sexta-feira

IGUALDADE DE OPORTUNIDADES António Vitorino
jurista
Hoje mesmo a Comissão Europeia entrega aos ministros do Emprego e dos Assuntos Sociais da União Europeia um relatório que faz o balanço das reformas em curso nos sistemas de protecção social e no âmbito das políticas de inclusão social.
O relatório evidencia que esta agenda de reformas consagrada na Estratégia de Lisboa é partilhada por governos de distintas cores políticas e em países com graus muito diversificados de desenvolvimento económico e social.
O que é sublinhado neste relatório é que, independentemente da diversidade das realidades económicas e sociais dos países da União, as actuais condições de concorrência global e o panorama da evolução demográfica coloca todos os países da União perante desafios semelhantes que impõem reformas nos sistemas de protecção social vigentes.
A dificuldade consiste em proceder a essas reformas mantendo os valores essenciais da coesão e da justiça social.
A que acresce que a aferição dos seus resultados exige uma avaliação num período relativamente longo, muito em contraste com a premência das expectativas dos cidadãos e com a velocidade alucinante da globalização económica e financeira.
Se a este panorama juntarmos a instabilidade política global, o aumento do custo de matérias-primas e produtos essenciais (do petróleo aos cereais e outros bens alimentares) e a recente crise financeira gerada a partir do mercado hipotecário americano, não será difícil concluir que a margem de manobra não é muito grande.
O caldo de cultura envolvente torna as reformas inadiáveis, mas a crise internacional condiciona a liberdade de acção dos governos e das sociedades e cria um sentimento de insegurança e incerteza que alimenta as lógicas defensivas, proteccionistas e imobilistas.
Mesmo assim, o balanço das reformas apresentado pelo relatório da Comissão regista algumas evoluções positivas.
Assim, as taxas de emprego aumentaram em todas as categorias de trabalhadores mais velhos (entre os 55 e os 64 anos) e entre as mulheres, e as reformas dos sistemas de pensões e dos mercados de trabalho melhoraram a sustentabilidade dos sistemas de segurança social bem como os incentivos ao trabalho.
Por contraste, no domínio da inclusão social, 16% dos cidadãos da União Europeia (ou seja, 78 milhões de pessoas!) permanecem em risco de pobreza, enquanto cerca de 8% estão nessa situação embora tenham um emprego.
Esta realidade preocupante sente-se com mais intensidade nas comunidades de imigrantes presentes nos países europeus e respectivos descendentes.
Mas provavelmente o dado mais chocante que este relatório contém diz respeito à pobreza infantil, situação que afecta 19 milhões de crianças!
Esta conclusão torna, por si só, incontornável que a grande prioridade do combate à pobreza na União Europeia nos próximos anos tem de ter as crianças no centro das suas preocupações.
Esse combate interpela naturalmente as autoridades públicas mas também a sociedade civil.
E porque se trata de um combate sobre dramas humanos muitas vezes escondidos ou camuflados exige uma intervenção de proximidade, tanto a cargos dos serviços públicos de linha, com especial relevo para as autarquias locais, como a cargo das organizações não governamentais e outras instituições assentes no voluntariado e das próprias empresas, enquanto expressão da sua responsabilidade social.
Para tanto é necessário, desde logo, compreender que o combate à pobreza infantil exige a conjugação de medidas de apoio às famílias e de medidas directamente vocacionadas para o apoio às próprias crianças. Medidas que apresentem a flexibilidade necessária para se adaptarem às transformações profundas por que passa a estrutura das famílias actualmente (designadamente a crescente relevância das famílias monoparentais a cargo da mãe) e que tenham uma vocação transversal para responderem à desestruturação de tantos agregados familiares no seio dos quais as crianças representam o elo mais vulnerável.
É que hoje em dia é na luta contra a pobreza que começa a igualdade de oportunidades.
Obs: Na década de 80 do séc. XX M. Jackson, mais uma dezena de artistas da música Pop internacional - impulsionaram o USA for Africa, depois disso muitas outras iniciativas musicais se colocaram ao serviço da causa da condição humana para combater a pobreza. Talvez não fosse má ideia que a Europa organizasse mais e melhor iniciativas desse teor, já que a conjuntura internacional é de tal ordem instável que, como é dito no artigo, o Estado fica com escassa margem para empreender as reformas, e a sociedade (dita civil) por vezes também não faz a diferença por estar, ela própria, também muito dependente do Estado. Foi um artigo tão interessante quanto humanizante, ver aqui AV alertando para os perigos da pobreza estrutural que grassa nas sociedades europeias contemporâneas.
Até parece que estamos todos a sair dos escombros da II Guerra Mundial, com os corpos empoeirados..., e não estamos. Mas parece que estamos!!!

Luís Filipe Meneses apanhado no simulacro do Macro

Nas sequência do apoio que Meneses deu à CGTP-IN de Carvalho da Silva para cavalgar a onda anti-reformas da Educação em curso, o locatário do partido da Lapa arrisca-se a frequentar as reuniões da Soeiro Pereira Gomes, ir comer courates na Festa do Avante no Seixal, ir ou mandar emissário a cada greve do PCP (para cobrir os passos de Sócrates), apanhar os tiques de Cunhal já calibrados pelo camarada Jerónimo, naquele estilo cangalhadeiro de Sacavém que o caracteriza, e dizer que vai haver "courates, mines e utras goluseimas". Eis o progresso conceptual e pragmático social-democrata - que hoje virou à esquerda de forma tão surpreende quanto fracturante. Um dia Meneses acorda na cama de Bernardino Soares, o tal que defende que a Coreia do Norte é uma democracia pluralista. São estes os momentos da política à portuguesa que fazem deste País e de algumas pessoas que por cá vivem o Portugal dos pequeninos. Um Portugal em que a realidade ultrapassa deveras a ficção. Mais circo para quê!? Pergunto-me como será a política municipal em Gaia...

Obama e Hilária... Uma vitória e uma derrota anunciadas.

