceiro trimestre, quando levado a fazer uma antevisão da duração desta crise financeira, Ricardo Salgado, manifestou-se ligeiramente optimista com os próximos meses, embora reconheça que esta é a «pior crise de sempre», pelo menos da «sua geração».
Optimista, mas prudente, o responsável referiu que «é impossível dizer se a crise ainda vai ser pior do que já é, mas no BES achamos que não».
«Há uma conjugação de factores conjunturais e estruturais que apontam para uma recuperação», acrescentou.
Mais. Para o responsável é bem possível «que se esteja a atingir um nível de sustentação do mercado que capitais» e que, assim sendo, «é bem possível que venhamos a assistir a partir do final deste ano, início do próximo, a uma recuperação da situação internacional».
Obs: Ricardo Salgado quando fala é porque fala e o país deve ouvir. Aliás, entre ele e a lei existe uma relação mais estreita que entre o crente-católico e a Bíblia. Ricardo já fala em recuperação, é bom sinal. E até acredito que esteja a ser sincero, porque a matemática financeira não é ciência que engane muito, salve se se recorrer a um expediente que fez carreira nos circuitos empresariais internacionais nos últimos anos e que responde pelo nome de contabilidades criativas.
Mas talvez não ficasse mal a Ricardo - sempre colocado numa pose majestática do séc. XIX - que me evoca António Borges - um dos 100 Vice-presidentes da Goldman Sachs despedidos, que sublinhasse o papel verdadeiramente crucial que os chamados fundos soberanos tiveram no aplacamento da crise do sistema financeiro português, do qual o BES é parte, e com o qual ganha milhões por ano - e, doravante, como toda a banca nacional (e internacional) irá beneficiar a fim de evitar o colapso.
Numa palavra, ficaria bem a Ricardo dizer a palavra mágica: obrigado Estado.
Já agora, será que Ricardo é católico...

Modelo ACROPOLIS - uma cozinha "translumbrante" que qualquer português gostaria ter. O mod. Gioconda

Um modelo de cozinha anti-crise, pró-esperança - a prometer o céu na Terra.
O skyline também não é mau...
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Modelo GIOCONDA

Talvez este seja um modelo de cozinha mais adequado à conjuntura de crise. No caso de colapso financeiro - sempre poderá ser vendida como peça d' arte. Com pouca desvalorização...

O peso da imagem. Tributo a Giovanni Sartori. Madonna


Passamos a vida amarrados a imagens. Na tv, na rua, criamos empatia (ou não) em função do peso das imagens, apesar delas, por vezes, muitas vezes, nos dizerem pouco acerca do que retratam e ainda menos do mundo que procuram reflectir. Mas o ponto é que a imagem nos é servida em chinês, árabe, inglês, português. É uma pastilha que todos temos que gramar: a imagem. A imagem é, assim, uma espécie de O2 - sem a qual vivemos.
A televisão é, naturalmente, o seu veículo, ela gera o telever - deslocando o contexto da palavra para o contexto da imagem. A diferença é profunda e altera os fundamentos da nossa comunicação.
A tv é um espaço de aventura (pequeno, é certo). Mas é, acima de tudo, um efeito de substituição que inverte todo o esquema da compreensão em favor do "ver". Ou seja, até certo ponto o mundo e os acontecimentos eram-nos relatados pela palavra (via rádio, veja-se a brincadeira de Orson Welles com a chegada dos marcianos à América em 1938, no arranque da II GM...), hoje o mundo é-nos servido à mesa com belas e desgraçadas imagens. Umas seduzem-nos, outras tiram-nos o apetite. É o que me sucede quando vejo Alessandra Ambrósio e uma líder da Lapa. Deus é assim, um grande sacana - que ao distribuir a beleza - a uns colocou no início da fila, a outros no meio e a outros no fim. E o pior é quando essa alegada "beleza" interior também não existe.
Esta equação leva-nos (até) a supôr que os fundamentos da Bíblia teriam de ser alterados, pois quando se diz que no princípio era o verbo segundo o Evan. de S. João - deveria hoje, pela ultrapassagem da palavra, que no princípio era a imagem. E é com base nesta "evolução" que o Alberoni, curiosamente, chega a uma conclusão tão simples quanto brilhante quando nos diz que:
Os rapazes ouvem preguiçosamente aulas... esquecendo-as rapidamente. Não lêem jornais... Trancam-se no seu quarto com os posters dos seus heróis, vêem os seus espectáculos, andam na rua mergulhados na sua própria música. Acordam apenas quando se encontram na discoteca à noite. (...)
Vem tudo isto a propósito de duas razões que se cruzaram: o facto de uma amiga me dizer que não tem televisão em casa (quer dizer, numa das casas, assim é que é..) e o mundo ser-nos explicado essencialmente através de imagens. A ponto de quando tentamos agarrar uma explicação para o racionalizar e apenas temos imagens, toneladas de imagens - onde quase as palavras não entram como até parecem estranhas a esse mundo.
Isto reconduz-nos ao essencial. Giovanni Sartori - que é um sábio do nosso tempo, e à sua capacidade em ter-nos lembrado todo este desnível que hoje existe quando se compara a imagem relativamente à palavra, com aquela a esmagar. Um esmagamento que nos deixa, naturalmente, culturalmente atrofiados.
Ora, se pensarmos um pouco mais - e olharmos para a América-eleitoral verificamos que Barack Obama é, de longe, um homem que cultiva o pensamento, a palavra e, nesse sentido, recria o contexto conectivo de valores, crenças, concepções, ou seja, recupera as simbolizações que reflectem a sua cultura. E isso não é apenas bom para a América, é também bom para o mundo.
Portanto, estou em crer que se Giovanni Sartori pudesse votar na América votaria Obama.
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Madonna - Don't Cry For Me Argentina
"Hoje acordei assim:" (TO-ACS)