Jorge Pinto
À primeira vista poderá não ser fácil entender que Barack Obama e Hillary Clinton estejam a representar as mesmas cores partidárias. Os debates entre ambos são tensos e as divergências sobre temas fundamentais são muitas e indisfarçáveis. No último encontro televisivo dos dois pré-candidatos democratas à Casa Branca, a uma semana das decisivas primárias em Ohio e Texas, os senadores trocaram acusações e discordaram em matéria de saúde e guerra do Iraque.
Com Obama à frente da corrida - as sondagens voltam a dar-lhe favoritismo nas primárias da próxima terça-feira -, pertenceram a Hillary as principais investidas, durante o 20.º debate televisivo entre ambos, desta feita em Cleveland. "O senador Obama tem vindo insistentemente a afirmar que irei forçar as pessoas a ter seguro de saúde quer o possam pagar ou não", disse a senadora por Nova Iorque, garantindo que tal não é verdade.
Em resposta, o senador por Illinois assegurou não ter fundamento a alegação de Hillary de que ele deixaria de fora 15 milhões de pessoas do sistema de saúde.
No que toca à política externa, a conversa prosseguiu mais ou menos no mesmo tom ríspido. "No Verão passado, Obama ameaçou bombardear o Paquistão e não acredito que isso seja um boa decisão", disparou a antiga primeira-dama, que sofreu 11 derrotas consecutivas - desde a superterça-feira - e precisa, portanto, de vencer em Ohio e no Texas.
Obama recorreu ao Iraque para contra-atacar, sublinhando que sempre disse que os Estados Unidos da América não se deviam ter comprometido com a guerra. "Hillary Clinton afirma que estará preparada desde o primeiro dia [caso seja eleita], mas os factos demonstram que ela estava pronta para ceder a George W. Bush num tema crítico desde o primeiro dia", acusou o senador, numa alusão ao voto, em 2002, de Hillary a favor da invasão do Iraque pelos EUA.
Os pontos de vista dos dois democratas só se cruzaram quando abordaram o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e concordaram na necessidade de pressionar o México e o Canadá para renegociar o documento.
"Direi que deixaremos a Nafta se não renegociarmos o acordo. E vamos renegociá-lo em termos que sejam favoráveis para os Estados Unidos", frisou Hillary Clinton.
O acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México, assinado em 2004 durante a Administração de Bill Clinton, é muito criticado e considerado o responsável pela perda massiva de emprego no sector industrial.
Obama alinhou "Garantirei que renegociaremos o acordo da mesma maneira que a senadora Clinton disse."
Mc Cain à frente
O debate ocorreu num momento favorável para Obama, que, para além de ir à frente no número de delegados, recebeu mais um apoio importante do influente senador por Connecticut Chis Dodd, presidente da poderosa comissão bancária do Senado, e que foi um dos pré-candidatos democratas (abandonou a disputa depois das primárias de Janeiro em Iowa).
Além disso, uma sondagem publicada ontem pelo "Los Angeles Times" reforça o que outras já apontavam Omaba é o democrata mais bem posicionado para se bater com o republicano John McCain, praticamente garantido como o candidato do seu partido às eleições presidenciais de Novembro.
Segundo a sondagem, em confronto com Hillary, McCain obteria 46% e a antiga primeira-dama 40%. Se a disputa for com Obama, o resultado seria 42% para o democrata e 44% para o republicano. Já que há uma margem de erro de 3%, a segunda hipótese traduz um empate técnico.
Obs: É minha convicção que Obama só aguarda calendário, sendo certo que a América-profunda (já) é dele. Além de ter carisma, representa uma nova geração que incarna melhor a filosofia da mudança proclamada. Hilária lembra-me sempre a tia que já não vejo há anos, e que há anos dispensava ver... Depois, caso Hilária ganhasse (o que espero não suceda) como é que os americanos e o mundo em geral distinguiriam as medidas governamentais que a senhora tomaria de forma autónoma das do seu marido no aconchego do lar e no leito maternal?! Qual das pernas seria a dela e a de Bill Clinton que, sem dúvida, deve ter sido um dos melhores presidentes democratas do post-guerra. Mas ela é ela, sabe umas coisas de saúde, ele será sempre Bill Clinton. Um grande presidente que hoje se esforça por injectar a mulher na Sala Oval - mas, na realidade, irá asssistir à sua derrota.

quinta-feira

Luís Filipe Meneses está a tremer que nem uma vara verde. Razão tinha Marques Mendes...

A ambição de quem não tem capacidade é um crime.

Chateaubriand
Tudo muda em política: as relações de força entre os países, a repartição da riqueza, o quadro das mentalidades e também as próprias circunstâncias políticas na luta pela captura e conservação do poder, assim como o modo de esgrimir argumentos - dentro e fora da sede parlamentar - em democracia pluralista. Tudo muda, portanto, entre os partidos, líderes e agentes sociais com peso político na sociedade.
Dito isto, é fácil perceber que estes dois players, Santana e Meneses - que juntos talvez valham 25% da capacidade de trabalho de Luís Marques Mendes (que cometeu o pecado capital chamado Lisboa) são, hoje, os principais obstáculos à recuperação do psd enquanto partido com vocação de poder e enquanto oposição credível, que faz falta como contraponto do PS. De resto, e enquanto no poder - estes dois partidos distinguem-se mais no plano das lideranças e do pragmatismo do que no plano das ideologias.
Sucede que Meneses - cada vez que aparece na opinião pública - só comete erros, aliás, ele próprio foi um erro no PSD, jamais deveria ter descido de Gaia para a capital, e Santana jamais deveria ter saído da Figueira-da-Foz - porque era lá que o seu élan funcionava, era lá, num meio mais pequeno, que ele se sentia grande.
Por outro lado, Meneses propõe asneira atrás de asneira, e com critério avulso: extinção da Pub. na RTP.. É óbvio que este erratismo teria de suscitar a dura oposição de Morais Sarmento (o patrono da RTP ao tempo de Durão) - e até já foi pugilista, toxicodependente (assumido, o que só lhe fica bem e revela carácter) além de homem-de-mão de Durão. E é hoje Sarmento que cilindra Meneses - que já vem sendo armadilhado pelo próprio Santana. Em 120 dias de oposição Meneses foi mais "reactivo do que pró-activo", segundo declarações de Sarmento. E é verdade. Isto revela um deserto de ideias e de estratégia do psd de Meneses e Santana, nem com as ajudas de agências de comunicação a fazerem o embrulho discursivo a Meneses - que já treme que nem vara verde.
No Expresso, também Manela Ferreira Leite diz que assim Meneses não chega a 2009. Santana, em privado, só deve dizer bem dele próprio - mas para o caso também não conta, posto que Santana só tem poder-de-fogo interno, mas uma incapacidade congénita de fazer moça no governo socialista em funções. O psd vive, portanto, uma guerra fratricidade nas estreitas ruas da Lapa, onde os encontrões são mais visíveis e as "facadas políticas" também. Não há espaço para mais...
Neste quadro, o psd vive, desde o 25 de Abril, a sua maior agonia de liderança de sempre. Por um lado, Cavaco "eucaliptou" (secou) eventuais líderes emergentes que não chegaram a eclodir na década de 80; por outro, Durão, com a sua fuga para Bruxelas (que deu pasto a uma ambição desmedida), acabou por fazer implodir o resto do edifício, de modo que hoje o psd é um "coxo, marreco que só vê duma vista e, ainda por cima, é maneta".
Como última medida política (avulsa) do psd de Meneses - sabe-se que este, desesperadamente, apoia a CGTP. Nestes termos:
Luís Filipe Menezses dá um inesperado apoio a uma estrutura sindival afecta à CGTP e afirma claramente: "Face à situação de descontentamento na educação, à perseguição de professores, ao clima de medo instaurado e à situação caricata de identificação dos docentes que falaram à televisão, tenho a certeza que a manifestação será um ponto de viragem irreversível na popularidade do Governo e na construção de uma mudança".in DN
Por este andar, caso Meneses se aguente até ao Verão, ainda iremos assistir ao camarada Carvalho da Silva da CGTP-In - abrir o Curso de Verão do PSD em Castelo de Vide - ao lado de Balsemão, para dissertar sobre as maldades da globalização predatória. Com Meneses assiste-se, pois, a mais esta novidade: uma certa comunização deste psd, o que não deixa de ser uma ironia do destino, sobretudo para quem, como ele, queria privatizar tudo.
Consabidamente, a educação em Portugal é um sector que não está estabilizado, apesar das inúmeras reformas em curso, e de algum capital-de-queixa legítimo dos professores (cuja carreira carece de dignificação), mas o facto, excepcional, de Meneses se colar a esta iniciativa sincidalista - afecta ao PCP - prenuncia uma catástrofe a curto prazo, desde logo abertura de múltiplas clivagens no psd, maior fosso entre Meneses & Santana, afastamento de algum eleitorado residual que assim se encaminha para o PS e, por todas estas razões, a criação de condições (objectivas e subjectivas) para se criar um caldo de cultura reivindicador de um Congresso antecipado para discutir, de novo, a liderança no psd.
Digamos, para concluir, que no PSD existe hoje um problema comum a Meneses e Santana que já foi, curiosamente, vaticinado por Cavaco há dois anos: Santana é hoje no psd a "má moeda" que quer expulsar a moeda pior personificada por Meneses; Meneses, por seu turno, entende que a pior moeda deve impedir o regresso da boa moeda, por isso diz que fica, nem que seja à força. Esperemos que não utilize o mesmo argumento dos Sulistas vs Nortistas... senão é que transforma a Lapa num autêntico Campo Pequeno!!!
Eis o drama do PSD: com MMendes fora, Marcelo a comentar, António Borges a ganhar bem na Goldman Sachs International - as Managing Director & Vice Chairman, Manela Ferreira Leites (apesar de ninguém a querer para líder) não se exime de afirmar a sua voz como reserva da Lapa para ir envenenando a atmosfera, Sarmento é apenas o pugilista de serviço de Durão - que amanhã (também) poderá servir para meter Santana K.O. Hoje, quando se olha para o PSD, até dá vontade de perguntar o que resta dele. E o que resta dele parece que é a Srª dona Zita Seabra e o António Preto!!! Eis os adversários de Sócrates nas legislativas de 2009... Pior seria impossível!!!
Como diria um amigo: onde fica o exílio...

Câmara de Lisboa faz "engenheiria financeira" para pagar dívidas mais prementes

Como diria Luis Vaz... A necessidade aguça o engenho. E perante a falta de common sense do Trib. Contas - que agora se substitui à AML e faz pareceres políticos sobre planos de sanemaneto a 11 anos - houve que fazer esta engenheiria financeira para evitar prejuízos maiores aos credores. Atenção: engenheiria financeira, mas sem contabilidades criativas...
Câmara de Lisboa liberta 20,4 milhões de euros para pagar dívidas [link]
27.02.2008 - 18h38 Lusa
A Câmara de Lisboa aprovou hoje, por unanimidade, uma alteração ao orçamento da autarquia que liberta 20,4 milhões de euros para pagar as dívidas do município a 1287 empresas.
O presidente da câmara, António Costa, explicou que o dinheiro sai da verba prevista para pagar os juros do empréstimo de 360 milhões de euros destinado ao plano de saneamento financeiro que a autarquia pretendia contrair para saldar dívidas a fornecedores. O pedido acabaria por ser chumbado pelo Tribunal de Contas que considerou o plano insuficiente e mal sustentado.
"É incerto quando virá [o empréstimo], pelo que a câmara não irá utilizar para já este dinheiro para pagar juros", explicou António Costa.
Embora 15 milhões de euros estejam abrangidos pela mobilidade da verba reservada para os juros, os restantes 5,4 milhões terão que ser cobertos, sublinhou o autarca.
"O problema não está resolvido, o grosso da dívida continua por pagar", frisou António Costa, lembrando que os cem maiores credores da Câmara de Lisboa têm a haver 232 milhões de euros.
O edil reiterou a necessidade de os serviços da autarquia terem "um cumprimento escrupuloso do orçamento e contenção na despesa", uma vez que o orçamento da câmara é feito "a 12 meses e 'à pele', o que quer dizer que qualquer imprevisto gera uma pressão muito grande" sobre as contas, nomeadamente as cheias que se verificaram em Lisboa na semana passada.
A alteração hoje aprovada "esgota a capacidade de financiamento próprio" da câmara, havendo "incerteza na realização do orçamento" para este ano, admitiu António Costa.
Os 20,4 milhões hoje disponibilizados para pagar aos credores visam "responder a empresas com pressão muito grande" pela dívida que a câmara mantém.
António Costa destacou a situação igualmente difícil das empresas municipais, muitas vezes desvalorizada porque "são da casa", mas que acaba por criar dificuldades a outras empresas suas fornecedoras, configurando um "endividamento em cadeia".

Contos de Luis Fernando Verissimo: "Lixo" e "Paixões"

Luis Fernando Verissimo - o mestre dos mestres na arte dos contos: um realista hiper-realista, neorealista. O Macro presta-lhe justo tributo.
Lixo Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?
in Comédias da Vida Privada...
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PAIXÕES, in Comédias...
Quem entende como as pessoas se apaixonam? Pode acontecer de uma hora para outra. Você conhece uma pessoa a vida inteira e um dia nota alguma coisa, um detalhe que nunca tinha percebido antes, e pimba: amor à milésima vista.
O Valter e a Nancy, por exemplo. Amigos desde o tempo de escola, o Valter conta que aconteceu num dia em que os dois vinham pela rua com uma turma, a Nancy um pouco na frente, e de repente ela levantou o cabelo por trás com as duas mãos e segurou no topo da cabeça, mas sobraram alguns fios. Aqueles fios finos e curtos que cobrem a nuca, o Valter diz que foram os cabelos da nuca.
Ele foi tomado de um tamanho sentimento de carinho por aqueles fios na nuca da Nancy que chegou a parar, diz ele que para não chorar. Depois correu atrás dela e beijou a nunca, e no dia seguinte estavam namorando firme, para surpresa de amigos e familiares.
Já a Nancy diz que não se apaixonou na hora, só dias mais tarde. E só quando o Valter não está perto conta como aconteceu. Se apaixonou numa festa a que foi com o Valter e na qual, quando gritaram "Todo mundo nu!", o Valter tirou um saco de plástico, dobrado, do bolso. Tinha trazido um saco plástico para guardar a sua roupa e a dela e evitar que se misturassem com as dos outros. Aquilo a enterneceu. "Foi o saco de plástico", conta a nancy.
Como o amor acaba é outro mistério. A Joyce e o Paquette, por exemplo. Namoraram anos, noivaram, casaram e tudo acabou numa noite. Acabou numa frase. Os dois estavam numa discoteca, sentados lado a lado, vendo os mais jovens se contorcendo na pista de dança, e o Paquette gritou:
- Viu a música que está tocando?
a Joyce:
- O quê?!
- A música. Estão tocando a nossa música. Lembra?
- Hein?
- Estão tocando a nossa música!
- O quê?
- A música. Do nosso noivado. Lembra?
- Eu não consigo ouvir nada com essa porcaria de música!
- Esquece.

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Obs: Luis Fernando Verissimo é assim, é capaz de desmontar a situação mais complexa e servi-la como se fosse um café, de forma simples e quente - mas com todo o seu esplendor. Verissimo é, certamente, um dos grandes contistas do nosso tempo, todos os seus contos revelam mundo, drama, alguns são trágicos mas todos têm algo para nos dizer e ensinar, de uma forma directa ou indirecta. Ler Veríssimo é dormir connosco, é olhar para o nosso umbigo, é fazer a nossa própria endoscopia, e, às vezes, é péssima a imagem que reflectimos.
Mas, ao mesmo tempo, permite-nos sair de nós - mais que não seja para vermos melhor a figura tola que fazemos em certas circunstâncias. Luis F. Verissimo é, portanto, um génio que fala e escreve em português - mas poderia ser um escritor de nomeada em qualquer parte do mundo.
Pelo muito que já aprendi com ele, pelo prazer que já me deu, gostaria aqui de lhe dizer isso e sublinhar a sua qualidade narrativa, a densidade psicológica dos personagens da vida real que escolhe para ilustrar as suas observações, bem como a forma como "saca" os retratos relacionais do nosso tempo.
Uma pérola em movimento - chamada Luis Fernando Verissimo.
Numa palavra: Verissimo serve-nos a Comédia Privada do nosso tempo. Um pouco como se o escritor fosse para a cama connosco: para o melhor e para o pior.
Com ele a história acaba por ser sempre a três...

quarta-feira

Um dia Feliz... O dia da taxa da conservação ...

Já se percebeu que o Macro é um espaço de reflexão sem fronteiras, gavetas ou compartimentos, razão por que após debitar umas linhas sobre o filósofo da política, Alexis de Tocqueville - reclama-se do direito de dizer aqui que um dos "dias mais felizes da minha vida" é quando recebo o imposto municipal para pagar a Taxa de Conservação de Esgotos - que se destina a financiar os encargos decorrentes da disponibilização e manutenção dos sistemas de drenagem pública de águas residuais, calculada por referência ao valor patrimonial apurado nos termos previstos no Código do Imposto Municipal sobre Imóveis.
Doravante, sempre que vou liquidar este imposto municipal, feliz, contente e a salivar - fá-lo-ei na convicção de que as cheias em Lisboa serão coisa do passado e que, já agora, ninguém morrerá na sequência desses acidentes da Mãe-natureza - que hoje opõe o advogado da família de duas pessoas que morreram - na sequência de falta de muro na via pública - ao município de Sintra dirigido por um "paraquedista autárquico" chamado Fernando Roboredo Seara - que ainda hoje não compreendo se é militante do CDS ou do PSD ou de ambos...