E assim...
Madonna-Miles Away (with lyrics)

Apartamentos Luxuosos Coberturas Terraço em São Paulo

Segure-se..., por causa das vertigens!!!

SNAIDERO - Cucine Per La Vita

http://www.snaidero.it/

Versão portuguesa: Tergom,
Designer Pininfarina
[Link]

Se Amy bebesse Chardonnay cantaria melhor...

Que maldade: dê-se Chardonnay à senhora...
Amy Winehouse fucked up and drunk @ Rock in Rio Lisbon 2008

Amy Winehouse pode ser presa
Amy Winehouse pode ser detida, caso não se apresente à Justiça nos próximos dias, para prestar esclarecimentos sobre o caso da alegada agressão a um homem, num espectáculo em Setembro do ano passado.
De acordo com o tablóide The Sun, a Polícia Metropolitana britânica quer interrogar a conhecida cantora devido a uma queixa realizada por Sherene Flash, de 30 anos, que terá sido alegadamente agredido no rosto, quando pediu para tirar uma foto com o seu ídolo.
Durante o mesmo evento, a polémica artista teria também cuspido na cara de Pippa Middleton, irmã da Kate Middleton, namorada do príncipe William, o filho mais velho da princesa Diana e segundo na linha de sucessão ao trono do Reino Unido.
Apesar de ter sido intimidada a comparecer ao interrogatório, Amy, de 25 anos, não de apresentou na última quarta-feira, na esquadra do centro de Londres, e nem sequer pediu desculpas pela ausência ou justificou o sucedido.

amy winehouse back to black live

Mark Ronson Ft. Amy Winehouse - Valerie (Baby J Remix)

Mark Ronson Ft. Amy Winehouse -

Valerie (Baby J Remix) -

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A crise global vista de Paris - por Mário Soares -