A (re)legitimação por via da Descentralização: governo de proximidade num mundo globalizado

Uma das grandes contradições do nosso tempo decorre da necessidade de relançarmos o governo local (leia-se autarquias ou governos de proximidade) nessa equação que é o governo nacional - por um lado - e no governo da esfera da globalidade - num espectro mais alargado.
Com efeito, os governos locais e regionais têm hoje menos recursos do que as outras instâncias mais complexas da governação, que controlam os grandes fluxos de pessoas, capitais, tecnologias... Mas como os governos dos Estados - se actuarem isoladamente - estão cada vez mais limitados na sua esfera de acção (dada a complexidade transnacional dos problemas que exige cooperação e concerto), daqui decorre a sua escassa intervenção para controlarem muitas das coisas públicas sobre as quais antes tinham um controlo quase absoluto.
Daqui decorre uma conclusão estratética que importa reter: as intervenções públicas que hoje são mais eficazes são as que se realizam em estrutura rizomática - à semelhança da configuração do gengibre - que cresce horizontalmente, e assim vai ganhando raízes e estruturando conceitos, medidas, estratégias e acções em rede, de forma coordenada, nos diferentes níveis do Estado que depois se convertem em nós desse campo de decisão que se pretende tomar.
Ou seja, a capacidade efectiva da decisão política está hoje instalada na rede mais do que num actor ou num conjunto limitado de actores que, num dado momento, pretendem tomar uma decisão. Na prática, a rede sobrepõe-se à velha estrutura estadual e os nós duma rede são mais potenciadores de acção do que as tradicionais estruturas verticalizadas por onde dantes descia, tão rígida quanto hierarquiacamente, todo o circuito da decisão política desse velho Leviatão (T. Hobbes) - que hoje, consoante o ritmo de modernização das sociedades (e as resistências que se lhe opõem) - conseguem implementar.
Descendo ao concreto: países como a Espanha ou os estados federados do Brasil - têm os seus governos locais (ou municipais) e regionais (as autonomias) que apresentam um maior potencial de flexibilidade no quadro da negociação dos fluxos globais que pretendem reclamar para as suas populações. Isto proporciona, naturalmente, uma relação também muito mais oleada com as respectivas populações. E aqui nem sequer serve de exemplo a relação chantagista e ao mesmo tempo paternalista que o Alberto Jardim da Madeira desenvolve com os seus conterrâneos e com a República. Mas num quadro geral, as populações podem expressar melhor as suas identidades culturais de um território, e com ele estabelecer mecanismos de participação, de governação, de informação e mobilização simbólica que aproveita a todos no âmbito dos seus interesses.
Como? A sua capacidade de controlo político faz-se dia-a-dia, porque são também mais visíveis os actos públicos da governação, chamando todos à pedra com mais frequência e intensidade, do que o velho quadro das eleições de quatro em quatro anos.
Tudo boas razões que podem explicar por que razão no mundo inteiro existe um movimento pela descentralização das instituiçõoes do Estado, por um lado para responder às aspirações e reivindicações locais e regionais, por outro corporizando motivos de natureza cultural que remetem para uma forte identidade local e/ou regional, mas, por último, também por um esforço consciente de racionalização política da parte do Estado, que assim encontra mecanismos alternativos para desmontar a velha centralização improdutiva e geradora de corrupção do Leviatão que só tem levado, ao longo da história, a um tremendo afastamento dos cidadãos das instituições legitimadas pelos poderes públicos, e a uma grande descrença dos cidadãos relativamente aos gentes políticos que os governam.
Neste capítulo, nem é necessário a SEDES nos lembrar disso, e depois, caricatamente, apresentar no seu conselho editorial pessoas que só representam péssimos exemplos para a sociedade - porque fautores dessa corrupção (moral e política) do Estado, como é o caso do engº Joaquim FErreira do Amaral (o sr. "betão" ao tempo do cavaquismo) e doutros (Theias...) que foram colocados no governo Barroso com o fito de lotear grandes porções de terrenos nas proximidades da Península de Setúbal para servir intereses da banca... Banca essa que, curiosamente, hoje vê o seu presidente, um ex-secratário de Estado do Orçamento também do tempo de Cavaco muito doentinho, pelo que pediu renuncia a todos os cargos que exercia na banca...
Daí que o eixo municipal, enquanto projecto de autonomização nacional e de descentralização autárquica, pode representar um filão inovador e mobilizador do programa de qualquer governo que se reclame da esquerda moderna. Não nos reportamos aqui à regionalização falida do tipo italiano, que conduziu a fenómenos ameaçadores patentes na fantasia da Padânia, mas isto não pode esconder o amplo movimento pela descentralização municipal e o crescente papel das cidades em quase todos os países europeus cuja estrutura se institucionalizou no Comité de regiões e cidades da Europa, o órgão de coordenação dos administradores regionais e locais, e que também é o órgão consultivo da Comissão Europeia.
Nesta senda municipalista não é, pois, de estranhar a dinâmica de cidades como Barcelona, Roma, Paris ou Munique... Que representam hoje uma luz de desenvolvimento económico, tecnológico e cultural que tem servido para conferir uma importância crescente às cidades europeias no quadro da economia global, mormente a partir das iniciativas que essas cidades têm tomado através do seus governos locais.
Sublinhemos aqui o caso dos EUA, que é um exemplo relativamente novo dado a história recente de formação daquele País-Continente, ou República-Imperial como lhe chamou o genial Raymond Aron. Nos EUA - para onde foi Tocqueville ao fingir que estudava o sistema prisional norte-americano, embora o objectivo (pre-meditado) fosse estudar as instituições, as leis, os costumes e a cultura daquele país - verificamos aí uma forte tradição ao mesmo tempo federal e municipalista, que se viu reforçada nos últimos anos. Anos que, curiosamente, têm posto de acordo democratas e republicanos nessa causa comum traduzida na reivindicação de conferir um papel crescente à dimensão local e regional - como se se tratasse de um tema prioritário da política da maior super-potência do mundo - que hoje confere muita importância às iniciativas federais.
Isto revela bem a importância que o localismo tem hoje no mundo contemporâneo, e se assim é convinha que fosse equacionado o mesmo problema em autarquias como Lisboa, por exemplo, onde, desde logo, o organigrama da "casa" demonstra um gap exasperante diante da realidade com que está em confronto, coisa que só se faz com uma base sociológica mais expressiva e não numa fase intercalar.
E aqui regressamos a uma velha questão, a reforma do Estado-nacional, a refoma da Administração pública e, num campo mais vasto, a reforma da sociedade e das mentalidades, dado que sem a alteração do quadro das mentalidades nenhuma das reformas é consentida, e se a todos os cidadãos opuserem resistência elas tendem a sossobrar, o que é mau para o nosso desenvolvimento (adiado).
Numa palavra: por vezes é óptimo viajar e conhecer o que se vai fazendo noutros países, nem que seja para nos apercebermos de que a fórmula político-institucional que parece mais efectiva para garantir essa coordenação de vontades, desejos e de aspirações se consubstancia no denomimado Estado-rede.
O tal que tem uma configuração rizomática, semelhante à do gengibre...
PS: Reflexão dedicada ao um dos maiores filósofos da política de todos os tempos, Alexis de Tocqueville, ao nosso consultor-estratégico Casanova, pelo tom pseudo-administrativista destas notas - envoltas num banho politológico, razão por aqui não poderíamos esquecer o nosso "gato" - com quem ambos tanto temos aprendido.