A CRISE GLOBAL VISTA DE PARIS
Mário Soares
1 . Passei o último fim-de-semana alargado em Paris. É sempre agradável, apesar do mau tempo: frio, com vento e muito enevoado. Sobretudo para quem viveu tantos anos na Cidade-Luz, por estar expulso da sua terra, como eu. Paris, que era então o centro cultural do mundo e hoje já não é. Mas está, agora, na presidência da União Europeia, com o agitado, frenético e imprevisível Presidente Sarkozy, onde os problemas mais agudos da actualidade estão tão presentes nas televisões, nos debates, nos jornais, nas conversas e preocupações das pessoas. Sente-se o mal-estar, a incerteza e a desconfiança quanto ao futuro. Talvez mesmo um começo de pânico.
Fui a convite de Ignacio Ramonet e da equipa do Le Monde Diplomatique e a temática proposta para o colóquio tinha duas vertentes: democracia e progresso social na América Latina, por uma política europeia independente; e a crise financeira internacional vista do Sul: como reconstruir um sistema em falência?
Nela participaram personalidades sul-americanas e europeias: como o ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Nicolas Maduro, Miguel Ángel Martínez, socialista espanhol, vice-presidente do Parlamento Europeu, Edgar Morin, o filósofo francês da complexidade (que à última hora não pôde estar presente, por um incómodo de saúde), Raúl Morodo, antigo embaixador de Espanha em Portugal e na Venezuela, Bernard Cassen, o professor suíço Jean Ziegler, deputados e senadores europeus, de vários países, embaixadores em França e na UNESCO de países latino-americanos, entre muitos outros. Por lá passou ainda o antigo primeiro-ministro francês Villepin.
A sombra da crise, não só financeira mas global, com inúmeras vertentes, pior do que a de 1929, esteve presente em todos os debates. Não uma crise que está a ser debelada, com a injecção de milhares de milhões de dólares e de euros europeus, dos bancos centrais, nos respectivos bancos, seguradoras e algumas empresas dos respectivos Estados, mas antes uma crise, extremamente complexa, que está para durar, no mínimo dois anos, embora alguns reputados economistas (como Stiglitz) falem em pelo menos uma década.
Como já escrevi nesta coluna, não basta injectar dinheiro, muito dinheiro - como tem sido feito - para a crise ser debelada. Porque a especulação continua e há gente a ganhar muito dinheiro com a crise. A crise é sistémica - é preciso que as pessoas tomem consciência disso - foi o neoliberalismo que entrou em falência e a globalização desregulada, os paraísos fiscais e a especulação desenfreada que daí decorrem e continua. Portanto, não é voltando a encher os bolsos aos maiores responsáveis que podemos resolvê-la. É preciso uma mudança também global do sistema, mudar o modelo económico - o capitalismo na sua fase financeira e especulativa, de tipo virtual - para voltarmos à economia real, com os pés fincados na terra, lutando contra as desigualdades sociais, a pobreza e em defesa do planeta, ameaçado. É o fim do capitalismo? Respondo: do capitalismo virtual e especulativo, com certeza.
O Magazin Littéraire, francês, publica no seu último número - de Outubro de 2008 - um dossier dedicado a Marx intitulado Razões de Um Renascimento. É um dossier muito completo - e pedagógico - elaborado por filósofos, politólogos, economistas, sociólogos e antropólogos, condicionado pelo "espírito do tempo" (Zeitgeist, como lhe chamava Hegel) que mudou com a crise. Diz-se na introdução: "Passada a época dos anátemas e das caricaturas, somos levados, pela lógica das coisas, a redescobrir o pensamento marxista, em todos os seus registos e paradoxos: antropologia, economia, sociologia, filosofia e militantismo político." Tendo em conta - obviamente - o deficit do pensamento de Marx "em matéria de teoria política, segundo Patrice Bollon, que conduziu às derivas autoritárias que se conhecem"... E eu acrescento: totalitárias, com Lenine, Trotsky, Estaline, Mao Tsé-Tung e tutti quanti...
2.Repensar a esquerda. Eis a que nos conduz o espírito do tempo, se queremos vencer a crise e substituir o sistema. Não se trata, como sugeriu o Presidente Sarkozy, de "destruir o capitalismo financeiro e especulativo e punir os responsáveis" para "refundar outro capitalismo", ou seja: a mudança necessária para que tudo fique na mesma. Trata-se de algo mais simples e concreto: manter a economia de mercado, introduzindo-lhe regras éticas e jurídicas estritas capazes de assegurar a justiça social, numa nova ordem político-económica mundial que tenha como objectivos: erradicar a pobreza, no plano internacional, reduzir drasticamente as desigualdades, encerrar os paraísos fiscais, centros principais de especulação, punindo os traficantes e os especuladores financeiros e voltando aos valores éticos. Reforço do Estado, das instituições internacionais (começando pelas herdadas de Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial, que devem ser integradas na ONU, bem como a Organização Mundial do Comércio).
O multiculturalismo e o pluralismo ideológico e político, num mundo global e, portanto, multilateral, são fundamentais para podermos vencer a crise global, mediante um esforço de governação mundial, no quadro de uma ONU reestruturada e democratizada, única forma de fazer frente, com êxito, aos desafios também eles globais, com que estamos confrontados: a paz, as graves ameaças que pesam sobre a Terra, a criminalidade mundial, a fome, a droga, pandemias como a sida, etc. Marx está de volta? Ou Keynes? Em parte, sim, em virtude do fracasso estrondoso do neoliberalismo e da concepção hegemónica, unilatera- lista, do pensamento único da chamada democracia liberal, que os americanos sonharam impor ao mundo. Mas não para restabelecer o dogmatismo da cartilha marxista, na leitura que dela fizeram Lenine, Estaline ou Mao...
O socialismo democrático, que trouxe à Europa a paz - e os "30 gloriosos" anos de crescimento económico, em liberdade e bem-estar para todos -, foi de algum modo "colonizado" pelo neoliberalismo. Está hoje sem rumo e sem lideranças. É por isso que precisa de ser repensado - e está a sê-lo, por toda a esquerda europeia, social, sindical e partidária. Poderá ser uma luz ao fundo do túnel, para as nossas angústias, se houver diálogo, espírito de tolerância e de bom senso, entre todas as correntes que se reclamam da esquerda, moderada e radical.
3.Obama é sem dúvida uma esperança. E está a ganhar caminho todos os dias. Inscreve-se no "espírito do tempo". Que é a mudança. Não só pela sua vitória pessoal - que só por si representa uma revolução cultural na América -, mas pela vitória dos democratas no Congresso (muito provável, dadas as divisões dos republicanos) e pelas consequências que a dupla vitória tiver no Supremo Tribunal Federal...
Obama não é socialista. Mas é keynesiano e tem como referência Franklin Delano Roosevelt. Está confrontado com a pior crise de sempre. Quer trazer os soldados americanos de volta do Iraque, reformular a ONU, voltar ao pioneirismo americano, interessar-se pelo bem-estar de todos os americanos, saúde, educação, segurança social. E sobretudo ouvir e dialogar com as pessoas. Com os americanos e os outros. O que representa um virar de página. Eis o que significa uma revolução pacífica e democrática. Abre o caminho para um mundo, seguramente, melhor. O resto, dependerá do desenvolvimento da cidadania global.
Obs: Divulgue-se.