Danni Carlos - Coisas Que Eu Sei - no Macroscópio -

Videoclipe oficial "Coisas Que Eu Sei" - Danni Carlos
Coisas Que Eu Sei ( Dj Douglas Dogg ) * Danni Carlos
Danni Carlos - Coisas Que Eu Sei
Quem não gostaria de ter composto esta letra..., com a Danni

Choque anti-gay e George Michael

Choque anti-gay

George Michael - Amazing

George Michael & MJB - "As"

A prostituição masculina no Parque Eduardo VII tem diminuido

Quem vê este espaço durante o dia pensa que ele mantém a mesma qualidade à noite... Onde, infelizmente, ainda se praticam actos de prostituição, maioritáriamente masculina. Mas na opinião do subcomissário da PSP Hipólito Cunha, que esteve 20 anos na 3ª Divisão da PSP, "a prostituição masculina tem diminuído e mudado para outras zonas". O jardim do Alto do Parque faz parte do chamado Corredor Verde de Lisboa, um percurso arborizado para peões e ciclistas que deverá no futuro estender-se até Monsanto, passando pelo Palácio da Justiça, pelos jardins de Campolide e pela Quinta José Pinto, também em Campolide.
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George Michael - Outside

Paulo Portas - a grande madalena ofendida do Caldas

A falta de memória de Paulo Portas revela bem a sua falta de ética e de carácter na política. É mais um jovem reformado na política à portuguesa que deveria ser compulsivamente dispensado.
Paulo Portas ainda hoje é mais conhecido na sociedade portuguesa como o ex-director do Independente, jornal semanário que passava a vida a injuriar e a difamar os ministros de Cavaco Silva e a sobre eles inventar manigâncias de que o esbulho da manta do avião por parte do então Ministro dos Negócios Estrangeiros, João de Deus Pinheiro, lhe custou uma indemnização de milhares de contos. Portas prosseguiu na sua senda com ataques inqualificáveis a Duarte Lima (ex-líder parlamentar do PSD), a Braga de Macedo (ex-ministro das Finanças) e a mais uma dúzia de agentes políticos ligados ao cavaquismo com o fito exclusivo de apear Cavaco do poder. O que revela que o seu projecto não era jornalístico, mas político, ainda que para tal tivesse de fazer mau jornalismo. É claro que todas essas tramóias jornalísticas terminavam na barra dos tribunais, obrigando estes o Indy do demagogo e populista Portas a pagar avultadas indemnizações aos visados. Entretanto, Portas entrou na política activa (pela mão de Durão Barroso) e julga que pode apagar o seu passado de perseguição a pessoas de bem, e mais: ataca ministros em funções, dizendo que a agricultura desenvolve uma "política de calote". Mas quando o ministro da Agricultura o chama à pedra e lhe diz que não se pode branquear o passado como quem o faz numa cadeira do dentista, o Paulinho das feiras arma-se em madalena ofendida e diz, demagógicamente que vai processar judicialmente o ministro Jaime Silva. Ridículo. Qualquer juíz se rirá na cara dele..., e para o defender só um advogado muito amigo, amiguinho, do cds. Além de revelar cobardia política, paulo Portas revela também uma grande falta de ética e um total esquecimento acerca do seu cadastro - que o deveria envergonhar perante o país que, felizmente, já o conhece bem. Lembremo-nos bem da campanha verdadeiramente canalha que foi dirigida contra Ribeiro e Castro - ex-líder do CDS, dirigida por aquele que hoje se esqueceu do seu passado e se arma em madalena ofendida.

terça-feira

Loz, Kadaj And Yuna Tribute The Way I Are e Paris Hilton Complete Makeover Photoshop Tutorial

Love Is In The Air (1978) - de John Paul Young - A divisão externa e interna no PSD - O regresso de Durão...

Consabidamente, Durão Barroso (o trânsfuga de Bruxelas) já está práticamente substituído na Comissão Europeia por Tony Blair, que reune o apoio de Sarkosy e de mais uns quantos líderes europeus influentes. De resto, de Barroso ficam uma ou duas ideias do seu reinado: repetir a palavra globalização e carregar com uma saca de farinha no Darfur perante as câmaras da CNN. Se assim é na frente externa, ou na frente europeia, na esfera doméstica o "acidente" ainda é maior: Meneses é um líder bairrista que se vê a braços com um partido habituado ao poder; Santana Lopes é um player habituado ao poder mas que não consegue ir além de liderar algumas facções dentro do PSD.
Para além disso, Santana está prematuramente velho, cansado e senil - como denunciou na última entrevista ao DN/TSF neste último Domingo. Neste descaminho gera-se uma perigosa hesitação, um tremendo impasse que frustra e desespera os militantes, simpatizantes e apoiantes do psd que querem voltar ao poder para ser influentes e ganhar os concursos públicos e, em bom português, "sentarem-se à manjedoura do OGE" (como diria Francisco Sousa Tavares de alguns militares...) para de lá extrair os habituais proveitos privados, as usual...
Neste quadro bastante problemático para o actual PSD, só resta uma solução: as bases do partido da Lapa importarem de novo o "Cherne de Bruxelas" (também conhecido pela "couve-flôr transmontana") e convencerem o dito maoista a pegar no partido para, em 2014, regressar de novo ao poder.
Até lá Meneses poderá voltar a fazer a sua politi(casinha) em Gaia, Lopes pedirá mais uma cunha ao seu amigo António Mexia da EDP, donde curto-cicuitará o país.
Ironias à parte, confesso que não vislumbro outro futuro para o actual psd... Por tudo isso, creio, portanto, que Love is in the air - entre Manela Ferreira Leite e Durão Barroso - esquecendo as mágoas do passado - a fim de concertar essa novel estratégia que já se começa a delinear no horizonte e no zenite entre os corredores aéreos de Lisboa e Bruxelas...
John Paul Young - Love Is In The Air (1978)

Os pastéis de nata (e o Vinho do Porto) para Ramos-Horta

Ramos-Horta tem um curriculum impressionante: jurista e político, um hábil negociador, foi MNE/75 e a forma como deixou Timor-Leste para explicar em Nova York a barbárie da ocupação da Indonésia fez dele um herói nacional. Depois fez tanta coisa que até foi Prémio Nobel da Paz - juntamente com o bispo D. Ximenes Belo, em 1996. Em 2007 foi eleito PR em Timor-Leste, e há uma semana é baleado. Está a convalescer à velocidade da luz, e neste último fim de semana pediu a Cavaco que não se esquecesse de lhe enviar os pastéis-de-nata. Enquanto Cavaco não se decide, o Macro deixa-lhe aqui esta singela cortesia, a que juntamos o Vinho do Porto. Em vez duma garrafinha, porque Cavaco é "agarrado", enviamos os barris disponíveis na adega - para divulgar pela Austrália e arredores...

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Rise & fall - dedicada a Ramos-Horta um político com fibra de estadista que está sempre à altura das circunstâncias a ponto de as superar - a toque de pasteis-de -nata encomendados da Austrália directamente ao Palácio de Belém. A História também se escreve assim, com bolos...
Craig David - Rise & Fall (Studio Version)
david craig with sting rise and fall

Time To Say Goodbye e André Sardet

Time To Say Goodbye

André Sardet - Foi Feitiço...

Massive Attack - Live With Me - e Moloko -

Massive Attack - Live With Me

Moloko - the time is now

Moloko - Music Video : Forever More

Moloko "Familiar Feeling"

segunda-feira

Notas Soltas - por António Vitorino -

António Vitorino (AV) está preocupado com a pobreza em Portugal. E uma nova geração de políticas sociais pode fazer-lhe face...
Hoje ao ver o Notas Soltas de AV de certo modo regressei à faculdade, e ao estudo das causas da riqueza e da pobreza das nações, o grande objectivo de todas as investigações em economia política, segundo os clássicos do pensamento económico. De Malthus a David Ricardo passando por Adam Smith e muitos outros que, como Paul Samuelson, outra referência pela qual estudei e queimei os neurónios - conclui que nenhum esclarecimento foi dado até hoje para explicar porque os países pobres são pobres e os países ricos são ricos. Mais correntemente, costuma dizer-se que os pobres têm tanto azar que quando chove sopa dos céus os pobres só têm garfos nas mãos...
E o Relatório da Comissão Europeia para a Protecção e Inclusão Social demonstra que uma em cada cinco crianças está exposta à pobreza que, por sua vez, se agrava sempre que ela está inserida numa família tolhida com os problemas de desemprego ou dum conjunto de circunstâncias que a sociologia da pobreza designa de situações fragmentadas que agravam ainda mais as condições de vida das crianças - que assim ficam mais prisioneiras dessa miserável condição de vida que afecta até o seu próprio desenvolvimento físico e atrofia o desenvolvimento intelectual.
Quanto ao relatório da SEDES - já está tudo dito, ele dignostica aquilo que já está diagnosticado, mas peca pelas solução que não apresenta. Ao menos o dr. Vitor bento de demais elementos painelistas que compõem a Associação, sempre poderiam pedir conselho ao Movimento Compromisso Portugal do dr. António Carrapatoso e pespegar lá com meia dúzia de soluções, desta forma Santana Lopes sempre teria algo mais a dizer, dado que a Lapa neste momento não dispõe de nenhum pensamento económico e social alternativo capaz de consubstanciar políticas públicas nas mais variadas áreas da governação.
Quanto a Cuba... e a passagem quase monárquica do poder de Fidel para Raul Castro - confesso que aqui as aberturas no domínio social e económico serão tímidas, pois o aparelhismo ortodoxo ficará no partido comunista cubano e o resto colonizará o chamado aparelho político-militar-ideológico que monitorizará todas as instâncias do poder com o fito de meter na cadeia os heterodoxos que pugnarão pela revolução democrática e de promover à função de chefia os ortoxos. Daqui resultará um impasse que poderá redundar numa revolução - tipo guerra civil; ou uma democratização assistida do exterior em que os EUA poderiam ter um papel crucial - já com Barack Obama na Sala Oval - a acompanhar todo esse processo politico e democráticamente assistido do exterior - e sem quaisquer pré-condições.
Mas aqui não será marginal o papel do Brasil - que poderá, com a demagogia "luliana" do costume, fazer progredir o regime para uma democracia musculada com o Hugo Chavez a pagar a conta - à boleia do ouro negro - a fim de assegurar essa transição democrática teleguiada.
Mas a questão da pobreza em Portugal deverá concentrar-nos no essencial, e aqui sublinho duas escolas de pensamento que explicam a pobreza: alguns encaram a riqueza e o domínio ocidentais como o triunfo do bem sobre o mal. Para eles, os Europeus eram mais inteligentes, estavam melhor organizados, eram trabalhadores mais conscienciosos; os outros eram ignorantes, arrogantes, indolentes, retrógrados, superticiosos. A outra corrente inverte as categorias: os Europeus eram agressivos, cruéis, gananciosos, hipócritas e sem escrúpulos; as suas vítimas eram felizes, inocentes, fracas.
Seja como for, e porque agora somos todos brancos e negros, e a Europa vive o mesmo drama no Velho Continente, com especificidades naturais a cada sociedade, cremos que se a economia nacional gerar mais riqueza, haverá mais e melhor rendimento por redistribuir, e isso reflectir-se-á necessáriamente no consumo das famílias que assim poderão ver esbatidas as injustiças sociais e a pobreza que ainda hoje afecta Portugal.
A captação de Investimento Directo Estrangeiro e uma adequada articulação de políticas sociais - poderá coadjuvar nesse take-of da economia nacional - para a qual a conjuntura internacional também poderá ajudar. Basta que preço do petróleo e os ataques terroristas não agravem a situação.

Queen "Who Wants to Live Forever" (High Quality). Uma bonita evocação ao Armando Rafael à qual me associo...

Vídeo picado no blog Lembrança dos Guerreiros
Queen "Who Wants to Live Forever" (High Quality)

Mais uma vantagem do Plano Tecnológico ...

Eis um exemplo do resultado do "choque tecnológico"...
Cruzamento de dados em 2009:
-Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
-Cliente: Boa noite, quero encomendar Pizzas...
-Telefonista: Pode-me dar o seu NIN?
-Cliente: Sim, o meu Número deIdentificação Nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.
-Telefonista: Obrigada, Sr. Lacerda. O seu endereço é na Avenida Paes de Barros, 19, Apartamento 11, e o número do seu telefone é o 21 549 42 36, certo? O telefone do seu escritório na Lincoln Seguros, é o 21 574 52 30 e o seu telemóvel é o 96 266 25 66, correcto?
-Cliente: Como é que conseguiu todas essas informações?
-Telefonista: Porque estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
- Cliente: Ah, sim, é verdade! Quero encomendar duas Pizzas: uma Quatro Queijos e outra Calabresa...
-Telefonista: Talvez não seja boa ideia...
-Cliente: O quê...?
-Telefonista: Consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.
-Cliente: Claro! Tem razão! O que é que sugere?
-Telefonista: Por que é que não experimenta a nossa Pizza Superlight, com Tofu e Rabanetes? O senhor vai adorar!
-Cliente: Como é que sabe que vou adorar?
-Telefonista: O senhor consultou a página "Receitas Gulosas com Soja" da Biblioteca Municipal, no dia 15 de Janeiro, às 14:27 e permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. Daí a minha sugestão...
-Cliente: Ok, está bem! Mande-me então duas Pizzas tamanho familiar!
-Telefonista: É a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos quatro filhos, pode ter a certeza.
-Cliente: Quanto é?
-Telefonista: São 49,99€.
-Cliente: Quer o número do meu Cartão de Crédito?
-Telefonista: Lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu Cartão de Crédito foi ultrapassado.
-Cliente: Tudo bem. Posso ir ao Multibanco levantar dinheiro antes que chegue a Pizza.
-Telefonista: Duvido que consiga. A sua Conta de Depósito à Ordem está com o saldo negativo.
-Cliente: Meta-se na sua vida! Mande-me as Pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?
-Telefonista: Estamos um pouco atrasados. Serão entregues em 45 minutos. Se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas Pizzas na moto, não é lá muito aconselhável. Além de ser perigoso...
-Cliente: Mas que história é essa? Como é que sabe que eu vou de moto?
-Telefonista: Peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga e então, pensei que fosse utilizá-la.
-Cliente: Foooddddddd.......!!!!!!!!!
-Telefonista: Gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado... Não se esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional.
-Cliente: (Silêncio).
-Telefonista: Mais alguma coisa?
-Cliente: Não. É só isso... Não. Espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
-Telefonista: O regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...
-Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou atirar-me pela janela!!!!
-Telefonista: E torcer um pé? O senhor mora no rés-do-chão...!

Morreu o líder da Independência da Eslovénia - Janez Drnovsek

Mr Drnovsek dominated Slovene politics since independence in 1991
Mr. Drnovsek was prime minister from 1992 until 2002, when he was elected president. He did not run for a second term in December due to ill health.
No cause of death was given, but he had a cancerous kidney removed in 1999. The disease later spread to his lungs.
The illness prompted him to promote a healthy lifestyle and vegetarian diet.
In recent years, Mr Drnovsek wrote three books on spirituality which became best-sellers in Slovenia and were translated into several languages.
'Awakening'
A trained economist and former banker, Mr Drnovsek was first elected to the Slovenian parliament in 1986, and served as a chairman of the former Yugoslavia's rotating presidency between 1989 and 1990.
In 1991, he helped secure multi-party democracy and independence for Slovenia by acting as the country's main negotiator in talks with the Yugoslav army.
It is hard for me to say if the change was only caused by the illness... It is true that the illness acts as a shock - it awakens one
Janez Drnovsek
After the collapse of the Democratic Opposition of Slovenia (Demos) coalition in 1992, Mr Drnovsek helped found the centre-left Liberal Democrats and led the party to victory in that year's parliamentary election.
During the 10 years he served as prime minister, Mr Drnovsek helped build a healthy economy and stable democracy, and played a major role in preparing Slovenia to join the European Union and Nato in 2004.
In 2002, he ran for the presidency of Slovenia, and was elected in the second round.
After three years in the post, Mr Drnovsek revealed that doctors had diagnosed what he described as incurable "formations", believed to be cancer, on his lungs and liver.
The diagnosis prompted him to radically change his life. He cut his staff, quit the Liberal Democrats and launched a Movement for Justice and Development open to "all people who wish to change the world for the better".
He became a champion of the environment, animal rights and the oppressed, criticised his government and often boycotted state occasions.
He did not run for a second five-year term in December and was succeeded by Danilo Tuerk.
Obs: Como diria o nosso consultor para as questões estratégicas, F. Casanova: "morreu um homem bom".
De facto, a esta desgraça deverá fomentar-se mais um certo esprit de romantismo na política de modo a que ela possa ser o que já foi: uma actividade tão nobre quanto intensa em prol do bem comum, e cujos efeitos poderá transvasar as fronteiras nacionais...
Todos deveremos meditar nesta trajectória de vida e de exemplo para o futuro - até para percebermos melhor quem somos. O drama humano dos outros deverá trazer-nos algum ensinamento, sob pena de tudo ter sido em vão...