ONDE SE FALA DA IMPORTÂNCIA DO RISO

ONDE SE FALA DA IMPORTÂNCIA DO RISO João Miguel Tavares Jornalista -
A política portuguesa dá-se mal com o sentido de humor. O ministro Carlos Borrego foi corrido por causa de uma anedota, nos tempos em que Cavaco Silva era primeiro-ministro. O professor Fernando Charrua foi dispensado por andar a brincar com a licenciatura de José Sócrates. O gosto pelas piadas do ministro Mário Lino só lhe tem causado embaraços. E na semana passada o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, foi exercitar o seu sentido de humor para uma reunião do PS e levou pancada durante dois dias. Num país onde a asneira é livre, tentar pôr uma plateia a rir parece ser uma actividade mais arriscada do que comprar acções do Lehman Brothers.
Aliás, nem sequer é preciso tentar pôr uma plateia a rir. Jaime Gama - só para ficarmos com o exemplo mais recente - limitou-se a dizer que seria boa ideia que os deputados do PS fizessem o seu trabalho de casa para a próxima legislatura. O que, temos de convir, só pode despertar gargalhadas em quem já estiver a nadar em Raposeira. Ainda assim, Gama não escapou à traulitada do seu próprio partido. Ele devia saber o que o esperava: afinal, a Assembleia a que preside é sisuda como uma missa de sétimo dia. Abundam as tiradas sarcásticas, é certo, mas o sarcasmo tem uma natureza diferente da ironia: o seu primeiro objectivo é mandar abaixo e ridicularizar o próximo. Agora, rir de si próprio - como ainda recentemente riram nos Estados Unidos John McCain e Barack Obama, no jantar de caridade da Fundação Alfred E. Smith, ou a própria Sarah Palin no Saturday Night Live - e fazer rir os outros, é uma absoluta (e perigosa) raridade.
Já há um par de anos, Pacheco Pereira cunhou a expressão "engraçadismo", para responder à paixão pelo humor que ele encontrava nos blogues e que, a pouco e pouco, se tem estendido aos jornais. É um tema sobre o qual valerá a pena falar em pormenor um dia destes, mas não deixa de ser sintomática a resistência à entrada da ironia no espaço público, sobretudo quando estão em causa assuntos ditos "sérios". Lembram-se de Umberto Eco e de O Nome da Rosa, onde a hipótese teórica do riso de Deus era motivo para uma sucessão de assassínios? Em Portugal ainda estamos mais ou menos assim: há coisas com que não se brinca. E é uma pena que assim seja, porque uma sociedade que não se sabe rir de si própria é uma sociedade deprimida, infeliz e pouco inteligente. O riso é uma das características únicas da espécie humana e aquilo que nos separa dos outros primatas. Gente demasiado séria está mais próxima dos macacos do que aqueles que fazem macaquices. Mário Lino, Jaime Gama, trocistas nacionais - aguentem firmes. Vocês estão no bom caminho.
Obs: A única diferença do "engraçadismo" (segundo a expressão de PP) que hoje separa os jornalistas que o produzem e aqueles outros que o fazem na blogosfera é só uma questão de dinheiro. Os jornalistas ainda conseguem ganhar algum escrevendo nos jornais, os outros não. Mas também não é isso que os anima.

Djavan-"Esquinas" live

AC

terça-feira

Obama leva vantagem, a uma semana das eleições

Obama leva vantagem, a uma semana das eleições
WASHINGTON (AFP) — Os dois candidatos à Casa Branca estiveram hoje na Pensilvânia (leste), um dos estados mais importantes para a eleição do 44º presidente dos Estados Unidos, a exatamente uma semana do pleito.
Segundo a pesquisa diária Washington Post/ABC News, o democrata Barack Obama estaria a sete pontos de distância do adversário republicano John McCain (52% contra 45%). Segundo o site independente especializado RealClearPolitics (RCP), contaria com um avanço de um pouco mais de seis pontos (50,4% contra 43,6%). (...)
Obs: Solicite-se a Obama que seja magnânime para com McCain - convidando-o, desde já, para seu assessor para área da política externa. Ou me engano muito, ou a expressão de apoio sociológico a Obama será muito maior do que aquela que as sondagens expressam. Sabe-se que as pessoas mentem nesses inquéritos de opinião. Neste caso, a mentira favorece (artificialmente) McCain, mas serão as votações nas urnas (cuja vontade expressa neste momento está oculta na consciência de cada um) que irão conceder uma maioria expressiva em Obama. Em nome da mudança, em nome duma nova América.