A cheia milenar - por Francisco Sarsfield Cabral -

A cheia milenar, in Público
Não é só a localização da nova ponte sobre o Tejo, em Lisboa, que suscita debate. Há outros casos polémicos, mas pouco conhecidos. É o que acontece com o atravessamento do rio Douro junto ao Pocinho e a novos troços do IP2.
Vale a pena trazer este assunto a público porque não se trata de um mero problema local. Estão em jogo valores – e dinheiro dos contribuintes – de importância nacional.
Primeiro, porque a obra afecta uma parte emblemática da Região Demarcada do Douro, um dos poucos tesouros históricos, culturais e económicos do País. Se no turismo não queremos ficar dependentes apenas do sol e das praias, a região duriense merece todos os cuidados. Em 2002 a UNESCO considerou Património Mundial o Alto Douro Vinhateiro, estabelecendo como zona de protecção a Região Demarcada. Acresce que a desertificação do interior de Portugal prossegue – há, por isso, que aproveitar tudo o que a possa contrariar.
O primeiro-ministro foi lúcido ao apontar, em Agosto de 2006, onde deve assentar o desenvolvimento da Região Demarcada do Douro: no vinho, na paisagem, no turismo e na cultura. Ora alertam-me familiares e amigos para que uma parte do futuro traçado do IP2 porá em causa estes pilares do desenvolvimento duriense.
Claro que boas vias de acesso são essenciais. Mas não pode a construção de estradas levar à prioridade absoluta da “política do betão”, tão criticada pelo PS quando estava na oposição. Há que ponderar outros factores, sobretudo quando se pode fazer praticamente o mesmo em matéria rodoviária gastando e estragando muito menos.
A Estrutura de Missão do Douro (EMD), chefiada pelo antigo secretário de Estado Ricardo Magalhães, deu parecer negativo ao novo traçado do IP2 entre a Ponte do Sabor e o Pocinho. E manifestou dúvidas quanto ao troço que vai atravessar os concelhos da Meda e de Foz Côa (Jornal de Notícias de 30 de Janeiro passado). As Câmaras de Foz Côa e de Torre de Moncorvo estão contra. A Comissão de Desenvolvimento Regional do Norte também. Dezenas de agricultores subscreveram um abaixo-assinado insurgindo-se contra o projectado troço. E o Estudo de Impacte Ambiental sobre um dos projectados troços do IP2 (Pocinho-Longroiva) data de 1994, tendo perdido validade jurídica, além de que muita coisa aconteceu entretanto (plantaram-se mais vinhas na zona em causa, a Região do Douro tornou-se património mundial, etc.).
Porque se insiste, então, numa obra caríssima, que irá desfigurar a paisagem e destruirá algumas das melhores vinhas e dos melhores olivais da região, quando bastaria melhorar o actual traçado da EN 102, em larga medida paralelo a vários troços do IP2 que se pretendem construir? Como diz o parecer da EMD, não se percebe porque não se estudou essa alternativa, que “evitaria o atravessamento do Alto Douro Vinhateiro”.
O argumento invocado como resposta é surpreendente: por causa da “cheia milenar”, isto é, de uma enorme cheia do Douro que poderá acontecer nos próximos mil anos... Daí que o traçado previsto fique acima da cota que tal cheia atingiria, com todas as consequências negativas daí decorrentes: é muito mais caro, porque exige “obras de arte” (incluindo uma ponte) e implica a destruição de vinhas e do ambiente.
De facto, a actual estrada já foi afectada por cheias do rio Douro. Mas isso resultou de erros de construção, que descurou os aterros. Uma vez reconstruídos correctamente os troços em causa, nunca mais as cheias do Douro prejudicaram a estrada, incluindo a grande cheia de 2001.
Ou seja, feitas as obras necessárias na estrada já existente, a “cheia milenar”, a acontecer, não causaria estragos. Como as cheias no Ribatejo não destroem as estradas que ficam temporariamente submersas. Ou será que essas estradas deveriam ser construídas sobre pilares, para nunca ficarem debaixo de água?
Parece que escasseiam o bom senso e o respeito pelo dinheiro dos contribuintes, bem como pelos trunfos que, se forem aproveitados, poderão melhorar a vida dos durienses. Em tempo de contenção da despesa pública e de uma acrescida competição à escala mundial na produção agrícola e no turismo, a invocação da “cheia milenar” para levar por diante esta asneira é ridícula. Se não for travada a tempo, a asneira vai ser paga muito cara pelo país em geral e pelo Alto Douro em particular. A isto chama-se irresponsabilidade.
Francisco Sarsfield Cabral
Jornalista
Sugestão de destaques:
A “política do betão”, tão criticada pelo PS quando na oposição, faz novos estragos. Uma hipotética “cheia milenar” é invocada como argumento para gastar o nosso dinheiro, destruir vinhas e estragar a paisagem única do Alto Douro.
Obs: Envie-se um xerox deste artigo para S. Bento.

Luís Fernando Veríssimo: João e Maria

UM REMAKE
Um "papa" da inteligência do bom gosto humorístico brasileiro, já universal
Domingo, Maio 20, 2007
Um conto de Luís Fernando Veríssimo: "João e Maria"
Esta é uma daquelas histórias que as pessoas juram que aconteceram, não faz muito sentido, com um amigo delas. Há anos você ouve a mesma história, sempre com a garantia de que aconteceu mesmo. Há pouco, com um amigo. Nesta versão o amigo se chama João e a mulher se chama Maria, para simplificar. - O João começou a desconfiar das constantes conversas da Maria com José, amigo do casal. Volta e meia o João pegava a Maria e o Zé cochichando, e quando se aproximava deles, eles paravam. - O que vocês dois tanto conversam? - Nada. Ou a Maria estava falando ao telefone e, quando o João chegava, dizia - "Não posso agora" e desligava. - Quem era? - Ninguém. Não foi uma nem duas vezes. Durante semanas, o ninguém ligou muito. E um dia a Maria anunciou que precisava viajar. Sua vó Nica. No interior. Muito mal. Nas últimas. Precisava vê-la. Iria na 6ª de manhã e voltaria no domingo. - Logo na 6ª, Maria? - Por quê? Que que tem na 6ª? - Nada. João telefonou para a sogra e perguntou como ia a vó Nica. - A mamãe? Deve estar bem. Foi com o grupo dela fazer compras no Paraguai. Maria só levou uma pequena sacola na viagem. Claro, pensou João. Só o que iria precisar, no hotel em que se encontraria com o Zé para um fim de semana de amor. No fim da tarde, só para confirmar, João telefonou do seu escritório para o escritório do Zé. Não, o seu José não estava. Tinha saído cedo e avisado que não voltaria. Muito bem, pensou João. Muito bem. Era assim que ela queria? Pois muito bem. Ele se vingaria. Levaria uma mulher para casa. Sim, para casa. Uma mulher, não. Duas. Fariam um maneger a troi, ou como quer que se chama aquilo - na cama do casal! Na boate, já bêbado, João perguntou para as duas mulheres, Vanessa e Giselle: - Sabem que dia é hoje? - Fala, filhote - disse Vanessa. - O meu aniversário. E sabe que presente a minha mulher me deu? - O quê? (Gisele) - Cornos! E com o Zé. Com o Zé! - Sempre tem um Zé - filosofou a Vanessa. João desconfiara que uma das duas mulheres era um travesti, mas ao chegarem a casa, ele não se lembrava mais qual. Decretou que os três tirariam a roupa antes de entrar na casa. As mulheres toparam. Quando João conseguiu acertar o buraco da fechadura e abrir a porta, a Gisele tinha pulado nas suas costas e se pendurado no seu pescoço, e a Vanessa tentava pegar o seu pénis, e era assim que eles estavam quando as luzes da casa se acenderam e todos que estavam lá para a festa de aniversário que a Maria e o José tinham passado semanas planejando gritaram - "Surpresa!". in LFV, O melhor das Comédias...
PS: Dedicada a todos os desconfiados.