Evocação de Peter Drucker. Ser economista?!

Depois de muita gente considerar o fundador da Gestão como um economista, há uma história sobre Keynes que o afastou de tal caminho. A coisa é simples e conta-se numa penada:

Quando estive em Londres nos anos 1930, eu apanhava o comboio uma vez por semana para ir assistir às aulas de John Maynard Keynes, em Cambridge. Havia muito "diz que disse" naquele ambiente. Keynes era homossexual e estava casado com uma linda lésbica e o casal era motivo de grandes conversas na época, como imaginam, mas o meu interesse não eram esses "detalhes". Nas aulas, subitamente, apercebi-me que Keynes e todos aqueles brilhantes estudantes de economia falavam do comportamento das mercadorias e não das pessoas!. Eu disse para comigo que o que me interessava eram as pessoas, e que sendo assim nunca poderia vir a ser um economista.

in Peter Drucker, de Jaime Cardoso e Jorge Nascimento Rodrigues, CA, 2006

América-eleitoral

A América de Obama e McCain - sendo aquele de longe uma melhor opção para o Império e para o mundo - está um pouco arrefecida. Os debates já foram, a Sara de McCain entrava mais do que ajuda, a crise económica, financeira e social estremeceu a América-profunda, mas, na realidade, falta algo que agite, que bombardeie os espíritos dos americanos e os mobilize. Sob pena de tudo continuar enfadonho. Falta um escândalo, uma "garganta funda" do séc. XXI, faz falta uma Mónica com as saias sujas de leite condensado auxiliada por um Procurador fundamentalista. Faz até falta uma mentirinha de Bill. Falta uma princesa na estória. Falta algo na América decadente, podre e em ruínas. Eis os produtos embalados que o Tio Sam tem exportado para a Europa. Nós a querer exportar Chardonnay para os camones branquinhos e insulares, mas é a Europa que hoje leva com os produtos tóxicos duma América em fim-de-festa. Oxalá que Obama tome posse, e limpe a merdinha sobrante. Quanto mais rápido isso ocorrer, mais rápido a Europa regressa ao consumo e ao emprego. E mais depressa também nós fazemos o take-of económico.

Billy Idol, Vicente, Paredes e rotações

Billy Idol - Sweet Sixteen
vicente amigo - tres notas para decir te quiero
Carlos Paredes - Guitarra com génio
310 km/h in Autobahn with Honda CBR1100XX

segunda-feira

Algumas Notas Soltas de António Vitorino - aqui do burgo -

(...)
Paulo Rangel anunciou, esta segunda-feira, após o Presidente da República ter voltado a vetar o Estatuto Politico-administrativo dos Açores, que vai exigir que o PS altere as normas do documento que levantaram dúvidas a Cavaco Silva.
«Não há propriamente uma semelhança entre o primeiro e o segundo veto» do Chefe de Estado, porque enquanto o primeiro «foi por inconstitucionalidade», o segundo deve-se a «uma apreciação politica», começou por dizer
. (...) in TSF
António Vitorino arrumou a questão perguntando aos seus botões por que razão Cavaco não enviou, ab initio, a questão para o TC, competente para ajuizar dessa alegada inconstitucionalidade.
A questão embrulhou-se, pelo meio meteu-se uma coisa que só envenena as relações pessoais e políticas: o capricho. E agora é o capricho que comanda as emoções do grupo parlamentar do PS e de Belém. Enfim, tempo perdido, apesar de se pensar que, na essência, Cavaco tem razão: os poderes presidenciais não podem (e não devem) ser condicionados por uma lei ordinária - colocando as assembleias regionais acima da própria Assembleia da República em matéria de audição para eventual dissolução. Ninguém gosta que nos vão ao ninho roubar os ovos, mais-a-mais à nossa frente...Mas se Cavaco tem razão na substância, foi mal na forma nesta polémica questão do Estatuto dos Açores.
Portanto, antes da questão ser política - ela é Constitucional. É um pico de tensão que dá sal ao relacionamento entre órgãos de soberania. Enquanto isso o mundo vai entrar entra em recessão - com a Alemanha e os EUA - a demonstrar a sua fraqueza, e até a China que crescia quase 10% ao ano vê agora o seu crescimento reduzido a metade.
As bolsas e os fundos de investimento - reflectem aquela recessão, desvalorizando-se. Mas nem tudo parece ser mau: a taxa euribor baixou, o mercado interbancário retomou a normalidade (graças aos fundos soberanos), o Fed nos EUA baixou a taxa de juro, movimento que foi seguido na Europa através do BCE.
Mas como não há almoços grátis, as chamadas indústrias de ponta, como o sector automóvel também acusam a crise, que se agrava pela alta do petróleo - que obrigará o sector a inovar e a mudar o paradigma da construção de automóveis e na utilização das suas fontes de energia. Ainda assim, a previsão de crescimento da economia nacional para 2009 é de 0,6%, na Alemanha é de 0,2% - o que é mau para a Europa, visto que a Alemanha é um motor importante no coração do Velho Continente.
Em suma: a crise está aí, veio sem ser convidada, insinua-se, ofende-nos, difama-nos, injuria-nos, humilha-nos e oprime-nos. Cospe-nos cara sem que possamos ripostar. Nem com caçadeira de canos cerrados. Entra em nossa casa, invade o nosso WC, mete-se na cama connosco, lava-nos os dentes (quando não os parte deixando-nos a gengivas a sangrar), esvazia-nos o frigorífico e o tanque de combustível do carro, abre-nos um imenso espaço na dispensa e o mais.
O desemprego também irá subir, facto que é já registado nos CE e, como se isto não bastasse, ainda temos uma líder da oposição, Ferreira leite (a governanta da Moviflor da Lapa), que considera que o Estado não deve desenvolver um programa de investimentos públicos para motorizar a procura, desenvolver e modernizar o país (em infraestruturas como barragens, aeroportos e infraestruturas aeroportuárias, redes viárias, etc) como forma de contrariar a dinâmica de crise - que poderá descambar em recessão e, nos casos mais graves, em depressão.
No final, AV deu conta duma notícia importante, segundo a qual a Comissão Europeia irá relançar um programa de financiamento e apoio às redes transeuropeias (onde estará ao TGV e o aeroporto) nacionais.. Por isso, fez pouco sentido quando Judite perguntou se entre o TGV e o aeroporto internacional de Lisboa - qual deles faria mais sentido. António Vitorino, que sabe mais com os olhos fechados do que meio mundo de olhos abertos, riu-se...
E se calhar fez bem em se rir. É que Obama vai "limpar" as eleições na América. E quando isso suceder (já no próximo mês) - as políticas sociais e o take of da economia mundial tenderá à retoma, e isso, a acontecer, será bom para a América mas também para a europa e para o mundo.