Marcelo Rebelo de Sousa hoje foi isento e imparcial

Marcelo fez hoje um esforço de seriedade para avaliar os fenómenos políticos com algum rigor e seriedade: a situação em Lisboa e a conduta do edil da capital, António Costa, Sócrates e a sua entrevista na Sic e ontem a sua prestação nas Novas Fronteiras, a conduta (lamentável) do Tribunal de Contas e um conjunto de questões mereceram avaliação. E nelas um traço comum avultou: a inexistência de uma oposição credível, mormente na esfera do psd - que vai de mal a pior ante a dissensão permanente nas questões da governação e pelo desrespeito aos compromissos assumidos, mais ou menos expressa, entre Santana & Meneses - o martelo e a bigorna do psd.
Em Lisboa, esteve bem António Costa ao interpôr recurso da decisão do TC - dirigido pelo excesso de zelo de Oliveira Martins - que agora faz avaliações políticas de planos de saneanemtos financeiros a 11 anos. Amazing!!! No mínimo, ridículo, nem nunca tal requisito foi pedido a nenhuma autarquia. Depois a dialéctica do artº 40 e 41 - a que o analista agora aduziu ao artº 128 do OGE - que permite uma opção semelhante à do artº 41 - mas mais suave. Que, em todo o acso, obrigaria a CML a aumentar os impostos...
Seja como for, o edil está no Executivo para tentar resolver problemas, o TC está onde está para afirmar a soberania artificial das suas normas, regulamentos que aplica com um tremendo mau senso que denuncia uma ignorância social e económica do País real em que vivemos. De resto, Guilherme d' Oliveira Martins sempre foi um mui sofrível ministro das finanças, e um mau ministro nas demais pastas onde foi titular.
E de nada vale virem os argumentos canhestros de certos "burros" (burros mesmo burros) ainda por desalfandegar nos estábulos pombalinos - sublinhar a ideia que Oliveira martins, "além de socialista foi também proposto por este governo". Ora, este tipo de argumento revela uma estupidez atroz de gente intelectualmente impreparada e técnicamente cabotina que nem um blog deveria ter.
Por um lado, porque a cor política ou o cartão de militante jamais deveria influenciar decisões de extremo impacto na vida de milhares e milhares de pessoas e de empresas. E neste caso do TC houve, manifestamente, um excesso de zelo lamentável; por outro lado, mesmo tendo sido proposto por este governo liderado por Sócrates - não significa que o agente ou o decisor público à frente do TC - tomasse a decisão mais justa e rigorosa atendendo à situação dramática que Lisboa vive.
Mas, como se sabe, vozes de burro não chegam ao céu. Algumas delas nem sequer passam do "estábulo" das alfândegas donde emanam...
Marcelo hoje leva 17 val. Com tanto elogio a este governo, tanta crítica ao psd faz-de-conta que existe e reconhecimento do élan de Sócrates - estava a ver que Marcelo terminaria a sua prestação com um - Sócrates, ma-ma-mia...
Mas ficaria mal vindo de um conselheiro de Estado.., artificialmente do psd.

domingo

Regresso a Fernando Pessoa.. e aos pastéis-de-nata de Ramos Horta

Somos sempre uma assembleia de heterónimos de nós próprios.

Quando a imaginação regressa ao tamanho duma ervilha, e esta espelha um nada de nada que nada vale, pouco importa recorrer aos factos do mundo - repletos de notícias tão desastrosas quanto previsíveis - para assim confeccionar omeletes sem estaleca. Nós, ao fim e ao cabo, nunca nos realizamos, como diria Fernando Pessoa. Somos dois abismos - um poço fitando o céu. Mas se notarmos bem, é mesmo essa a miséria da nossa existência: um andar, um representar, e depois sobrevem um ar que Deus nos dá, e zás... Vamos desta para melhor!!!
No fundo, mormente para quem escreve - por gosto e até por obrigação - não passamos desses viajantes efémeros que denunciamos a nossa literatura de cordel como os lançamentos num canhoto de uma carteira de cheques, para quem (ainda) os passa.
Ante isto, o céu continua estrelado, antes e depois de nascermos e morrermos. E é nessa folga do durante - que hoje atribui aos homens uma média de idade de 78 anos e às mulheres uma média de 80 anos (porque trabalham menos, certamente!!!) - que andamos para aqui fazendo a nossa contabilidadezinha do abismo, do day-by-day, no jogo do anónimo, do empurra-empurra, do conhecido e do famoso - a fim de iludir e até de adiar o caos em que a vida, verdadeiramente, se tornou.
E porquê?! Hoje são mais as circunstâncias que nos dominam a nós do que há uma, duas ou três décadas. Hoje fazemos mais dinheiro, vestimos e comemos melhor, lemos mais, acedemos a mais e melhores meios e fontes de informação e, nem por isso, branqueámos a nossa mente e civilizamos a nossa razão (que continua bárbara) - e poluída com todas as coisas que sonhamos ser e ter e, afinal, o que nos espera nada mais é do que duas coisinhas miseráveis: uma porta dum gabinete que se abre, e uma porta dum caixão (a prazo) que se fecha...
Aquela, por enquanto, ainda é branca, esta será negra, porque mascarada por uma tremenda escuridão. Talvez por isso o povo diga, e com razão, que passamos bem mais tempo a "dormir" do que os breves anos que aqui vivemos neste chão chamado Terra.
De tudo resultam duas coisas (mais): uma impressão nossa (daquilo que julgamos saber); e uma impressão alheia (daquilo que somos).
Bem ou mal, ricos ou pobres - não nos resta muito mais senão interiorizar este (melo)drama...
Não percebi bem a inserção deste texto aqui, mas lembrei-me das notícias que fluem pelo mundo, e à tarde, enquanto aguardava que o vermelho disparasse para o verde num semáforo em Alcântara, sob chuva modesta, ouvia na tsf uma notícia que me daria imenso prazer eleger como a notícia-pérola do momento: então não é que Ramos-Horta, Presidente de Timor-leste, baleado no início da semana, hoje pediu a Cavaco que não se esqueça de lhe enviar uns pastéis de nata...
Não é isto admirável!!!
PS: Assim sendo, dedicamos este post à memória de Fernando Pessoa, um tesouro no qual ainda hoje todos esgravatamos; ao Presidente Ramos-Horta - que qualquer dia está a ser recebido por António Costa nos Paços do Concelho; e alí ao Pedro Silva - que já está farto das tretas que escrevo...
Ps1: Se somos o que pensamos, se o que somos é resultado dos nossos pensamentos - então eu hoje não não passei dum pastel-de-nata...

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Adenda ao contrato do casino-Royal: parece que o dr. Santana lopes vai à tsf dizer umas balelas para denegrir ainda mais o psd. Pfv, tirem-lhe o revólver, porque um dia ele ainda se suicida em directo num studio perto de si. O que seria uma grande sujeira.