Problemas do século XXI - por Francisco Sarsfield Cabral -

Problemas do século XXI, in Público
Em 1994 um grupo de financeiros considerados super-inteligentes lançou em Nova York um fundo de alto risco. O Long Term Capital Management começou por gerar lucros fabulosos. E dois dos seus promotores, os académicos Robert Merton e Myron Scholes, partilharam em 1997 o Nobel da Economia.
Só que a ciência dos seus gestores não impediu que o LTCM tivesse em 1998 um prejuízo de 4,6 mil milhões de dólares. A Reserva Federal, comandada por outro mago da finança, Alan Greenspan, veio então salvar o que restava daquele fundo. Essa operação da Fed foi criticada por incentivar à irresponsabilidade na tomada de riscos. Um incentivo do mesmo Greenspan que ganhou fama baixando os juros para proteger as bolsas. E opondo-se à regulação dos novos produtos derivados, muitos dos quais depois se revelaram “tóxicos”. Agora Greenspan diz-se arrependido.
Nos Estados Unidos o sector financeiro só em parte é regulado – a parte da banca comercial. O shadow banking system (com lhe chama The Economist) cresceu brutalmente e quase sem regulação nas últimas décadas, envolvendo bancos de investimento, fundos de risco (hedge funds) e outras instituições financeiras.
Convém recordar estas coisas, agora que se fala na reforma do sistema financeiro, por vezes com demasiada pressa. É o caso de Sarkozy, pois a presidência francesa da UE acaba no fim do ano. Importa considerar sobretudo as ideias de quem conhece por dentro os mercados.
O caso mais célebre é o de George Soros. Mas há outros. Em 2005 saiu em França um pequeno livro, onde um homem de negócios, político e professor de Economia, Jean Peyrelevade, põe em causa o “capitalismo financeiro”. Traduzido e prefaciado por Alfredo Barroso, o livro acaba de sair em Portugal e ganha acrescido interesse porque a crise financeira veio dar razão a várias afirmações do autor (O Capitalismo Total, ed. Século XXI).
Não é preciso concordar com tudo o que Peyrelevade diz para apreciar este livro. Por exemplo, é enganadora a distinção radical que faz entre capitalismo financeiro e economia real, com o primeiro a dominar a segunda.
Toda a economia, incluindo a financeira, é real. No séc. XVIII os fisiocratas julgavam que só a agricultura produzia valor. Depois, com a revolução industrial, acrescentou-se a indústria. Para os regimes soviéticos só contava o produto material. Hoje, nas sociedades avançadas predominam os serviços, incluindo os financeiros. É tudo real.
Claro que na finança há muita coisa enganosa. Mas não são retirados do mercado medicamentos que, afinal, fazem mal? Ou não há electrodomésticos que se compram e depois não funcionam?
Dito isto, é inegável que o sector financeiro cresceu demasiado depressa e sem regras adequadas. O peso desse sector na bolsa americana passou de 5% em 1980 para 24% em 2007. E a vertigem do lucro fácil e rápido fez-se sentir sobretudo na área financeira.
Peyrelevade tem razão ao criticar a “utopia incoerente” dos adversários da globalização. Mas sublinha a grande questão do século XXI, a perda de força dos Estados nacionais frente a um poder económico global e anónimo. Sem enquadramento político da globalização, a democracia perde sentido, pois quem realmente manda não responde perante os cidadãos.
O autor deste livro também considera uma utopia a abolição do mercado. Mas aponta falhas na maneira como ele está agora organizado. Por exemplo, o capitalismo anglo-saxónico, que tem virtudes e conquistou terreno nas últimas décadas, assenta muito no mercado bolsista.
Ora a excessiva dependência das cotações bolsistas tem efeitos perversos, com os gestores a empenharem-se nos lucros trimestrais e não na saúde a longo prazo das empresas. Tanto mais que parte dos vencimentos dos gestores está ligada a essas cotações. Só que, acrescento eu, a ditadura do curto prazo também existe na politica democrática, com eleições cada quatro anos...
E há uma questão politicamente explosiva, que Peyrelevade aponta: a crescente vantagem do capital sobre o trabalho na repartição dos ganhos económicos. O que, graças ao êxito do capitalismo industrial nos primeiros três quartos do séc. XX, é um problema da classe média, para a qual passou a maioria do proletariado. A estagnação dos rendimentos da classe média é central na campanha eleitoral americana – é nela que estão os eleitores que contam.
Francisco Sarsfield Cabral Jornalista
Obs: Medite-se nesta reflexão, nas suas referências e nos eventuais ensinamentos que dela possamos retirar para a economia nacional. Enfim, mais uma boa prestação do Francisco. No fundo, andamos todos a querer saber como REGULAR a "besta" da globalização predatória (R. Falk) que se impôs ao mundo (desarticulando a vida dos Estados, fragmentando a vida das sociedades, escavacando algumas empresas, atomizando as pessoas). Regulá-la, desde que a humanizemos também...

A-Ha, LightHouse Family, Eurythmics

A-HA - Hunting High And Low
(Superb)
LightHouse Family
Sweet dreams

Orson Welles e o efeito Ferreira Leite na política portuguesa. Os marcianos estão a chegar à Torre de Belém e a retoma à Av. de Ceuta

Difundido em 1938, na rádio americana CBS - uma encenação intitulada A invasão dos marcianos. Foi aí que Orson Welles, o célebre actor e realizador de cinema, desencadeou uma onda de pânico junto de alguns dos seus ouvintes, persuadidos da iminência da chegada dos marcianos à Terra. Esta experiência de dimensões reais parecia confirmar a validade das interpretações, comprovando o poder absoluto dos media, capazes de induzir qualquer comportamento junto de um público fraco e crédulo.
Ora fraco e crédulo é hoje a clientela do PSD - que deve rondar uma ou duas dúzias de pessoas (incluindo familares e vizinhos) que apoiaram a srª Ferreira leite no famoso Congresso de Guimarães (e logo em Guimarães, fundação da nacionalidade). Consabidamente, a brincadeira de Orson Welles levou o terror (radiofónico) à América (que hoje ainda está mais aterrorizada com W.).
Neste contexto - sugiro a Marcelo que na sua próxima missa dominical vá para a RTP - paga com os impostos dos portugueses - fazer mais um número made in Orson Welles - só que em lugar de dizer que os marcianos estão quase a chegar à Torre de Belém para depois darem um mergulho no rio Tejo (para conquistar Marte e Vénus) - anuncie ao País que a sua candidata a PM é, ela própria, a srª Ferreira leite. Logo verá as "ondas de paixão", perdão, de pavor que a coisa suscitará nos tugas.
Ah, já me esquecia: ele como jurista (só pode calcular leis, decretos e regulamentos) - os materiais políticos ficam apenas reservados aos politólogos.

A Guerra dos Mundos

PS: Seria interessante a TSF meditar nesta brincadeira-lição do séc. XX - e projectá-la em novos moldes neste 1º quartel do séc. XXI. Poderia mesmo amanhã abrir a Antena dizendo que a retoma está aí, o crescimento do PIB em Portugal para 2009 é na casa dos 10% (à chinesa) rebentando com as previsões do FMI e com os receios de Teixeira dos Santos (que também deverá passar a comprar pen(s) na Fnac e não nos chineses), os salários da função pública seriam aumentados 2 pontos percentuais abaixo daquele crescimento exponencial, as exportações aumentariam para cinco vezes mais, o consumo dispararia, o preço dos combustíveis desceriam 50% - diante da descoberta duma nova fonte energética e menos poluente (a tal ponto das petrolíferas passarem a promover postas de crude nas farmácias para não se perder de vez a comercialização daquela velha energia), o país conheceria um incremento em creches e infantários (para as mamãs menos abonadas), a Saúde - além de gratuita também passaria a ter alguma qualidade (assim já não se operam pessoas ao fígado com problemas nos dedos nos pés), e toda uma variedade de indicadores socioeconómicos e culturais passariam, desse modo, a ter destaque na Antena da TSF.

Ora, como a Economia é, essencialamente, um jogo de expectativas assente na confiança poderia consolidar-se a crença de que Portugal sairia desta crise numa semana.

Enredo parece que já temos, Antena também. Agora só falta mesmo é o Marcelo agarrar no micro e encenar mais esta narrativa-velha, se bem que adaptada aos novos tempos.

Ao nosso tempo. Com sorte, talvez pegue...

E se pegar cumpre-se o sonho de Manuel João Viera, o vocalista dos Ena Pá 2000 - quando defendia que todos os portugueses deveriam ter um Lamborghini miura e poder comprar um fatinho no Conde Barão, ainda que pago a prestações...

By the way, será que João Vieira voltará a ser candidato a Belém (contra Cavaco)!?

Enfim, problemas para a República resolver antes das eleições..

Marcelo e a economia. A parcialidade em movimento...

O douto Marcelo, em mais uma das suas missas, disse muita coisa, e em muita coisa tem razão, como na ideia geral que faz curso no mundo que coloca Barack Obama na Sala Oval já em Novembro próximo. Infelizmente, não é o candidato de Marcelo - o velhinho McCain (cuja campanha suja contra Obama é execrável) - que irá sentar-se no cadeirão do Império, mas Obama. Ainda bem. Quer a América, quer o mundo - ambos ficam melhor servidos. Marcelo aqui tem razão, apesar de se prefigurar a vitória daquele que Marcelo não apoiou.
Portanto, se o mundo votasse para a eleição do presidente do País mais importante do mundo - Marcelo estaria do lado dos vencidos. E por falar em vencidos, Ferreira Leite - consabidamente - não acerta uma sobre nada, nem sobre economia (em que se diz expert). Ontem ao vê-la e ouvi-la falar meti-me debaixo sofá e só não me atirei da varanda porque a queda não seria mortal.
De facto, Vasco Pulido Valente tem razão - a srª Leite não tem a mínima vocação para a coisa pública, desconfio até que não sabe fazer bacalhau espiritual nem dar as mamadas ao netinho. A sua ligação à política (é como a minha aos lagares de azeite) decorre dum acidente do cavaquismo cuja sinistralidade política se adensou com a crise do PSD - precipitada depois com a fuga de Durão (com quem deixou de falar) para Bruxelas - onde faz turismo europeu e entregou a Europa a um estatuto de menoridade que ela hoje tem na cena mundial.
Mas a bacurada da noite soprada por Marcelo ainda estava para chegar: Santos Silva - porque é sociólogo - ("e não sabe nada de economia", Marcelo dixit) não devia ter criticado aquela que é a maior ignorante de economia do país: Ferreira Leite. É óbvio que Marcelo, cínicamente, não fundamentou - porque é nos detalhes que está o diabo. Ou seja, Marcelo sabe, no seu íntimo, que Leite chumbaria consigo como examinador (até em economia), mas como a notas de Marcelo valem tanto como os meticais moçambicanos - ninguém já o leva a sério com tanta inflação que usa para proteger e ajudar os seus amiguinhos políticos. É a vida.
Então Marcelo desconhece quantas vezes Leite já mudou de opinião em matéria de investimentos públicos? Tendo, depois que ser Paulo Rangel que lhe cobre as paradas no hemiciclo?
De facto, Marcelo ao dizer que um sociólogo - só porque o é - nada percebe de Economia - pergunto-me o que ele, enquanto jurista e jurisconsolto - alí está a fazer num programa que é de análise política - mas em que as questões sociais, culturais, económicas e financeiras também são avaliadas (natutalmente). Este Marcelo saíu-me cá um sectário e um anti-interdisciplinar que até o deixa ficar mal visto enquanto docente ilustre que é.
É extraordináriamente inteligente, como Pacheco Pereira - mas às vezes ver e ouvir um e outro - a distorcer a realidade só para fazerem jeitinhos aos amigos políticos - é de bradar aos céus. Espero que Marcelo - na Faculdade onde ensina direito não seja tão parcial (e ínvio) como foi neste particular, senão os seus alunos saem da faculdade a saber tudo menos direito, além de vesgos.
Conclusão: Portugal ficou a saber que, doravante, os sociólogos só podem tecer considerações sobre sociologia, os politólogos sobre política, os arquitectos sobre arquitectura, os engenheiros sobre pontes e estradas e a srª Ferreira leite - porque é completamente destituída - não deveria falar sobre nada - para não ofender a realidade.
Pergunto-me se Marcelo, como é jurista, também pode ser nadador, ou essa qualidade só está reservada aos nadadores-salvadores do mar do Guincho?!